domingo, 30 de dezembro de 2012

A satisfação com migalhas leva ao comodismo


Quando comecei a trabalhar em área comercial, aprendi que um profissional de sucesso precisa ser ambicioso. Nada de se conformar com o mediano, de achar que uma vidinha tranquila seria o suficiente. E confesso que, por bastante tempo, eu não entendia a necessidade dessa tal ambição e chegava a confundir com ganância. A diferença entre as duas palavras sempre se deu pelos meios de conquista, pelo respeito pela ética e pelo seu valor social, mas mesmo assim eu ainda tinha algum receio de ser ambicioso demais. Até que um dia um amigo sexagenário me disse que a pior coisa que pode acontecer com alguém medíocre é ganhar um campeonato, porque a satisfação com migalhas leva ao comodismo. E isso me fez pensar.

Estamos em mais uma época de Ano Novo, período em que as pessoas costumam traçar metas para o ano vai começar. Desde que eu me lembro das festas de réveillon, lembro-me também de todos os planejamentos que as pessoas faziam para o futuro, principalmente aquelas que tiveram um ano velho não tão bem aproveitado. Refletindo, concluí que a necessidade de colocar metas de recuperação é mais latente do que o hábito de traçar novos objetivos para superar aqueles já alcançados. Numa rápida avaliação, percebo que também as minhas preces de ano novo sempre foram mais calorosas no final dos meus anos ruins do que naqueles em que tudo tinha dado certo e que o sucesso havia acontecido.

E agora, pensando nisso, chego a conclusão de que a nossa trajetória é (erroneamente) regida muito mais pelo quanto a vida nos pressiona do que pela arte de sonhar. No final dos anos de sucesso e bonança, nós assumimos uma identidade um tanto arrogante, daquela pessoa já bem resolvida, com o burro na sombra e que não depende nenhum pouco daquele momento para fazer o seu ano ser bom ou ruim. E é justamente neste momento que deixamos as coisas escaparem de nosso controle e voltarem a patamares anteriores. Deveríamos planejar o novo patamar, colocar objetivos ainda maiores e termos ainda mais ambição. Admirar uma conquista é muito importante e nos dá força para as próximas batalhas, mas precisamos entender como tirarmos proveito de um histórico de sucesso.

Drummond ironizava essa ideia de que somente na virada do ano é que podemos fazer novos planos. Ele dizia que “quem teve a ideia de dividir o tempo em fatias a transformá-las em anos foi um sujeito genial” e eu concordo que não deveria ser necessário mesmo, mas em alguns casos nós precisamos dessa alegoria do calendário para nos organizar. Acontece que somos bons para planejar a recuperação de um período de vacas magras, mas quando elas engordam, temos a tendência de simplesmente ficarmos satisfeitos achando que encontramos “pedra filosofal” e que daí pra frente tudo que tocarmos se transformará em ouro. Os elogios recebidos de todos e por todos os cantos nos fazem pensar assim e isso é um grande erro.

Neste ano de 2012 tivemos dois grandes exemplos de “queda pós sucesso” que vieram do futebol. Um deles foi a Portuguesa de Desportos, campeã da Série B e rebaixada no Paulistão e o outro foi justamente o vice-campeão Paulista, Guarani, que iniciou o segundo semestre disputando a Série B nacional e acabou rebaixado e hostilizado pelo seu torcedor. O destempero dessas duas equipes foi a falta de ambição: A Lusa disputou o Paulistão sem objetivos maiores e acabou no buraco, assim como o Guarani que foi para a Série B apenas para figurar e acabou como protagonista do fracasso. Como dizia o meu amigo, a pior coisa que pode acontecer com alguém medíocre é ganhar um campeonato, porque a satisfação com migalhas leva ao comodismo.

Por isso, tenha ambição e sempre planeje um sucesso ainda maior. Ainda que você não precise disso, que seja para ser mais útil aos outros.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Será que ele merece ganhar tanto?



Quem já não teve ao menos um pouquinho de inveja dos salários das celebridades? Quem nunca ficou indignado em saber que o astro do futebol ou o galã da novela recebe por mês aquilo que um trabalhador comum levaria a vida inteira para juntar? E sempre se pergunta: é justo esse cara ganhar o que ele ganha pra trabalhar se divertindo enquanto eu fico aqui camelando pra receber uns trocados? Antes de qualquer resposta, vale algumas reflexões.

No século XX, a população operária sempre teve dificuldades de entender arte como trabalho, isso porque foi um século que começou em meio à resistência de alguns ao fim da escravatura e, por outro lado, com a revolução cultural promovida pela Semana de Arte Moderna, em 1922. Naquele tempo, havia a sensação de alguns que arte não era trabalho, mas sim diversão remunerada. Isso acontecia porque as pessoas decifravam esta palavra por sua definição física, ou seja, como uma medida da “energia que é transferida pela aplicação da força, visando o deslocamento de algo”. Entretanto, quando pesquisamos seu significado pelo ponto de vista social, concluímos que é qualquer coisa honesta, capaz de gerar algum tipo de “energia que desloque a economia em benefício coletivo”.

Daí por diante podemos já começar a pensar que, se o ator da novela é capaz de deslocar milhares de pessoas para a frente da televisão num determinado horário e que, sua empregadora consegue vender cotas de patrocínio que, para ela geram receita... é justo que repasse parte deste lucro para manter seu funcionário fidelizado. Se o jogador de futebol atrai torcedores ao estádio, os influencia a comprarem camisas do time, a acompanharem noticiários e consumirem a publicidade inserida nos veículos de comunicação envolvidos, é natural que este seja remunerado de forma diferente que os outros que não tem a mesma repercussão. O problema é que alguns medem o valor de um atleta pelo quanto ele joga bem, enquanto que o salário normalmente é calculado pelo quando ele rende ao clube.

Explicando melhor: quando uma empresa convencional abre uma vaga para assistente administrativo e pede curriculuns com pretensão salarial, receberá diversos pedidos distintos. Enquanto alguns pedirão algo muito próximo da base, outros se manifestarão com valores bem acima do normal. Uns querem ser chamados para a entrevista e não gostariam de correr o risco de serem cortados por pretensões altas enquanto outros entendem que pedidas baixas o desvalorizariam, fazendo inclusive que sejam deixados para trás. Os métodos de calcular a intenção de ganho que poderiam ser ainda mais distintos, na maioria das vezes assume um critério meramente doméstico: o candidato soma suas contas do mês e estabelece isso como pretensão salarial.

Se o candidato quer ser competitivo, precisa basear-se em outros fatores e não em sua simples vontade para definir tais planos. O salário ou remuneração de um profissional tem seu cálculo muito mais baseado na lei da escassez do que naquilo que ele “acha” que vale. A lei da oferta e da procura é quem realmente define quem merece ganhar mais ou não (isso vale apenas para as empresas privadas, já que empresas públicas tem legislação trabalhista diferente). Se há no mercado ofertas de emprego DISPONÍVEIS com salário mais alto, então você poderia sim pedir um valor maior. Mas se não há ninguém te oferecendo nada melhor, isso significa que você deve buscar nivelamento, ao menos por enquanto... ou oferecer um diferencial profissional que justifique a pedida. A existência de pessoas com remunerações melhores do que a sua não significa que alguém estará disposto a te pagar isso também, pois depende de avaliar o que o outro faz de diferente para merecer aquilo. Ele deve fazer algo, ainda que seja no marketing pessoal.

Ao entender que, para merecer um determinado salário, o profissional precisa gerar para a sua organização o suficiente para que ela o pague e ainda tenha lucro, este facilita as coisas. Muitas vezes a empresa tem bastante lucro, mas aquele funcionário em si gera muito pouco, porque ainda está aprendendo. Existem duas formas de gerar lucro para a empresa e se tornar um profissional importante: A primeira é de forma direta, que pode ser vendendo seu produto ou operando a área técnica de forma diferenciada (algo que outros não saibam fazer tão bem). A segunda é de forma indireta, dando suporte aos demais a ponto de seu trabalho facilitar a vida dos que geram lucro direto.

No caso dos maiores salários do mundo, basta avaliar o quanto eles geram de lucro para suas organizações. E podem ter certeza que estas organizações avaliam.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O meu "Anjo da Guarda" se disfarçou de Velhinha.


Tudo aconteceu quando eu estava prestes a completar 21 anos. Até então eu era Repórter Fotográfico de um Jornal da Região, mas como havia acompanhado um movimento de greve, acabei demitido. Já havia mais de 8 meses que eu não tinha trabalho e apenas fazia alguns servicinhos aqui ou ali para ganhar uns trocados. Confesso que já me sentia um tanto inútil e minha auto-estima estava enfraquecida.

Vi um anúncio no jornal no domingo e a curiosidade venceu o medo que eu tinha de coisas novas. Na segunda-feira logo cedo eu fui até o local indicado e fiquei do outro lado da avenida observando o ambiente. Percebi que era uma escola de inglês, o que me agradou, mas tinha um monte de gente de gravata, entrando e saindo. Gravata era uma coisa que eu não estava habituado a usar e nem muito disposto a me habituar. Fiquei na dúvida se entrava ou não, mas já que estava lá, resolvi me apresentar. Uma recepcionista motivada me atendeu e pediu para eu preencher uma ficha curriculum. Aguardei por vários minutos e fui atendido por uma mulher muito bem vestida e posicionada que, embora tivesse reclamado da forma com que eu estava vestido, me selecionou para um tal “processo seletivo” que se iniciaria no dia seguinte, mas já avisando que eu precisaria usar traje social.

Acordei cedo na terça-feira e fui até a casa de um primo pedir roupas emprestadas. Embora ele tivesse uma infinidade de gravatas, eu escolhi uma de crochê (ridícula). Peguei uma camisa e um sapato e me dirigi até o local do treinamento. Na verdade eu achava que estava ótimo, afinal nem sabia pra que essa "frescura" de usar gravata já no treinamento. Os dias se passaram, alguns colegas desistiam, outros eram cortados e eu permanecia lá, com minha gravatinha feia, mas firme num treinamento que buscava contratar pessoas para a área comercial da empresa. No grupo, os candidatos éramos eu e mais 8 pessoas, mas somente 4 de nós chegamos ao último dia (eu, Patrícia, Cristiane e Inês).

Na sexta-feira a tarde houve a dinâmica final e o desafio foi algo bem diferente (somente fui ver coisas parecidas no programa “O Aprendiz”, com o Justus). Deram-nos a meta de fazer 20 pesquisas abordando pessoas na rua ou fazer de cara 1 matrícula para o curso, isso até às 8 horas da segunda-feira. Como eu não tinha mais dinheiro, fui para a minha casa a pé e pensando numa distante solução. Eu já tinha feito pesquisas quando trabalhava no jornal, por isso optei por elas e no sábado de manhã me dirigi até o Centro da cidade para abordar as pessoas. No caminho, porém, encontrei um amigo de colégio, um cara muito folgado e sarrista, chamado Marcio B... Jr. Ele me perguntou pra que era aquela pasta e eu desconversei, pois tive vergonha de falar que estava fazendo pesquisa na rua. Me livrei dele rapidamente e continuei caminhando... até que duas horas se passaram e eu ainda não tinha tido coragem para fazer nem a primeira pesquisa. Me senti totalmente travado e envergonhado, vendo as pessoas passarem e desviarem da minha abordagem.

Neste momento eu desisti. Tomei a decisão de que aquilo não era para mim, portanto eu iria entregar minha pasta. Fui caminhando em direção a escola, me sentindo um otário, afinal "Que desculpa eu daria?". Eu queria, ao menos ter feito uma pesquisa para dizer que não era por falta de conseguir que eu estava desistindo. Foi quando encontrei mais um amigo, o Marcel. Como ele era um cara mais legal que o outro, pedi que me respondesse a pesquisa, o que ele concordou em fazer. Foi aí que meu "anjo da guarda" fez a parte dele...

Uma senhora de mais de 60 anos, baixinha e toda bem vestida se aproximou e me perguntou: "Moço, você está fazendo aquela pesquisa da escola de inglês?" Senti vontade dizer que não, mas como o Marcel estava ali comigo, no pude mentir. Confirmei e ela reclamou que havia sido pesquisada já havia alguns dias e ninguém tinha entrado em contato para falar do curso. Imediatamente eu parei a pesquisa com meu amigo, pedi que ele aguardasse um pouquinho, peguei outra folha, me virei para a velhinha e conversei com ela, voltando somente depois ao Marcel. Esta senhora, que eu não me lembro o nome, não tinha telefone (coisa comum em 1993). Sendo assim, marquei uma entrevista com ela, em sua casa, na terça-feira seguinte.

Como eu tinha essa entrevista marcada, isso me motivou e eu não entreguei a pasta. Domingo fui para a casa de minha namorada e a entrevistei. Ela foi aprovada, queria fazer o curso, mas só teria o pagamento inicial na segunda-feira pela manhã. Mas me emprestou R$ 10,00 para eu ir "trabalhar" no dia seguinte.

Na reunião da segunda-feira, às 8 horas, eu passei vergonha, pois não tinha a matrícula e nem a quantidade mínima de pesquisas. Para piorar, as 3 meninas que treinaram junto comigo haviam matriculado amigos e passaram toda a reunião me zoando a cabeça, dizendo que o lado feminino da equipe era superior. Eu saí dalí muito irritado e, me sentindo desafiado, fui até a casa da minha namorada buscar o pagamento combinado pela sua matrícula. Com o cheque na mão, voltei para a empresa e "esfreguei na cara" de todo mundo, dizendo que ali existia um cara macho, de fibra e que não perderia para 3 meninas bonitinhas. Durante o resto do dia fiquei aprendendo a marcar entrevistas por telefone. Agendei com uma senhora para o mesmo dia, às 9 da noite, com o Marcel (da pesquisa) para o dia seguinte às 10 horas e, já tinha a da velhinha, às 14 horas, também da terça.

Fui para a entrevista da noite e virei mais uma. No dia seguinte eu era quem zoava a cabeça do lado cor-de-rosa da sala, pois agora tinha 2 matriculas enquanto cada uma delas permanecia com uma só. Fechei outra com o Marcel e mais uma com um amigo dele (Jorge) que estava junto. Eu sabia que a velhinha seria matriculada e, depois do almoço já me dirigi até a casa dela com a certeza de mais um sucesso. Ao chegar, descobri que o endereço não existia... Voltei intrigado, afinal, como aquela "velha coroca" poderia ter me passado endereço errado? Com que objetivo alguém faria isso?  

Fiquei meio desmotivado com isso e passei a quarta-feira em branco. Mas aí veio a reunião da quinta e nesse dia virei mais duas. No sábado, matriculei outro amigo meu (Rui) juntamente com sua irmã e sua namorada. No domingo ainda virei mais uma na única entrevista que eu tinha. Terminei a semana com 10 matrículas (faltou 1 para eu ser o recordista de primeira semana naquela regional) e 5 meses depois eu me tornaria gerente, com direito salário maior, fazer cursos, contratar e treinar pessoas. No primeiro treinamento que eu ministrei, contei essa história. Um dos participantes me disse algo que até então eu nem tinha pensado: "a velhinha era seu anjo da guarda, disfarçado, que te impediu de desistir" - disse ele. E de fato foi, pois a carreira que desenvolvi depois disso hoje já dura 19 anos.

A propósito, este rapaz que fez essa observação se chamava Evandro e foi o primeiro cara do meu primeiro treinamento a matricular. Querem saber qual o nome do aluno da primeira matricula do Evandro? Marcio B... Jr (o amigo folgado que eu citei no início desta história). Pois é! Se eu não tivesse sido besta, poderia ter feito as 11 matrículas na minha primeira semana.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Linguagens Corporativas...

Num dia desses, ao ouvir a conversa entre dois jovens colegas de trabalho, me coloquei a pensar se eles imaginam o sentido de cada uma das frases por eles utilizadas. Entendam que papo maluco:

- Vai na festa da firma, hoje?
- É hoje? Nem tinha caído minha ficha...
- Lógico que é hoje, não vai queimar o filme com o patrão!
- Beleza! Tô lá mais tarde, ainda mais que é na faixa.
- Lógico, mano! Hoje vai ser nóis na fita!
- No fim da tarde, você bate um fio pra nós combinarmos.
- Não tenho seu fone, me passa o numero...
- Anota aí: é 9542-8866.
- Vou discar aí, mas nem atende. É só pra você gravar.
- Mas é certeza que você vai também? Não vai ficar vendo o jogo do seu time?
- Não, fica frio, depois eu vejo o tape.
- Os caras não falam de outra coisa, a não ser da festa...
- Pois é, parece que não vira o disco, meu!
- Falou aí, então! Já ta na minha caderneta...
- Falou! Té mais tarde!

Agora vamos avaliar se eles sabem a origem da gírias que eles mesmos usam:

Cair a ficha: Até a década de 80, antes de existirem celulares, os “orelhões” estavam espalhados pela cidade. Precedente ainda do sistema de cartões magnéticos, os telefones públicos eram habilitados por fichas telefônicas, um pequeno objeto metálico parecido com uma moeda. Quando alguém fazia uma ligação, colocava uma ficha a máquina e quando o outro atendia, a ficha caída para dentro do equipamento, dando origem à expressão “cair a ficha” sempre que a comunicação era estabelecida. Não existem mais telefones que usam fichas.

Queimar o filme: Também há pouco tempo atrás, as câmeras fotográficas usavam um sistema de filmes, que precisavam ser revelados quimicamente e não podiam ser expostos a luz. Quando um fotógrafo amador retirava o filme da câmera, este corria grande risco de deixá-lo exposto na claridade e velá-lo (ou queimá-lo) e, conseqüentemente, inutilizá-lo, queimando as imagens nele contidas. Então, queimar o filme significa perder qualquer tipo de moral com alguém, ou queimar sua imagem. Não se fotografa mais com filmes depois da popularização das imagens digitais.

Na faixa: Era uma forma de obter benefícios, utilizada por praticantes de artes marciais, que ao exibirem sua faixa preta, não precisavam mais pagar por determinados serviços na comunidade, como entrada em eventos e o direito de consumir bebidas. Assim a expressão ganhou o mundo. Hoje não se faz mais questão da faixa para que alguém possa receber favores.

Na fita: A expressão ‘’é nóis na fita”, independente da conjugação incorreta, fazia referência as antigas fitas de VHS, com as quais eram gravados vídeos amadores. Estar na fita significava que estava em evidência, aparecendo no vídeo. Obs: Quase não se grava mais filmes em vídeo.

Bater um fio: Também relacionado ao tempo em que não existiam telefones móveis e nem redes wireless, quando a maioria das comunicações eram feitas via cabo. Poucos jovens e adolescentes se comunicam ainda por telefones com fio.

Discar: Os telefones antigos eram fabricados com sistema de manivela, onde a quantidade de giros da mesma, obedecendo determinado intervalo, correspondia ao número a ser chamado. Depois de um tempo, a manivela foi substituída pelo disco, que trazia os 10 algarismos e o usuário simplesmente girava o disco desde o número acionado até a trava, dando origem ao verbo “discar”. Quase não existem mais telefones com sistema de discos.

Tape: Nada mais é do que o termo em inglês que corresponde a uma fita. Na época em que surgiram as TVs, toda a programação era ao vivo. Ao longo dos anos, foi inventado o sistema de gravação de imagens, que permitia que um evento fosse transmitido em forma de vídeo-tape, dando origem a esta forma de se referir a algo que é retransmitido pelas TV em forma de repetição. Hoje não se usa mais fitas para esse fim, mas sim as gravações digitais. 

Virar o disco: Até a década de 80, os discos de vinil eram a melhor mídia existente para se armazenar músicas em ambiente doméstico. Os discos tinham cerca de 30 cm de raio e possuia microssulcos ou ranhuras que, com o contato de uma agulha sensível ao toque, reproduzia de forma mecânica os sons, que eram imediatamente ampliados por um sistema eletrônico. Devido a sua sensibilidade, qualquer risco fazia a agulha pular seu curso normal, o que era conhecido como “disco enguiçado” e gerou a expressão usada para se referir a alguém que diz sempre a mesma coisa. Quando a agulha percorria todo o caminho do espiral, o usuário virava o disco, para que fosse tocado o outro lado, geralmente com outras músicas, dando origem a manifestação “vira o disco” para os que são muito repetitivos. Hoje os discos de vinil servem apenas para colecionadores.

Caderneta: Numa época onde não existiam computadores e nem comandas eletrônicas, a caderneta fazia estas funções. A maioria dos comércios de bairro ou de pequenas cidades usavam este recurso para anotar as compras dos clientes que, pagavam no final do mês. Com o tempo, elas foram substituídas por notebooks e tablets, ou mesmo por complexos softweres comerciais. Poucos estabelecimentos familiares ainda usam a caderneta.

E você? Usa expressões antigas sem saber de onde elas surgiram? Não se preocupe... todos fazemos isso.

Mas agora, ao menos, já caiu a ficha!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Dinheiro das férias no bolso é vendaval


Tem sido comum este blog criticar a legislação trabalhista brasileira. Isto acontece porque este cronista classifica como absurdos a quantidade de regras ultrapassadas ou populistas inseridas na CLT. Não estou aqui defendendo os interesses nem de empregadores e nem de empregados, mas sim de ambos, pois há situações onde nenhuma parte se beneficia. Um exemplo disso é o artigo 145 da CLT, que prevê o pagamento antecipado do salário do mês em que o funcionário goza suas férias, ou seja, ele recebe o salário “do mês que vem” e, invariavelmente o gasta todo, achando que ao voltar do descanso terá salário novamente.

Devido a nossa cultura e ao recente crescimento da economia, a sociedade brasileira é, por si só, consumista. Hoje consome antecipadamente através dos financiamentos e cartões de crédito, mas esse hábito já é antigo, desde o tempo das cadernetas, carnês e crediários. Isso explica o famoso trecho da música “Pecado Capital”, de Paulinho Da Viola, onde ouvia-se “dinheiro na mão é vendaval”, como uma frase a explicar o fato de costumeiramente não haver sobra de recursos no bolso de um trabalhador. Todos os educadores financeiros ensinam o cidadão comum a fazer poupanças, a gastar somente o que pode gastar e a consumir somente o que realmente precisa consumir... mas explicar isso para as mulheres qualquer pessoa em frente a uma loja de sapatos é totalmente impossível...

Reflitam, portanto, o que acontece quando uma pessoa no perfil comum (consumista) recebe as férias... imaginem um trabalhador que tem como data de pagamento o quinto dia útil e teve suas férias marcadas para o mês de janeiro: dois dias antes de se ausentar, ele vê ser depositado em sua conta um salário inteiro e mais 1/3 de bônus, além do salário do mês já trabalhado que entrará depois de uma semana. Este cidadão terá em mãos mais de 2,3 vezes o valor que está acostumado a ter para passar o mês. Com raras exceções, neste momento ele terá a sensação de estar “rico”, irá pagar cerveja para os colegas de trabalho, comprar várias roupas para a viagem que está planejada e ainda aproveitar o que sobra equipando o carro com “aquela roda aro 20’”. Vai passear, gastar, rodar, se divertir e, 30 dias depois, voltar a trabalhar... cansado, mas feliz e contente, já pensando nas férias do ano que vem.

O problema é que no quinto dia útil de fevereiro o seu holerite virá zerado e não haverá nenhum ser humano capaz de explicar ao cidadão que ele não terá salário simplesmente porque não trabalhou no mês anterior. "Mas eu estava de férias", dirá o empregado e, o patrão ou gerente de RH tentará mostrar que ele recebeu este dinheiro antecipadamente e que deveria ter guardado, feito uma poupança para o período atual, ouvindo de volta que ninguém lhe explicou isso... e as vezes até foi explicado sim, mas o cara estava tão afoito por ver tanto dinheiro em seu extrato de uma só vez que nem prestou atenção no que o foi falado...

Muitos usam o dinheiro das férias para pagar contas, quitar dívidas, consertar o telhado, trocar os pneus do carro, de modo que não sobre nenhuma reserva. O sentido de pagar-se antecipadamente o salário do mês das férias dos funcionários, segundo o meio jurídico, é dar a oportunidade ao funcionário de se planejar, ou mesmo “curtir uma viagem”  justamente com esse dinheiro. Acontece que ninguém pensa na volta e é popular (ou populista) legislar obrigando a empresa antecipar qualquer que seja o valor devido, sem preocupar-se porém, se quem o recebe terá preparo para se valer positivamente disso.

Mas para tranquilizar a galera, se der zebra, não esquenta a cabeça: pede um vale ou faz um empréstimo no banco... e entra no efeito “bola de neve”, onde a cada mês a gente se afoga um pouquinho mais, sendo esta dívida solucionada só no ano que vem, quando usa-se novamente o dinheiro das férias para acertar consertar a vida.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Em tempos de bonança, bom ambiente de trabalho vale como bônus


Conversando com um colega, gerente de restaurante, este me relatava o caso de um de seus garçons que havia trocado de emprego por uma diferença salarial de menos de R$ 100,00. Indignado, o gerente dizia que não se conformava em ver o seu antigo funcionário, aquele que ele cuidou e ensinou, trabalhando no comércio em frente e, de vez em quando soltando alguns sorrisinhos de “canto de boca”, como querendo dizer que está melhor agora. Ainda segundo ele, a indignação é maior porque o rapaz nem se quer levou em consideração tudo o que já foi proporcionado para ele nos 5 anos em que estiveram juntos.

Ao ouvir esta história, me lembrei do caso recente do jogador de futebol PH Ganso, que deixou o Santos Futebol Clube para jogar no rival São Paulo. Ganso passou cerca de um ano negociando com o seu antigo clube as condições de trabalho, salário, carreira e, mesmo tendo ofertas que poderiam ser consideradas boas, resolveu sair. Sua ida para o Morumbi supostamente teve muito mais relação com o ambiente que este vivia do que com as condições financeiras ou ferramentas de trabalho, tanto que deixou isso claro em alguns momentos. E assim como ele saiu por uma proposta salarial não muito diferente, o seu colega de Clube Neymar permanece atuando feliz mesmo tendo propostas salariais bem maiores de times ingleses e espanhóis, certamente por serem pessoas diferentes.

Explicar a similaridade entre o caso dos dois jogadores de futebol e do garçom não é muito difícil e nem exige pensar tanto assim, basta apenas que entendamos que não é somente o valor do salário pago que faz uma pessoa trocar de trabalho. O ambiente profissional, a amizade com os colegas de equipe e o grau de segurança e confiança que enxerga nos chefes e patrões pode ter um peso muito maior do que o do holerite. É obvio também que quando a diferença salarial é muito grande, o profissional tende a ser seduzido pelo dinheiro, o que de alguma maneira não está errado, mas em casos de diferenças menores, o bom ambiente de trabalho e expectativa de crescimento fazem o balanço final.

O ambiente de trabalho proporciona um prejuízo ou dividendo especial para o trabalhador, coisa que este somente sente quando sai da empresa e vai pra casa: a felicidade. É muito comum que as pessoas que se “estressam” no trabalho descontem este sentimento em seus amigos e familiares, assim como também é comum que os profissionais realizados transmitam aos seus a mesma honra de fazerem parte daquele time. Se o cidadão passa as horas de folga em paz com a família, certamente terá mais vínculos com aquela que proporciona tais condições, enquanto que outros, ao chegarem no lar, declaram abertamente que trocariam de trabalho mesmo que fosse para terem a mesma remuneração.

Ao meu colega do restaurante, eu sugeriria que observasse o clima que foi criado entre as pessoas na empresa e avaliasse se o que a sua empresa proporciona é competitivo em relação ao que oferecem os outros. Mesmo considerando que, em alguns casos, o funcionário troca uma empresa pela outra e quando chega no emprego novo encontra situações iguais ou piores, ainda assim ele arrisca porque o primeiro sentimento que tem é o de demonstrar sua indignação com alguma coisa, de sair e deixar de se submeter ao que vinha vivendo... o sorriso maroto antes narrado é a prova disso. Em tempos de bonança e grande oferta de empregos, com o mercado de salários em equilíbrio como vemos atualmente, o bom ambiente de trabalho vale como bônus e talvez tenha sido isso que fez o Neymar ficar... ou o PH Ganso sair.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quem eu escolho para me influenciar?


Na década de 1930, o estadunidense Dale Carnegie escreveu o livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”. De lá pra cá, sua obra tornou-se um dos principais Best-sellers do mundo no que se diz respeito ao tema, hoje conhecido como network. O que Carnegie escreveu é tão atual que, mesmo depois de mais de 50 anos de sua morte, algumas empresas tornam esta leitura uma obrigação para os seus executivos. Expressões como “fazer network”, “exercer influência” e “reconhecimento popular” são mais atuais a cada dia, criando espaço para o surgimento de cursos específicos para o assunto e redes de relacionamento, tanto físicas como virtuais.

Ainda que os mais jovens não gostem de admitir, todo ser humano sente necessidade de se influenciar por outros. Sejam estes outros um amigo mais popular, um professor que transmite mais segurança ou um colega de trabalho mais antigo e mais ousado. Ser influenciável não é bom nem ruim e sim natural. Todos precisamos sofrer influências tanto quanto precisamos nos relacionar, conversar e aprender com outras pessoas. O problema surge quando essas outras pessoas nos influenciam para lados que não nos serão sadios, como exemplo, a influência que o funcionário revoltado exerce sobre o restante da equipe. Já vi muita gente pedir demissão da empresa após sofrer influências das insatisfações do colega. Uma maneira eficiente de influenciar pessoas é através de suas conquistas pessoais. Ao longo da vida, algumas pessoas constroem determinada imagem que pode influenciar admiradores e, por conseqüência, transmitir os conceitos. Alguns fazem sucesso e escrevem livros, tornam-se palestrantes, viram celebridades, etc.

Curiosamente para mim, esta última semana foi bem intensa e cheia de exemplos de sucesso. Na última sexta-feira eu estive em Belo Horizonte e assisti à palestra do Tiago Aguiar, que foi o vencedor do Programa de TV “Aprendiz 4 – O Sócio”, em 2007. Ele falou sobre desenvolver talento e mudar seu perfil para poder se adaptar as oportunidades surgidas. No dia seguinte, ainda em BH, ouvi o Coordenador de Empreendedorismo da UNA, Professor Helber Vidigal, dizer como influencia pessoas pelo Brasil inteiro a lançarem-se ao mundo empreendedor. Ao mesmo tempo eu notava a influência que meu colega de profissão Marcello Marinho exerce sobre o restante do grupo (inclusive a mim) simplesmente por mostrar seus bons resultados empresariais.

De volta a Campinas, na terça-feira pela manhã estive na reunião final de planejamento do Grupo BNI PRIME, uma organização de network focada na geração de negócios para os empresários participantes. Neste dia, por aclamação, o Grupo confiou a mim a Presidência durante o próximo semestre, honra que me fez refletir que, para isso acontecer eu devo ter passado a todos uma boa imagem, o que não deixa de ser influência. No mesmo dia notei que a Fan-Page do meu Professor de network, Eduardo Santana, estava bombando no facebook, provando também o seu poder de influência. Pra fechar com chave de ouro, ontem nós recebemos aqui na empresa a visita do técnico da seleção Brasileira de Voleibol Bernardo Resende (o Bernardinho), um sujeito que influencia milhares de pessoas com sua humildade e seus conceitos de treino e disciplina.

Mas com todos estes exemplos de sucesso, tem muita gente que ainda prefere se influenciar pelo fracassado. Seja por instinto ou recalque, uma pessoa comum é mais sensível a influência derrotista do que a do bem sucedido. E entender isso não deixa de ser simples: Ter sucesso dá mais trabalho do que desistir, que depende apenas de não fazer nada... e isso, Dale Carnegie já dizia no século passado.

domingo, 25 de novembro de 2012

É o mesmo método!



Você já comeu Bauru? Se não comeu ainda, precisa comer.

O Bauru é um sanduíche tradicional no Estado de São Paulo, que segundo a Wikipédia, foi inventado por Casimiro Pinto Neto (que era conhecido pelo nome de sua cidade natal), no restaurante Ponto Chic, do Largo do Paissandu, em 1934. Supostamente, esse homem pegou um pãozinho e colocou alguns ingredientes do jeito que ele costumava fazer em sua casa... a coisa fez sucesso e todo mundo passou a pedi-lo, transformando em algo típico daquele local. Mas sobre isso voltamos a falar daqui há pouquinho... antes quero mudar de assunto.

Quem trabalha na área comercial ouve, constantemente, pessoas comparando produtos e preços. O nome disso é “avaliar a relação de custo e benefício”, um costume muito saudável para qualquer consumidor. Porém, existem pessoas que avaliam somente o fator “custo”, desconsiderando o benefício que seria por ele produzido. Pagar mais barato, em alguns casos, pode se tornar um dinheiro jogado fora e a gente percebe isso quando compra algo que não presta e precisa comprar de novo, de outra marca e em outro lugar. Mesmo assim, ainda que vivamos na era da informação, as freses “é tudo a mesma coisa”, “no fim sempre dá na mesma”ou “é o mesmo modelo” continuam sendo muito comuns.

O Bauru, por exemplo, tem uma receita considerada tradicional e verdadeira: pão francês com roastbeef de lagarto, queijos suiço, estepe e prato derretidos, tomate, pepino, manteiga e sal. Porém, depois de quase 80 anos, já existem outros Baurus em diversas regiões do Brasil e cada chapeiro coloca o seu toque final, substituindo o roastbeef por presunto, a manteiga por maionese e o pãozinho por pão de forma. Imagina-se também que, cada botequim considere o seu modelo mais adequado que os outros, seja pelo sabor ou pelo trabalho que daria seguir a receita original. Mas, na minha análise, eu gostaria de comparar um único tipo de Bauru... para tanto, vamos eleger o modelo tradicional, embora cada leitor possa fazer a análise com a receita que lhe for preferida. Eu pergunto: o Bauru tradicional é, em todas as lanchonetes, a mesma coisa???

Assim como os sanduíches se diferenciam pela marca do roastbeef, pela conservação do queijo, pela qualidade do tomate ou maciez do pão... com outros produtos acontece também. Uma roupa se diferencia da outra similar até pela qualidade da linha usada para costurá-la, um contador se diferencia pela sua formação e experiência e uma faculdade se diferencia pela liderança do reitor ou organização aplicada. Neste último exemplo, é muito comum ouvirmos que “até os professores são os mesmos”, mas a verdade é que na hora do reconhecimento público entre um curso e outro, ninguém pergunta quem foi seu professor, mas sim em que instituição você estudou.

Um bom exemplo é o mercado municipal de uma cidadezinha que eu conheço, onde há dois salões de cabeleireiros masculinos, com cerca de 40 metros de distância entre eles. Em um deles, o corte custa quatro vezes o valor do outro e o mais caro está sempre mais lotado. Poderíamos dizer que a cadeira é a mesma, a tesoura é a mesma, o espelho reflete tanto quanto e o corte, em alguns casos como o meu (sic), pode ficar exatamente igual. Mas onde está a diferença, então? Para responder basta avaliar a higiene do local, o ar condicionado e a agradabilidade do profissional que te atende enquanto aguarda a sua vez no sofá.

Voltando ao caso da faculdade, há inúmeras maneiras de baratear a prestação de serviços copiando exatamente o método e programa de ensino do concorrente... basta colocar mais pessoas na sala (o que torna o ensino mais lento e trás prejuízo ao aluno), ter menos funcionários na equipe de apoio ou mesmo um mecanismo de administração mais enxuto. Embora o estudante venha a ter resultados inferiores, ele somente perceberá isso depois de já estar matriculado. Neste momento “o mesmo método” pode trazer dores de cabeça diferentes. Portanto, ao se matricular em uma faculdade, escolher onde cortar o cabelo ou comer um Bauru, não avalie apenas o preço, mas também a expectativa quanto ao benefício a ser alcançado.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Pirâmide de Maslow em meio ao Pleno Emprego


Hoje, ao vir trabalhar, parei no caminho para um café. Na saída, enquanto eu pagava a conta, uma das funcionarias do caixa conversava com a outra:

- Você vai trabalhar no final do ano?
- Eu vou, ué! Não vamos ter que trabalhar?
- Eles dizem que tem, mas eu não vou vir não... trabalhei no ano passado porque eu estava em experiência, mas esse ano eu não venho...

Já escrevi nesta página o meu repúdio a funcionários que conversam sobre assuntos pessoais no ambiente de trabalho, principalmente quando o fazem na frente do cliente. Desta vez, porém, eu creio que seja uma grande oportunidade de refletirmos mais a respeito também do conteúdo da conversa e dos motivos que levam as pessoas terem este tipo de pensamento. Para fundamentar, quero buscar um pouco da teoria de Abraham Maslow. Ele foi um psicólogo e estudioso nova-iorquino, que viveu no século XX e responsável por um dos estudos mais difundidos nas faculdades e setores acadêmicos de toda a história: “A Hierarquia das Necessidades”.

Este estudo definia quais fatores (e em que ordem de ocorrência) motivavam o trabalhador a trabalhar. Segundo o autor, uma pessoa trabalha primeiramente para suprir suas necessidades básicas (comer, morar, vestir), quando a partir daí passa a ansiar por outras, como poupar (criar segurança para ter uma família); ter algum luxo (carro, roupas de marca, viagens de férias); posicionar-se na sociedade através de algum status (cargos, títulos e comendas) e, por fim, ter total independência financeira (dinheiro pra gastar sem preocupação). Acontece que quando Maslow escreveu isso tudo, ele ainda não imaginava que chegaria um tempo em que o emprego pudesse ficar banal ao ponto das pessoas o valorizarem tão pouco, misturando todos esses patamares descritos. Mas porque isso aconteceu?

Algumas leis trabalhistas que foram criadas em décadas passadas tinham a finalidade de garantir ao trabalhador, a primeira (e talvez a segunda) plataforma da pirâmide, considerando que as outras ele deveria buscar sozinho. Naquela época, havia a necessidade de preservar a condição mínima de vida de uma família e por isso surgiram a multa (paga pela empresa quando demite um funcionário sem justa causa) sobre o saldo do FGTS, que inibia as dispensas e, posteriormente o seguro desemprego. Em tempos de desemprego, ninguém seria louco de forçar uma demissão, pois ainda que recebesse algum dinheiro a mais por isso, a incerteza de encontrar outro emprego era grande a ponto de não valer a pena. Porém, com o cenário de estabilidade econômica que vivemos atualmente (e temporariamente), com baixo desemprego e muitas ofertas de trabalho, as pessoas (principalmente os mais jovens que não viveram outros tempos) desdenham da época da seca, colocando em risco as conquistas passadas e a tranqüilidade atual. 

Quando um funcionário diz ao outro que não irá trabalhar no final do ano por pura arbitrariedade e sem ter a menor preocupação fazê-lo na frente de um cliente, além de estar depondo contra o patrimônio que o sustenta, está fazendo mal uso das leis que um dia protegeram seus pais e hoje fazem do patrão o seu escravo. Se for demitido, ele simplesmente tira férias às custas de um seguro pago por todos os outros que trabalham e, depois de um tempo, facilmente encontra outro emprego, pois há essa demanda. Acontece que os ventos mudam de tempos em tempos e a exploração da empresa pelos seus funcionários é semelhante a exploração do homem a natureza: num determinado momento a empresa torna-se inviável e não sobrevive, como quase acontece hoje com o nosso planeta.

E enquanto alguns dizem que não estão preocupados, porque não são empresários e isso não é seu problema, lembramos que as primeiras a serem afetadas pelo desequilíbrio das leis trabalhistas são as pequenas e médias, sem tanto poderio financeiro, mas responsáveis pelos empregos de 77% da sociedade brasileira. Se ela (a PME) perdesse parte de seu poder de contratação, a taxa de desemprego que atualmente é de 5%, seria talvez de 25%. E neste caso, os acomodados não estariam tão acomodados assim... ao menos não pensando em cabular o trabalho no final do ano.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Uma boa referência do antigo patrão

Dizem os pedagogos que, quando a gente é criança, não consegue enxergar que existe futuro. Um pouco mais tarde, pensar no futuro é preocupar-se com a prova da semana que vem. Na adolescência, futuro é a faculdade que a gente quer entrar e no início da idade adulta, pensamos apenas no próximo trabalho. Pensar no futuro como “tudo aquilo que está por vir” é uma característica mais comum das pessoas com alguma experiência de perdas, coisa que somente acontece com a idade.

A definição da palavra “maturidade” vem justamente disso: quanto alguém consegue imaginar as conseqüências que suas atitudes atuais poderão causar. Assim como um enxadrista poderia prever algo além da próxima jogada, o ser humano educado e civilizado teria o recurso de prever as conseqüências de suas relações. Falar é fácil, mas seguir essa dica quando temos pouca idade não é tão fácil assim, basta ver a quantidade de ações inconsequentes que já tivemos nos nossos anos anteriores. Tudo isso acontece porque o estado de evolução do ser humano passa pelo ato de descobrir.

Por outro lado, aos quarenta anos as pessoas costumam repetir aquela velha e conhecida frase: “Ah se eu pudesse voltar aos dezoito anos”... e até aí, embora impossível, faz todo o sentido que queiramos voltar. Mas o complemento costumeiro, ou seja, o pedaço de frase que comumente vem logo a seguir é que inicia toda a contradição que estou tentando narrar: “mas com a experiência que eu tenho hoje”... Então a frase completa fica assim: “Ah, se eu pudesse voltar aos meus dezoito anos, mas com a experiência que eu tenho hoje, faria um monte de coisas de forma diferente”.

Vou contar uma situação que eu vivi em 1988: Eu trabalhava numa pequena empresa e, aos 16 anos, pensava com a cabeça de uma pessoa de... 16 anos. Ou seja, preocupado apenas com o meu bem estar momentâneo. Lembro-me que minha gerente me cobrava de algumas atitudes que me irritavam bastante. Não que ela não estivesse com a razão, mas simplesmente suas ordens não batiam com meus interesses pessoais. Ela era a pessoa com quem eu mais conflitava, até que, depois de inúmeras pisadas na bola de minha parte... fui demitido. E quando eu disse que ser demitido era exatamente o que eu queria, ela respondeu com certa ironia, dizendo que por mais que eu pudesse não acreditar, “o mundo é muito pequeno e dá voltas”.

Dezoito anos depois, em 2006, já no meu negócio atual, eu estava negociando o ensino do idioma inglês para uma rede de Concessionárias de Automóveis. A ideia era atender coletivamente seus funcionários, coisa que já estava bem alinhavada após 3 reuniões. Porém, no último encontro, quando fui conhecer a diretora financeira do grupo, deparei-me justamente com a minha ex-gerente. Ela me tratou muito bem, me deu toda atenção necessária e inclusive me acompanhou até o estacionamento. Mas para a minha surpresa (ou nem tanto), o negócio recuou e não foi fechado.

Por outro lado, em 2009, numa reunião de network em Campinas, fui abordado por uma senhora com enorme sorriso, que veio ao meu encontro de mãos estendidas dizendo: “deixe-me ter o prazer de cumprimentá-lo”. Resumindo a história, tratava-se de uma ex-colega de trabalho que ajudei quando eu ainda era repórter fotográfico no jornal. Ao reencontrar-me e conhecer a minha empresa, ela não somente veio estudar, como também trouxe o marido e as duas filhas.

Agir com ética e verdade abrindo mão de alguma suposta vantagem imediata, pode soar como algo desimportante, pois temos a sensação de que nunca mais encontraremos os envolvidos. Nos dias atuais, onde as pessoas fecham bons negócios e conseguem bons empregos através de indicações, uma referência comercial ou profissional do antigo patrão precisa ser muito levada em conta. Não podemos voltar aos 18 anos com a cabeça que adquirirmos depois dos quarenta... mas com apenas um pouquinho de maturidade, os jovens de dezoito anos poderiam ter a sensibilidade de observar a lamentação dos mais velhos para não cometerem os mesmos erros. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Blog "CRÔNICAS CORPORATIVAS" recebe apoio empresarial


Prezados Leitores:

O Grupo UPTIME sempre foi a fonte inspiradora para as minhas matérias neste blog. Eu que estou inserido nesta empresa desde o primeiro dia de funcionamento, sempre busquei dar idéias para, em conjunto com todos os outros, sugerir os melhores caminhos para que a marca pudesse alcançar grandes feitos. Uma dessas ações, em 2008, foi dar início as publicações neste blog, com o intuito de registrar os temas das reuniões ministradas por mim na cidade de Campinas. Então, de tempos em tempos, aquilo que tratávamos com nossa equipe no dia a dia, era aqui transcrito, em forma de crônica, para que os colegas pudessem acessar quando quisessem.

A iniciativa se volveu para um lado inesperado e o poder da internet fez com que pessoas de outras empresas, de outras áreas ou profissões interessassem-se também pelo que era publicado. Depois de alguns anos, chegamos a resultados interessantes para um blog sem fins comerciais. Em Agosto de 2010, instalamos uma ferramenta que media a quantidade de acessos dos leitores em nossa página e, de lá pra cá, com mais de 50.000 visitas em menos de 30 meses, o “CRÔNICAS” alcançou determinada evidência que influencia positivamente o comportamento de seus leitores, em diferentes cantos do Brasil e do mundo.

Buscando aumentar ainda mais o seu poder de abrangência, nosso Blog recebe neste mês de novembro, um apoio oficial, vindo exatamente da nossa empresa inspiradora. A partir deste momento o Grupo UPTIME passa a ser o apoiador de capa do Blog, o que nos deixa ainda mais motivados e honrados. Na última semana, a página oficial da empresa soltou uma matéria divulgando nosso trabalho e prepara outras ações de interesses comuns.

A gerência do Blog “CRÔNICAS CORPORATIVAS”, exercida pela minha pessoa, salienta ainda aos leitores costumeiros que, em nenhum momento se vê pressionado em suas publicações, lembrando que o apoiador somente tem acesso as crônicas quando elas estão publicadas e não tem absolutamente nenhuma influência em seu tom, crítica ou conteúdo. Desta forma, mantemos a nossa linha editorial, que hoje atinge uma quantidade interessante de pessoas. Ao Grupo Uptime, neste momento apenas podemos agradecer pela confiança e credibilidade demonstrada.

Thank you UPTIME! You’re really different!!!

Aguinaldo Oliveira

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O cara é bipolar?


Às vezes a gente ouve um colega ou outro dizendo que a experiência profissional nos leva para práticas completamente diferentes das que aprendemos nos bancos das faculdades, coisa que eu concordo plenamente. Mas me preocupa quando tal afirmação passa um pouquinho do limite e coloca o estudo teórico e acadêmico como algo supérfluo, talvez até dispensável para quem queira vencer na vida. Eu, que tive a experiência de somente fazer um curso superior depois de alguns anos que eu já trabalhava como gestor, pude enxergar com olhos mais apurados o resultado de tal questão.

Antes de me matricular na faculdade, eu engrossava o coro e queria acreditar que esta me ensinaria coisas que eu já fazia, permitindo-me apenas aprender o nome técnico daquilo que eu desenvolvia na prática. De certa forma, confirmei minhas expectativas... porém com um detalhe muito importante: depois que vivi a experiência de estar frente a frente com teóricos e estudiosos de cada matéria, creio que me tornei um profissional muito mais atento e sensível a alguns detalhes que, antes, me passavam despercebidos. Outra coisa muito importante é que pude confirmar ou derrubar algumas de minhas teorias, surpreendendo-me inclusive.

Uma dessas barreiras foi quebrada depois de estudar um pouco de psicologia e me atentar do motivo que levaria pessoas tão qualificadas do ponto de vista intelectual, terem comportamentos tão inadequados. Anteriormente eu classificava tais atitudes bem do ponto de vista do “Analista de Bagé”, o épico personagem de Luiz Fernando Veríssimo, personagem este que, como psicoterapeuta, tratava tudo na “técnica do joelhaço”. Posteriormente, passei a entender que há casos em que a bipolaridade, como patologia, existe... embora muitos também são os sujeitos que apenas creem viver tal doença, utilizando-se desta suposta moda para justificarem sua simples falta de tolerância.

Segundo o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, “nada é tão difícil quanto não enganar a si próprio” e, baseado nesta filosofia, concluímos que muitos pegam carona numa doença séria e utilizam-se da auto-complacência para diminuir o sentimento de frustração com algum fracasso momentâneo, colocando a culpa de seus comportamentos grosseiros numa suposta doença. O descobridor da bipolaridade foi Emil Kraepelin, que viveu no início do século passado e se ele provou cientificamente a ligação biológica da doença, provada ela está. Sabemos que há os pacientes  cujo as causas são de origens genéticas, tanto que terapeutas mais modernos afirmam que o tratamento é composto por 4 pontos fundamentais: medicação + terapia + psico-educação + apoio de pessoas próximas.

O meu amigo e leitor Marcello Marinho me pediu um artigo sobre este tema e, fico me perguntando quem sou eu pra opinar, concordar ou discordar dos médicos e psicólogos, afinal tenho profunda admiração por tais profissionais e um enorme respeito aos pacientes que verdadeiramente sofrem com essa patologia. Mas pelo que minha sensibilidade me permitiu aprender NA EMPRESA e no meu dia a dia depois de frequentar os tais bancos acadêmicos do curso de RH é que, em uma boa parte dos casos em que se brada muito a bipolaridade, ela pode de fato não existir... mas sim ser um subterfúgio para uma suposta fuga do mundo real ou um modo mais fácil de por a culpa nos seus genes pela sua indisciplina e falta de comportamento social. E nesses casos, o tratamento do Analista de Bagé seria mesmo muito mais adequado.

domingo, 4 de novembro de 2012

Que tipo de treinamento têm os seus funcionários?


Gosto bastante do sabor do sanduíche de uma rede de lanchonetes. Mas, em todas as lojas que eu fui, embora com visual bonito e apresentação impecável, alguns funcionários contribuem negativamente para a imagem que é passada ao cliente. Isso acontece porque, embora toda a decoração, ambiente e instruções presentes remetam a uma rede organizada e regrada, as atitudes inconscientes dos seus atendentes, por diversas vezes, dizem o contrário. Já estive em diversas lojas e notei a mesma coisa: as pessoas são treinadas para desenvolverem a função, mas não são treinadas para o comportamento.

Quando trabalhamos com uma equipe baseada em adolescentes ou pessoas muito jovens, como é o caso da empresa citada acima, torna-se fundamental a presença de um supervisor mais experiente e comprometido com a qualidade do serviço prestado. O jovem, uma figura muito importante no mercado de trabalho, tende a se perder em algumas armadilhas quando trabalha sozinho ou na presença de pessoas da mesma faixa etária. Embora aprenda rapidamente a fazer as tarefas técnicas e seja altamente caprichoso naquilo que faz, deixa escapar alguns valores de atendimento e comportamento que podem fazer a diferença entre ganhar ou perder um cliente. E se isso acontece, em minha opinião a culpa deve ser atribuída exclusivamente ao patrão, que o deixou sozinho e sem treino.

Na área de serviços contratados, por exemplo, existe uma máxima que afirma que 80 % dos negócios são fechados com base na confiança estabelecida entre consumidor e vendedor. Que tão importante quanto o reconhecimento e o poder de uma marca, está também a capacidade que o funcionário que estabelece a relação com o cliente, tem de se fazer confiar. Quase todos os livros de marketing e vendas da atualidade reconhecem que o vendedor é o elo entre a empresa e seu cliente e a relação pode ser estragada antes mesmo de ser iniciada se não houver confiança. De tal maneira, empresas investem cada vez mais na contratação de pessoas capazes de transmitir seriedade e confiança.

Ao conversarmos com um corretor de seguros, se não sentimos confiança, seriedade e profissionalismo do individuo, inventamos uma desculpa e procuramos seu concorrente. Da mesma maneira, se ao entrar em uma lanchonete notamos comportamentos inadequados dos seus funcionários, começamos a colocar em questão inclusive a manipulação dos alimentos enquanto não estão expostos aos nossos olhos. A imagem de uma empresa, seja ela uma multinacional ou um carrinho de pipoca, precisa ser compromisso assumido entre todos os envolvidos.

O que quero dizer com este artigo é que a maioria das empresas treina seus funcionários para desenvolverem apenas as tarefas, como a forma de cortar o pão, o ponto da carne ou a forma de carregar a bandeja... mas não os treinam para terem comportamentos adequados a imagem que a própria empresa quer passar. É contraditório percebermos que uma marca investe milhões em publicidade todos os anos para dizer que tem o melhor produto ou serviço e não se preocupa se mostra isso no dia a dia, do outro lado do balcão. Deveriam reservar parte deste dinheiro para investirem em programas de endomarketing e dizer aos seus próprios funcionários que o cliente que está ali em sua frente precisa voltar outras vezes. Um bate papo com o cliente é bacana, mas saber o limite da intimidade faz a diferença entre o funcionário carismático e o pegajoso.

Tão importante quanto ter habilidade para carregar uma bandeja é saber sorrir. Ser simpático, evitar conversas pessoais na frente da clientela e, principalmente, transmitir confiança a quem paga pelo seu serviço ou produto deve estar na lista de tarefas de todo bom setor de treinamentos. 

domingo, 28 de outubro de 2012

Trabalho voluntário, a troco do que?


De vez em quando a gente ouve frases diversas em tom de elogio quando nos lançamos a fazer ações sociais. Meu grupo tem a característica de realizar eventos grandes, como festas arrecadadoras, objetivando reverter a verba para entidades beneficentes que possamos confiar. Por conta desta tradição, é também muito comum que pessoas se ofereçam a trabalhar conosco em algumas destas ações, sempre dizendo sentirem-se felizes por estarem lá. “Eu nunca tinha tido a oportunidade de ajudar assim”, dizem alguns.

Entidades Religiosas, Fundações, Empresas, Clubes de Empresários, Rotary e Lions Club, Maçonaria, Clubes de Jipe, de Carros Antigos e outros colecionadores, Clubes de Senhoras e Comissões Humanitárias são apenas algumas organizações que se prontificam a trabalhar em prol de pessoas carentes. Mas para fazer trabalho voluntário, não necessariamente é preciso fazer parte de algum grupo; basta querer fazer. São inúmeros os lares, asilos e orfanatos que aceitam pessoas dispostas a ajudar de diversas maneiras. Contar historia para crianças, ler para cegos, dançar nos bailes organizados para os idosos e, até mesmo, apenas conversar, são ações simples que podem ter uma utilidade muito maior para aqueles que a recebem.

Em 2006, eu e o Halaouani estivemos no Lar dos Velhinhos de Valinhos. Naquela oportunidade, chegamos lá num final de tarde dirigindo uma Montana cheia de alimentos não perecíveis para fazer uma doação que já estava combinada desde a véspera. Fomos imensamente bem recebidos e as assistentes sociais, em forma de agradecimento, nos deram de presente dois pães caseiros enormes. Na saída eu perguntei no que mais poderíamos ser úteis e uma senhora, interna que estava presenciando a conversa, se antecipou e respondeu: “Vocês gostam de dançar bolero? Venham aqui aos domingos a tarde, porque nós precisamos de pessoas para dançar e conversar”.

Eu nunca fui dançar com elas, apenas cantei a idéia a um músico amigo meu que a aproveitou. Pode parecer esquisito, sei que alguns leitores vão até caçoar da situação, mas o episódio me fez repensar um pouco meus conceitos de ajuda. Noto que, embora algumas destas casas de apoio precisem mesmo de doações, outras têm sua condição financeira tranquila  já garantida por verbas do governo. O que todas elas realmente precisam mesmo é de pessoas dispostas a estarem lá presentes, conversar, brincar, ocupar o tempo, aprender e ensinar. Alguns perguntam quais vantagens teriam ou mesmo o que ganhariam com isso... por outro lado vejo amigos que sustentam que, se ajudassem, não precisariam ganhar nada não.

Porém, para responder, quero contar dois casos curiosos: o primeiro é de uma jovem médica de Salvador, na Bahia, que reuniu seus colegas de formatura do ensino fundamental para, anualmente, palestrarem aos jovens alunos de escolas públicas sobre as diversas profissões que eles escolheram depois de adultos (li isso em uma reportagem, não me lembro qual). O segundo é de um adolescente em Campinas que durante dois anos, trabalhou como voluntário, por meio período em ao menos três dias da semana, ajudando nas rotinas administrativas de uma entidade filantrópica. No primeiro caso, a médica conseguiu influenciar muitos jovens a seguirem uma profissão ao invés de correrem o risco de abandonar os estudos. No segundo, o voluntário foi contratado como estagiário numa multinacional logo aos 18 anos, apresentado por outro voluntário mais velho, que depois de conhecê-lo, virou seu padrinho profissional. Precisa ganhar mais alguma coisa?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Empresarialmente, ataque é a melhor defesa?


Na semana passada, ao pagar meu almoço com o cartão, o caixa (que é o dono do restaurante) fez aquela pergunta clássica: “no débito?”. E os poucos segundos que fiquei esperando a operação se concretizar foram suficientes para trocarmos algumas palavras sobre o aceite do cartão de crédito e débito nos restaurantes. Ele me dizia que não faz a menor questão de distinguir seus clientes a usarem a modalidade débito em vez de crédito, afinal o seu plano de negócios já inclui o prazo e as taxas como previsão. Segundo ele, mesmo considerando que as vendas feitas no cartão de crédito demoram mais para serem recebidas, todos os dias ele tem a receita de vendas que foram feitas em meses anteriores e isso completa seu caixa. No final, talvez até em sinal de ciência do que se ensina nas escolas de administração, ele ainda disse que "sabe que o mais saudável para qualquer empresa é receber a vista”. Eu saí de lá pensando: Será que é isso mesmo?

Afinal, o melhor é vender a vista e não pagar o custo do dinheiro ou vender a crédito, incentivar as vendas, ainda que pague taxas por este incentivo? A resposta pode vir de uma coisa que o brasileiro conhece e comenta muito: o futebol. O livro “Iniciação ao Futebol” (Borelli e Trientini – 2008) ensina como posicionar uma equipe em campo nesta modalidade. Em alguns trechos, afirma que cada jogador precisa ter ciência exata de qual é o seu papel e sua função principal, secundária e terciária. E eu que sempre gostei deste esporte, concordo plenamente com tudo isso. Afinal, o que há de mais comum em um campo de jogo entre crianças não iniciadas na modalidade é aquele tumulto de todos os participantes, num canto da quadra, em cima da mesma bola e tentando chutá-la para um lado qualquer, sem absolutamente nenhuma técnica.

Se compararmos as duas coisas, vamos ver que elas se assemelham: ambas precisam ter os jogadores que atacam e os que defendem. Se entendermos que o goleiro do time trabalha para não perder e o atacante trabalha para ganhar, vamos observar que a empresa precisa ter também os defensores e os goleadores. Um funcionário administrativo responsável pelo controle de perdas é o goleiro da corporação, responsável por estancar as goteiras e poupar qualquer tipo de recurso disponível. Reclama que fica segurando a onda aqui atrás enquanto o outro fica lá "na banheira" levando os méritos. Este outro é o gerente de vendas, que por seu lado, pensa apenas em vender, vender e vibrar com as metas batidas. Geralmente se gaba por se ver como o cara mais importante do grupo: o ídolo... afinal é ele quem, com os seus gols, supostamente sustenta o emprego de todos os outros.

Acontece que em alguns momentos a gente percebe que o time empresarial, formado pelas áreas administrativa, operacional e comercial não se entende. Os departamentos jogam sem tática e cada um fica puxando sardinha para o seu lado, querendo apenas falar sobre o seu valor. E esse desequilíbrio em campo é que leva um time a ter o artilheiro do campeonato e ser, ao mesmo tempo, quase rebaixado para a segunda divisão. Esse foi o exemplo do Santos no campeonato Brasileiro de 2008, que ficou há apenas 5 pontos de cair para a série B mesmo tendo em seu elenco o goleador Kleber Pereira. Por outro lado, vimos equipes muito bem equilibradas, como o Corinthians de 2012, campeão fazendo pouquíssimos gols e do São Caetano Vice-Campeão Brasileiro de 2000, que tomava 4 gols por jogo, mas sempre fazia 5. O segredo dos times de sucesso é que um integrante sempre sabe que precisará se doar pelo outro, obedecendo a estratégia coletiva do momento... coisa que só é possível quando o elenco abre mão das vaidades.

E o que é melhor: Conter gastos ou vender mais? A minha experiência mostra que depende do momento. Não adianta receber 100% daquilo que vende se sua empresa vende tão pouco que não faz a coisa girar. Mas também de nada adianta bater todos os recordes de vendas tendo prejuízo em cada operação, porque é como se a cada venda feita aumentasse ainda mais o seu prejuízo. Assim como no futebol, tudo depende do cenário do jogo... há vezes em que é melhor arriscar tudo e mandar todo mundo pro ataque e as vezes o melhor que temos a fazer é uma retranca com cadeado de masmorra. Qualquer que seja a opção, todos os profissionais envolvidos tem que continuar cumprindo os seus deveres: mesmo numa empresa retrancada o vendedor tem que vender assim como numa empresa ousada não se deve gastar à toa. O que a gente nunca pode deixar de ter é o faro do gol, porque eu nunca vi um time ser campeão sem ganhar muitos jogos... nem que seja por 1 a 0.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fim dos tempos pra quem pula de galho em galho


 Já faz muito tempo que o Professor José Pastore, da USP, fala sobre os paradigmas que o trabalhador mantém em relação ao que chamamos de oportunidades de trabalho. Segundo ele, o trabalhador brasileiro é mal acostumado diante de uma legislação protecionista e acaba prejudicado pelo seu próprio comportamento em momentos de escassez. Sempre em busca de segurança, salário alto e muitos benefícios, o sujeito abre mão de oportunidades em entrelinhas e que poderiam levá-lo a um sucesso maior.
 
Quando nos limitamos a somente valorizar trabalhos no padrão corriqueiro, ou seja, aquele que dá salário fixo, é registrado em carteira e tem horário para cumprir, inicialmente pensamos que estamos nos valorizando... mas é também uma maneira de fecharmos a porta para chances que podem surgir e nos fazer voar mais alto, como a possibilidade de ser um profissional autônomo, prestador se serviços ou, até mesmo, empresário e dono do próprio negócio.
 
É obvio que, na hora de escolher um trabalho, precisamos ponderar situações. Uma coisa é trabalhar como vendedor numa empresa sem nenhum vínculo com ela e outra é ser representante comercial, com contrato de representação e garantias que o produto ou serviço cumprirá tudo aquilo que foi prometido. Ao assumir um contrato bem feito e honesto, o profissional deixa de ter apenas um salário e transforma a sua remuneração no que chamamos de “renda’. Isso geralmente é uma grande e boa chance de evolução e progresso.
 
Mas o mercado de trabalho acaba sendo um tanto picareta também pelos paradigmas criados e sustentados. Fala-se tanto em oportunidades que o profissional vem perdendo o vinculo com os seus próprios valores. A cada dia, a troca de emprego parece ser algo a somente valorizar o cidadão, mas a troca rápido demais faz também perder a confiança daqueles que o cercam. Existem pessoas que já trocaram tanto de trabalho, sempre dentro do mesmo ramo e mesma posição, que depois de um tempo começam a voltar para a empresa de onde saíram. Conheço alguns que não sabem mais quantas passagens tiveram por uma marca ou outra.
 
Algumas áreas são mais famosas pelo troca-troca, pois mantém produtos semelhantes entre a concorrência. Um caso é o ramo da telefonia, onde existem vendedores que se confundem no meio da apresentação, mencionando, às vezes, o nome da empresa em que trabalhava até a semana passada. Mas a culpa de haver este mercado prostituído é também do próprio empregador, que no momento do desespero vai até o concorrente e faz propostas ao profissional dele para vir trabalhar consigo. Em algum momento, o feitiço virou contra o feiticeiro e deu nisso. O problema é que de um tempo pra cá, devido aos exageros, todos os envolvidos têm sido vítimas.
 
Depois de um tempo, o próprio cliente não confia mais na figura do vendedor que, a cada aparição chega com uma marca e um uniforme diferente, dizendo que a empresa onde ele trabalha agora tem o melhor produto. Confesso que tenho restrições àqueles profissionais voláteis, tanto na hora de contratar alguém que já passou por dezenas de empresas do mesmo ramo, quanto para escolher um prestador de serviços para me atender. Prefiro confiar nos que eu sei onde estarão na semana que vem. Ao contratar alguém, eu sempre penso que se uma simples oferta de emprego pode fazê-lo virar a bandeira e vir trabalhar aqui, uma outra tão simples quanto pode levá-lo embora também. Essas são pessoas que, na primeira bronca, na primeira divergência, vão buscar abrigo na concorrência, sabendo que facilmente conseguirão.
 

Numa ultima análise, podemos concluir que os que trocam de trabalho periodicamente, migrando de empresa em empresa, voltando para a empresa anterior e saindo de novo, normalmente são menos bem sucedidos do que os que permanecem firmes e fiéis a um grupo, uma marca, uma corporação. Percebam que aquele que “vai e vem” sempre vai quebrado, depois de um tempo liga dizendo que está bem, e  meses depois vem, quebrado, pedir emprego de novo. Assim como o cliente perde a confiança e tende a deixar de lado os “pinga-pinga”, os empregadores também.

domingo, 14 de outubro de 2012

Trabalhe pelas suas metas e não pelas metas dos outros


Uma história que eu sempre repito para as minhas equipes é uma passagem bíblica (Mateus 20:1-16) em que um patrão contrata diversos trabalhadores ao longo do dia e cada um deles trabalhava por uma quantidade de horas diferente, existindo o que trabalhou o dia todo e outro que somente trabalhou parte do dia. Porém, na hora do pagamento, todos recebiam igual valor. Ao receberem pagamentos iguais por horas de trabalho distintas, os que mais trabalharam reclamavam da injustiça, até que o patrão perguntava onde estaria o ato ilícito, já que este não estava tirando de um para dar ao outro, mas sim os remunerando conforme lhes foi prometido.

Essa é uma situação mais que comum no mundo corporativo, onde pessoas preocupam-se muito mais com o beneficio das outras do que com o seu próprio. O que as leva a essa preocupação é a competição na qual o mundo moderno nos inclui. Um sábio empresário que eu conheço costuma dizer que mesmo quando a gente não está competindo com ninguém, alguém está competindo conosco. Sabemos também que o espírito competitivo nos leva a muitas vitorias e, mesmo quando as vitórias não vem, faz com que o competidor melhore seus referenciais. Mas, em alguns casos, a competição também pode nos tirar do foco, fazendo-nos trabalhar mais para perseguir o outro competidor e menos pelos nossos próprios objetivos.

No mundo das concorrências, pessoas e empresas fogem dos seus planos de negócios por uma competição; algo que, se mal trabalhado, pode ser classificado como uma certa inveja. Isso pode acontecer internamente, quando um vendedor produz mais que o outro e o que ficou pra trás sente-se perdendo importância ou mesmo quando uma outra empresa do mesmo ramo começa a bombar, dando a impressão que pode revolucionar o cenário. Em alguns casos, a tara pela vitória pode prejudicar inclusive a nossa caminhada. Por outro lado, saber a hora de exigir do seu time o melhor desempenho pode ser a grande diferença entre aqueles que vencem e aqueles que quebram antes de amadurecer.

Uma situação muito comum no mundo esportivo, principalmente no futebol, é um jogador jovem, embora cheio de talento, não ser colocado pelo técnico como titular na maioria dos jogos, mesmo sendo ele reconhecidamente mais habilidoso do que o que o precede. A explicação dos treinadores é sempre a mesma: “não podemos dar ao jovem mais responsabilidades do que as que o competem”. Isso significa não pular etapas... pois quando a gente coloca um atleta ou profissional não amadurecido para atuar numa competição importante e já lhe exige a vitória a qualquer custo, estaremos também quebrando seu encanto e sua confiança, além de possivelmente colocar no curriculum dele alguns resultados bem negativos que poderão abalar a sua auto estima.

Estou dizendo que é muito mais importante cumprirmos as metas de nosso planejamento do que nos preocuparmos com o que os outros estão fazendo, a menos que a concorrência do outro possa interferir diretamente em nosso mercado. Com um time em formação, devemos estabelecer etapas e, depois de um determinado tempo, uma dessas será vencer o nosso concorrente e tornarmo-nos campeões. Afinal, quando o mercado está em crescimento, sempre há lugar vazio onde a gente possa entrar... mas se queremos ser grandes, precisamos estabelecer nossos sonhos.

Lembro-me de um colega que, num momento de recuperação, estabelecera uma meta que aqui vou simplesmente simbolizá-la por 200. Isso era algo aquém do que ele gostaria de fazer, mas era algo muito interessante para o seu momento. Ao saber que o gerente da outra regional havia estabelecido meta de 300, o meu colega se desesperou, apertou a cobrança em sua equipe que ainda estava em formação e colocou tudo a perder... não fez nem as 200. O ideal seria ele ter se mantido fora dos holofotes temporariamente no seu numero para fortalecer seu time e surpreender no próximo mês.

Se a estratégia é ganhar de alguém, então estabeleça isso como meta e vá em frente. Mas se a sua estratégia é disputar com os números, permaneça preocupado exclusivamente com eles por um tempo. Desta maneira, poderá sentir-se feliz ao cumprir suas metas e fortalecer-se num futuro próximo para poder vencer uma disputa, tornar-se líder de mercado e virar referência.

domingo, 7 de outubro de 2012

A importância de estarmos positivos

Era uma vez uma vendedora de livros que vivia um momento muito difícil. As vendas iam mal, os clientes eram escassos e por conta disso o seu animo foi caindo. Dia após dia ela percebia que as coisas se complicavam mais, pois suas comissões tornavam-se a cada dia menores, fazendo falta, inclusive, para seus próprios planos de recuperação. Um dia, porém, num momento de reflexão e prece, ela teve a ideia de telefonar para antigos clientes. Deu certo e ela agendou com um deles para o a manhã seguinte, numa cidade vizinha, na primeira hora. E para chegar lá, teria que acordar de madrugada.


Nada era empecilho para quem estava motivada e via uma solução. Mas a vendedora ia de ônibus e, ao chegar a rodoviaria, descobriu que não tinha dinheiro para comprar a passagem. Num primeiro momento, pensou em voltar para a casa, mas esse pensamento pouco durou e ela lembrou-se de um colega que trabalhava perto dali, que talvez poderia emprestar-lhe o valor. O plano deu certo e a garota foi ao encontro do cliente, fechou a venda e conseguiu referencias que lhe abriram uma linha de trabalho. Com o dinheiro recebido ela pôde pagar o colega pelo empréstimo e retomou a carreira.

A historinha acima é verdadeira, embora pereça muito com o filme “A Procura da Felicidade”, estrelado pelo ator Will Smith. E assim como o filme, tem alguns pontos muitíssimo interessantes de serem analisados. O principal deles é entender o motivo que faz a mesma pessoa, hora tocar e virar ouro e, em outros momentos, se lamentar porque nada dá certo. E a resposta está no positivismo exercido pela sua mente naquele momento. Embora os mais céticos, nesse momento da leitura já estejam pensando em abandonar o texto, é exatamente nisso que eu acredito e, a partir do próximo parágrafo, passo a fundamentar.

Estar positivo ou negativo não tem relação com as coisas que acontecem no nosso dia, mas sim com a forma que reagimos diante delas. A nossa vida é cheia de oportunidades e desatinos, de modo que nós precisamos estar atentos a isso. Quando estamos positivos, ficamos sensíveis para aproveitarmos as oportunidades e preparados para os solucionar os problemas... mas quando estamos negativos, as oportunidades passam despercebidas e os trancos servem apenas para confirmar aquilo de ruim que vínhamos prevendo. Esse positivismo ou o contrário dele tem muito menos (ou nada) a ver com a posição dos astros do que com a fé e a crença das pessoas.

O start que a vendedora de livros teve de ligar para as listas antigas fez com que ela acreditasse novamente nos bons tempos. No dia seguinte ela estava positiva, acreditando que as coisas tinham mudado... mas mesmo assim ela teve desafios, tudo deu errado: ela esqueceu o dinheiro. Em outros momentos ela voltaria para sua casa chorando e lamentando, mas não neste dia... pois positiva ela pensou rápido e encontrou uma solução. E ao ter sucesso na venda, ela reforçou o bom astral, reforçou a sua crença de que tudo está novamente dando certo. Da mesma forma que a mente humana reforça o negativo, ela também reforça o positivo e por isso existe na nossa vida aquilo que chamamos de fases, de onda boa ou onda ruim. As ondas mudam quando a gente muda o pensamento e podem ser controladas também de acordo com nossa disciplina e costumes.

Uma vez ouvi do ex-técnico da seleção brasileira de futebol, Carlos Alberto Parreira, que o ponto positivo das derrotas é que elas não são definitivas... e que o ponto negativos das vitórias é que elas também não são definitivas. Então esteja preparado, sempre.