quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O cara é bipolar?


Às vezes a gente ouve um colega ou outro dizendo que a experiência profissional nos leva para práticas completamente diferentes das que aprendemos nos bancos das faculdades, coisa que eu concordo plenamente. Mas me preocupa quando tal afirmação passa um pouquinho do limite e coloca o estudo teórico e acadêmico como algo supérfluo, talvez até dispensável para quem queira vencer na vida. Eu, que tive a experiência de somente fazer um curso superior depois de alguns anos que eu já trabalhava como gestor, pude enxergar com olhos mais apurados o resultado de tal questão.

Antes de me matricular na faculdade, eu engrossava o coro e queria acreditar que esta me ensinaria coisas que eu já fazia, permitindo-me apenas aprender o nome técnico daquilo que eu desenvolvia na prática. De certa forma, confirmei minhas expectativas... porém com um detalhe muito importante: depois que vivi a experiência de estar frente a frente com teóricos e estudiosos de cada matéria, creio que me tornei um profissional muito mais atento e sensível a alguns detalhes que, antes, me passavam despercebidos. Outra coisa muito importante é que pude confirmar ou derrubar algumas de minhas teorias, surpreendendo-me inclusive.

Uma dessas barreiras foi quebrada depois de estudar um pouco de psicologia e me atentar do motivo que levaria pessoas tão qualificadas do ponto de vista intelectual, terem comportamentos tão inadequados. Anteriormente eu classificava tais atitudes bem do ponto de vista do “Analista de Bagé”, o épico personagem de Luiz Fernando Veríssimo, personagem este que, como psicoterapeuta, tratava tudo na “técnica do joelhaço”. Posteriormente, passei a entender que há casos em que a bipolaridade, como patologia, existe... embora muitos também são os sujeitos que apenas creem viver tal doença, utilizando-se desta suposta moda para justificarem sua simples falta de tolerância.

Segundo o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, “nada é tão difícil quanto não enganar a si próprio” e, baseado nesta filosofia, concluímos que muitos pegam carona numa doença séria e utilizam-se da auto-complacência para diminuir o sentimento de frustração com algum fracasso momentâneo, colocando a culpa de seus comportamentos grosseiros numa suposta doença. O descobridor da bipolaridade foi Emil Kraepelin, que viveu no início do século passado e se ele provou cientificamente a ligação biológica da doença, provada ela está. Sabemos que há os pacientes  cujo as causas são de origens genéticas, tanto que terapeutas mais modernos afirmam que o tratamento é composto por 4 pontos fundamentais: medicação + terapia + psico-educação + apoio de pessoas próximas.

O meu amigo e leitor Marcello Marinho me pediu um artigo sobre este tema e, fico me perguntando quem sou eu pra opinar, concordar ou discordar dos médicos e psicólogos, afinal tenho profunda admiração por tais profissionais e um enorme respeito aos pacientes que verdadeiramente sofrem com essa patologia. Mas pelo que minha sensibilidade me permitiu aprender NA EMPRESA e no meu dia a dia depois de frequentar os tais bancos acadêmicos do curso de RH é que, em uma boa parte dos casos em que se brada muito a bipolaridade, ela pode de fato não existir... mas sim ser um subterfúgio para uma suposta fuga do mundo real ou um modo mais fácil de por a culpa nos seus genes pela sua indisciplina e falta de comportamento social. E nesses casos, o tratamento do Analista de Bagé seria mesmo muito mais adequado.

2 comentários:

  1. Mas é exatamente isso mesmo! É muito comum pessoas se aproveitarem desse diagnóstico. Claro, não excluindo os casos reais. Tive uma aluna assim. Certo dia ela chegou na aula e disse que odiava seu médico porque ele disse que ela era bipolar. Só para desanuviar o nervosismo da mesma, eu disse: se você é bipolar, então eu também sou e todo mundo é um pouco... afinal, neste quadro em que se apresenta nossa atual sociedade, esta busca desenfreada pelo suprimento material, o convívio com muitas pessoas de diversas energias impregnadas de alta ansiedade nos faz agir, de vez em quando, de um jeito num momento e de outro jeito num outro momento. O importante é realmente saber nossos limites e claro, procurar melhorar nossa saúde física e mental para a manutenção do equilíbrio interior. Lembrando que a elegância em nossas ações é a ferramenta mais poderosa que existe, pois ela permite que nossas ações sejam vistas por nós mesmos e pelos que estão ao nosso redor como verdadeiramente pessoas de bem. Manter as emoções em equilíbrio depende de nossas escolhas, nós é quem escolhemos ficar nervosos ou calmos, tristes ou alegres. A propósito, minha aluna era bipolar sim, mas não enfatizei isso nela. Apenas a fiz sentir que todos somos iguais dependendo do momento e isso a fortaleceu. Atualmente a mesma não precisa mais de internações. Podemos fazer a diferença na vida das pessoas e para nós mesmos mediante um simples gesto de humildade. Mais do que diplomas, títulos, o que nos realiza mesmo é amar as pessoas e amar a si próprio... e xô para as doenças!!!

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  2. Acredito muito que, não só a bipolaridade, como depressão e demais doenças, infelizmente, estão sendo bastante usadas como subterfúgios e alternativas para muitas pessoas saírem da realidade insatisfeita que estão vivendo.
    No entanto, acredito também que terapia melhor seja a motivação e, em contrapartida, a humildade (referida no comentário acima), em que as pessoas possam contar com apoio, mas também reconhecer suas fraquezas e necessidades.
    Na minha opinião, só a partir do reconhecimento dos pontos fracos é que podemos obter forças para continuar, superar limites e atingir o imaginável.

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