terça-feira, 13 de março de 2012

Qual é a sua área?


Uma vez já escrevi aqui neste blog sobre a diferença entre o “nível profissional” e o “nível de escolaridade”. Entre as considerações estava o exemplo de uma pessoa formada em faculdade, porém desempregada ou sub-empregada e uma outra pessoa que, mesmo não tendo passado do ensino médio, era bem sucedida profissionalmente. Nessa reflexão, a conclusão era que o diploma apenas dita o nível de escolaridade ou instrução formal de uma pessoa, pois a sua condição profissional depende do quanto ela realmente consegue atingir objetivos maiores.

Hoje, porém, quero falar sobre pessoas que trabalham numa determinada profissão, mas estudam outra coisa completamente diferente. Desejo falar também dos que mantém uma determinada função por certo período e depois, por necessidade, aceitam trabalhar em outras atividades ou ramos completamente diferentes. Essas pessoas, as vezes até por saudosismo ou mesmo por força da expressão, referem-se a profissão atual como algo diferente da “sua área”. A minha pergunta é: somente preciso agir como um “profissional” quando estou exercendo exatamente a profissão que eu escolhi?

A resposta é evidente: sempre preciso ser profissional em meu trabalho, independente de este ser ou não um trabalho relacionado à minha formação ou experiência anterior. E quando digo que estou trabalhando “fora” da minha área, assumo inevitavelmente uma postura amadora. Se a empresa contrata uma pessoa “sem experiência”, ela o faz na intenção de ensinar e espera que o trabalhador esteja disposto a colocar seu coração na jogada. Quando este trabalhador não se abre a nova profissão, ele perde rendimento e seus resultados certamente serão inferiores. Afinal, sentimento gera comportamento e o nosso sentimento é todo desenvolvido pela forma que aceitamos pensar.

Frases como “preciso voltar para a minha área” ou “quero trabalhar na minha área” são ruins para o sentimento do indivíduo, pois inconscientemente o desobriga de fazer o melhor. Dá a impressão de que está desenvolvendo um “bico”, um trabalho temporário. Não estou dizendo que alguém não possa ter objetivos maiores ou querer mudar de ramo ou profissão. Pode sim, inclusive não há nada mais sadio do que querer melhorar. Porém é necessário ter orgulho de seu trabalho, ainda que este seja momentâneo, bastando apenas que seja um trabalho honesto. Jamais se deve ter vergonha de uma profissão, ainda que a sociedade a valorize menos que alguma outra.

A nossa área profissional é a que nos sustenta atualmente. Então, uma pessoa trabalha como pintor de paredes e estuda engenharia civil, pode dizer que sua área profissional é a pintura predial e sua área acadêmica é a engenharia. Em momentos que isso for útil, deve completar dizendo que deseja trabalhar futuramente naquilo que está estudando. O que não deve é enxergar ou se referir ao trabalho de pintor como um “quebra galho”, pois isso seria um enorme desrespeito ao que o sustenta naquele momento.

Podemos notar ainda que, nas últimas duas décadas, tem se tornado muito comum as pessoas estudarem uma coisa e atuarem profissionalmente em outra. Isso, em tempos de crise, se dá pela falta de opções e em momentos de estabilidade, pela oportunidade da demanda. Muitos profissionais descobriram que suas escolhas acadêmicas os levaram para cenários altamente concorridos, onde eles encontravam dificuldades para serem absorvidos; tendo eles então partido para desenvolver profissões diferentes onde puderam manter um rendimento atrativo em tarefas com mercados mais favoráveis, quem sabe até pela falta de outros que façam a mesma coisa.

Lembrando, nível profissional superior é aquele, cujo trabalhador é verdadeiramente reconhecido e requisitado.

Um comentário:

  1. Meu pai costumava dizer que no tempo dele se valorizava mais o emprego e hoje as pessoas valorizam o status.

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