quinta-feira, 1 de março de 2012

O mundo inteiro está contra mim?


Tenho sido crítico com entrevistadores que se utilizam daquelas perguntinhas padronizadas nas entrevistas de emprego. Isso porque eu acredito que o jovem de hoje vai buscar trabalho já com todas as “respostas certas” na ponta da língua. E mesmo não havendo respostas certas, o candidato acaba não transmitindo o real sentimento nessa situação. Então sou sempre a favor de perguntar o que se quer saber, mas de outra forma, a fim de fazê-lo pensar.

Um exemplo de pergunta padrão é a famosa “como você reage ao ser criticado ou contrariado?”. Essa questão tem sido muito usada nos últimos dez anos, quando se percebeu que os candidatos passaram a ter opinião própria. No passado, o empregado quase não tinha opinião, ou pelo menos não a manifestava tão abertamente como hoje. Antes as pessoas eram contrariadas no trabalho, ficavam com raiva, mas entendiam que isso fazia parte do jogo. Hoje notamos que elas manifestam escandalosamente as suas indignações com tudo que as contraria, mesmo tendo ciência da sua eventual falta de razão.

O motivo que leva os profissionais do recrutamento e seleção perguntarem como o candidato reage ao ser criticado ou contrariado é, na verdade, conscientiza-lo que naquela empresa, em alguns momentos, ele será criticado ou contrariado. A maioria das pessoas, no momento da entrevista, responde que costuma aceitar criticas e oposições de maneira natural e madura, portanto nessa hora essas pessoas estarão dando a empresa o direito de critica-los ou contraria-los. Mesmo assim, muitos candidatos respondem dessa maneira “padrão” e, ao serem contratados, se esquecem disso e passam a não aceitar críticas com tanta abertura assim. Frases como “será que o mundo inteiro está contra mim?” ou “Será que eu joguei pedra na Cruz?” são um tanto comuns.

É claro que todos nós gostaríamos de ter o emprego perfeito, onde todas as pessoas nos são favoráveis e simpáticas, mas isso é utopia. O jovem, principalmente, sonhador que é, sempre que é contrariado, acredita que “do seu jeito” daria mais certo. Ele chega na empresa como estagiário e já se coloca a detonar com o mecanismo de anos. De cara quer dar novas idéias e sugerir coisas que seriam mais fáceis e mais simples.  Como já citei, ele é sonhador e esse sentimento é importante, mas precisa ganhar um pouco de experiência para perceber que as coisas não funcionam apenas na base do sonho. Sonho sem planejamento vira ilusão, assim como o contrário, o ceticismo exagerado vira mediocridade.

Quando alguém te perguntar sobre a sua reação ao ser contrariado, responda sim que agiria com naturalidade e que procuraria analisar melhor a situação antes de seguir em frente ou desistir da idéia. Mas acima de tudo, lembre-se dessa sua resposta quando de fato estiver sendo contrariado. Lembre-se também de não colocar o seu bem estar pessoal acima do bem estar coletivo. Se perceber que você estava errado, agradeça a orientação. Por outro lado, se mantiver a certeza de seu pensamento inicial, converse e fundamente... mas nunca, nunca mesmo... nunca dê um “pití” a toa, pois isso costuma entrar para a história da empresa e tal fato pode ser contado por algumas gerações, alguns casos, estigmatizando seu autor.

2 comentários:

  1. Como reagir as criticas no trabalho, eu só aprendi com o passar do tempo.
    Aceitar,avalaiar,ponderar,foi um processo que só a experiencia me deu.
    NO principio, eu era toda estouradnha...

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  2. Vc tem razão chefe..rss

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