sábado, 23 de junho de 2012

Quem se vale apenas dos títulos, tende a acabar os ostentando para ninguém



No inicio de minha carreira como gerente eu vivia me metendo em encrencas ou mesmo me indispondo com pessoas de outros departamentos e, na época, eu não entendi o porquê. De tempos em tempos, eu me via obrigado a discutir publicamente com alguém para exigir mais respeito a mim. Em todas essas situações, a única coisa que eu conseguia era a antipatia das pessoas envolvidas. Até que um dia uma amiga me disse que ao invés de querer ganhar o respeito dos outros no grito, eu deveria fazê-lo pelo exemplo. Ela me contou o caso do Tio Euclides, seu tio-avô, que por ser uma pessoa tão justa e correta, gerava admiração nos outros e qualquer impasse que se tivesse com ele, fazia o outro lado sentir um grande peso na consciência.

Diz a história que o Tio Euclides era o caçula da família e viveu muitos anos além de seus irmãos. Por conta disso e de sua boa postura, acabou se tornando referência para o restante da família, a ponto dos maridos de suas sobrinhas o procurarem para buscar conselhos. Segundo consta, ele nunca precisou levantar a voz para ninguém e quando sabia de algum conflito na família, apenas fazia uma visita sem ao menos tocar no assunto. Só a sua serena visita para um café, numa tarde de domingo já passava o recado e as pessoas refletiam. Uma vez indagado sobre o assunto, ele disse que “o verdadeiro respeito não é alcançado por títulos e nem pela idade, mas sim pelo reconhecimento que as pessoas te oferecem”.

É bem verdade que muitos chefes se fazem respeitar pelo título e pelo cargo, pois geram nos seus chefiados um certo medo da punição. Mas isso não é sustentável e num determinado momento alguém vai “chutar o pau da barraca” e mandar o chefe para aquele lugar. Quem se vale apenas dos títulos, tende a acabar os ostentando para ninguém. Por outro lado, quando um líder é respeitado pelos seus atos, as pessoas podem eventualmente até discordar de seus pontos de vista, mas jamais se colocarão em combate com o mesmo. Parece que em raras situações, Tio Euclides foi vítima de alguma grosseria e, nesses casos, sua postura era sempre a mesma: ficava quieto e saía. Isso bastava para que recebesse a solidariedade de todos os outros e o agressor geralmente vinha pedir desculpas em pouquíssimo espaço de tempo.

Normalmente a pessoa que “exige respeito” se ofende com coisas que não seriam suficientes para tanto. A exigência do respeito imediato indica a falta de paciência para conquistá-lo a médio e longo prazo, o que segundo a psicologia, é reflexo da insegurança. O verdadeiro respeito se conquista pela bondade, honestidade e boa conduta. Ao dar bons conselhos, ser correto em suas atitudes e ponderado em suas decisões, estará demonstrando sabedoria, uma das maiores e mais raras especiarias que um ser humano pode produzir. Todo cidadão inteligente admira os sábios... mas mas a sabedoria ensina que nem todo cidadão é inteligente o suficiente e que sempre uns irão maltratá-los... e contra a ignorância não existem gritos que possam resolver.

Para concluir, posso apenas dizer que não é razoável jurarmos rancor por um amigo devido a uma discussão eventual, pois ao fazê-lo, estaríamos nos esquecendo de todos os momentos bons do passado. Também não podemos condená-los apenas por terem atitudes que nós não teríamos, pois quando julgamos alguém em comparação a nós mesmos, estamos agindo com excesso de soberba, acreditando que somos nós o modelo ideal de ser humano. Ao dizer “eu nunca fiz isso com ninguém e por isso não aceito que façam comigo”, esquece-se que faz outras coisas tão ruins quanto em outros campos de sua vida. Afinal, cada pessoa tem um defeito diferente e se todos tivessem o mesmo defeito, não haveria ninguém para dar exemplos de correção.

E eu faço questão de aprender isso diariamente.

sábado, 16 de junho de 2012

Franquias continuam como boas alternativas


Profissionais da UPTIME em oração, no final da sexta-feira 
Acontece até hoje, no Expo Center Norte em São Paulo, a 21ª edição da ABF Franchising Expo. Trata-se da feira de franquias da Associação Brasileira de Franchising, órgão que reúne mais de 500 marcas que se prontificam a vender seu know how a empreendedores de diversos setores e de todos os tamanhos. As franquias vêm crescendo gradualmente no Brasil, como uma forma muito interessante de se expandir com uma determinada marca e também uma alternativa de negócios para pessoas que ainda não tem conhecimento ou estrutura suficiente para criar, planejar ou produzir um novo negócio.

Com alternativas para qualquer tipo de empreendedor, lá se pode encontrar, desde “micro franquias”, que são aquelas em que um empreendedor individual investe algo em torno de R$ 10.000, é treinado e, sozinho desenvolve todas as tarefas. Assim como também se pode adquirir os direitos de uma grande rede de restaurantes com investimentos na casa de R$ 500.000. Qualquer que seja a opção, o empreendedor precisará seguir normas e procedimentos, prestar serviços dentro do padrão e vender somente produtos autorizados pelo franqueador. Em contrapartida, receberá pronto um plano de negócios supostamente testado e aprovado e poderá se dizer parte de uma grande organização, o que tende a significar mais força comercial.

Estive presente na feira nos dias 13 e 15 de Junho, senti o clima e a euforia dos profissionais que dela participaram e pude perceber, como em todos os outros anos, que os envolvidos saem de lá com algum bom motivo para comemorar. Franqueadores fecham negócios e cumprem seus objetivos que é encontrar novos parceiros para expandirem com suas marcas. Candidatos a empreendedores terminam a visita com, no mínimo, novas ideias de investimento e empreendimento. De uma maneira geral, a troca de experiências é a melhor e maior recompensa para aqueles que se lançaram a participar da “muvuca” (ou formigueiro humano) que aquilo vira nos últimos dias, principalmente no final do horário.

Mas empreender é isso. Ontem, tive oportunidade de conversar com várias pessoas, das mais diversas origens. Desde o ex operário metalúrgico que pensava em investir o dinheiro de sua rescisão e de seu FGTS numa oficina de quadros e molduras, até um migrante estadunidense recém aposentado, que ainda nem fala português, mas que já estava seguro de querer empreender no Brasil. O fato negativo é que a maioria das pessoas interessadas em empreender ainda acham que ter uma franquia é simplesmente comprar uma marca.  Entendem que ter sucesso ou não, depende de estarem num endereço promissor, com uma boa fachada e com uma marca conhecida. Poucos são os que percebem que a franquia somente fornecerá ferramentas que o permitirão ser um bom empresário.

A diferença entre um bom empreendedor franqueado e outro não tão bom poderá ser percebida na capacidade que cada um deles tem de se adaptar ao padrão da franquia. Por incrível que pareça, muitos ainda compram os direitos do uso de uma marca e querem discutir como as coisas precisam ser feitas. O razoável seria imaginar que quem compra uma franquia quisesse aproveitar-se de tudo que ela fornece, principalmente, seu padrão de trabalho. Independente disso, o fato é que o nosso país é hoje um dos que mais oportunidades gera de negócios no mundo e, ainda assim, alguns persistem em dizer que a situação está difícil. Pior, é que parte desses que reclamam, talvez numa tentativa de minimizar sua  pouca competência, completam dizendo que “está difícil para todo mundo”.

Para estes, vai continuar difícil. Sempre.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Só na semana que vem...


Um conhecido provérbio árabe diz que “quando queremos fazer alguma coisa, encontramos sempre um jeito de fazer. Mas quando não queremos fazer, encontramos sempre uma boa desculpa para não fazer”. Li essa frase pela primeira vez no tempo do colégio, quando comprei uma agenda que trazia frases de efeito no rodapé pás páginas. Gostei dessa e nunca mais a esqueci. Mais tarde, já trabalhando com equipes, treinamentos e pessoas, muitas foram as vezes que a estampei em um quadro, eu uma lousa ou mesmo em folhas que imprimi e distribuí para pessoas que se lamentavam por terem problemas.

Hoje pela manhã, conversando com um amigo, comentávamos que na hora de pesar o “porque sim” com o “porque não”, a gente sempre faz ganhar aquele que mais nos interessa. E isso acontece durante toda a nossa vida: damos oportunidades para aquelas pessoas para quem a gente mais torce e quando somos questionados disso, temos ao menos uma dúzia de razões para termos agido assim. Mas se tivéssemos tomado a decisão contrária, também teríamos outra dúzia de razões para tal. Uma prova disso é que quando não gostamos de uma tarefa, ainda que ela faça parte de nosso trabalho, a protelamos para o último minuto do segundo tempo, sempre com uma boa justificativa para isso. São comuns frases como “na semana que vem eu cuido disso” ou “nesse momento é impossível”.

Tarefas como começar a malhar, voltar para a faculdade, iniciar um curso de inglês e até mesmo comprar uma bicicleta sempre se deparam com obstáculos que as lançam para uma "pseudo" semana que vem. A próxima segunda-feira é sempre o dia que se planeja fazer regime, parar de fumar e dormir mais cedo, porém quando este dia chega, a gente sempre encontra uma desculpa para protelá-lo por mais algum tempo. A velha máxima que sugere “nunca deixar para depois aquilo que se pode fazer agora” está na boca das pessoas desde as primeiras gerações, mas ainda não encontrou lugar cativo em seus corações. Martin Luther King dizia que “o tempo é sempre certo para fazer o que está certo", mas mesmo assim as pessoas tem o hábito de deixarem tudo para a semana que vem.

No meu ramo de atuação (cursos de inglês), notamos que a sazonalidade acontece, um pouco porque as pessoas pensam que os cursos só começam no início de cada semestre (fevereiro e agosto), mas também um pouco porque elas protelam para o início do próximo semestre a decisão de se matricularem. Os que se enquadram neste segundo motivo vivem dizendo que pretendem estudar a partir do semestre que vem, mas quando chegam em agosto, vão encontrar também uma desculpa que supostamente justificará deixar para fevereiro do ano seguinte, quando provavelmente acontecerá a mesma coisa. Isso é planejamento ou comodismo?

A maior parte dos candidatos que nos procuram por conta própria para fazerem um curso são pessoas que acabaram de perder uma boa oportunidade pela falta da fluência no idioma, ou que já foram informadas pelo chefe que, em breve serão cobradas disso. Infelizmente, raros são os casos dos que procuram simplesmente para se prepararem. Lógico que nós não nos prendemos a isso e por este motivo temos uma estratégia de mercado que conscientiza as pessoas da viabilidade de iniciar um curso hoje mesmo. Lance Armstrong escreveu que "o Tempo é limitado, pelo que o melhor é acordar fresco em cada manhã, sabendo que tenho apenas uma hipótese de viver este dia e orientar todos os meus dias para uma vida de ação e propósito". Talvez seja por isso que ele seja, por sete vezes, vencedor do Tour de France de ciclismo e sobrevivente de um cancro.

Caro leitor: quando você tentar agendar alguma coisa com alguém e este alguém te disser que só pode “a semana que vem”, tenha certeza que ela não está vendo isto como importante, pois se estivesse, marcaria já. Quem espera chegar Agosto para tomar uma atitude, fica também A GOSTO DO DESTINO para que as coisas aconteçam.