terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Decepcionado comigo mesmo



Uma das características da “Geração Y” é de ser composta por pessoas sonhadoras e isso é muito bom. Sonhar eleva o espírito e torna o ser mais forte, propenso a conquistar novos patamares. Esse sonho foi e ainda é muito gerado pela tecnologia disponível, capaz de fazer coisas antes inimagináveis e agora, possíveis ao alcance de um clique. Para tudo que se imagina, cria-se um layout na tela do computador e dalí já sai para a linha de produção.

Esse pessoal começa a ter problemas quando não consegue realizar seus sonhos de maneira rápida. Devido a instantaneidade de tudo em suas vidas, os jovens tem se tornado, a cada dia, mais ansiosos. Nasceram numa época em que o forno de micro-ondas já substituía a velha panela para esquentar o arroz, com isso pensavam que o prato de comida já nascia pronto e o simples fato de esperar água ferver já era motivo de irritação. Na escola, a impressora a laser cuspia as folhas do trabalho digitado numa velocidade bem maior do que era capaz de fazer o velho mimeógrafo. Em algum momento, escrever a mão usando uma caneta e um pedaço de papel já era um transtorno... imaginem só!

Então, uma geração acostumada ao imediatismo, só poderia mesmo ser ousada. Ousadia era o que faltava para a turma das gerações anteriores, que foram ainda muito repreendidas pelas ditaduras e regimes totalitários que figuraram em quase todo o mundo no Século XX. O que não podia-se prever, é que tanta ousadia trouxesse junto a prima malvada, a ansiedade. Podemos perceber que o mercado de trabalho tem sido, cada vez mais, ocupado por pessoas ansiosas e sem resistência as dificuldades do dia a dia. Pessoas altamente preparadas para serem aplaudidas e totalmente frágeis as derrotas. Seria isso uma conseqüência das medalhas de honra ao mérito que passaram a ser entregues inclusive aos últimos colocados dos torneios de educação física?

Tenho ouvido muito os jovens dizerem que estão "frustrados com os seus próprios resultados", que estão "decepcionados com eles mesmos", etc. Isso os tem feito desistir de tudo que dá um pouco mais de trabalho. Entram nas empresas sem paciência e sem estratégia, acham que já assumirão o cargo dos seus sonhos pelo simples diploma que têm na mão, não agüentam “meia” bronca do chefe e desistem quando percebem que não atingiram o objetivo. Um amigo meu diz que “antes, quando alguém não atingia o objetivo levava uma enorme bronca do chefe, mas que hoje, se alguém não atinge, o chefe tem que levantar a bola do cara pra ele não pedir as contas”. Eu concordo... tenho visto muita gente que se deprime com qualquer revés.

Meu conselho: nunca se decepcione com você, com seus resultados, pois isso é conversa de quem quer bajulação. Prefira aprender com os erros, com as suas falhas e seus acertos, pois a auto estima é matéria-prima fundamental para o sucesso. Admita seus erros com a cabeça erguida, busque corrigi-los, pois sempre está em tempo. Um bom lutador sabe bater e sabe apanhar... os que só sabem bater geralmente caem no primeiro golpe que sofrem. Mohamed Ali já levou muita pancada, Mike Tyson também... Vitor Belford deu a volta por cima de voltou a vencer. Quem não resiste às dificuldades da vida não vive o suficiente para acabar com elas, não vive o suficiente para ser campeão.

Quando encontrar obstáculos pela frente, supere-os... sempre há uma forma. E acredite: desistir tem sido mais custoso do que persistir no sonho. Mas as pessoas acostumadas ao imediatismo preferem desistir, porque a desistência é instantânea... e a vitória, as vezes, pode levar mais tempo pra acontecer.

13 comentários:

  1. Quem, em algum momento que seja, já não se decepcionou consigo?
    E isto não é prerrogativa da geração Y apenas.
    Muitas vezes, ao analisarmos esforço x resultado, vemos que a conta não nos é satisfatória. Neste caso, ao invés de desistir, persistimos, mesmo desanimados. Isso só se adquire com o tempo, através da observação e aprendizado (com os próprios erros).
    Parece que falta um pouco disso por parte da GY que, apesar da capacidade, parece que pensa que tudo se resolve como num touch screen.
    (gostaria de ver aqui mais opiniões a respeito já que este é o meu modo de ver algumas situações)
    É isso.

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    1. Carlos Cunha, boa noite. Percebo que você já está no touch screen enquanto eu ainda estou no "click"... rsrs
      Obrigado pelo comentário!

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  2. Estou espantada de você ter publicado e eu ter lido esse post justamente hoje. Muito pertinente! O que você escreveu, do meu ponto de vista Aguinaldo, se aplica a tantos aspectos da vida, inclusive no que desejamos pra nossa edificação de personalidade. Diz muito de como conduzimos nossas próprias vidas.

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  3. Aguinaldo, não sou GY, mas agora estou no touch screen Rsrsrs... e me sinto decepcionada comigo mesma em determinados situações da minha vida, que se pudesse, como diz o Capitão Nascimento, "pediria pra sair". Como não dá para simplesmente cair fora, tento aprender com os erros e tocar o barco em frente.

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  4. OLA ,E BEM ISSO AI .ASSIM O IMPORTANTE E NAO DESITIR.

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  5. Aguinaldo, sou da geração Y e já me deparei diversas vezes com essa situação e acho muito certo o que você disse.
    Para mim a saída tem sido realmente tentar tirar lições de fracassos pessoais passados para tentar tirar proveito no futuro. Ainda que o imediatismo persista a correr em minhas veias, depois de muitos murros em ponta de faca, venho aprendendo a lidar com ele e a canalizar minha energia para me impulsionar ao futuro.
    A jornada que eu escolhi não é fácil e eu me conscientizo dia após dia que muitos tombos virão para eu chegar ao sucesso - ainda que eu o queira pra ontem rs...

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  6. Fala Guina, após ter lido esse post, reparei no video da entrevista clictv, a qual o tema também foi a geração Y. Achei interessante o ponto que você comenta em relação ao mercado de trabalho, no qual os profissionais não ficam mais tanto tempo numa empresa quanto a geração de nossos pais. Concordo plenamente com você na questão da necessidade de imediatismo dos jovens de hoje, o qual leva os mesmos a desistirem rápido de suas expectativas, porém, acredito que existe um outro fator importantíssimo que causa essa " menor vida útil" do profissional, que é a mudança de estratégia de negócios que praticamente toda empresa teve desde a época de nosso coroas até hoje. Tomo meu pai como exemplo, que com seus 18 anos foi contratado por uma empresa metalúrgica e nessa trabalhou por cerca de 30 anos - e isso serve pra tantos outros pais. A diferença é que ao longo desses anos, meu pai vivenciou uma estratégia empresarial a qual provia ao profissional uma série de etapas de progresso que hoje não existe mais. Lembrando que naquela época, pelo fato de a maioria dos profissionais terem um perfil mais estático, do tipo horário pra entrar e pra sair, função pré-estabelecida e etc, o profissional mais ousado, mais curioso acabava sendo rapidamente mais aproveitado, passando então, por as tais etapas de progresso mencionada acima. Essas etapas envolvem a questão do desenvolvimento profissional junto ao, hoje extinto, aumento salarial "real", o qual permitia ao profissional crescer em sua profissão mas também contemplar múltiplos aumentos salariais ao longo do ano, de acordo com mérito próprio. Lembrando também que sou defensor do ideal que não se pode só pensar no dinheiro, mas todos sabemos que isso também conta muito. Pra concluir, eu vejo que hoje acontece o inverso do que acontecia no tempo de nossos pais. Hoje a grande maioria dos profissionais têm boas idéias, ousadia pra mudar e tudo mais - ou pelo menos bons currículuns - porém, quando se vêm fazendo muito mais do que o "básico", ainda que evoluindo com novos desafios mas com a questão salarial sem progresso algum - devido a atual estratégia de negócios usada pela maioria das empresas, a qual explora ( no bom sentido da palavra ) o profissional muito mais, mas infelizmente não oferece uma crescente na questão salarial - os jovens logo acabam decidindo buscar outra empresa que ofereça uma oferta melhor. A grosso modo, me parece que nos tempos de nossos pais, o profissional entrava numa empresa com menos preocupação em relação ao salário, pois sabia que o mesmo iria progredir de acordo com o mérito do profissional enquanto hoje, a grande maioria trata a questão salarial como fator crucial no momento da contratação, sabendo que isso dificilmente irá mudar depois. Vejo isso como grande fator, também, responsável pela rotatividade de profissionais no mercado.

    Grande abraço a você e toda família Uptime!

    Rafael, o Tavares :)

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  7. Muito bom seu artigo!!! Bjs!!!

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  8. Ronda na esfera do inconsciente coletivo este tema. Publiquei ontem, em tres pequenas partes, o motivador de minha buscas por respostas íntimas e que me levou a escrever o blog e agora a sonhar com um livro. O que escrevi completa na prática o que na teoria está perfeitamente explicado por vc Aguinaldo. Se alguem da geração Y tiver um pouquinho de paciência e interesse pesquisem em meus pergaminhos no blog Placa de Retorno. Vamos aprender a pescar então! rs TFA

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  9. Aguinaldo,
    Gostei muito do artigo e percebi que realmente retrata o comportamento de muitas pessoas hoje em dia. De maneira alguma sou contra a tecnologia mas não podemos ficar escravos dela. Na minha opinião antes da sua chegada, quando o "fazer" era bem mais difícil, o homem tinha mais determinação, mais persistência, mais ideal. Mesmo nos períodos dos regimes ditatoriais, como vc cita no texto, se lutava por algo. E hoje para quê e por quem se luta????

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    1. Olá prezado leitor, seu comentário foi muito bom, gostei bastante.
      Boa semana!
      Aguinaldo

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    2. Querido Ir.: Aguinaldo: Ótima matéria! Na vida profissional, bem como na vida pessoal, aqueles (as) que se lamentam por elas mesmas ou pelo os outros, aqueles que fazem de vítima, aqueles que sempre procuram uma desculpa ou explicação, como diz o ditado: "Não busque culpas, para dar desculpas", essas pessoas, agem assim, porque É MUITO MAIS FÁCIL reclamar ou explicar o PORQUE que não deu certo au invés de fazer de novo, e de novo e de novo da melhor forma possível e JÁ SABENDO DE ANTE MÃO que pode dar errado... E isso faz parte. Na verdade falta não só persistência e boa vontade e sim HUMILDADE para dar o melhor de sí, sem esperar bajulação ou se frustar facilmente... Ótimo texto. Um grande abraço. Pavan

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  10. Essa geração que tem uma relação muito estranha com o tempo, tudo é pra ontem,acaba por se tornar uma geração frustrada e decepcionada consigo mesmo.
    Aproveitar a tecnologia para usar o tempo ganho a seu favor,essa deveria ser a senha.

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