terça-feira, 6 de março de 2012

Correndo atrás da própria cauda


Uma colega me confidenciou estar com a conta negativa havia 20 dias. Segundo o que me contou, usava uma quantia mediana do limite de seu cheque especial, mas não se preocupava tanto porque no mês seguinte, se tudo desse certo, iria cobrir. Sabendo que esta colega mantinha uma poupança com investimentos maiores que os mencionados, eu perguntei o motivo pelo qual ela não usava o dinheiro da poupança para cobrir o limite do banco e a resposta foi imediata: “Minha poupança é intocável, eu não mexo”. Depois de alguns longos minutos, consegui fazê-la entender que o que ela ganha de rendimentos na poupança ou qualquer outro investimento bancário é infinitamente menor do que o que paga de juros pelo saldo devedor da mesma quantia.

Esse é só um exemplo de trocar seis por meio-seis. Ou seja, de trocar algo ruim por outro pior ainda. É o que acontece com alguns empreendedores de primeira viagem, com muita teoria aprendida em faculdades, mas com pouca sabedoria de rua ou ousadia. Ontem mesmo, quando eu sugeria um plano comercial a uma colega empreendedora, ouvi dela que seria impossível cumpri-lo, já que permanece parte do dia na recepção de seu escritório e por isso não tem a disponibilidade de fazer outras coisas durante aquele período. Ainda segundo ela, como sua empresa é nova, ela precisa conter custos e o salário de uma recepcionista lhe seria um investimento inoportuno, pelo menor por enquanto. Na seqüência eu pedi que ela refletisse mais sobre a sua própria análise.

Para o tamanho do escritório citado, uma recepcionista jovem e sem absolutamente nenhuma experiência já seria o suficiente. Nesse perfil, o piso salarial da categoria é suficiente para motivar a meninada, sem contar a oportunidade de aprendizado. Em alguns dias, a nova funcionária já poderia fazer trabalhos simples, que hoje tomam o tempo da dona do escritório e a impedem de fazer trabalhos que lhes seriam mais lucrativos, como visitar clientes, vender seus serviços e aumentar a receita da empresa. Economizar um salário de recepcionista e ficar preso na recepção da empresa significa que (o empresário) estará trabalhando por um salário de recepcionista, enquanto eu acredito que ele poderia render muito mais para a empresa buscando novas frentes de serviços e fechando novos negócios.

Em um caso mais antigo, outro amigo micro-empresário contou que suas vendas tinham caído devido a dois ou três dias em que ele se desconcentrou na semana, pois estava empenhado em negociar a compra de dois aparelhos de ar condicionado para a loja. Ao ser questionado do motivo pelo qual não deixou a compra dos equipamentos por conta da esposa (que deveria ter cuidado disso), ele justificou-se por se considerar um melhor negociador do que ela, tendo economizado 20% com o desconto conseguido. A minha pergunta final foi se tal desconto conseguido compensou a queda que teve nas vendas. A resposta foi o silêncio... e depois de alguns minutos ele comparou o seu instinto ao de um cãozinho que corre atrás da própria cauda. 

Em uma pequena ou média empresa, se o dono quer ter bom lucro e boa renda, ele precisa exercer uma função que seja relevante. A tarefa do dono deve ser aquela que realmente mova a empresa. Ele precisa estar à frente do negócio, fazendo as coisas acontecerem. Dependendo do ramo, essa tarefa pode ser na área operacional (se depender de um conhecimento técnico) ou comercial (que vai lidar diretamente com os clientes). Isso não quer dizer que é para largar de lado as outras áreas, muito pelo contrário. Mas para uma empresa crescer, há que se ter linha de sucessão, que se dá com a transferência de conhecimentos para que outras pessoas façam atividades mais simples, liberando os mais talentosos ou experientes para as tarefas mais complexas e estratégicas.

E você, empreendedor, ainda vai permanecer como recepcionista?

2 comentários:

  1. Aguinaldo, bom dia eu estou lendo o seu blog pela primeira vez e gostei muito. Preciso saber se você tem alguma dica de curso de empreendedorismo para que possamos fazer em Bauru?

    ResponderExcluir
  2. Anelise, não conheço tão bem a região de Bauru para poder dar referências, mas sempre que sou questionado sobre o assunto, indico que o interessado procure o SEBRAE. Outra dica: leia o livro "O Segredo de Luiza"

    ResponderExcluir

Para comentar este artigo, escreva seu comentário, assinale a opção "NOME/URL" e clique em "publicar comentário".

SUA OPINIÃO, FAVORÁVEL OU CONTRÁRIA, É FUNDAMENTAL PARA MOTIVAR O BLOGUEIRO. NÃO DEIXE DE ESCREVER!