domingo, 25 de novembro de 2012

É o mesmo método!



Você já comeu Bauru? Se não comeu ainda, precisa comer.

O Bauru é um sanduíche tradicional no Estado de São Paulo, que segundo a Wikipédia, foi inventado por Casimiro Pinto Neto (que era conhecido pelo nome de sua cidade natal), no restaurante Ponto Chic, do Largo do Paissandu, em 1934. Supostamente, esse homem pegou um pãozinho e colocou alguns ingredientes do jeito que ele costumava fazer em sua casa... a coisa fez sucesso e todo mundo passou a pedi-lo, transformando em algo típico daquele local. Mas sobre isso voltamos a falar daqui há pouquinho... antes quero mudar de assunto.

Quem trabalha na área comercial ouve, constantemente, pessoas comparando produtos e preços. O nome disso é “avaliar a relação de custo e benefício”, um costume muito saudável para qualquer consumidor. Porém, existem pessoas que avaliam somente o fator “custo”, desconsiderando o benefício que seria por ele produzido. Pagar mais barato, em alguns casos, pode se tornar um dinheiro jogado fora e a gente percebe isso quando compra algo que não presta e precisa comprar de novo, de outra marca e em outro lugar. Mesmo assim, ainda que vivamos na era da informação, as freses “é tudo a mesma coisa”, “no fim sempre dá na mesma”ou “é o mesmo modelo” continuam sendo muito comuns.

O Bauru, por exemplo, tem uma receita considerada tradicional e verdadeira: pão francês com roastbeef de lagarto, queijos suiço, estepe e prato derretidos, tomate, pepino, manteiga e sal. Porém, depois de quase 80 anos, já existem outros Baurus em diversas regiões do Brasil e cada chapeiro coloca o seu toque final, substituindo o roastbeef por presunto, a manteiga por maionese e o pãozinho por pão de forma. Imagina-se também que, cada botequim considere o seu modelo mais adequado que os outros, seja pelo sabor ou pelo trabalho que daria seguir a receita original. Mas, na minha análise, eu gostaria de comparar um único tipo de Bauru... para tanto, vamos eleger o modelo tradicional, embora cada leitor possa fazer a análise com a receita que lhe for preferida. Eu pergunto: o Bauru tradicional é, em todas as lanchonetes, a mesma coisa???

Assim como os sanduíches se diferenciam pela marca do roastbeef, pela conservação do queijo, pela qualidade do tomate ou maciez do pão... com outros produtos acontece também. Uma roupa se diferencia da outra similar até pela qualidade da linha usada para costurá-la, um contador se diferencia pela sua formação e experiência e uma faculdade se diferencia pela liderança do reitor ou organização aplicada. Neste último exemplo, é muito comum ouvirmos que “até os professores são os mesmos”, mas a verdade é que na hora do reconhecimento público entre um curso e outro, ninguém pergunta quem foi seu professor, mas sim em que instituição você estudou.

Um bom exemplo é o mercado municipal de uma cidadezinha que eu conheço, onde há dois salões de cabeleireiros masculinos, com cerca de 40 metros de distância entre eles. Em um deles, o corte custa quatro vezes o valor do outro e o mais caro está sempre mais lotado. Poderíamos dizer que a cadeira é a mesma, a tesoura é a mesma, o espelho reflete tanto quanto e o corte, em alguns casos como o meu (sic), pode ficar exatamente igual. Mas onde está a diferença, então? Para responder basta avaliar a higiene do local, o ar condicionado e a agradabilidade do profissional que te atende enquanto aguarda a sua vez no sofá.

Voltando ao caso da faculdade, há inúmeras maneiras de baratear a prestação de serviços copiando exatamente o método e programa de ensino do concorrente... basta colocar mais pessoas na sala (o que torna o ensino mais lento e trás prejuízo ao aluno), ter menos funcionários na equipe de apoio ou mesmo um mecanismo de administração mais enxuto. Embora o estudante venha a ter resultados inferiores, ele somente perceberá isso depois de já estar matriculado. Neste momento “o mesmo método” pode trazer dores de cabeça diferentes. Portanto, ao se matricular em uma faculdade, escolher onde cortar o cabelo ou comer um Bauru, não avalie apenas o preço, mas também a expectativa quanto ao benefício a ser alcançado.

Um comentário:

  1. Conheço o verdadeiro Bauru, do PONTO CHIC,uma delicia, insuperavel!
    Qto aos genericos, na maioria das vezes, a diferença da qualidade é grande:Basta ver: maionese Helmmans e as demais, requeijão e verdadeiro Catupiry, os catchups e mostardas então...
    E queijos parmesão e muzzarela??
    Prestação de serviços tambem...
    O negocioé consumidor ficar atento sempre!! AS vezes pode acontecer de um generico valer a pena.

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