quinta-feira, 19 de abril de 2012

Experiência vale mais que coleção de diplomas

Nesta última semana apresentei novamente o meu estudo sobre a Geração “Y”. Em forma de uma palestra que dura de 60 a 90 minutos (dependendo do público e do tempo que me é oferecido), o trabalho é exposto com objetivo de alertar sobre a diferença de valores e de comportamento entre as pessoas oriundas de cada geração. E como faço ao final de todas as palestras, procuro absorver comentários, refletir sobre perguntas e analisar o que mais poderia ser acrescido no objeto da apresentação. No dia seguinte, ao começar a navegar na internet pela manhã, caí logo no site da CBN para ouvir comentários recentes do Max Gehringer. Lá havia um assunto interessante e coincidente: Quando jovem, é melhor Estudar ou Trabalhar?

É claro que não há uma resposta certa para esta pergunta, afinal, em alguns casos trabalhar é uma questão de sobrevivência, assim como em outros casos, as pessoas precisam conciliar as duas tarefas. É obvio também que uma criança ou adolescente jamais deve deixar os estudos por qualquer que seja o motivo. Portanto eu gostaria de me ater somente a analisar o caso do jovem que, ao concluir o ensino médio, já ingressa imediatamente numa universidade. A maioria das pessoas nesta situação parte a procura de um emprego no período do dia que lhe sobra livre, mas alguns tomam a decisão (quase sempre incentivado pelos pais) de apenas estudar. Estes, ao concluir a faculdade, normalmente já emendam a pós-graduação no mesmo ritmo, dedicando-se integralmente aos estudos.

O grande problema é que aos 23 anos, depois de um baita investimento financeiro, com nível de escolaridade superior enfeitado com uma sonora especialização, o jovem ainda tem dificuldade de se colocar no mercado de trabalho. Ele não consegue trabalho na sua área de estudos porque o mercado dá preferência para quem tem experiência e, em outras tarefas, sente-se inferiorizado, já que estudou muito para ser um simples auxiliar. No comentário do Max no rádio, são citados os que fazem intercâmbio, aprendem um idioma lá fora e se decepcionam com as preferências do mercado de trabalho ao retornarem ao Brasil.

Acompanhei de perto um caso em que, depois de muito custo, o jovem conseguiu trabalho numa boa empresa e, depois de passada a empolgação com o emprego novo, percebeu que seu chefe não tinha o mesmo nível de formação acadêmica que ele. Passou então a questionar abertamente o seu superior, perguntando: Porque deveria receber ordens de um “quarentão”, que usava técnicas ultrapassadas das quais nem são mais ensinadas na faculdade? Afinal, ele (o jovem) sentia-se mais preparado... formado, pós-graduado e totalmente atualizado com a tecnologia. O desenrolar da história eu não sei contar, mas a resposta para a pergunta acima é simples: pois a maioria das teorias que se aprende na faculdade não é aplicável na vida real se não contar com um profissional experiente ensinando como se faz. Além do mais, o chefe, que aos 16 anos já era office-boy, que passou por cargos de auxiliar, assistente, supervisor e gerente, já acumulava mais de 20 anos de vivência dentro de empresas, estava muito mais sensível ao dia a dia de uma grande corporação. Sabia exatamente o que significa cumprir regras, respeitar hierarquia, acordar cedo, chegar no horário e administrar conflitos... enquanto o jovem estava ainda no seu primeiro trabalho.

Gosto muito de contratar aqueles que trabalham desde cedo. Acredito que a vivência dentro de uma organização faz com que as pessoas aprendam uma série de coisas, inclusive o relacionamento humano. Lidar com os diferentes é um exercício muito importante que pode ser refletido na capacidade que o cidadão tem de formar uma família, ter filhos e viver em sociedade. A teoria das universidades é importante, mas nem sempre é igual a da vida real. O que se ensina nas salas de aula sempre tem mais a ver com o "como deveria ser" ou com aquilo que chamamos de mundo racional e perfeito, enquanto que no dia a dia, as barreiras podem ser e... geralmente são outras.

Um comentário:

  1. Show Agnaldo, estou curtindo seu Blog para adquirir um pouquinho de experiencia e muita coisa agora ira me ajudar nas minhas unidades. Parabens pelo blog!!!

    Luciana Pettersen
    Unidade VRD E JPA

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