quarta-feira, 4 de abril de 2012

A aprovação depende mais do candidato e menos do avaliador


Recentemente li na imprensa que Leandro Damião, atleta do futebol vinculado ao Internacional de Porto Alegre, com diversas atuações pela seleção brasileira e reconhecidamente um grande jogador, teria sido reprovado anteriormente em “peneiras” de outros times de futebol, inclusive o Palmeiras. Certamente, o sucesso de Damião deve gerar algum sentimento lamentoso em torcedores do time paulista e, quem sabe até no próprio avaliador que o deixou passar. Isso me lembrou de uma situação que presenciei no final da década de 90, quando a empresa em que eu trabalhava atravessava um bom momento, com os resultados comerciais em alta e o destaque era uma jovem profissional, na faixa dos “vinte e poucos anos” que trabalhava no ABC Paulista.

Ela, com certo tom de deboche, comentava numa mesa entre colegas de trabalho, que havia tentado trabalhar naquela empresa uns meses antes, mas teria sido reprovada pelo gerente “A” na entrevista. Ainda segundo a mesma, inconformada que ficou, voltou a se candidatar em outra filial, pois queria fazer parte do grupo e somente da segunda vez e com gerente “B” é que conseguiu. Encerrou o comentário com duras críticas ao profissional que a reprovou na primeira oportunidade, dizendo que o cara não havia tido sensibilidade para notá-la. Outros participantes da conversa (inclusive eu) entraram no embalo das críticas, crucificando o “A” e supondo que este, vendo agora o sucesso da moça, estaria no mínimo, revendo seus conceitos.

Hoje, com “meia dúzia” de fios de cabelos a menos e uma década de experiência a mais, creio que há sim a possibilidade da Jovem estar certa e de ter sido vítima de uma dose de insensibilidade do recrutador. Mas há uma possibilidade tão grande quanto de nós termos sido altamente injustos com o tal gerente “A”, afinal, a aprovação ou não de um candidato depende muito menos do avaliador do que do próprio candidato. Assim como Leandro Damião pode ter passado pela “peneira” do Palmeiras num dia ruim, a minha ex-colega de trabalho pode ter passado pela sua primeira entrevista na empresa em um momento inoportuno e por isso não se destacou. Indo mais além, poderíamos refletir se não teria sido justamente a reprovação que gerou naquela jovem a determinação de melhorar sua performance e buscar um resultado diferente.

É natural que todos nós desejemos a vitória, mas saber perder e tirar proveito das derrotas é uma das principais características de um homem de sucesso. Enquanto os perdedores se frustram com tropeços, os vitoriosos transformam os eventuais reveses em lição de vida e a chance de superação em uma questão de honra. Quem sabe se a garota não seria reprovada também pelo gerente “B” ou por qualquer outro se este a tivesse entrevistado pela primeira vez? E também, quem sabe se o “A” não a teria contratado depois de algumas mudanças de atitude? Todas essas perguntas apenas ficam no ar e as eventuais respostas seriam mera especulação... o que temos de fato é outra forma de enxergar as coisas. Talvez tenha sido o gerente “A” o grande divisor de águas da vida daquela profissional e verdadeiramente o responsável por fazer brotar uma suposta nova postura.

Tudo isso pode também valer para o recrutador palmeirense. Quando vê Damião fazendo seus gols, ele deve pensar... “que besta eu fui!”. Mas pode ser que ele não tenha sido uma besta... ele pode ter feito o certo: avaliado pelo que viu. Falho pode ter sido o atleta anteriormente reprovado, que perdeu a oportunidade de iniciar antes uma carreira profissional.

8 comentários:

  1. Primeiramente quero parabenizar você Aguinaldo pelo maravilhoso blog, e pelos maravilhosos ensinamentos e informações nele contidas.
    Quanto a este tópico concordo plenamente com a visão aqui expressada, e sem dúvida alguma aprendemos e muito com um possível não recebido em um processo de seleção, sempre me avalio após as entrevistas, procurando enxergar o lado positivo e o negativo, afim de enxergar onde eu errei para que desta maneira possa evoluir em um próximo processo. E creio que foi exatamente isso que aconteceu com sua colega de trabalho!
    Estou admirado com sua maneira de pensar e agir. Parabéns!

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  2. Querido Aguinaldo:

    Confesso que pensava diferente até ler a matéria:

    "A aprovação depende mais do candidato e menos do avaliador ".

    A ENORME VERDADE é que e mais facil criticar que reconhecer nossas falhas!!!

    Em TUDO na vida, SEMPRE vai depender mesmo MUITO MAIS do AVALIADO do que do AVALIADOR. E nem sempre eu enxerguei assim...

    PARABÉNS PELA MATÉRIA!

    Forte abraço!
    Marcel Pavan

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    1. Marcel,
      A intenção do Blog é essa mesmo... fazer refletir. Obrigado pelo comentário. Abraços Tr...

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  3. Parabéns Guina...
    Sempre um sucesso em suas palavras.
    Fazia um bom tempo que não vinha aqui...

    Que Deus continue te abençoando.

    Um abraço.

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  4. Aguinaldo, bom dia.

    Parabéns pela felicidade de tornar este blog mais fácil no que se diz respeito a sua visualizaçao.

    Com relaçao aos trabalhos, o amigo sabe muito bem que sou um grande admirador.

    Utilize sempre para o bem, meu irmao, este dom da dilalética que Deus te concedeu nesta existencia.

    Um forte abraço,

    Cruz,

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  5. Aguinaldo, você tem toda razão.
    A oportunidade foi oferecida, basta apenas o candidato se "vender" ao entrevistador com naturalidade, convicção e objetivos claros para hoje e para o amanhã.
    Parabéns pelo Blog

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  6. Mais um texto pra nos fazer pensar, rever conceitos. Parabens ! Excelente!

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  7. EU ACHO BASTANTE INTERESSANTES AS CRÔNICAS,EMBORA NAO CONSIGO LER TODAS.

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