domingo, 30 de setembro de 2012

O meu melhor amigo não deveria estar aqui


O leitor certamente já se deparou com casos onde colegas de trabalho começam um relacionamento amoroso. Isso, embora não muito aconselhável, é mais comum do que pensamos, pois o local de trabalho é onde passamos a maior parte do tempo e, de tal forma, temos a oportunidade de conhecer e admirar as pessoas. Sem contar que os olhos são os grandes diabos da gula, pois estão sempre percorrendo partes dos corpos alheios e enviando inúmeras mensagens picantes ao cérebro. Mas tem como combater essa tendência? Algumas empresas já deixam explicitas em seus manuais de ética, as orientações para que não haja romances entre profissionais do grupo.

E o motivo que as leva a criarem este aconselhamento é o grande número de vezes em que o romance é maravilhoso enquanto dura, mas o rompimento gera complicações fortíssimas para o empregado, para seu antigo amor e para todos os colegas de trabalho. Um rompimento amoroso cria um clima hostil, estimula pedidos de demissão e abre caminho para fofocas de todos os tipos. Há também os casos onde as pessoas se relacionam e o romance prospera, atingindo níveis de namoro e casamento. Mas mesmo nesses casos, há prejuízos para o resultado profissional e coletivo, pois qualquer bronca que um tiver que enfrentar, tende a machucar também o outro. E não é somente nos casos de relação amorosa que o trabalho pode ficar prejudicado, pois as grandes amizades (ainda que sem nenhuma relação afetiva) também despertam a solidariedade e o protecionismo dentro do grupo.

Algumas pessoas, cansadas dos chefes carrascos, vibram com as oportunidades que, as vezes surgem, de trabalhar em uma empresa cujo dono é um grande e velho amigo. Elas pensam que agora, com o chefe amigo, não terão mais aquela pegação no pé e a encheção de saco... mas eu diria que aí, a coisa se complica ainda mais. Afinal, quando a gente conhece o chefe no ambiente de trabalho, já sabe que ele é o chefe; mas quando o amigo nos convida para a equipe dele, a gente se confunde e pode perder até mesmo a amizade anterior. Sem contar que chefe amigo não faz a gente crescer, pois nos trata com cuidados excessivos, sendo até agradável por um tempo, mas totalmente improdutivo a médio e longo prazo.

Com base nisso, um ex-chefe que eu tive dizia que o local de trabalho é um ótimo lugar para você fazer colegas e escolher exemplos de sucesso, mas um péssimo lugar para ter confidentes. A empresa é uma instituição criada com finalidades bem determinadas, entre elas, o crescimento e o lucro financeiro. Muitas vezes, a pessoa mais legal e amigável da equipe não consegue cumprir os seus objetivos profissionais e, até para o bem de todos, precisa ser desligada. Porém neste momento, o sentimento de carinho e a lembrança do bom convívio falam mais alto, gerando nos demais a revolta pelo que podem chamar de “injustiça”.

Ainda segundo o meu ex-chefe, o limite para uma boa amizade na empresa é quando, em horário de trabalho, as pessoas tratam somente das tarefas e, fora dele, tratam somente dos assuntos externos. Acontece que 100% das relações de amizade ou afetividade não conseguem separar as duas coisas, portanto uma frase que ele vivia dizendo em nossas reuniões quando nos lançava uma bronca e via a nossa cara de “você não é meu amigo?”, era a seguinte:

- o meu melhor amigo não deveria estar aqui... poderia estar na minha casa tomando uma cerva, mas não aqui.”

Ou seja, quando a gente “apelava” para o sentimentalismo e pedia uma trégua em nome da nossa amizade, ele explicava que alí, quem deveria estar é o funcionário competente e que faz o que precisa ser feito.

2 comentários:

  1. É realmente um processo difícil, mas muitas vezes, em casos de encontrar esse "amigo" no local de trabalho, é necessário que se faça uma separação, ou como dizem, "amizade, amizade, negócios à parte". Se as pessoas vissem que o que é errado independe do fato de quem o faz, muitos problemas com fofocas (entre outros) seriam evitados no ambiente de trabalho.

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    1. Juliana, você entendeu perfeitamente o tema. A amizade é positiva sempre, desde que cada pessoa entenda que ao proteger o amigo que trabalha mal, está prejudicando todos os outros.
      O ideal seria que todos tivessemos a consciencia que a verdadeira amizade concistiria em todos cumprirem a sua parte (patrao e empregados).
      Pena que, na maioria absoluta dos casos, as pessoas confundem.
      Obrigado pelo comentário!

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