quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fim dos tempos pra quem pula de galho em galho


 Já faz muito tempo que o Professor José Pastore, da USP, fala sobre os paradigmas que o trabalhador mantém em relação ao que chamamos de oportunidades de trabalho. Segundo ele, o trabalhador brasileiro é mal acostumado diante de uma legislação protecionista e acaba prejudicado pelo seu próprio comportamento em momentos de escassez. Sempre em busca de segurança, salário alto e muitos benefícios, o sujeito abre mão de oportunidades em entrelinhas e que poderiam levá-lo a um sucesso maior.
 
Quando nos limitamos a somente valorizar trabalhos no padrão corriqueiro, ou seja, aquele que dá salário fixo, é registrado em carteira e tem horário para cumprir, inicialmente pensamos que estamos nos valorizando... mas é também uma maneira de fecharmos a porta para chances que podem surgir e nos fazer voar mais alto, como a possibilidade de ser um profissional autônomo, prestador se serviços ou, até mesmo, empresário e dono do próprio negócio.
 
É obvio que, na hora de escolher um trabalho, precisamos ponderar situações. Uma coisa é trabalhar como vendedor numa empresa sem nenhum vínculo com ela e outra é ser representante comercial, com contrato de representação e garantias que o produto ou serviço cumprirá tudo aquilo que foi prometido. Ao assumir um contrato bem feito e honesto, o profissional deixa de ter apenas um salário e transforma a sua remuneração no que chamamos de “renda’. Isso geralmente é uma grande e boa chance de evolução e progresso.
 
Mas o mercado de trabalho acaba sendo um tanto picareta também pelos paradigmas criados e sustentados. Fala-se tanto em oportunidades que o profissional vem perdendo o vinculo com os seus próprios valores. A cada dia, a troca de emprego parece ser algo a somente valorizar o cidadão, mas a troca rápido demais faz também perder a confiança daqueles que o cercam. Existem pessoas que já trocaram tanto de trabalho, sempre dentro do mesmo ramo e mesma posição, que depois de um tempo começam a voltar para a empresa de onde saíram. Conheço alguns que não sabem mais quantas passagens tiveram por uma marca ou outra.
 
Algumas áreas são mais famosas pelo troca-troca, pois mantém produtos semelhantes entre a concorrência. Um caso é o ramo da telefonia, onde existem vendedores que se confundem no meio da apresentação, mencionando, às vezes, o nome da empresa em que trabalhava até a semana passada. Mas a culpa de haver este mercado prostituído é também do próprio empregador, que no momento do desespero vai até o concorrente e faz propostas ao profissional dele para vir trabalhar consigo. Em algum momento, o feitiço virou contra o feiticeiro e deu nisso. O problema é que de um tempo pra cá, devido aos exageros, todos os envolvidos têm sido vítimas.
 
Depois de um tempo, o próprio cliente não confia mais na figura do vendedor que, a cada aparição chega com uma marca e um uniforme diferente, dizendo que a empresa onde ele trabalha agora tem o melhor produto. Confesso que tenho restrições àqueles profissionais voláteis, tanto na hora de contratar alguém que já passou por dezenas de empresas do mesmo ramo, quanto para escolher um prestador de serviços para me atender. Prefiro confiar nos que eu sei onde estarão na semana que vem. Ao contratar alguém, eu sempre penso que se uma simples oferta de emprego pode fazê-lo virar a bandeira e vir trabalhar aqui, uma outra tão simples quanto pode levá-lo embora também. Essas são pessoas que, na primeira bronca, na primeira divergência, vão buscar abrigo na concorrência, sabendo que facilmente conseguirão.
 

Numa ultima análise, podemos concluir que os que trocam de trabalho periodicamente, migrando de empresa em empresa, voltando para a empresa anterior e saindo de novo, normalmente são menos bem sucedidos do que os que permanecem firmes e fiéis a um grupo, uma marca, uma corporação. Percebam que aquele que “vai e vem” sempre vai quebrado, depois de um tempo liga dizendo que está bem, e  meses depois vem, quebrado, pedir emprego de novo. Assim como o cliente perde a confiança e tende a deixar de lado os “pinga-pinga”, os empregadores também.

5 comentários:

  1. Muito bom para reflexão. Parabéns Guina!

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  2. Infelizmente as pessoas só percebem o que deixaram de contruir quando jovens na sua velhice ai...é tarde de mais.

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  3. Muito útil.
    Grato, Aguinaldo.
    Abração.
    Feliz final de semana.
    Beto

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  4. Gostei. Direto, objetivo.
    Grata,
    Abraço,
    Maria Amélia

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  5. É fato... nossas obras tanto refletem nas nossas conquistas como nos nossos fracassos. Concordo com o texto sobre a confiabilidade que se reflete das pessoas que agem com estabilidade no trabalho. Marketing pessoal sempre foi e será um recomendado caminho para se investir e o melhor dessa ferramenta é a nossa tenacidade dentro de uma empresa, seja esta de nossa propriedade ou não, na hora de contratar ou ser contratado, com certeza contará em muito os frutos gerados pela constância. Cá entre nós... solidez, perseverança é para empreendedores... Estes é que carregam a marca da credibilidade nos negócios, porque são pessoas que sabem driblar os momentos difíceis e nunca desistem, sempre confiam em si mesmas e transmitem esta confiança, permanecendo firmes onde estão para conquistar suas metas. A essência deste blog tem essa marca, parabéns!

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