Muitos dizem que a adolescência é a fase mais crítica da vida. Geralmente é um período em que o jovem desafia os pais, deixa de tê-los como referência e muda completamente seu comportamento. Mas conduzir seus filhos a idade adulta de maneira saudável é também uma forma de colocar a prova a sua liderança. E a primeira pergunta que precisaria ser respondida é: porque os jovens são rebeldes?
Reparem que a mudança de comportamento, invariavelmente é repentina. Eles então aderem a um estilo musical, cortam os cabelos de um jeito diferente, aprendem a lutar, compram um cachorro, etc. Na maioria das vezes percebe-se semelhança nos amigos, pois criar aquelas características é quase que um passaporte para se identificar e entrar na turma. Isso explica as gangues, que se formam de maneira insana e passam a perseguir gangues diferentes, explica as torcidas uniformizadas que brigam com a outra torcida depois do jogo pelo simples fato de torcerem por outro time.
Desde o colegial, os jovens formam as turminhas, que tendem a imitar as séries da TV. Nesta fase da vida, fazer parte de uma turma, para o jovem é uma honra, é a realização. Mais tarde, o som alto no carro tunado, fumar, beber, brigar... tudo é uma forma de exercer a sua identidade. Para tal, o jovem chega a fazer coisas que não gosta de fazer, fingindo que gosta apenas para poder se incluir. E com isso atrai pessoas que também não gostam de nada daquilo, mas o que as seduz é o espírito revolucionário do outro, ou sua capacidade de desafiar o status quo, de incomodar sem se preocupar.
Já sabemos que o que o jovem busca mesmo é a INCLUSÃO. Nessa fase a pessoa precisa participar, precisa ter um sobrenome, o que na maioria das vezes é encontrado junto a turma que ele faz parte. Nesse momento, a influência direta que os pais podem exercer é quase zero e as suas atitudes dali pra frente estão 100% dependentes da “galera”. O que fazer para livrar seu filho dessa vulnerabilidade e tentar assumir você a liderança? Conversar é sempre bom, manter um relacionamento saudável e contar de suas loucuras nessa fase da vida. Mas não adianta tratá-lo como criança (hábito das mães) ou querer fazer o papel de jovem igual a ele (hábito dos pais), pois não vai colar e você parecerá ridículo.
Uma boa ideia é apresentar ao garoto ou garota, algumas alternativas de inclusão, preferencialmente antes ainda de que ele sinta essa necessidade. Apresente os grupos de escoteiros, a comunidade da igreja, uma prática de esporte direcionado ou outros que estejam ao seu alcance. Se você participa de uma associação e esta tem os grupos de jovens, insira seu filho lá. Nessas organizações sempre há um coordenador comprometido com os bons costumes.
E para finalizar, quero fazer apenas uma provocação: percebam, meus leitores, que não é só o jovem que busca inclusão, o adulto é igualzinho... tanto que existe o Rotary, o Lions Club, a Maçonaria, o Jeep Clube, o Clube do Carro Antigo, o Pró Vida, o Clube da Lady, as Associações de Sommeliers...

Ola Aguinaldo,
ResponderExcluirSeus posts são sempre muito bons, porém neste aqui, permita-me a observação, acho que faltou exatamente a experiencia de pai de adolecentes.
Nenhuma criança é boa ou má. Elas são massinhas de modelar e cabe aos pais, ainda que sem manual de procedimentos, saber como moldá-las. A Adolecencia é, sem duvida, uma fase dificil nos relacionamentos familiares, porém o grau de dificuldade sera diretamente proporcional aos cuidados tidos durante a infancia.
Papo de mãe ou de pai não pega. Tentar entender o adolecente é fingir ou encobrir a incompetencia na formação da criança. Foi-se o tempo em que umas boas palmadas, rigidez e respeito corrigia filhos. Não se conhecem adultos de hoje que tenham tido uma criação rigorosa que estejam frustrados ou traumatizados a ponto de cometerem suicidio.
Sei que estou sendo um tanto quanto ferrenho, mas discordo deste tom demasiado ameno de que o adolecente é um problema indissoluvel. O melhor remedio segue sendo a estruturação da familia desde a tenra idade e orientar os filhos desde cedo. Lamentar o leite derramado com a celebre frase "onde foi que eu errei" não ajuda em nada.
Falei
Carlos Mai
Carlos,
ResponderExcluirEu também não sou adepto a educação moderna, onde tudo frustra. Acredito que o jovem que tem tudo nas mão deixa de aprender a se virar sozinho. Meu artigo é em relação a necessidade que o ser humano tem de ser INCLUÍDO.
Agradeço seu comentário, fico feliz quando vejo que vc sempre acompanha o blog.
Abraços
Em complemento a estrutura familiar e a aproximação que deve ser desde sempre com o filho, acrescento a necessidade de entender-se a fase hormonal! Não é fácil principalmente para o garoto o turbilhão de sentimentos de solidão, a enorme apatia e desinteresse pra tudo que não ativar os hormônios. Lembro porque já fui adolescente...rs
ResponderExcluirGrande texto e grande discussão, parabéns!
Só complementando, "filhos criados, trabalho dobrado". Este excesso de trabalho representa exatamente a vontade dos pais na INCLUSAO do filho na sociedade, preenchendo lacunas importantes para ele e os demais. Entretanto a inclusao aqui discutida não pode resumir-se ao entender seus gethos, tribos ou revoltas, assim como seus hormonios desregulados. Estes fatores são inerentes da transição que eles vivem. Reitero que os cuidados tem que vir desde cedo. Aquelas criancinhas lindas que sobem e mexem em tudo, gritam, esperneiam, se portam mal e os papaizinhos costuma dizer "filhinho não faça assim que o papai não gosta" são potenciais candidatos a passar por toda sorte de problemas na adolecencia.
ResponderExcluirPrecisamos - toda sociedade - discitir mais sobre este tema. Afinal, trata-se do futuro de nossos filhos e de toda uma geração.
abraços