terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Contratando Roqueiros

O termo Rock’n Roll para denominar um estilo de música, teve origem na década de 50, nos Estados Unidos, depois que alguns DJs resolveram utilizá-lo para identificar uma espécie de "balance e role", contida naquele ritmo que acabava de surgir. Antes disso essa expressão parecia ser uma gíria comum entre os negros, que remetia ao sexo selvagem. Talvez por isso, naquela época, o rock era erroneamente visto como coisa do diabo ou algo parecido (voltou a ser visto assim uma geração depois com a chegada do Black Metal). Nos anos de 1960, o Rockabilly (que já sofria influencias nativas) enfeitiçou o mundo e durou um longo tempo nas paradas de sucesso.

As décadas seguintes continuaram sendo muito prósperas para esse estilo, porém no Brasil especificamente, pode-se notar que o grande público apenas se divertia com aquilo que a televisão oferecia. Ainda como novidade no terceiro mundo, a TV ditava a moda para uma porcentagem muito grande da população, que por sua vez, tinha pouquíssimas outras alternativas de entretenimento. Os programas de auditório sempre deram vazão aos batidões populares, tendo deixado o rock meio de lado, conseqüentemente numa espécie de submundo ou underground. E o roqueiro até que gostou disso, pois mesmo que por um lado o fenômeno trouxesse dificuldade de encontrar música do seu gosto, por outro lado isso também o diferenciava da massa e lhe dava um ar de superioridade.

Nesse período, o Brasil viveu a explosão do “Qual é a Música”, apresentado na TV por Silvio Santos, que trazia artistas populares e repetitivos, viveu a era das discotecas, do Break, da Lambada, da Música Sertaneja, do Pagode, do Axé, do inusitados Forró e Sertanejo Universitários, do Hip Hop, até chegar na anti-cultura do Funk. Isso talvez explique uma matéria do jornalista Marcelo Moreira, recentemente publicada no site do Estadão, onde se referia a uma suposta preferência dos recrutadores do mercado de trabalho por quem ouve rock’n roll. Na reportagem, o jornalista cita a frase de seu entrevistado, um gerente de RH de uma multinacional no ABC paulista, que dizia que “quem gosta de rock geralmente é um profissional mais antenado, que costuma ler mais do que a média porque se interessa pelos artistas do estilo. Geralmente são mais bem informados sobre o que acontece no mundo e respondem bem no trabalho quando são contratados”.

Poderíamos dizer que um adolescente do século XXI somente descobre o rock através pesquisas e influencias, pois o mesmo não está na mídia direta como estão os estilos da moda? Em minha opinião, sim! Então, as pessoas de cultura limitada se apaixonam somente pelo que está disponível (pagode, axé, funk, etc), enquanto que as pessoas que tem mais acesso acabam sendo mais exigentes a qualidade. Mas é CLARO que não é uma regra infalível e não se pode generalizar. Eu mesmo já contratei pessoas que não falavam em outra coisa senão heavy metal e as demiti  dias depois sem absorver absolutamente nenhum tiquinho de sabedoria delas.

Com o mercado de trabalho aquecido como está hoje, o melhor que temos a fazer é escutar nossos candidatos. Sondar os seus corações parece ser mais eficiente do que analisar apenas o curriculum. Avaliar o que fazem no dia a dia, suas capacidades de absorver cultura, seus estilos de diversão, podem trazer de uma maneira geral, um ponto a mais para avaliação. Mas é importante que o leitor não passe agora a somente contratar quem gosta de rock’n roll, pois se fizer isso corre o risco de cometer erros terríveis, não sobreviver com a empresa e nunca mais poder contratar ninguém.

Referência citada:
com acesso em 31/01/2012.

4 comentários:

  1. acho esse tema bastante polêmico, mas acredito que o ritmo que cada pessoa escuta tem mais a ver com o lugar de onde ela vem do que com sua capacidade intelectual. Não seria nenhum absurdo eu dizer que é mais comum encontrar rockeiros na classe média e rappers na favela. Por outro lado, aposto que, na hora de selecionar os candidatos, daria mais medo um rockeiro que ama Restart do que um rapper que escuta Marcelo D2, Criollo e MV Bill. O segundo provavelmente teria mais capacidade de reflexão. Mais capacidade de reflexão, mais pensamento em grupo. Maior pensamento de grupo, maior liderança. Maior liderança, o senhor tem um empregado que não é um mero peão, e sim um parceiro na empresa.

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  2. Prezado Vinicius, acredito que você está plenamente certo. Perceba que a tese diz que que o roqueiro é mais "antenado" porque busca estilos no underground, ou seja, fora da moda, do dia a dia. Significa dizer que, independente de ser rock ou qualquer outra coisa, se está na midia, é de fácil acesso e não requer muitos miolos... restart é moda...certo? Já MV Bill é underground, não tem na saraiva...
    Por outro lado, depois de ter escrito o artigo, fiquei pensando se o cara que ouve o que está na moda não tem seus pontos positivos também, e refleti que eles tem: Por exemplo, quem ouve e dança axé, quem agita no rastapé sertanejo, certamente é mais desinibido que o roqueiro revoltado com a sociedade... em muitos casos, isso tem até mais valor.
    Parabéns querido Vinicius, valeu a discussão

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  3. Um ótimo filme que mostra a historia do rock é "Cadilac Records", fica como dica. De qualquer forma, acredito que a música deveria ser considerada como um todo (melodia e mensagem), mas a grande massa acaba aceitando, satisfazendo-se com uma simples melodia, ainda que a mensagem (literal ou não) seja uma porcaria. Mas graças a internet é possível descobrir muita musica boa hoje em dia, e não necessariamente rock 'n roll, mas outros estilos também.

    Agora, quanto à questão da relação "contratação de emprego com estilo musical", fiquei curioso se seria possível fazer uma análise similar com relação à time de futebol.. acho que teríamos muito são paulinos bem sucedidos no mercado, haha

    abraços

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  4. Realmente , já trabalhei e contratei roqueiros que se saíram completos alienados de tão revoltados. A dinâmica da vida não perdoa quem deixa o tempo passar sem olhar pela janela. Acho que a nossa viagem para dentro deve ser intensa no início, até nos lapidarmos depois crônica para sempre nos descobrirmos de novo e não aguda o tempo todo senão perdemos o bonde. Ah! como bom corintiano, digo que há controvérsias sobre este outro tema! rs

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