domingo, 28 de outubro de 2012

Trabalho voluntário, a troco do que?


De vez em quando a gente ouve frases diversas em tom de elogio quando nos lançamos a fazer ações sociais. Meu grupo tem a característica de realizar eventos grandes, como festas arrecadadoras, objetivando reverter a verba para entidades beneficentes que possamos confiar. Por conta desta tradição, é também muito comum que pessoas se ofereçam a trabalhar conosco em algumas destas ações, sempre dizendo sentirem-se felizes por estarem lá. “Eu nunca tinha tido a oportunidade de ajudar assim”, dizem alguns.

Entidades Religiosas, Fundações, Empresas, Clubes de Empresários, Rotary e Lions Club, Maçonaria, Clubes de Jipe, de Carros Antigos e outros colecionadores, Clubes de Senhoras e Comissões Humanitárias são apenas algumas organizações que se prontificam a trabalhar em prol de pessoas carentes. Mas para fazer trabalho voluntário, não necessariamente é preciso fazer parte de algum grupo; basta querer fazer. São inúmeros os lares, asilos e orfanatos que aceitam pessoas dispostas a ajudar de diversas maneiras. Contar historia para crianças, ler para cegos, dançar nos bailes organizados para os idosos e, até mesmo, apenas conversar, são ações simples que podem ter uma utilidade muito maior para aqueles que a recebem.

Em 2006, eu e o Halaouani estivemos no Lar dos Velhinhos de Valinhos. Naquela oportunidade, chegamos lá num final de tarde dirigindo uma Montana cheia de alimentos não perecíveis para fazer uma doação que já estava combinada desde a véspera. Fomos imensamente bem recebidos e as assistentes sociais, em forma de agradecimento, nos deram de presente dois pães caseiros enormes. Na saída eu perguntei no que mais poderíamos ser úteis e uma senhora, interna que estava presenciando a conversa, se antecipou e respondeu: “Vocês gostam de dançar bolero? Venham aqui aos domingos a tarde, porque nós precisamos de pessoas para dançar e conversar”.

Eu nunca fui dançar com elas, apenas cantei a idéia a um músico amigo meu que a aproveitou. Pode parecer esquisito, sei que alguns leitores vão até caçoar da situação, mas o episódio me fez repensar um pouco meus conceitos de ajuda. Noto que, embora algumas destas casas de apoio precisem mesmo de doações, outras têm sua condição financeira tranquila  já garantida por verbas do governo. O que todas elas realmente precisam mesmo é de pessoas dispostas a estarem lá presentes, conversar, brincar, ocupar o tempo, aprender e ensinar. Alguns perguntam quais vantagens teriam ou mesmo o que ganhariam com isso... por outro lado vejo amigos que sustentam que, se ajudassem, não precisariam ganhar nada não.

Porém, para responder, quero contar dois casos curiosos: o primeiro é de uma jovem médica de Salvador, na Bahia, que reuniu seus colegas de formatura do ensino fundamental para, anualmente, palestrarem aos jovens alunos de escolas públicas sobre as diversas profissões que eles escolheram depois de adultos (li isso em uma reportagem, não me lembro qual). O segundo é de um adolescente em Campinas que durante dois anos, trabalhou como voluntário, por meio período em ao menos três dias da semana, ajudando nas rotinas administrativas de uma entidade filantrópica. No primeiro caso, a médica conseguiu influenciar muitos jovens a seguirem uma profissão ao invés de correrem o risco de abandonar os estudos. No segundo, o voluntário foi contratado como estagiário numa multinacional logo aos 18 anos, apresentado por outro voluntário mais velho, que depois de conhecê-lo, virou seu padrinho profissional. Precisa ganhar mais alguma coisa?

Um comentário:

  1. Gui, legal vc escrever sobre isso. As pessoas precisam se conscientizar de que ajudar o próximo é ajudar a si mesmo. E não precisa muito. Um gesto de carinho, uma palavra amiga, pode ter muito mais valor, do que um caminhão de donativos. Paula.

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