domingo, 27 de novembro de 2011

Livre-se de uma vida karmática



Paulo Coelho diz que “quando a gente quer de verdade, o universo conspira a nosso favor”. Essa frase, embora seja da autoria de um homem que se diz bruxo, certamente é unanimidade entre todos os setores que tentam explicar o cotidiano, ainda que se troquem os substantivos para melhor adequá-la. Mas, será que realmente a força do pensamento move montanhas?

Quando eu tinha 13 anos, freqüentava a comunidade católica da Igreja da Vila Arens e o Padre Alberto (que na época se chamava Bertinho e ainda não era padre) sempre repetia que a fé em Deus desata os nós. Mais tarde, trabalhando com evangélicos, ouvia: “é só orar que tudo dá certo!”. Nos grupos de estudos esotéricos, a explicação vinha das energias magnéticas do pensamento, responsáveis pela concordância dos corpos. Mas foi mesmo lendo sobre psicologia que eu encontrei a explicação mais próxima do nosso dia a dia.

Um psicólogo comportamental diria que o condicionamento adequado e a disciplina resultam no sucesso do indivíduo e o humanista talvez levantasse o equilíbrio de uma pessoa que se aceita como ela é. Mas o fato é que qualquer que seja a crença do personagem, ela vai levá-lo a agir e isso o trará resultados mais próximos de seu objetivo. É como se o cérebro desse uma ordem e todo o corpo da pessoa, incluindo do próprio cérebro, passasse a trabalhar exclusivamente para aquilo.

O problema é que uma grande quantidade de pessoas passa o tempo dando ordens negativas ao cérebro. Pessoas que se dizem “azaradas”, que afirmam carregar o karma disso ou daquilo, que cultivam doenças e se irritam quando alguém diz que está tudo bem. Em outros casos, de tão negativas, elas se convencem de que forças ocultas as impedem de terem uma vida mais tranqüila. Elas assumem um papel e lutam a vida toda numa batalha sem fim, “dando seus pulos” para sobreviverem, mas quando estão quase vencendo a suposta batalha, seu inconsciente se transforma numa espécie de “mestre dos magos”, que vem para sabotar a solução, voltando-a para a sua interminável luta karmatica.

A solução para uma pessoa negativa somente se dá através de um impacto e uma mudança de crenças e valores... algo como um “trauma positivo”... um novo guru, uma nova religião ou crença, uma terapia... ou quem sabe até um novo amor. Já vi pessoas se transformarem para impressionar alguém que realmente importa. Mas o fato é que as crenças geram atitudes e se elas forem positivas, irão gerar resultados. Isso significa que até uma simples decisão de viver a vida de forma diferente pode resolver. A decisão de ter atitudes diferentes pode ser o início de uma solução pra quem sofre desse mal. E se há uma possibilidade boa, deve pensar que isso que vai acontecer.

PS: observe, nos comentários abaixo, a correção do leitor Renato. Fica meu agradecimento ao leitor.

domingo, 20 de novembro de 2011

Dia da Consciência Negra

publicado originalmente em 20.11.2006, às 10:16:08, em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/2006/11/20/dia-da-consciencia-negra/

Leila Lopes, miss Universo 2011
Hoje é o “Dia da Consciência Negra no Brasil”. Devido a esse feriado, temos ouvido muitas matérias sobre o preconceito no mercado de trabalho. Encontramos estatísticas dizendo que o homem negro tem média salarial 50% menor do que a média do homem branco. A mulher negra tem salário 32% menor que a mulher branca e se compararmos o homem branco com a mulher negra a diferença aumenta muito mais. Quando ouvimos as entrevistas com representantes negros percebemos que eles defendem políticas de cotas nas universidades considerando que isso é algo que trabalha para diminuir o preconceito e quem sabe um dia equilibrar os salários. Perguntaram-me se eu como empresário defendo que os salários sejam iguais a homens e mulheres, brancos e negros. Eu respondi que sou a favor que isso aconteça sim, mas não através de políticas de cotas nas universidades.

É preciso entender que quando divulgam-se dados dizendo que negros e mulheres ganham menos que o branco, isso não quer dizer que em uma mesma empresa existem dois profissionais com salários diferentes na mesma função, apenas por cor da pele ou sexo. O que as estatísticas dizem é que negros e mulheres não conseguem empregos tão bons como homens brancos e que por isso, seus salários são menores “em média”. Mas isso é algo histórico. As mulheres ainda sofrem com o mercado de trabalho porque elas têm pouco mais de vinte anos de introdução no mesmo. Na década de 80 a maioria das mulheres casadas eram “donas de casa”. Naquela época as meninas até arrumavam empregos, mas o casamento era sinônimo de abandono da curta carreira para se dedicar as prendas domésticas. Poucas mulheres faziam uma carreira longa e essas eram na maioria professoras, enfermeiras ou cabeleireiras (profissões aceitas pelos maridos). Poucas tinham uma vida profissional mais intensa, com profissões de concorrência com os homens.

É por isso que ainda existe uma diferença de média salarial, pois as mulheres ainda estão entrando no mercado de trabalho. Já o negro sofre de um problema parecido. Ele era escravo até o fim do século XIX e brigava contra os conservadores durante mais da metade do século XX. Hoje o negro bem formado e capacitado disputa o mercado de igual para igual com qualquer outra pessoa. Porém quando colocamos uma vaga para ajudante, teremos uma grande oferta de negros procurando ser admitido enquanto que para uma vaga de engenheiro teremos mais candidatos brancos. Como um engenheiro ganha mais que um ajudante, este contribui melhor com a média salarial de sua raça que o outro que tem menos formação.

Em Salvador, uma cidade onde 70% das pessoas são negras de origem, os grandes homens de sucesso são brancos, mais especificamente os que migraram das regiões Sul e Sudeste. Mas isso acontece porque ele vem de um estado mais rico, conseqüentemente com mais recursos educacionais e por isso se destacam. Eu entendo que o “migrante paulista” está para o nordeste assim como o “imigrante europeu” está para São Paulo, ou seja, num nível intelectual acima. E é por isso que paulista vai ao nordeste ficar rico, assim como europeu vem para o Brasil ficar rico. O caminho inverso é também real, afinal da mesma maneira que algumas pessoas migram do nordeste para São Paulo achando que aqui a vida é bela, muitos brasileiros do Sudeste imigram para o exterior acreditando que lá vão encontrar o paraíso. Os resultados, quase sempre são decepcionantes.

A mulher negra sofre com as duas coisas. E é aí que surgem pessoas defendendo que a cada 100 vagas numa universidade, tantas sejam reservadas para negros e seus descendentes como uma forma de equilibrar a sociedade. Mas isso gera uma rivalidade entre as duas raças sem contar que é uma forma do negro se sentir ainda mais inferior, pois admite que precisaria de ajuda para ser igual. Particularmente eu sou contra a política de cotas, pois entendo que o problema do negro não é exatamente ser negro, mas sim ser pobre, assim como entendo que a dificuldade da mulher se destacar no mercado de trabalho não está no sexo, mas sim na linha de profissões anteriormente escolhidas por elas. Porém é interessante notarmos a mudança, considerando que a maioria dos médicos hoje é formada por mulheres e isso aumenta a renda média feminina. A maioria dos arquitetos também vem da população feminina.

Os negros se destacam muito também no meio musical e no esporte de rua (futebol, basquete e atletismo) enquanto brancos encontram mais incentivos no vôlei, tênis e esportes náuticos (também devido à origem mais rica ou pobre). Então como solução para a desigualdade social, prefiro as políticas de combate à pobreza. Eu acredito que a própria TV poderia ajudar com algumas ações, colocando nas novelas atores negros para os papéis de empresários e galãs ou mulheres negras como grandes mulheres de sucesso, podendo assim influenciar melhor as pessoas fazendo-as acostumarem-se com o negro de sucesso, que hoje felizmente já começa a existir de verdade no Brasil.
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Esse artigo foi escrito em novembro de 2006. Posteriormente, o ator Lázaro Ramos, na novela Global "Insensato Coração", viveu o personagem André, um famoso Dsinger e galã que contracenava com a maravilhosa atriz Camila Pitanga. Em outra novela da mesma emissora, Thaís Araújo protagonizava Helena. A curiosidade entre as 3 personagens é que faziam parte do núcleo rico das histórias.
Em 2011, a Miss Angola Leila Lopes foi eleita a mulher mais bonita do mundo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Como liderar meu filho adolescente?


Muitos dizem que a adolescência é a fase mais crítica da vida. Geralmente é um período em que o jovem desafia os pais, deixa de tê-los como referência e muda completamente seu comportamento. Mas conduzir seus filhos a idade adulta de maneira saudável é também uma forma de colocar a prova a sua liderança. E a primeira pergunta que precisaria ser respondida é: porque os jovens são rebeldes?

Reparem que a mudança de comportamento, invariavelmente é repentina. Eles então aderem a um estilo musical, cortam os cabelos de um jeito diferente, aprendem a lutar, compram um cachorro, etc. Na maioria das vezes percebe-se semelhança nos amigos, pois criar aquelas características é quase que um passaporte para se identificar e entrar na turma. Isso explica as gangues, que se formam de maneira insana e passam a perseguir gangues diferentes, explica as torcidas uniformizadas que brigam com a outra torcida depois do jogo pelo simples fato de torcerem por outro time.

Desde o colegial, os jovens formam as turminhas, que tendem a imitar as séries da TV. Nesta fase da vida, fazer parte de uma turma, para o jovem é uma honra, é a realização. Mais tarde, o som alto no carro tunado, fumar, beber, brigar... tudo é uma forma de exercer a sua identidade. Para tal, o jovem chega a fazer coisas que não gosta de fazer, fingindo que gosta apenas para poder se incluir. E com isso atrai pessoas que também não gostam de nada daquilo, mas o que as seduz é o espírito revolucionário do outro, ou sua capacidade de desafiar o status quo, de incomodar sem se preocupar.

Já sabemos que o que o jovem busca mesmo é a INCLUSÃO. Nessa fase a pessoa precisa participar, precisa ter um sobrenome, o que na maioria das vezes é encontrado junto a turma que ele faz parte. Nesse momento, a influência direta que os pais podem exercer é quase zero e as suas atitudes dali pra frente estão 100% dependentes da “galera”. O que fazer para livrar seu filho dessa vulnerabilidade e tentar assumir você a liderança? Conversar é sempre bom, manter um relacionamento saudável e contar de suas loucuras nessa fase da vida. Mas não adianta tratá-lo como criança (hábito das mães) ou querer fazer o papel de jovem igual a ele (hábito dos pais), pois não vai colar e você parecerá ridículo.

Uma boa ideia é apresentar ao garoto ou garota, algumas alternativas de inclusão, preferencialmente antes ainda de que ele sinta essa necessidade. Apresente os grupos de escoteiros, a comunidade da igreja, uma prática de esporte direcionado ou outros que estejam ao seu alcance. Se você participa de uma associação e esta tem os grupos de jovens, insira seu filho lá. Nessas organizações sempre há um coordenador comprometido com os bons costumes.

E para finalizar, quero fazer apenas uma provocação: percebam, meus leitores, que não é só o jovem que busca inclusão, o adulto é igualzinho... tanto que existe o Rotary, o Lions Club, a Maçonaria, o Jeep Clube, o Clube do Carro Antigo, o Pró Vida, o Clube da Lady, as Associações de Sommeliers...  

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

De que ângulo você está olhando?

Conforme o ângulo que se olha, a imagem pode mudar

Numa versão menos conhecida de “A Bela Adormecida”, a bruxa do Mal, enfurecida por não ter sido convidada para a festa de batismo da princesa, vinga-se jogando um feitiço que a faria dormir por cem anos. E somente no final da história descobre-se que o convite havia sido enviado sim, mas que por um mero acidente, tinha ficado por um século perdido embaixo do tapete. Isso é o que, nas empresas, se chama de “mal-entendido”. Situações como esta tem conseqüências graves e que, nas poucas vezes que se entende o que de fato aconteceu, já é tarde demais, pois a vingança já foi arquitetada e o estrago já aconteceu. 

Cada um de nós tem uma boa quantidade de casos para contar de situações em que fomos vítimas de mal-entendidos deste tipo. E certamente, ainda que não se admita com tanta facilidade, também cada um de nós já foi o que julgou, acusando alguém de alguma coisa. A causa geralmente é uma divergência de opinião, um interesse político na organização ou mesmo uma simples corrente de fofocas, onde “cada um que conta um conto aumenta um ponto” e a história vai ganhando proporções maiores a cada dia. Aquilo que conhecemos por “telefone sem fio” é um dos vilões do mal-entendido. E num ambiente corporativo, parece que as pessoas adoram tirar o tal do fio, pois as novelas da “rádio-peão” ficam muito mais atrativas se parecerem ter um toque de maldade no ar. Tem gente que força tanto a barra para desmoralizar o colega que faria qualquer “Nazareth” ir para o céu. 

E quem ouve passa a repetir fielmente (e aumentando mais um pouco) toda a sinopse do filme. Tolstoy dizia que a gente produz a nossa verdade, que quando uma pessoa está disposta a brigar, até uma flor pode ser considerada como agressão. Talvez essa seja a hora em que “estar com a razão” pareça ser mais importante do que a paz e a felicidade. Uma vez ouvi alguém dar um exemplo ótimo de comportamento e tolerância, dizendo que “uma simples folha de papel, por mais fina que ela seja, sempre tem dois lados”. E os conflitos obviamente também. Dependendo do ângulo que a gente busca para olhar uma situação, a nossa conclusão pode mudar. Pena que o ser humano tenha o hábito de somente olhar o lado da folha que o interessa.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Quem só quer moleza ambiciona o "nada"

“Não gosto que peguem no meu pé, eu gosto de trabalhar a vontade!”

Acredito que seja muito difícil encontrar alguém quem já não tenha dito ou ouvido essa frase pelo menos uma dezena de vezes ao longo da vida. Eu me lembro de, numa ocasião, te-la ouvido de uma colega de faculdade, que se referia justamente ao perfil que cada um temos como líder ou como liderados. Mas para que ninguém pegue no nosso pé, é necessário que a gente faça o que precisa ser feito. E isso a maioria das pessoas sozinhas não fazem. 

O que podemos perceber no dia a dia é que justamente as pessoas que mais precisam de uma orientação de vida são também as que mais fogem de alguém que o direcione. E o motivo pelo qual isso acontece é que a molecada confunde as coisas e acha que o comando existe para tirar a liberdade da gente, pensam que fazer o que o outro diz que deve ser feito diminui o seu mérito no trabalho desenvolvido. Mas como se tornar um mestre sem ter sido aprendiz? 

Na maioria das vezes uma pessoa sem direcionamento e tida como “problema” é alvo de broncas constantes. Depois de um determinado tempo, ela fica estigmatizada pelas suas características negativas e vive sendo abordada de maneiras cada vez mais inadequadas. Quanto mais abordagens truculentas, mais arisco fica o abordado, portanto a bronca pode até ser utilizada, mas para ter efeito positivo, tem que vir acompanhada por uma alternativa de solução.

Quanto aos mais jovens, percebo que muitos que não gostam que "peguem no pé" estão buscando simplesmente uma satisfação imediata, não pensam no que vem pela frente. Querem apenas satisfazer as vontades, como diversão, festa e passatempos, principalmente porque isso causa uma alegria. Acontece que esta alegria é momentânea e que quando o efeito passa, o cara percebe que nada construiu. Por outro lado, os grandes profissionais de hoje são justamente aqueles que, no passado, foram o foco da azucrinação de um líder, que apertava a todo momento e o motivava em igual proporção. Num desabafo recente do grande Professor Rafael Chiuzy, ele diz “Se o seu professor te faz sofrer em alguns momentos, você irá agradecê-lo mais tarde, pois sem sofrimento não há crescimento”. E os que curtem uma academia sabem que isso é verdade.

Acredito que o bom profissional precisa eleger suas prioridades. Se quer ter um trabalho fácil e sem desafios, precisa tomar uma dose de conformismo e ajustar o seu "ponteirinho da ambição" para uma escala mais baixa. Porém se quer subir novos patamares e protagonizar conquistas, necessariamente terá que permitir que alguém o desafie. Não “pegar no pé” é não ensinar e não aceitar que “peguem no seu pé” é idealizar o nada. Precisamos criar/preservar em nosso trabalho o romantismo da formação. A maior recompensa de um líder pelo seu trabalho é ver o sucesso do seu pupilo e a melhor forma de agradecimento que existe é devolver isso ao mundo transferindo conhecimento e competências a outros para que os ciclos possam continuar.