sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Quem só quer moleza ambiciona o "nada"

“Não gosto que peguem no meu pé, eu gosto de trabalhar a vontade!”

Acredito que seja muito difícil encontrar alguém quem já não tenha dito ou ouvido essa frase pelo menos uma dezena de vezes ao longo da vida. Eu me lembro de, numa ocasião, te-la ouvido de uma colega de faculdade, que se referia justamente ao perfil que cada um temos como líder ou como liderados. Mas para que ninguém pegue no nosso pé, é necessário que a gente faça o que precisa ser feito. E isso a maioria das pessoas sozinhas não fazem. 

O que podemos perceber no dia a dia é que justamente as pessoas que mais precisam de uma orientação de vida são também as que mais fogem de alguém que o direcione. E o motivo pelo qual isso acontece é que a molecada confunde as coisas e acha que o comando existe para tirar a liberdade da gente, pensam que fazer o que o outro diz que deve ser feito diminui o seu mérito no trabalho desenvolvido. Mas como se tornar um mestre sem ter sido aprendiz? 

Na maioria das vezes uma pessoa sem direcionamento e tida como “problema” é alvo de broncas constantes. Depois de um determinado tempo, ela fica estigmatizada pelas suas características negativas e vive sendo abordada de maneiras cada vez mais inadequadas. Quanto mais abordagens truculentas, mais arisco fica o abordado, portanto a bronca pode até ser utilizada, mas para ter efeito positivo, tem que vir acompanhada por uma alternativa de solução.

Quanto aos mais jovens, percebo que muitos que não gostam que "peguem no pé" estão buscando simplesmente uma satisfação imediata, não pensam no que vem pela frente. Querem apenas satisfazer as vontades, como diversão, festa e passatempos, principalmente porque isso causa uma alegria. Acontece que esta alegria é momentânea e que quando o efeito passa, o cara percebe que nada construiu. Por outro lado, os grandes profissionais de hoje são justamente aqueles que, no passado, foram o foco da azucrinação de um líder, que apertava a todo momento e o motivava em igual proporção. Num desabafo recente do grande Professor Rafael Chiuzy, ele diz “Se o seu professor te faz sofrer em alguns momentos, você irá agradecê-lo mais tarde, pois sem sofrimento não há crescimento”. E os que curtem uma academia sabem que isso é verdade.

Acredito que o bom profissional precisa eleger suas prioridades. Se quer ter um trabalho fácil e sem desafios, precisa tomar uma dose de conformismo e ajustar o seu "ponteirinho da ambição" para uma escala mais baixa. Porém se quer subir novos patamares e protagonizar conquistas, necessariamente terá que permitir que alguém o desafie. Não “pegar no pé” é não ensinar e não aceitar que “peguem no seu pé” é idealizar o nada. Precisamos criar/preservar em nosso trabalho o romantismo da formação. A maior recompensa de um líder pelo seu trabalho é ver o sucesso do seu pupilo e a melhor forma de agradecimento que existe é devolver isso ao mundo transferindo conhecimento e competências a outros para que os ciclos possam continuar.

2 comentários:

  1. O Eterno equilíbrio... Aproveitar o hoje, que é o uníco tempo que existe, ou se precaver para o amanhã? Ambicionar muito e se decepcionar muito ou faze-lo pouco e ter pouca felicidade? A sabedoria está em ter tudo isso sem fazer com que sejamos carrancudos e pesados!Como um Companheiro que arrisca e depois volta para o eixo! Obrigado meu irmão pela oportunidade que vc me dá em refletir...

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  2. picida9@hotmail.com11 de novembro de 2011 23:17

    Pegando carona no comentario acima: "obrigada pela oportunidade que vc me dá para refletir".

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