segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Pirâmide de Maslow em meio ao Pleno Emprego


Hoje, ao vir trabalhar, parei no caminho para um café. Na saída, enquanto eu pagava a conta, uma das funcionarias do caixa conversava com a outra:

- Você vai trabalhar no final do ano?
- Eu vou, ué! Não vamos ter que trabalhar?
- Eles dizem que tem, mas eu não vou vir não... trabalhei no ano passado porque eu estava em experiência, mas esse ano eu não venho...

Já escrevi nesta página o meu repúdio a funcionários que conversam sobre assuntos pessoais no ambiente de trabalho, principalmente quando o fazem na frente do cliente. Desta vez, porém, eu creio que seja uma grande oportunidade de refletirmos mais a respeito também do conteúdo da conversa e dos motivos que levam as pessoas terem este tipo de pensamento. Para fundamentar, quero buscar um pouco da teoria de Abraham Maslow. Ele foi um psicólogo e estudioso nova-iorquino, que viveu no século XX e responsável por um dos estudos mais difundidos nas faculdades e setores acadêmicos de toda a história: “A Hierarquia das Necessidades”.

Este estudo definia quais fatores (e em que ordem de ocorrência) motivavam o trabalhador a trabalhar. Segundo o autor, uma pessoa trabalha primeiramente para suprir suas necessidades básicas (comer, morar, vestir), quando a partir daí passa a ansiar por outras, como poupar (criar segurança para ter uma família); ter algum luxo (carro, roupas de marca, viagens de férias); posicionar-se na sociedade através de algum status (cargos, títulos e comendas) e, por fim, ter total independência financeira (dinheiro pra gastar sem preocupação). Acontece que quando Maslow escreveu isso tudo, ele ainda não imaginava que chegaria um tempo em que o emprego pudesse ficar banal ao ponto das pessoas o valorizarem tão pouco, misturando todos esses patamares descritos. Mas porque isso aconteceu?

Algumas leis trabalhistas que foram criadas em décadas passadas tinham a finalidade de garantir ao trabalhador, a primeira (e talvez a segunda) plataforma da pirâmide, considerando que as outras ele deveria buscar sozinho. Naquela época, havia a necessidade de preservar a condição mínima de vida de uma família e por isso surgiram a multa (paga pela empresa quando demite um funcionário sem justa causa) sobre o saldo do FGTS, que inibia as dispensas e, posteriormente o seguro desemprego. Em tempos de desemprego, ninguém seria louco de forçar uma demissão, pois ainda que recebesse algum dinheiro a mais por isso, a incerteza de encontrar outro emprego era grande a ponto de não valer a pena. Porém, com o cenário de estabilidade econômica que vivemos atualmente (e temporariamente), com baixo desemprego e muitas ofertas de trabalho, as pessoas (principalmente os mais jovens que não viveram outros tempos) desdenham da época da seca, colocando em risco as conquistas passadas e a tranqüilidade atual. 

Quando um funcionário diz ao outro que não irá trabalhar no final do ano por pura arbitrariedade e sem ter a menor preocupação fazê-lo na frente de um cliente, além de estar depondo contra o patrimônio que o sustenta, está fazendo mal uso das leis que um dia protegeram seus pais e hoje fazem do patrão o seu escravo. Se for demitido, ele simplesmente tira férias às custas de um seguro pago por todos os outros que trabalham e, depois de um tempo, facilmente encontra outro emprego, pois há essa demanda. Acontece que os ventos mudam de tempos em tempos e a exploração da empresa pelos seus funcionários é semelhante a exploração do homem a natureza: num determinado momento a empresa torna-se inviável e não sobrevive, como quase acontece hoje com o nosso planeta.

E enquanto alguns dizem que não estão preocupados, porque não são empresários e isso não é seu problema, lembramos que as primeiras a serem afetadas pelo desequilíbrio das leis trabalhistas são as pequenas e médias, sem tanto poderio financeiro, mas responsáveis pelos empregos de 77% da sociedade brasileira. Se ela (a PME) perdesse parte de seu poder de contratação, a taxa de desemprego que atualmente é de 5%, seria talvez de 25%. E neste caso, os acomodados não estariam tão acomodados assim... ao menos não pensando em cabular o trabalho no final do ano.

9 comentários:

  1. Boa tarde Irmão, ontem ministrei mais uma palestra nas rede pública, com o tema Postura Profissional, desta feita foi para alunos do primeiro ano do secundário. Realmente independente da geração se Y se X, sempre vai crescer quem fizer a diferença e se dedicar, sabendo que o faz a si mesmo. Valeu pela postagem.

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  2. Ola Aguinaldo.
    Estou certo de que estamos vivendo uma inversão de valores. As camadas antes menos favorecidas "ganharam de bandeja" uma serie de regalias sem que tivessem que se esforçar por isso. Como exemplo, credito facil, protecionismo, estabilidade economica, aumento real de salario, entre outras. Ninguem desta massa aproveitou a bonanza para aperfeiçoar-se, melhorar. Se não desfrutar de uma situação imediata sem se preocupar onde isto chegaria. A excasses de mão-de-obra é tema recorrente de qualquer bate papo de boteco. Além dos empresarios, vitimas hoje desta situação, o proprio consumidor e, por sua vez empregado, esta sentindo os efeitos da baixa qualidade de atendimento, problemas de abastecimento, falta ou perda de qualidade dos produtos e por fim um aumento nos preços em virtude do aumento do custo operacional (custo de admissão/demissão, oneração dos salarios, baixa competitividade, etc). Assim sendo, os reflexos deste cenario já esta sendo sentido por grande parte da massa trabalhadora que durante alguns anos vem deteriorando-se. Infelizmente esta "bonanza" esta chegando ao fim. Um colapso se aproxima e, mais uma vez estes trabalhadores (e a sociedade) irão pagar a conta.

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  3. João Roberto Nadalin26 de novembro de 2012 12:03

    _Nosso momento aqui para frente sem duvidas vai ser marcado por transformações, cada vez mais profundas, os indices de crecimento da industria são negativos a atividade industrial se reduz a olhos nús, e temos o pleno emprego, então a industria não é mais responsável pelos empregos, pelo menos não é o carro chefe, e isso é bom a longo prazo, quando se deslumbra carros elétricos eles tem 700 itens de fabricação, o de combustão 12000 itens, só aí vemos uma parada industrial, então a bola da vez não é mais da industria, mesmo porque precisamos diminuir o consumo de bens naturais, que não suporta mais, disso é preciso caminhar com calma e cuidado para que lado as coisas vão acontecer, principalmente no Brasil, pois uma mudança aqui demora muito, temos uma multa de 50% do fundo de garantia que 10% era para subsidiar as diferenças de planos economicos, que é um absurdo, bom mas a divida foi paga e os 10% ainda é cobrado, então como todos votam no partido populista que não mede conseguencia pela popularidade, estamos em uma situação de alerta no minimo.
    abraços meu irmão

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  4. mas é possivel tirar mil conclusões a respeito de 1 unica frase ouvida, vc nao sabe em que condiçoes aquela pessoa trabalha e menos ainda que motivos a leva a querer nao trabalhar no fim do ano

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  5. stakeholders é? talvez vc precise dar melhores condiçoes para que os seus funcionarios queiram trabalhar pra vc, realmente eles nao precisam, ninguem eh seu escravo

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    1. Oi, Eu escrevi sobre isso também. Leia: http://cronicascorporativas.blogspot.com.br/2012/12/em-tempos-de-bonanca-bom-ambiente-de.html

      Mas me parecem duas coisas bem diferentes.

      Obrigado pelo comentário!

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  6. As pessoas que pensam assim,não pensa nem no companheiro de trabalho.
    Quando eu tinha 17 anos, trabalhava em uma padaria,na parte da manhã.Formada por uma equipe de 5 meninas no balcão,e um rapaz na chapa.Cada um tinha seu dia de folga,um a menos já fazendo falta,dividíamos as tarefas do mesmo.Quando não,um desinteressado faltava,era correria na certa.
    Que eu quero dizer,se as condições de trabalho para a pessoa não estão boas,converse com o seu chefe,dê idéias,se não for possível para o mesmo,e não esta satisfeito,peça demissão.Tanto os empregadores,quanto colegas de função que estão contentes,esperam pessoas comprometidas. Agora que culpa tem ambos?Se não da valor no puco que conseguiu,vai haver sempre um empecilho no próximo emprego.

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  7. As pessoas que pensam assim,não pensa nem no companheiro de trabalho.
    Quando eu tinha 17 anos, trabalhava em uma padaria,na parte da manhã.Formada por uma equipe de 5 meninas no balcão,e um rapaz na chapa.Cada um tinha seu dia de folga,um a menos já fazendo falta,dividíamos as tarefas do mesmo.Quando não,um desinteressado faltava,era correria na certa.
    Que eu quero dizer,se as condições de trabalho para a pessoa não estão boas,converse com o seu chefe,dê idéias,se não for possível para o mesmo,e não esta satisfeito,peça demissão.Tanto os empregadores,quanto colegas de função que estão contentes,esperam pessoas comprometidas. Agora que culpa tem ambos?Se não da valor no puco que conseguiu,vai haver sempre um empecilho no próximo emprego.

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  8. Um sábio provérbio chinês diz assim: "Que ninguém julgue o outro sem andar meio lua com os seus sapatos". Portanto, é sempre necessário fazer um esforço para estar no lugar do outro de modo a perceber o que lhe move. O patrão deve se colocar no lugar do empregado e perguntar-se se, estando nesta condição, o que poderia motivá-lo mais. Da mesma forma, o empregado poderia colocar-se na condição do patrão de modo a poder avaliar se as suas reivindicações são razoáveis. De qualquer forma, vale a sinceridade: o que eu necessito do outro como condição básica para minha satisfação pessoal, seja como empregado ou como empregador. As vezes um respeito maior pela humanidade do outro traduzida em um sorriso sincero e acolhedor vale mais que qualquer lucro ou direito trabalhista.

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