terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O que eu aprendi assistindo desenho


Passei toda a minha infância na frente da televisão. Embora eu também tenha jogado bola na rua, soltado pipa e andado de carrinhos de rolimã, admito que a televisão era o computador e o vídeo game da minha época. Era de lá que nossas mães tentavam nos arrancar no final da tarde, para podermos tomar banho e jantar. E na maioria das vezes, a programação preferida era “desenho animado”.

Posso dizer que Walter Lantz, Walt Disney e Hanna & Barbera também foram meus professores. Muito do que sou hoje, aprendi com eles. Aprendi que algumas pessoas são como o Pato Donald: boas, mas ranzinzas. Com o Ligeirinho, aprendi que tamanho não é documento e que não preciso temer os maiores. Com o Mr Magoo, entendi que somos capazes de muitas coisas quando não enxergamos o limite. Com a Quadrilha de Morte, notei que o trabalho em equipe é fundamental. Mas pra que a equipe avance, deve haver um líder... até os Smurfs tinham um.

Também notei que o crime não compensa, pois nunca vi o Esqueleto vencer He-Man. Que trapacear também não dá certo, é só observar que Dick Vigarista nunca ganhou uma corrida e nem conseguiu pegar o pombo. Também não posso ser muito bonzinho, basta ver o quanto apanhava o Loopy Le Beau. Que ser camarada demais também tem seu preço e Gaparzinho era um exemplo. Então concluí que eu precisava ser honesto, mas ter um pouco de malícia. Nesse quesito, a malícia, tive dois ótimos instrutores: o Pica-Pau e o Pernalonga. O primeiro era incansável e ria inclusive de suas raras derrotas, já o segundo esbanjava tranqüilidade e encontrava tempo para comer uma cenoura até nos momentos mais difíceis.

Por isso não me desespero em situações de extrema dificuldade, apenas fico pensando onde encontrar meu espinafre que me dará a força do Popeye e, em caso de não encontrá-lo, volto aos meus princípios como fazia a Formiga Atômica, que quando o bicho pegava, voltava ao seu formigueiro e treinava (um, dois... um, dois...). E por mais que eu torcesse para o Coyote, sempre via o Papa-Léguas vencer a batalha porque era mais rápido e inteligente, além de estar sempre sorrindo. Por outro lado, Hardy Har-Har terminava todos os episódios fugindo e eu percebi que não valia ser negativo igual a ele. Também aprendi a assumir meus erros e esperar para repará-los, jamais agindo como o Leão da Montanha, saindo pela esquerda.

Os Herculóides eram fiéis aos seus parceiros, arriscando a própria vida para defendê-los. Assim faziam também os Brasinhas do Espaço e o Jonny Quest. Também é preciso administrar brigas internas e acalmar os ânimos, como os de Leila e Tutubarão. Em Os Flintstones, os melhores amigos brigavam, mas depois admitiam o erro e pediam desculpas. Com o Gato Corajoso e o Rato Minuto descobri que gato e rato podem também fazer parte de um mesmo time. Mesmo que seu fiel parceiro seja meio lerdo, ele pode te ajudar e a prova estava em Esquilo Sem Grilo e Moleza, mas há de se ter cuidado para que o atrapalhado não seja você, pois nem sempre o Babaloo conseguia salvar Pepe Legal.

As estratégias do Manda-Chuva me faziam pensar que tudo é possível, mas que pode haver um Batatinha  pra por tudo a perder. Em Mightor, vi que um herói tem seguidores e que este, às vezes se mete em encrencas por ainda não estar preparado, mas que não podemos deixar de incentivá-los, como fazia Space Ghost. Aprendi a não subestimar nenhum Xodó da Vovó, porque ele pode ser bravo. E a não superestimar a Cosmos frente a Spacely (Os Jetsons), pois o mundo espacial também dá voltas. Pra finalizar, entendi que um líder que se preza transmite confiança, igual ao Super Homem na Sala de Justiça e que um profissional de sucesso sempre vai adotar o grito de guerra dos Impossíveis, que é “Lá vamos Nós!!!”.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cabo de guerra


Faz duas semanas, escrevi sobre a diferença entre Chefe e Mentor, num ambiente profissional. Naquele dia, algumas pessoas de minha empresa comentaram o assunto confirmando esse pensamento. Um dos colegas falou que, embora saiba que seu líder quer sempre o seu sucesso, em alguns momentos vê como se estivessem puxando um cabo de guerra, hora pro mesmo lado, hora de lados opostos. No dia seguinte, fizemos uma reunião abordando o tema e pudemos aprofundar nas reflexões.

Chegamos a conclusão de que tudo é uma questão de comprometimento. Quando um profissional inicia seu trabalho com um “Líder Mentor”, ambos se comprometem com uma determinada tarefa, que por sua vez, visa realizar um sonho. É como se mentor e liderado entrassem naquele mesmo cabo de guerra puxando para o lado do sucesso. Do outro lado tem um fantasminha, safadinho, que tenta nos pregar uma peça, tenta nos enganar e chega até a se passar por nossa felicidade, fingindo ser nosso amigo e nos seduz.

Em alguns muitos casos, o profissional se sente cansado, com o saco cheio e pensa em desistir. O mentor continua focado e cobrando-lhe o compromisso. É por isso que as vezes parece que estão puxando a corda para lados contrários. Mas o mentor não mudou de lado, ele permanece puxando para o lado do sucesso... o liderado, por conta de seu cansaço, é que mudou e está querendo fazer o que é mais fácil. É por isso que o liderado, em momentos de dificuldade e sem que possa perceber, começa a puxar pro lado do fantasma, tendo a sensação de que o mentor é seu adversário.

Qualquer trabalho de orientação profissional somente dá certo se houver um comprometimento entre as partes, construindo verdadeiramente uma relação de confiança. Se o liderado confia em seu mentor, num momento de conflito, ainda que contrariado ele segue a orientação do líder, confiando que está fazendo o que é certo, mesmo que somente possa descobrir isso mais tarde. Se não houver confiança entre as partes, não haverá linha de trabalho e o desenvolvimento ficará altamente comprometido, interrompendo-se no primeiro desentendimento.

Qualquer mentor que se presa é infinitamente fiel ao que se propõe a fazer. Se combinou te puxar para o sucesso, vai te puxar para o sucesso. Caso você mude de lado, ele continuará te puxando para o lado antes combinado. O mentor tem apenas duas opções aceitáveis: ou ele te puxa para o sucesso ou ele te larga, mas ele jamais te puxará para o fracasso, por mais que você possa insistir. O problema é que alguns liderados, seduzidos por facilidades momentâneas, permanecem céticos e displicentes, não creem que seriam largados e por isso ficam fazendo média, dificultando o trabalho do mentor. Então explica-se o fato de vermos pessoas cheias de potencial chegarem a meia idade totalmente perdidas. Será que não tiveram oportunidades na vida? Será que nunca ninguém as orientou? Ou será que jogaram fora suas chances, tendo suas cordas largadas como queria o fantasminha?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Navegar é Preciso, viver é impreciso

Para que uma equipe de trabalho possa atingir seus objetivos, é fundamental que ela saiba o que está buscando. Existem inúmeras equipes que não sabem e nunca vão saber o que é atingir uma meta, simplesmente porque nunca tiveram uma. E além da meta, há que se ter um planejamento para que se possa alcançá-la. Algo como um plano de vôo, uma espécie de estratégia que traçaria os caminhos escolhidos para chegar aos objetivos traçados. Alguns podem até questionar dizendo que, na prática tudo poder sair diferente e seria necessário improvisar... é verdade... mas se não tivemos planos, nem improvisar conseguiremos.

Já que falamos em plano de vôo, creio que seja esta uma boa comparação: A frase “Navegar é preciso, Viver não é preciso”, é inadequadamente usada em alguns discursos populistas, dando mais importância a caminhada do que ao sucesso. Ela ficou muito conhecida entre os brasileiros em 1973, quando Ulysses Guimarães, um fã de Fernando Pessoa, citou o autor em seu discurso para se lançar anticandidato a Presidência da República, em pleno Regime Militar brasileiro. Mas Fernando Pessoa, quando escreveu o poema no início do século passado, também teria citado um general italiano do ano 50 aC.

E o que Cneu Pompeu dizia para suas tropas era justamente o contrário do que se entende hoje... até porque a língua portuguesa trás alguns termos que são ambíguos ou tem dois significados. Precisão, por exemplo, quer dizer algo milimetricamente justo, sem divergência, sem falhas ou margens de erro. Pompeu repetia que “navegar é preciso”, pois o navegador conta com um planejamento preciso. Já a vida, esta prega peças e nos desafia todos os dias a termos uma grande capacidade de improviso. Ou seja, a vida não é precisa... viver depende da nossa capacidade de lidar com o que acontece.

E se navegar é preciso, percebemos no dia a dia muitas equipes sendo lideradas de maneira totalmente imprecisa, ou seja, sem nenhum planejamento. Muitos líderes entram na internet, encontram uma historinha bonitinha e emocionante e saem lendo para todo o seu departamento. Esquecem-se porém, de observar se aquela mensagem é o que a equipe precisa ouvir. Às vezes, dizem hoje uma coisa completamente contrária ao que se disse ontem e confundem totalmente a cabeça dos seus profissionais. Pregam hoje que se aja pelo instinto e, daqui a pouco, que se pense antes de fazer.

Então pergunto a esses líderes: Que tipo de educação querem dar às suas equipes? Será que há uma linha, um norte, um objetivo em seus trabalhos? Será que eles, assim como suas empresas, têm uma missão definida? Na maioria das vezes, não têm! Será que Cneu Pompeu venceria guerras sem ter um norte? Fernando Pessoa encantaria o mundo sem uma missão? Ulysses Guimarães desfiaria Geisel sem um plano de vôo? Então, se navegar é algo preciso, naveguemos com planos que busquem o nosso objetivo de vida. Pois viver, como dizia Ulysses, pode não ser preciso, mas é no mínimo necessário.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A diferença entre ter um chefe ou um mentor

A maioria das pessoas enxerga o chefe como um adversário. Entende que chefe é um soldado do exército inimigo, comprometido com os interesses da empresa e que esses são, por princípios, diferentes dos seus  como funcionário. Acreditam que ele (o chefe) existe só para mandar, controlar, vigiar e castigar. Em contrapartida, a maioria dos chefes tem uma visão taylorista da coisa, acha que os seus funcionários sempre vão enrolar e fugir do trabalho. Aí o chefe se comporta como um “capitão do mato” e o funcionário, melindrado, passa a agir na defensiva. É por este motivo que surgem os conflitos.

Vivemos ainda numa espécie de paradigma marxista de que patrão e empregado sempre tenham objetivos divergentes e que cada um vai que lutar apenas pelo seu ideal. Acontece que em alguns casos, os objetivos são os iguais e mesmo assim os dois continuam brigando. Agem como se estivessem numa guerra e, nessas condições, o soldado sempre está mais preocupado em atacar e defender do que em saber quais os reais motivos para guerrear.

Curioso é que o chefe sempre quer bons funcionários, mas não se preocupa em dar a eles a “formação” e o entendimento para que se tornem bons, enquanto que os funcionários querem empregos em grandes empresas, mas não agem para que as suas empresas se tornem grandes. Se ambos entenderem que tem um objetivo em comum, estes deixarão de divergir nos valores e ideais, passando a discordar, no máximo e talvez, em relação aos métodos. Daí pra frente surge a diferença entre ter (ou ser) um chefe ou um mentor.

Mentor é aquele líder que indica os caminhos para que o profissional atinja seus objetivos. Normalmente este mentor é o pai, o tio, um coach profissional, ou outro alguém mais experiente e comprometido com a carreira e sucesso do indivíduo. Mas há casos em que o líder dele (chefe) age como mentor, direcionando o liderado para caminhos que realmente vão levá-lo ao crescimento. Alguns podem dizer que há uma diferença básica entre o mentor independente e o chefe direto (parte interessada), que o primeiro indica o caminho e o segundo o dita... até concordo, mas o fato é que esse detalhe pode ser superado pela confiança estabelecida entre ambos.

A gente sempre acha o pai do amigo mais legal do que o nosso próprio pai e o interessante é que o nosso amigo sempre acha o contrário. Da mesma forma, nosso comportamento é corporativista, preferindo acreditar em um colega de trabalho (ainda que ele não seja modelo de sucesso) do que no chefe. Isso porque tendemos a seguir os iguais. Somos mais vulneráveis a nos influenciarmos por um colega da mesma idade (e descolado) a fazer algo (ainda que idiota) do que a ouvirmos pessoas de mais vivência e sucesso, que tentam evitar que façamos besteira. Nos identificamos mais com os que encorajam nossas vontades imediatas, mas geralmente esses não estão por perto para nos socorrer quando algo dá errado.

Como já dizia o grande filósofo Homer Simpson, “se a culpa é minha, eu a ponho em quem eu quiser”, e é isso que se faz por aí. Quando a empresa te demite, elege-se logo um desalmado para culpar. Quando um funcionário pede demissão, culpa-se a falta de comprometimento dele para justificar que não deu certo. Mas se pensarem que os objetivos podem ser iguais, a discordância se limitará apenas quanto aos métodos... e aí, é uma questão de provar o que dá mais certo.