terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ouvintes da Rádio-Peão

A “Rádio-Peão”, como é conhecida a patotinha da fofoca nas organizações, é quase uma instituição. Diríamos que ela existe em qualquer empresa, mesmo naquelas onde trabalham poucos funcionários. Sua audiência é sustentada pelos trabalhadores, clientes, fornecedores, vizinhos, familiares e outros tantos stakeholders. Geralmente é muito criticada por uma parte da turma, mas mesmo assim torna-se um vício difícil de ser largado e tem entre os ouvintes, até mesmo os seus próprios críticos. Não estou dizendo que a fofoca é uma prática sadia, muito pelo contrário. Mas o fato é que muitas coisas que se fala nos corredores pode ter sua razão de ser e mesmo aqueles que são excluídos dos “zun-zun-zuns” vivem interessados em saber o que está acontecendo. Uma empresa não fica sem uma notícia paralela, pois as pessoas têm sede de saber o que está acontecendo.

Mudando um pouco de assunto, lembrei-me de uma empresa que sofria com a ação dos “flanelinhas” na frente de uma de suas lojas. Eles eram agressivos com os motoristas que não davam a “caixinha” e, com isso, afastavam muitos clientes que não voltavam por não terem um local seguro para estacionar. Como solução, o RH contratou um porteiro, que recebeu as orientações de permanecer na calçada. Este novo funcionário uniformizado, nada mais era do que um “flanelinha oficial” da loja, porém não cobrava (e era orientado a rejeitar se alguém lhe oferecesse dinheiro). Com a concorrência, os informais acabaram perdendo força e indo embora.

Com essa história em mente e o princípio de ocupar oficialmente um espaço que esteja sendo ocupado por extra-oficiais, respondo a pergunta do Luis Flavio, um ex-colega de faculdade, que me relatou num dia desses que está vivendo dificuldades devido a existir a turminha da fofoca na fábrica onde ele trabalha. Meu colega, que gerente de RH, não vê como acabar com a “Difusora” instalada. Eu perguntei a ele, como sabe que existe a tal fofoca e a resposta foi imediata: “Porque tem os que me contam!” Ou seja, Luiz... aí há duas lições: a primeira é que ninguém é confiável o suficiente para guardar um segredo e, segundo que querendo ou sem querer, você e todos os outros acabam participando da tal rádio, ansiosos para obterem mais informações. 

O problema não é existir a fofoca, mas sim o seu teor e conteúdo, que às vezes transforma em verdade evidente uma mera suposição de um dos funcionários. E por que há tanta suposição, na empresa? Porque talvez não haja uma informação oficial, deixando as pessoas curiosas e então elas passam a imaginar coisas. Quando a empresa mantém programas educativos e informativos, como um jornal interno, reuniões semanais ou mensais entre os departamentos, onde são oferecidas as informações e suas versões oficiais, a fofoca perde força, assim como o “flanelinha da rua”.

Uma outra coisa que aprendi, é que o pior fofoqueiro não é o que conta a história, mas sim o que ouve e acredita nela. Da mesma forma que só existe traficante de drogas quando há uma demanda de usuários, também somente existe um traficante de fofocas se houver um ouvinte interessado. Se você é um empresário, gerente ou responsável pelo RH de sua empresa, pense na ideia de combater a rádio-peão com um simples informativo oficial. Mas caso você não tenha esse poder e queira colaborar para o fim das historinhas, comece deixando de ouvi-las. Isso, por si só, já diminuirá o “ibope” dos radialistas da sua organização. 

2 comentários:

  1. Uma equipe, um time é composto por vários integrantes... Uma conquista, vitória ou derrota é culpa de todos os integrantes. Se cada integrante ( participante), ocupar uma postura de sintonizar sua rádio noutra frequência; a certeza de que o time será o time dos campeões é inevitável. Acredite naquela velha história ouvida por seus avós : "De grão em grão é que a galinha enche o papo". Mas se alguns membros de seu time, sua equipe, não tiverem a capacidade de trocar a sintonia... O técnico (diretor-gerente-líder), é quem tem capacidade suficiente para orientar seus liderados.

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  2. Sabias palavras.

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