quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Quanto você quer pela sua parte?

Me lembro que em 1998 a empresa onde eu trabalhava havia comprado um carro, através de um leasing, em 60 meses, para uma determinada finalidade. Porém, 10 ou 12 meses depois os planos mudaram e o carro ficou sem uso. Como os diretores sabiam que eu gostava daquele modelo, me ofereceram para que eu o comprasse. Porém, quando recebi a oferta de compra, me assustei com o valor pedido, pois quem o calculou, simplesmente somou as parcelas já pagas e pediu isso de entrada, esperando que eu assumisse ainda as demais. Obviamente o negócio não foi fechado, pelo menos não desse jeito.

Embora de raciocínio básico, esse é um equívoco muito comum, principalmente entre pessoas de pouca experiência no assunto, que ao avaliar um bem não levam em conta o seu valor de mercado, mas sim o valor pago por ele ou o valor sentimental. Numa venda de produto usado, o vendedor quase nunca conseguirá recuperar o dinheiro pago de maneira integral, pois o produto quase sempre já depreciou. O preço de alguma coisa é definido pelo que há de oferta no mercado e não exatamente por quanto o dono acha que ele vale.

Imaginem agora a confusão que é quando um sócio resolve desfazer a sociedade, sem que o outro tenha a mesma vontade e opinião. Numa discussão é comum que o sócio que quer comprar pergunte ao outro que teria que vender, “quanto ele quer?” e, daí pra frente arma-se uma baita confusão de métodos de avaliação de preços. O comprador diz que o negócio vale pouco, mas o outro reclama e apresenta a planilha de quanto investiu no negócio, querendo, no mínimo, recuperar o que já deu.

A melhor maneira de determinar o preço de compra e venda de uma empresa entre sócios é estipular o valor conforme o mercado, antes de definir quem compra e quem vende. Desta maneira, nenhum dos envolvidos irá puxar sardinha para o seu lado. Além disso, este valor de mercado deve ser definido conforme o que a empresa pode produzir, seu potencial de crescimento e o seu valor agregado como, por exemplo, o reconhecimento publico, participação em negócios, carteira de clientes e demanda local.

Os equipamentos, moveis e demais acessórios materiais somente tem valor considerável se forem novos e modernos, pois na velocidade tecnológica em que vivemos, tudo se torna velharia em pouquíssimo tempo. Também é válido considerar o know how existente entre as pessoas que permanecerão na equipe, patentes e acordos pessoais, como o compromisso do sócio que sai em não fazer convites de trabalho aos ex-funcionários. Por fim, exclui-se os passivos (dívidas, financiamentos, ações judiciais, projeção trabalhista) e oferece-se um desconto do vendedor ao comprador que facilite o negócio.

E voltando a questão da recuperação do capital investido por um dos sócios no momento da venda, entende-se que investimento é isso mesmo, é sempre um risco... Pode dar certo ou errado e quem arrisca precisa sustentar. Basta dizer que, se a empresa tivesse crescido e valorizado, este mesmo sócio não venderia sua parte somente pelo que ele investiu. Ao contrário, iria querer agregar valor.

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