quinta-feira, 4 de outubro de 2012

As 8 mil desculpas conhecidas


Existem algumas frases que, seguramente, qualquer executivo já ouviu mais de uma centena de vezes. A maioria delas retrata desculpas... motivos (reais ou não) que as pessoas dão para não fazerem ou para fazerem de maneiras supostamente menos trabalhosas as determinadas tarefas do dia a dia. O ponto curioso de tudo isso é que as tais desculpas são sempre as mesmas, o que culmina nas tais frases conhecidas. Em minha carreira profissional, já estive na situação daquele que dá a desculpa e também na posição de ouvi-las... e o que aprendi é que a maioria das desculpas seriam facilmente derrubadas com um pouquinho de determinação.

Aquele que lança a desculpa, ainda que não seja um motivo verdadeiro, geralmente acredita que convencerá seu interlocutor, pois crê ter criado uma situação inédita, totalmente normal e corriqueira (ou seja: uma boa desculpa). Um bom exemplo é quando alguém chega atrasado a um compromisso e inventa uma história mirabolante de que fora abduzido por uma nave espacial. As desculpas do relógio que não despertou, do ônibus quebrado ou pneu furado já caíram no popular, mas ainda são intensamente usadas.

Com base nisso, vou me recordando de um período nos anos 90, quando contratávamos pessoas para um trabalho que dependia muito de força de vontade e havia uma relativa quantidade de desistência após o primeiro dia. Quem encarava o desafio geralmente se dava muito bem e crescia, mas o período inicial de adaptação acabava por desmotivar os candidatos. Sabendo disso, já vacinávamos os iniciantes e os desafiávamos continuamente. Para ironizar a situação, eu costumava dizer que já conhecia cerca de 8 mil desculpas e quem quisesse chorar as magoas comigo teria que ser muito criativo.  Não me lembro ao certo de quem eu ouvi essa, mas confesso que eu dizia isso copiando alguém. O fato é que quando vinham com desculpas, eu dizia um numero aleatoriamente entre 1 e 8000 e ironizava suavemente a desculpa. Em casos de insistência, eu simpaticamente completava a fala do nosso desistente antes mesmo que ele concluísse a história.

Mais de dez anos depois, o que posso dizer é que as coisas continuam iguais. Pode ser que, considerando a modernização pós internet, este arquivo tenha aumentado para 10 mil desculpas, pois eu computaria as atualizações, como por exemplo o “papelzinho de recado colado na porta da geladeira informando que aquela empresa que o fulano sempre quis trabalhar o chamou” foi substituída pelo e-mail não lido na caixa de mensagens ou pela ligação perdida no celular. Outra curiosidade é que, com a chegada da geração Y ao mercado de trabalho, percebemos que surgiram outras categorias de desculpas, das pessoas que são mais abertas a admitir fraquezas ou daquelas que pouco se importam se a desculpa vai colar ou não.

Esse segundo grupo é o que inventa a desculpa desnecessária, pois sabe que sua história não procede e sabe tanto quanto que a outra pessoa não acreditou, mas mesmo assim continua a repeti-la. Já os que admitem fraquezas (o que, por si só, é bom), como lado negativo tendem a procrastinarem e dizerem que o problema não é com o trabalho, que entendem a oportunidade, mas que não estão preparados para ela, numa suposta crise existencial. Algo como terminar um namoro sem motivos aparentes: “o problema não é com você, mas é comigo mesmo”...

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