quarta-feira, 28 de março de 2012

A necessidade insana da equiparação com os amigos

A sociedade vive em grupos e o ambiente de trabalho não deixa de produzi-los. Pessoas descobrem que gostam das mesmas coisas e selam amizades, indo juntos pras baladas, shoppings, churrascos de final de semana, etc. Muitas vezes o individuo deixa a empresa e permanece amigo do outro ainda por muito tempo ou até mesmo pelo resto da vida. E é justamente aí que começam acontecer, ainda que involuntariamente, as comparações profissionais, quando um fica pensando se o outro que trabalhou junto dois anos antes está melhor ou pior que ele.

Observa-se o carro em que fulano está andando, suas roupas de grife, a viagem ao exterior... e só de pensar que há dois anos vocês eram colegas de trabalho... sempre surge aquele pensamento negativo, que pergunta “será que eu não deveria ter trocado de emprego também?” ou “Poxa, Fulano está melhor que eu”. Faz-se uma retrospectiva, “o que teria acontecido comigo se eu tivesse aceitado aquela vaga?”, sempre com uma pitadinha de inveja, ainda que se torça sempre para o sucesso do amigo.

Essas comparações são naturais, afinal a gente precisa de parâmetros para se avaliar. Não existe parâmetro que pareça mais adequado do que um ex-colega de trabalho que esteve em algum momento no mesmo cargo que a gente. Isso sai da normalidade quando a comparação começa a nos trazer problemas, como a raiva, a inveja em demasia, a difamação ou a necessidade insana de equiparação. As vezes a gente vive em um ambiente onde quase todos os colegas são mais ricos, na faculdade, na empresa ou no seu próprio rol de amizades, que pode ser composto por pessoas oriundas de famílias mais 'bem supridas' financeiramente. Nesses casos é comum a “neura pela equiparação”: quando um deles troca um carro, os outros querem trocar também. É quase que imperceptível, mas as pessoas vão no embalo das outras num movimento chamado de repport.

João trocou o carro, então José e Paulo escolhem os seus similares, de outra marca (pra não dizer que estão copiando) e se atolam em dívidas para parecerem no mesmo nível do amigo. E o que normalmente não se observa é que o colega tem um padrão de vida diferente pra suportar aquele investimento. Nesses exemplos, enquadram-se sempre os colegas de trabalho, pois estes eventualmente têm rendimentos parecidos, porém podem ter compromissos anteriormente assumidos... assim a necessidade de gastos de cada um deles é diferente... Mas em nome do maldito status eles precisam manter as aparências. Pensamentos como “todos os meus amigos tem carro, eu também tenho que ter o meu” costumam trazer, depois de alguns meses, uma ressaca monstruosa com dívidas de financiamentos atrasados. E a origem disso pode estar nos padrões de sociedade onde fomos e ainda somos criados.

Desde quando éramos crianças, víamos na TV aquele monte de heróis intitulados os “Super Amigos”, onde todos tinham um super-poder que os permitia fazer parte da “Sala de Justiça”. Se o Super-Homem podia voar e o Aquaman falava com os peixes, Batman e Robbin portavam seus cintos de utilidades e a Mulher Maravilha dominava o laço mágico. Pessoas normais não eram aceitas... e é isso que o jovem busca hoje: Inclusão (aceitação). Ele precisa se incluir de alguma forma em um tal grupo e para isso sente necessidade de ter coisas caras. Nos seriados japoneses, quatro ou cinco adolescentes de macacões coloridos e capacetes futurísticos derrotavam cientistas loucos... e nós, pré-adolescentes da época certamente sonhávamos em sermos um deles.

Esses costumes nos acompanharam para a idade adulta e, por isso hoje fazemos idiotices financeiras para podermos nos equiparar aos nossos semelhantes. Invertemos prioridades e pagamos preços altos depois, afinal os Power Rangers não são reais e se insistirmos em imitá-los, poderemos nos tornar “infelizes sorridentes”... sofrendo, mas mantendo a pose e, no fim das contas, mais parecidos mesmo é com os Teletubbies.

Dica do autor: queira e deseje crescer, mas nunca de maneira irresponsável. Controlar gastos e ter luxos dentro do que a sua realidade atual permite tem se tornado um bom alicerce para as verdadeiras conquistas.

3 comentários:

  1. amigão, tá muito bom.


    go ahead! (gol de cabeça, como dizem lá! rsrsrsrsr)

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  2. Pois é Aguinaldo...todos querem ser iguais, mas ao mesmo tempo diferente de todos em algum aspecto, para chamar a atenção...a ganancia é irmã da ineveja, e quando aparece alguem que não se importa em andar a pé, em não ter tudo o que a sociedade acha que deveriamos ter para mostrar "poder", então dizem que a simplicidade, a humildade, etc., é a maior virtude. Isso mostra que quem nos empurra para este abismo social somos nós mesmos que queremos mostrar a outros o que achamos que eles gostariam que fossemos e não realmente o que gostariamos de ser.

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  3. Aguinaldo,
    Acredito que a busca pela aceitação ainda ainda é muito forte principalmente nas redes sociais, porém muito mais em "ser" do que em "ter" .
    A evolução dos negócios está mostrando isso claramente.
    Atualmente já contamos com diversos segmentos do olho em um mercado que cresce a cada instante que é o mercado de usuário, cada vez menos o jovem está interessado em "ter" um carro, em "ter" uma casa na praia ou um sítio.
    As pessoas querem "ser" sem necessariamente ter...
    Em uma pesquisa feita pela indústria automotiva americana mostra que para os jovens daquele país, o carro virou um trambolho, eles estão perdendo o interesse em "ter" um carro.
    Assim também está acontecendo no mercado de trabalho, antigamente as pessoas falavam:
    Eu trabalho na empresa tal e hoje, os jovens estão falando estou estou trabalhando na empresa tal... Cada vez menos os jovens estão querendo ter posse de algo, eles querem estar inclusos sem a necessidade de "ter".
    Muito mais serviços e muito menos produtos.

    Abraço,

    Marcelo Aparecido da Silva

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