terça-feira, 31 de julho de 2012

O comodismo produz um prazer muito nocivo


Uma vez um amigo me disse: “Prefiro passar por idiota por 30 segundos e fazer uma pergunta boba a passar por idiota uma vida inteira por nunca ter perguntado”. Bom, essa frase é menos novidade do que se imagina, tanto que depois desse dia a ouvi mais um zilhão de vezes, mas sempre que a ouço ou mesmo a repito, vejo significados e um efeitos mais amplos. Na última reflexão, pensei o quanto a “vergonha” faz as pessoas agirem ou deixarem de agir.

Hoje, por exemplo, conversei com uma colega ao telefone que chorava por não ter cumprido sua meta mensal e disse não achar justo, pois nos últimos dias ela esteve sempre sorridente, feliz e determinada na sua tarefa. Eu respondi que o problema provavelmente foi que ela somente fez isso nos últimos dias. Na maioria das vezes que um profissional experiente deixa de cumprir suas metas, isso acontece pela falta de determinação ou comodismo que teve ao longo do período todo e não exclusivamente no dia 31. Digo ainda que, quase todos eles sabem exatamente quais sãos seus pontos fracos e o que precisam mudar para não sofrerem mais com isso. Porém, saber é uma coisa e tomar atitude é outra.

Se as pessoas sabem o que devem fazer ou onde pecam em suas tarefas, por qual motivo então elas não corrigem esses pontos fracos? Talvez Freud explicasse pela teoria de que “o ser humano trabalha para procurar prazer e fugir da dor”. Se o prazer for maior que a dor, anda-se para um lado, mas se a dor for maior que o prazer, vai pro outro lado. Se o medo de morrer é maior que o prazer de comer, o cara faz regime... caso contrário ele não consegue fazer. Se o prazer de uma vida saudável é maior que o desconforto da abstinência, o regime acontece tranquilamente. Isso quer dizer que o profissional precisa colocar na balança o prazer da meta cumprida e as complicações que acarretariam na sua falta.

As pessoas não corrigem seus defeitos profissionais porque não querem abrir mão do prazer momentâneo que o comodismo produz. Apostar todas as suas fichas que o resultado irá melhorar apenas porque os clientes estarão mais propensos a comprar é um pensamento que tem “efeito de droga”, quando o usuário sabe que o prazer imediato se transformará num enorme transtorno daqui a pouco, mas mesmo assim continua se drogando. Pergunte pra ti próprio, então, o que é maior: É o sacrifício do dia a dia em corrigir aquilo que precisa ser corrigido ou é a sensação de conquista que poderá acontecer no final?

Assim como vale a pena fazer uma pergunta, ainda que idiota, para resolver um problema... também vale muito a pena um sacrifício momentâneo em busca do sucesso futuro. Para aqueles que tem o sonho de serem felizes e acreditam verdadeiramente em seus sonhos, nunca é tarde para recomeçar. Mesmo que tenha 20 anos de fracasso, deve-se pensar nos outros vinte, trinta ou quarenta que pode haver de sucesso pela frente. Se tens vinte anos de fracasso, não queira completar vinte anos e um dia... aliás, nem mais um dia, nem mais uma hora, nem mais um minuto. A primeira mudança vem no seu pensamento, na sua cabeça, na sua forma de pensar.

Pense positivo, gere sentimentos, haja conforme os planos traçados e curta o resultado. Essa é a mais completa formula do sucesso!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Facebook é o maior dedo-duro que existe

Foto: veja/SP
As redes sociais são uma invenção do novo milênio. Me lembro que no final dos anos 90 apareceu a febre do bichinho virtual, que era uma forma de brincar de cuidar de um animal de estimação. Não durou muito e sumiu, mas logo em seguida começamos a ouvir alguma coisa sobre o “second life”, um ambiente virtual que simula uma vida normal de um cidadão comum. No ano de 2006, surgiu entre os adolescentes o tal Orkut, que parecia uma ideia maravilhosa, onde as pessoas poderiam interagir de maneira prática. Com o tempo, a febre pegou e outras redes viriam para disputar espaço, logo surgiria o Twiter e o Facebook.
 
O “Face” passou a ser a grande mania das pessoas, tendo contagiado primeiro os mais jovens, mas atualmente sendo usado até pelos sexagenários, que aprenderam a interagir na rede. Reencontrar aquele velho amigo de escola parece ser a melhor das vantagens de estarmos integrados numa rede social. Basta lembrar o nome e o sobrenome de um amigo de infância, põe na busca e... pirlim-pim-pim... aparece a foto dele, onde vive, por onde andou, o que faz e o que está pensando. Afinal, a grande ideia é essa mesmo: toma uma baita bronca do chefe e desabafa com o facebook, escrevendo lá um “odeio gente grossa” ou coisa parecida.
 
A coisa mais maravilhosa do mundo, que é a interação, passa a ser um grande problema quando as pessoas deixam de ter a sua privacidade. Digo isso porque eu fui criança na década de 80 e sumia no mundo, ia jogar bola no campinho da vila de cima e minha mãe só me encontrava quando escurecia e eu voltava pra casa. Hoje, além de celular com localizador no Google maps, a garotada ainda tem um “amigo da onça virtual”, que é o tal Facebook. Poderíamos dizer que ele é o maior dedo-duro que existe, pois deixa a vista, em fotos coloridíssimas, todos os seus momentos de lazer.
 
Com quem estava na balada? Onde passou o final de semana? Você conhece fulano? Antigamente era possível esconder isso tudo do chefe, hoje já não dá mais, pois mesmo que você não seja daqueles que posta tudo que passa pela cabeça, sempre tem um amigo desavisado que te marca ignorantemente numa foto indiscreta. Você diz para o chefe que demorou no almoço porque precisou levar a sua avó ao dentista, mas se esqueceu deste detalhe e fez check-in no shopping. Na semana passada seu amigo te marcou numa foto abraçado a outros quatro bêbados, sem contar que no dia do jogo do seu time, o “chuuuupa” que você  escreveu para o seu primo também apareceu na tela do diretor.
 
E não adianta querer se reservar... a partir do momento que você entrou numa rede social, está sujeito a isso sim. Não convidar o chefe para ser seu amigo virtual seria uma solução se você não tivesse que se explicar quando o chefe te convida pra ser amigo dele. E mesmo que o patrão esteja fora da sua lista, sempre alguém no escritório pensa diferente de você e compartilha suas informações. No final do ano passado tivemos uma colega de trabalho que, supostamente teria apanhado uma gripe fortíssima na sexta-feira e por conta disso precisou sair mais cedo do emprego e faltar no sábado, porém, antes que pensasse em arrumar um atestado médico, sua melhor amiga publicou uma linda foto com toda a turma no SWU de Paulínia, curtindo o show do Megadeath. O resultado foi a dura tarefa de explicar o inexplicável... e o filme queimado.
 
Então, para quem decide ter uma página no Orkut ou Facebook, o conselho é: monitore-a! Veja quem escreveu o que na sua página, evite se expor ou expor seus amigos sem que eles de fato autorizem e, principalmente, tome cuidado com suas atitudes fora do mundo real, pois seu chefe, sua empresa e, principalmente os seus clientes, não entendem que você tem vida profissional e pessoal... para eles é tudo uma coisa só.
 
Meu facebook é ESTE. Fiquem a vontade!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Tem que ser do meu jeito


De uns anos pra cá, tenho tentado ser mais tolerante com as pessoas, principalmente por perceber a cada dia que meus bons amigos tem sido tolerantes comigo também. Porém eu sou contra aquela velha ideia de que “amigos de verdade tem que te aceitar da forma com que você é”. Pra não dizer que isso não tem absolutamente nada a ver, eu poderia considerar uma "meia verdade", afinal nós precisamos entender que algumas pessoas têm características diferentes das nossas e, em alguns casos, até divergentes. Conviver com pessoas de outras religiões, com outros costumes e outros valores é, no mínimo um enriquecimento de cultura. Qualidades e defeitos são características comuns do imperfeito ser humano. Ter amigos com características diferentes faz parte daquilo que escrevemos no artigo da semana passada, o network.
 
Mas não podemos deixar de nos esforçar para corrigirmos alguns defeitos dos quais somos conscientes e que nos atrapalham. Se não conseguimos resolver sozinhos, buscar uma ajuda profissional é uma excelente alternativa, pois um terapeuta conseguirá expor alternativas de reação em casos onde nos vemos caindo no mesmo erro, no mesmo defeito que já nos fez quebrar a cara no passado. Na maioria absoluta e esmagadora das vezes, o maior prejudicado com os nossos defeitos somos nós mesmos... é isso aí: “noizinhos da silva”... E como isso acontece? Dependendo da paciência de cada um, levaremos algumas broncas, seremos estigmatizados com apelidos e num último estágio, quando desistirem da gente, seremos simplesmente ignorados e deixados de lado.
 
Tive uma colega de trabalho nos anos 90, que era demasiadamente centralizadora. Tudo na empresa tinha que passar pelo crivo dela e ser feito da forma com que ela decidisse. Acredito que fazia isso sem perceber, mas era uma necessidade inconsciente de colocar a assinatura em tudo, de dar a última palavra. Com o tempo ela tomou fama de burocrática e ranzinza, pois se havia duas ou três formas de se fazer alguma coisa, ela sempre escolhia aquela que era diferente do que alguém pretendia fazer. Quando outra pessoa tomava uma atitude para resolver um impasse e ela percebia que não havia outra forma de ser feito, no mínimo tentava acrescentar alguma decisão final... “manda com cópia para a diretoria” ou “precisa passar antes pelo jurídico”, ainda que isso não fosse um hábito do departamento.
 
Aceitar que o jeito que o outro fez estava bem feito e completo, para ela era praticamente impossível. Minha colega chegava ao absurdo de pagar mais caro em alguns processos simplesmente por exigir um certificado desnecessário ou um cuidado inútil, apenas para dar o “toque pessoal” e final. Num outro momento, era capaz de criticar aquele que gastou tempo ou dinheiro à toa com coisas deste tipo, pois “dessa vez não precisava”. A pessoa que descrevi acima há muito tempo que eu não vejo, portanto não sei onde está e nem que tipo de sucesso teve. Mas é fato que, na época enfrentou uma razoável freada em sua carreira quando os colegas perceberam seu excesso de vaidade. Lembro-me que nas rodas do café, os mais incomodados diziam que este seu comportamento era fruto da insegurança, da necessidade de aparecer sempre e dizer “eu estou aqui e sou importante para a empresa”.
 
Curioso é que Jacques Lacan, conceituado psicanalista francês, se referia a isso como “sede de narcisismo” ou “Momento do Espelho”, que são estados em que o ser humano produz formas de compensar uma pseudo falta de reconhecimento social, físico ou intelectual a que possa sofrer ou ter sofrido no passado. A vaidade é um sentimento forte e quase incontrolável que, em alguns casos vira uma arma para auto-valorização. Imagino que alguém consiga ser reconhecido muito mais facilmente por dar a oportunidade das pessoas aprenderem e o verdadeiro aprendizado vem quando elas conseguem tomar a decisão. O verdadeiro chefe formador é aquele que fortalece a capacidade de sua equipe agir sozinha, somente prestando contas no final do trabalho desenvolvido.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Vamos gerar Network?

Para um cara tímido, como é o meu caso, fazer network é um desafio. Afinal a timidez faz a gente fugir de confrontos, tentando não mexer muito naquilo que está quieto e preferencialmente não ser notado. Quando eu falo aos meus amigos que sou tímido, eles riem, acham graça e, normalmente me interrompem com a seguinte pergunta: "você tímido? Aonde?" E eu sustento que de fato sou uma pessoa com um certo grau de timidez, pois tenho dificuldade em me lançar a conversar sem um motivo ou razão. É óbvio também que conheço algumas técnicas de comunicação e isso compensa meu lado introspectivo, justamente por isso eu me saio bem nas conversas por aí, mas isso nem sempre foi assim.
 
Entrei nesse assunto para afirmar a importância do network para um profissional que ambiciona sucesso. Hoje, a maioria dos negócios são fechados com base numa indicação ou num relacionamento prévio. Ter bastante gente no nosso rol de amizade é fundamental para que as oportunidades surjam e quando elas surgem, sempre tem alguém com quem podemos contar, tirar dúvidas ou abrir acessos. A prática do "relacionamento profissional" é algo completamente diferente do tal "tráfico de influências" que a gente vê por aí, afinal o objetivo disso não é furar filas, receber informações privilegiadas ou buscar uma vantagem ilícita em alguma coisa. Ao contrário, a intenção é simplesmente facilitar a procura de um cliente, parceiro ou fornecedor.
 
Da mesma forma que pedimos ao nosso vizinho a indicação de um médico ou advogado de confiança, podemos também ser a indicação de um colega para alguém que está precisando daquilo que nós fazemos. Ter muitos amigos é fundamental para isso e o conceito da palavra "amigo" pode ser diferente nos diversos entendimentos de diferentes pessoas. Para uns, amigo é aquele cara que frequenta sua casa, sabe o nome do seu cachorro e viaja com você. Para outros, amigos são todos aqueles com quem se mantem um bom relacionamento. A minha definição da palavra amigo é uma mistura das duas coisas, pois se mantenho um bom relacionamento com alguém, se o considero um sujeito digno e honesto, o que me impede de convidá-lo para um almoço de domingo? Estreitar relacionamentos é sempre uma coisa boa.
 
O argumento de alguns, que dizem que restringem as amizades por medo de se decepcionarem, é algo não muito fundamentado, afinal podemos ter diversos níveis de amizade entre os nossos contatos. Podemos ter pessoas que são para todas as horas e também aqueles com quem mantemos um pouco mais de formalidades, mas o importante é que eles estão lá, na nossa lista, no nosso banco de dados. Não há necessidade de restringir o facebook para apenas uma dezena de pessoas sob alegação de que são seus amigos "de verdade", pois para os seus amigos de verdade não precisaria ter facebook, ou seja, você tem os seus números de celular decorados e fala com eles uma vez por semana. O network é algo mais... é dar a oportunidade de uma pessoas a quem você conheceu ontem, tornar-se hoje seu melhor parceiro.
 
Participar de grupos na igreja, no sindicato, no clube, na faculdade ou na empresa é uma boa forma de abrir a sua vida para conhecer pessoas interessantes. Se relacionar com gente que tem opiniões diferentes, outras profissões e religiões distintas, também é saudável para que você saia da sua caixinha de fósforo e do seu mundinho. Guardar aquele cartãozinho de visitas que você recebeu naquela reunião da "Associação Comercial" é tão útil quanto perguntar pra sua avó quem é a costureira de confiança dela, afinal, começar uma conversa ao telefone dizendo "eu estou aqui com o seu cartão" gera uma coisa chamada "acesso" e se você se lembrar aonde o recebeu, terá mais acesso ainda. Eu tenho minha caixinha de cartões. Sempre que os recebo, anoto no próprio cartão o dia e local que conheci aquela pessoa. Diversas vezes precisei usar e sempre fui melhor atendido por aqueles com quem eu já havia tido algum contato.
 
Conheço pessoas que mudaram de emprego, conseguiram clientes, ingressaram em cursos e até abriram  empresas com base numa simples troca de cartões. Em 2006 comentei um artigo na internet de uma tal "jovem de 50 anos"... tempos depois eu já trocava diversas mensagens com esta pessoa até que, através dela, fui convidado a escrever  para uma revista eletrônica em Ibitinga. Outro caso aconteceu no ano passado, quando conheci um senhor no posto de gasolina enquanto aguardávamos o abastecimento de nossos carros. No final da breve conversa, ele me deu o seu cartão e eu devolvi meus dados através de um despretensioso e-mail no dia seguinte, onde ofereci o link deste blog. Três meses depois ele me respondeu a mensagem no mesmo e-mail, contando que acompanhava o blog semanalmente e me convidando para dar uma palestra em sua empresa.
 
Se você não faz network, SEGURAMENTE ESTÁ PERDENDO NEGÓCIOS.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Todo bom mestre, um dia foi um bom aprendiz




Hoje dei muitas risadas conversando com um amigo no café. Falávamos que se desenterrássemos meu avô e, de alguma maneira, déssemos vida a ele, o mesmo morreria novamente de susto ao contarmos para ele que a Europa vive numa enorme crise financeira, mas que a população espanhola está altamente excitada e anestesiada pelo título continental de sua seleção de futebol. Que além disso, a atual campeã europeia e mundial foi considerada pela FIFA como o melhor time de todos os tempos. Enquanto isso, o Brasil não ganha títulos importantes já faz 10 anos, mas vive um momento de estabilidade econômica e tem mais empregos formais oferecidos em seu mercado interno do que gente querendo trabalhar.
 
Até os anos 80, o Brasil era um país totalmente agrícola, com poucas indústrias em seu território, sendo que a maioria delas era de capital nacional. O produto brasileiro era protegido por uma espécie de reserva de mercado, que impedia que alguém importasse qualquer produto que tivesse um similar fabricado em nosso território e dessa maneira a indústria sentia-se tranquila em relação a sua demanda e sem pressa para investir em tecnologia. O ponto negativo disso é que não existia também nenhum tipo de concorrência e onde não há concorrência, há comodismo e relaxamento. No inicio dos anos 90, porém, o governo Collor abriu as fronteiras, Itamar veio com o Plano Real e FHC deixou a economia estável. Isso tudo somado ao crescimento desenfreado da nossa população, era um prato cheio para que as multinacionais invadissem o Brasil, trazendo seus produtos inovadores.
 
O resultado foi que as retrógradas fábricas brasileiras não conseguiram se manter competitivas e nem tiveram fôlego para correrem atrás do prejuízo de uma hora pra outra, o que levou ao cenário recente, de fusões, onde grandes empresas adquirem outras não tão grandes. O avanço das multinacionais no país e o aumento do mercado consumidor fez gerar muito mais postos de trabalho do que os que existiam na época do meu avô e alguns setores da economia souberam se valer disso de forma intensa, como as faculdades particulares. Hoje, a cada esquina há uma escola particular de ensino superior, o que é ótimo porque está proporcionando ao brasileiro a possibilidade de estudar mais. O ponto negativo talvez seja a qualidade questionável dos cursos, mas seguramente hoje, qualquer pessoa com meio salário mínimo disponível pode ter um diploma universitário.
 
E o conflito acontece porque boa parte das pessoas que tem esse diploma na mão não entende que, mesmo diplomadas, elas podem não estar ainda preparadas para assumir os mais altos postos do mercado de trabalho. A sensação que se tem é que um profissional formado em faculdade deveria valer um salário mais alto simplesmente por ter o diploma, mas o mercado não vê exatamente assim. Para poder dar conta do recado, o mesmo precisa de experiência, coisa que atualmente está em falta, porque os experientes já estão empregados. A solução que as empresas encontram passa pelas suas áreas de educação corporativa, formando e treinando seus próprios profissionais através do trabalho do dia a dia, para transformá-los em futuros líderes.
 
O empregador vê duas maneiras de contratar: a primeira é a empresa buscar alguém que já sabe fazer o trabalho e o colocar num posto importante, já exigindo retorno imediato. Outra maneira eficaz é buscar pessoas em inicio de carreira e dar a elas a oportunidade de aprenderem fazendo (o que chamamos de formação). A diferença entre as duas formas é que da segunda, o aprendiz precisa entender que não vai receber um salário tão bom quanto o do outro, ainda que os dois façam as mesmas tarefas, justamente porque seus resultados ainda não são os mesmos. Enquanto um está dando conta do recado, o outro está aprendendo. Em vez de se revoltar por ganhar menos, exibir seu diploma e questionar os métodos da empresa, o aprendiz deveria valorizar a oportunidade que tem.
 
A revolta de alguns aprendizes se dá porque não entendem que a remuneração no mercado de trabalho não é calculada por quanto um profissional se movimenta, se esforça ou se cansa, mas sim pelo quanto ele produz. O atleta mais bem pago da seleção espanhola não é necessariamente o que mais corre, mas sim o que mais faz o time evoluir... Ao serem contratados com salário de Aprendiz, os jovens ganham tempo para aprenderem sem serem pressionados a produzirem imediatamente, enquanto que se exigirem salários de mestres, precisarão render como mestres logo de cara, o que é impossível. Essa regrinha é tão básica como inalterável, tendo sido válida para o meu avô no século passado tanto quanto é para mim ou para você, hoje, no século XXI.