domingo, 20 de novembro de 2011

Dia da Consciência Negra

publicado originalmente em 20.11.2006, às 10:16:08, em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/2006/11/20/dia-da-consciencia-negra/

Leila Lopes, miss Universo 2011
Hoje é o “Dia da Consciência Negra no Brasil”. Devido a esse feriado, temos ouvido muitas matérias sobre o preconceito no mercado de trabalho. Encontramos estatísticas dizendo que o homem negro tem média salarial 50% menor do que a média do homem branco. A mulher negra tem salário 32% menor que a mulher branca e se compararmos o homem branco com a mulher negra a diferença aumenta muito mais. Quando ouvimos as entrevistas com representantes negros percebemos que eles defendem políticas de cotas nas universidades considerando que isso é algo que trabalha para diminuir o preconceito e quem sabe um dia equilibrar os salários. Perguntaram-me se eu como empresário defendo que os salários sejam iguais a homens e mulheres, brancos e negros. Eu respondi que sou a favor que isso aconteça sim, mas não através de políticas de cotas nas universidades.

É preciso entender que quando divulgam-se dados dizendo que negros e mulheres ganham menos que o branco, isso não quer dizer que em uma mesma empresa existem dois profissionais com salários diferentes na mesma função, apenas por cor da pele ou sexo. O que as estatísticas dizem é que negros e mulheres não conseguem empregos tão bons como homens brancos e que por isso, seus salários são menores “em média”. Mas isso é algo histórico. As mulheres ainda sofrem com o mercado de trabalho porque elas têm pouco mais de vinte anos de introdução no mesmo. Na década de 80 a maioria das mulheres casadas eram “donas de casa”. Naquela época as meninas até arrumavam empregos, mas o casamento era sinônimo de abandono da curta carreira para se dedicar as prendas domésticas. Poucas mulheres faziam uma carreira longa e essas eram na maioria professoras, enfermeiras ou cabeleireiras (profissões aceitas pelos maridos). Poucas tinham uma vida profissional mais intensa, com profissões de concorrência com os homens.

É por isso que ainda existe uma diferença de média salarial, pois as mulheres ainda estão entrando no mercado de trabalho. Já o negro sofre de um problema parecido. Ele era escravo até o fim do século XIX e brigava contra os conservadores durante mais da metade do século XX. Hoje o negro bem formado e capacitado disputa o mercado de igual para igual com qualquer outra pessoa. Porém quando colocamos uma vaga para ajudante, teremos uma grande oferta de negros procurando ser admitido enquanto que para uma vaga de engenheiro teremos mais candidatos brancos. Como um engenheiro ganha mais que um ajudante, este contribui melhor com a média salarial de sua raça que o outro que tem menos formação.

Em Salvador, uma cidade onde 70% das pessoas são negras de origem, os grandes homens de sucesso são brancos, mais especificamente os que migraram das regiões Sul e Sudeste. Mas isso acontece porque ele vem de um estado mais rico, conseqüentemente com mais recursos educacionais e por isso se destacam. Eu entendo que o “migrante paulista” está para o nordeste assim como o “imigrante europeu” está para São Paulo, ou seja, num nível intelectual acima. E é por isso que paulista vai ao nordeste ficar rico, assim como europeu vem para o Brasil ficar rico. O caminho inverso é também real, afinal da mesma maneira que algumas pessoas migram do nordeste para São Paulo achando que aqui a vida é bela, muitos brasileiros do Sudeste imigram para o exterior acreditando que lá vão encontrar o paraíso. Os resultados, quase sempre são decepcionantes.

A mulher negra sofre com as duas coisas. E é aí que surgem pessoas defendendo que a cada 100 vagas numa universidade, tantas sejam reservadas para negros e seus descendentes como uma forma de equilibrar a sociedade. Mas isso gera uma rivalidade entre as duas raças sem contar que é uma forma do negro se sentir ainda mais inferior, pois admite que precisaria de ajuda para ser igual. Particularmente eu sou contra a política de cotas, pois entendo que o problema do negro não é exatamente ser negro, mas sim ser pobre, assim como entendo que a dificuldade da mulher se destacar no mercado de trabalho não está no sexo, mas sim na linha de profissões anteriormente escolhidas por elas. Porém é interessante notarmos a mudança, considerando que a maioria dos médicos hoje é formada por mulheres e isso aumenta a renda média feminina. A maioria dos arquitetos também vem da população feminina.

Os negros se destacam muito também no meio musical e no esporte de rua (futebol, basquete e atletismo) enquanto brancos encontram mais incentivos no vôlei, tênis e esportes náuticos (também devido à origem mais rica ou pobre). Então como solução para a desigualdade social, prefiro as políticas de combate à pobreza. Eu acredito que a própria TV poderia ajudar com algumas ações, colocando nas novelas atores negros para os papéis de empresários e galãs ou mulheres negras como grandes mulheres de sucesso, podendo assim influenciar melhor as pessoas fazendo-as acostumarem-se com o negro de sucesso, que hoje felizmente já começa a existir de verdade no Brasil.
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Esse artigo foi escrito em novembro de 2006. Posteriormente, o ator Lázaro Ramos, na novela Global "Insensato Coração", viveu o personagem André, um famoso Dsinger e galã que contracenava com a maravilhosa atriz Camila Pitanga. Em outra novela da mesma emissora, Thaís Araújo protagonizava Helena. A curiosidade entre as 3 personagens é que faziam parte do núcleo rico das histórias.
Em 2011, a Miss Angola Leila Lopes foi eleita a mulher mais bonita do mundo.

Um comentário:

  1. Se agregar não é segregar..dispensar não é não pensar... Pra mim, só de se dizer a palavra cota, já é segregar! Meritocracia já! Eu era criança pobre e tinha um vizinho negro que era de classe média, precisa ver que legal, se mudássemos de cor da pele, poderíamos passar na novela. No Brasil é o poder econômico e não a cor o cancer do racismo! desculpa, é que não tomei meu remédio hj..rs

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