quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A necessidade faz o homem... e as idéias fazem o empreendedor


Sempre quando viajo a lazer reparo na capacidade que o ser humano tem para empreender, na maioria das vezes, independentemente de seu grau de escolaridade ou de apoio que receba de instituições formais. Neste carnaval não foi diferente, pude perceber pessoas criativas em quase todos os lugares onde estive. Pessoas cultas que transformam uma boa idéia em uma boa fonte de renda e trabalho, assim como pessoas com pouca educação formal, mas providas do que chamamos de “dom”, que com um pouquinho mais de direcionamento poderiam produzir muito mais. As cidades de veraneio, principalmente durante a alta temporada, produzem idéias realmente fantásticas. Neste Carnaval estive em Ilhabela.

O carnaval é uma festa originária da preparação católica para a Quaresma. O período de 40 dias em que a igreja pregava penitência e jejum (a carne vermelha) era antecedido por uma grande festa popular que viria a se transformar naquilo que vemos hoje nas ruas. Como se pode ver, a necessidade faz o homem, então da mesma maneira que, no século XI, alguém teve a maravilhosa idéia de promover o carnaval e formalizar a “saideira do mundo profano” para entrar nos quarenta dias sagrados antes da páscoa, outras pessoas até hoje ainda tem grandes idéias para ganharem seu pão. Algumas fazem isso formalmente, outras nem tanto... algumas são honestas, outras deixam de ser... mas o que pretendo discutir nesse artigo é a capacidade que o ser humano tem de criar e gerar situações de lucro.

O município paulista de Ilhabela recebe milhares de turistas em todos os finais de semana e feriados do verão. Lá, encontramos empreendedores informais, como nativos da praia de Jabaquara que fazem o quintal de casa de estacionamento e guardam carros dos turistas e também empresários paulistanos que venderam tudo na capital para montarem um restaurante na ilha e curtirem a paz. Um deles, dono de uma pizzaria em frente ao mar, me disse que não troca a vida que tem hoje pelo salário três vezes maior que tinha antes em São Paulo. Outra figurinha, uma senhora que serve bebidas e lanches na praia da Feiticeira, lamenta-se porque apenas uma das filhas se interessa pelo seu negócio. “Essa barraca aqui sustentou as meninas e continua sustentando!!!”, diz ela.

Em Castelhanos, uma praia que fica do outro lado da Ilha, com único acesso sendo feito por uma trilha somente possível aos carros com tração 4X4, pudemos ver pessoas que tiram seu sustento (e sucesso) do turismo ecológico. Caminhonetes preparadas para o terreno e adaptadas com uma “gaiola” para 6 a 8 pessoas atravessam o Parque e levam passageiros de navios ancorados no mar a passarem o dia no paraíso; casas de pescadores que oferecem um prato de comida caseira pelo preço de restaurantes da Avenida Paulista e garotos habilidosos vendendo um frasquinho de óleo de citronela (única mistura capaz de repelir os malvados borrachudos), garotos esses que por sinal parecem altamente sintonizados com os insetos e aparecem justamente em que o turista está sendo atacado pelos mosquitos.

No sul, exatamente no final do asfalto, conversei um pouco com o dono de um bar famoso. Ele, antes, tinha um deck que ficava literalmente em cima do mar, porém conta que de um tempo pra cá não tem conseguido contratar funcionários, tendo que dar conta juntamente com a esposa de quase toda a mão de obra. Pelo que me consta, há alguns meses ele arrendou a parte mais charmosa (dos fundos) do estabelecimento para uma pousada, pois não conseguia gente suficiente para tocar o espaço tão grande. Mesmo assim continua servindo uma maravilhosa seqüência de Lula e cerveja geladíssima. De lá, ainda se vê o mar, mas um pouco mais distante.

Na volta, encontrei um restaurante maravilhoso, em 3 pavimentos literalmente pendurados no penhasco, com uma decoração fantástica e preços que se justificam pela qualidade do serviço. Um garçom muito bem articulado que é o responsável por fazer o cliente consumir, diz que não se tem uma vista como aquela em muitos lugares e que podíamos nos sentir privilegiados. No caixa, uma senhora muito simpática fecha o atendimento quase como fazem os borrachudos (que nos levam o sangue)... mas saímos felizes por termos conhecido um lugar tão formoso e desfrutado da parte boa. Hoje, ao olhar a fatura do meu cartão, curiosamente senti as coceiras das picadas dos insetos na pele e da conta do restaurante no bolso. Mas não posso reclamar, pois o preço dos pratos estava no cardápio e a placa sugerindo o uso de repelentes, na entrada da Ilha (eu fui avisado).

2 comentários:

  1. Minha pele está coçando e meu bolso doendo, mas valeu cada picada de inseto e cada centavo gasto. Ilha Bela faz jus ao nome, é realmente bela.
    Paula

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  2. DElicia de passeio.Melhor ainda qdo a pessoa consegue aliar o lazer com avaliações tão bem embasadas como vc.
    Aproveitamento total!

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