quinta-feira, 26 de abril de 2012

Como preparar um Curriculum


Um leitor pediu dicas para desenvolver um curriculum. Em resposta, em vez de escrever uma crônica, resolvi expor os detalhes que melhoram a aceitação de um candidato através desse recurso indispensável.

O Excesso de informações desnecessárias (como os números de documentos, nome dos filhos, descrição de todas as 30 empresas nas quais o candidato já prestou serviços, seu peso, altura ou religião) torna o Curriculum longo demais e desestimula o recrutador a ler. É verdade que, dependendo da tarefa a ser desempenhada e da oferta de mão de obra disponível no mercado, a empresa pode fazer vista grossa a um curriculum mal feito, mas isso somente acontece quando não há muita concorrência.

Mas as dicas para um bom Curriculum são as seguintes:

1 - Comece com uma boa apresentação gráfica. Uma imagem clara, suave, em um formato que possa ser aberto em qualquer computador. Caso sua apresentação seja interessante, a maioria das empresas irá imprimir, portanto evite muitas folhas, não deixe excesso de espaços vazios e dispense fontes artísticas e desenhadas. A maioria dos candidatos envia seu Curriculum em Word, mas este programa pode se desconfigurar quando é aberto em outro computador. A maioria dos selecionadores prefere receber arquivos em PDF, desde que tenha uma ou (no máximo) duas páginas. Alguns poucos colegas dizem que preferem receber os curriculuns colados no corpo do e-mail, então pra não errar, envie-o colado, mas também como arquivo anexado.

2 - Algumas informações básicas devem estar dispostas e facilmente visíveis. O nome do candidato, endereços de e-mail e residência (veja dica 9), telefone e outros meios de contato devem aparecer logo no início. Acrescente seu estado civil (solteiro, casado, separado, união estável). Quem "mora junto" deve escolher "União Estável", pois assim dá a informação correta, que é o que realmente interessa ao futuro empregador.

3 – Apresente, de forma destacada, o seu objetivo profissional ou nome do cargo para o qual quer se candidatar. Evite enviar um Curriculum de Programador para uma vaga de Auxiliar de Escritório... o melhor é adequar sua proposta ao trabalho para a qual está se candidatando.

4 - Faça um resumo de sua escolaridade... se é formado em faculdade, coloque apenas daí pra frente, pois não irá interessar para a empresa as informações anteriores, a menos que alguma delas seja referente à área de contratação (como um curso técnico, por exemplo). Se estiver no meio de um curso superior, informe o período do dia em que faz aulas, em quais dias e quando prevê se formar (se estiver trancada, informe também). Você pode fazer uma lista de cursos extra curriculares e wokshops dos quais participou, desde que não se estenda demais.

5 - Exponha seu histórico profissional, citando os dois ou três últimos trabalhos (ou algum trabalho antigo relacionado à vaga em questão, se tiver) e informe claramente se está empregado ATUALMENTE.

6 - Conclua com uma breve mensagem, de um parágrafo, dizendo o que você busca como profissional e como acredita que poderia colaborar com aquela empresa. Evite se referir a “esta conceituada empresa” principalmente quando você não a conhece bem. Termos como este soam como “puxa-saquismo”.

7 – É totalmente desnecessário incluir sua foto, a menos que o anúncio da vaga exija. Na maioria das vezes soa como arrogância do candidato, como se estivesse insinuando ser contratado pela aparência.

8 – Mantenha as informações atualizadas, como sua idade e formação. Tem pessoas que fazem aniversário, mudam-se de casa ou formam-se na faculdade e se esquecem de alterar no curriculum.

9 – Não oculte seu endereço residencial e jamais envie um endereço falso. Muitos informam o endereço de um amigo ou parente mais próximo da empresa em que procura emprego por medo de ser eliminado pela distância. Mas na hora da contratação a mentira será desfeita e isso sempre coloca tudo a perder. Endereços de e-mail que com nicks inadequados, como ju_frutinha@, aninha.delicia@ ou pedro.skatista@ mostram que na intimidade você não é tão sério como apresenta o restante do documento. Prefira algo bem discreto, como paula.silvestre@... .

10 – Confira e conserte os eventuais erros de português, assim como as falhas de digitação, verbos mal conjugados e frases sem pontuação.

Dicas finais:
Quando se interessar por uma vaga, salve o anuncio em seu computador para que saiba do que se trata ao receber um retorno. Não se candidate a vagas que não forem de seu verdadeiro interesse. Agora basta escolher os destinatários e enviar sua proposta de emprego. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Experiência vale mais que coleção de diplomas

Nesta última semana apresentei novamente o meu estudo sobre a Geração “Y”. Em forma de uma palestra que dura de 60 a 90 minutos (dependendo do público e do tempo que me é oferecido), o trabalho é exposto com objetivo de alertar sobre a diferença de valores e de comportamento entre as pessoas oriundas de cada geração. E como faço ao final de todas as palestras, procuro absorver comentários, refletir sobre perguntas e analisar o que mais poderia ser acrescido no objeto da apresentação. No dia seguinte, ao começar a navegar na internet pela manhã, caí logo no site da CBN para ouvir comentários recentes do Max Gehringer. Lá havia um assunto interessante e coincidente: Quando jovem, é melhor Estudar ou Trabalhar?

É claro que não há uma resposta certa para esta pergunta, afinal, em alguns casos trabalhar é uma questão de sobrevivência, assim como em outros casos, as pessoas precisam conciliar as duas tarefas. É obvio também que uma criança ou adolescente jamais deve deixar os estudos por qualquer que seja o motivo. Portanto eu gostaria de me ater somente a analisar o caso do jovem que, ao concluir o ensino médio, já ingressa imediatamente numa universidade. A maioria das pessoas nesta situação parte a procura de um emprego no período do dia que lhe sobra livre, mas alguns tomam a decisão (quase sempre incentivado pelos pais) de apenas estudar. Estes, ao concluir a faculdade, normalmente já emendam a pós-graduação no mesmo ritmo, dedicando-se integralmente aos estudos.

O grande problema é que aos 23 anos, depois de um baita investimento financeiro, com nível de escolaridade superior enfeitado com uma sonora especialização, o jovem ainda tem dificuldade de se colocar no mercado de trabalho. Ele não consegue trabalho na sua área de estudos porque o mercado dá preferência para quem tem experiência e, em outras tarefas, sente-se inferiorizado, já que estudou muito para ser um simples auxiliar. No comentário do Max no rádio, são citados os que fazem intercâmbio, aprendem um idioma lá fora e se decepcionam com as preferências do mercado de trabalho ao retornarem ao Brasil.

Acompanhei de perto um caso em que, depois de muito custo, o jovem conseguiu trabalho numa boa empresa e, depois de passada a empolgação com o emprego novo, percebeu que seu chefe não tinha o mesmo nível de formação acadêmica que ele. Passou então a questionar abertamente o seu superior, perguntando: Porque deveria receber ordens de um “quarentão”, que usava técnicas ultrapassadas das quais nem são mais ensinadas na faculdade? Afinal, ele (o jovem) sentia-se mais preparado... formado, pós-graduado e totalmente atualizado com a tecnologia. O desenrolar da história eu não sei contar, mas a resposta para a pergunta acima é simples: pois a maioria das teorias que se aprende na faculdade não é aplicável na vida real se não contar com um profissional experiente ensinando como se faz. Além do mais, o chefe, que aos 16 anos já era office-boy, que passou por cargos de auxiliar, assistente, supervisor e gerente, já acumulava mais de 20 anos de vivência dentro de empresas, estava muito mais sensível ao dia a dia de uma grande corporação. Sabia exatamente o que significa cumprir regras, respeitar hierarquia, acordar cedo, chegar no horário e administrar conflitos... enquanto o jovem estava ainda no seu primeiro trabalho.

Gosto muito de contratar aqueles que trabalham desde cedo. Acredito que a vivência dentro de uma organização faz com que as pessoas aprendam uma série de coisas, inclusive o relacionamento humano. Lidar com os diferentes é um exercício muito importante que pode ser refletido na capacidade que o cidadão tem de formar uma família, ter filhos e viver em sociedade. A teoria das universidades é importante, mas nem sempre é igual a da vida real. O que se ensina nas salas de aula sempre tem mais a ver com o "como deveria ser" ou com aquilo que chamamos de mundo racional e perfeito, enquanto que no dia a dia, as barreiras podem ser e... geralmente são outras.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O "Book", visto por um novo ângulo


Prezados leitores, essa semana eu resolvi me dar folga do Blog. Mas como assumi o compromisso de atualizar o blog uma vez por semana, vou deixar para vocês assistirem um vídeo que recebi do amigo Davi Poit e que nos dá uma outra visão de tecnologia.

Assim como o celular já foi grande, depois ficou pequeno e posteriormente grande novamente, a tecnologia avança para um lado e depois volta para o outro lado para resolver os problemas gerados pelas mudanças anteriores. Nesse filme podemos observar que talvez o talk book ou o  e-book podem trazer-nos dificuldades que o velho livro de papel não trazia. 

Vamos assistir e refletir.

Abraços e até a próxima terça-feira, com uma nova crônica no "CRÔNICAS".

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A aprovação depende mais do candidato e menos do avaliador


Recentemente li na imprensa que Leandro Damião, atleta do futebol vinculado ao Internacional de Porto Alegre, com diversas atuações pela seleção brasileira e reconhecidamente um grande jogador, teria sido reprovado anteriormente em “peneiras” de outros times de futebol, inclusive o Palmeiras. Certamente, o sucesso de Damião deve gerar algum sentimento lamentoso em torcedores do time paulista e, quem sabe até no próprio avaliador que o deixou passar. Isso me lembrou de uma situação que presenciei no final da década de 90, quando a empresa em que eu trabalhava atravessava um bom momento, com os resultados comerciais em alta e o destaque era uma jovem profissional, na faixa dos “vinte e poucos anos” que trabalhava no ABC Paulista.

Ela, com certo tom de deboche, comentava numa mesa entre colegas de trabalho, que havia tentado trabalhar naquela empresa uns meses antes, mas teria sido reprovada pelo gerente “A” na entrevista. Ainda segundo a mesma, inconformada que ficou, voltou a se candidatar em outra filial, pois queria fazer parte do grupo e somente da segunda vez e com gerente “B” é que conseguiu. Encerrou o comentário com duras críticas ao profissional que a reprovou na primeira oportunidade, dizendo que o cara não havia tido sensibilidade para notá-la. Outros participantes da conversa (inclusive eu) entraram no embalo das críticas, crucificando o “A” e supondo que este, vendo agora o sucesso da moça, estaria no mínimo, revendo seus conceitos.

Hoje, com “meia dúzia” de fios de cabelos a menos e uma década de experiência a mais, creio que há sim a possibilidade da Jovem estar certa e de ter sido vítima de uma dose de insensibilidade do recrutador. Mas há uma possibilidade tão grande quanto de nós termos sido altamente injustos com o tal gerente “A”, afinal, a aprovação ou não de um candidato depende muito menos do avaliador do que do próprio candidato. Assim como Leandro Damião pode ter passado pela “peneira” do Palmeiras num dia ruim, a minha ex-colega de trabalho pode ter passado pela sua primeira entrevista na empresa em um momento inoportuno e por isso não se destacou. Indo mais além, poderíamos refletir se não teria sido justamente a reprovação que gerou naquela jovem a determinação de melhorar sua performance e buscar um resultado diferente.

É natural que todos nós desejemos a vitória, mas saber perder e tirar proveito das derrotas é uma das principais características de um homem de sucesso. Enquanto os perdedores se frustram com tropeços, os vitoriosos transformam os eventuais reveses em lição de vida e a chance de superação em uma questão de honra. Quem sabe se a garota não seria reprovada também pelo gerente “B” ou por qualquer outro se este a tivesse entrevistado pela primeira vez? E também, quem sabe se o “A” não a teria contratado depois de algumas mudanças de atitude? Todas essas perguntas apenas ficam no ar e as eventuais respostas seriam mera especulação... o que temos de fato é outra forma de enxergar as coisas. Talvez tenha sido o gerente “A” o grande divisor de águas da vida daquela profissional e verdadeiramente o responsável por fazer brotar uma suposta nova postura.

Tudo isso pode também valer para o recrutador palmeirense. Quando vê Damião fazendo seus gols, ele deve pensar... “que besta eu fui!”. Mas pode ser que ele não tenha sido uma besta... ele pode ter feito o certo: avaliado pelo que viu. Falho pode ter sido o atleta anteriormente reprovado, que perdeu a oportunidade de iniciar antes uma carreira profissional.