segunda-feira, 2 de julho de 2012

Todo bom mestre, um dia foi um bom aprendiz




Hoje dei muitas risadas conversando com um amigo no café. Falávamos que se desenterrássemos meu avô e, de alguma maneira, déssemos vida a ele, o mesmo morreria novamente de susto ao contarmos para ele que a Europa vive numa enorme crise financeira, mas que a população espanhola está altamente excitada e anestesiada pelo título continental de sua seleção de futebol. Que além disso, a atual campeã europeia e mundial foi considerada pela FIFA como o melhor time de todos os tempos. Enquanto isso, o Brasil não ganha títulos importantes já faz 10 anos, mas vive um momento de estabilidade econômica e tem mais empregos formais oferecidos em seu mercado interno do que gente querendo trabalhar.
 
Até os anos 80, o Brasil era um país totalmente agrícola, com poucas indústrias em seu território, sendo que a maioria delas era de capital nacional. O produto brasileiro era protegido por uma espécie de reserva de mercado, que impedia que alguém importasse qualquer produto que tivesse um similar fabricado em nosso território e dessa maneira a indústria sentia-se tranquila em relação a sua demanda e sem pressa para investir em tecnologia. O ponto negativo disso é que não existia também nenhum tipo de concorrência e onde não há concorrência, há comodismo e relaxamento. No inicio dos anos 90, porém, o governo Collor abriu as fronteiras, Itamar veio com o Plano Real e FHC deixou a economia estável. Isso tudo somado ao crescimento desenfreado da nossa população, era um prato cheio para que as multinacionais invadissem o Brasil, trazendo seus produtos inovadores.
 
O resultado foi que as retrógradas fábricas brasileiras não conseguiram se manter competitivas e nem tiveram fôlego para correrem atrás do prejuízo de uma hora pra outra, o que levou ao cenário recente, de fusões, onde grandes empresas adquirem outras não tão grandes. O avanço das multinacionais no país e o aumento do mercado consumidor fez gerar muito mais postos de trabalho do que os que existiam na época do meu avô e alguns setores da economia souberam se valer disso de forma intensa, como as faculdades particulares. Hoje, a cada esquina há uma escola particular de ensino superior, o que é ótimo porque está proporcionando ao brasileiro a possibilidade de estudar mais. O ponto negativo talvez seja a qualidade questionável dos cursos, mas seguramente hoje, qualquer pessoa com meio salário mínimo disponível pode ter um diploma universitário.
 
E o conflito acontece porque boa parte das pessoas que tem esse diploma na mão não entende que, mesmo diplomadas, elas podem não estar ainda preparadas para assumir os mais altos postos do mercado de trabalho. A sensação que se tem é que um profissional formado em faculdade deveria valer um salário mais alto simplesmente por ter o diploma, mas o mercado não vê exatamente assim. Para poder dar conta do recado, o mesmo precisa de experiência, coisa que atualmente está em falta, porque os experientes já estão empregados. A solução que as empresas encontram passa pelas suas áreas de educação corporativa, formando e treinando seus próprios profissionais através do trabalho do dia a dia, para transformá-los em futuros líderes.
 
O empregador vê duas maneiras de contratar: a primeira é a empresa buscar alguém que já sabe fazer o trabalho e o colocar num posto importante, já exigindo retorno imediato. Outra maneira eficaz é buscar pessoas em inicio de carreira e dar a elas a oportunidade de aprenderem fazendo (o que chamamos de formação). A diferença entre as duas formas é que da segunda, o aprendiz precisa entender que não vai receber um salário tão bom quanto o do outro, ainda que os dois façam as mesmas tarefas, justamente porque seus resultados ainda não são os mesmos. Enquanto um está dando conta do recado, o outro está aprendendo. Em vez de se revoltar por ganhar menos, exibir seu diploma e questionar os métodos da empresa, o aprendiz deveria valorizar a oportunidade que tem.
 
A revolta de alguns aprendizes se dá porque não entendem que a remuneração no mercado de trabalho não é calculada por quanto um profissional se movimenta, se esforça ou se cansa, mas sim pelo quanto ele produz. O atleta mais bem pago da seleção espanhola não é necessariamente o que mais corre, mas sim o que mais faz o time evoluir... Ao serem contratados com salário de Aprendiz, os jovens ganham tempo para aprenderem sem serem pressionados a produzirem imediatamente, enquanto que se exigirem salários de mestres, precisarão render como mestres logo de cara, o que é impossível. Essa regrinha é tão básica como inalterável, tendo sido válida para o meu avô no século passado tanto quanto é para mim ou para você, hoje, no século XXI. 

3 comentários:

  1. Tá estudando hein, Aguinaldo?
    Que contextualização mais prolixa esta?
    Brincadeiras à parte, o processo de treinamento de funcionários, principalmente em começo de carreira é muito importante e contribui para a solidificação da marca (empresa) na cabeça do funcionário. Quando estas filosofias são bem passadas e assimiladas, cria-se uma relação de fidelização tanto por parte da empresa quanto do funcionário. É o chamado 'ganha-ganha'. Quando a empresa decide contratar alguém que já atua no mercado, esta espera do novo contratado, além da transferência da tecnologia (aprendizado) o empenho para o cumprimento de metas e adequação a seus valores.
    Legal o post e presencio isso todos os dias.
    É isso.

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  2. Mais um comentário: quanto ao aprendiz, esta semana me deparei com um que se queixava com o fato de não ter as suas ideias aceitas na empresa em que foi contratado (e isto faz só 3 meses!). Argumentei dizendo que era preciso ter paciência e que geralmente há este tipo de resistência, mas que antes, é preciso entender o processo para depois tentar mudá-lo. Geralmente é esta parte que os novatos não entendem e acham que vão revolucionar o mercado de trabalho já na primeira contratação.
    É isso (de novo)

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  3. Sempre escrevedno bem e certo!!!

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