quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Uma boa referência do antigo patrão

Dizem os pedagogos que, quando a gente é criança, não consegue enxergar que existe futuro. Um pouco mais tarde, pensar no futuro é preocupar-se com a prova da semana que vem. Na adolescência, futuro é a faculdade que a gente quer entrar e no início da idade adulta, pensamos apenas no próximo trabalho. Pensar no futuro como “tudo aquilo que está por vir” é uma característica mais comum das pessoas com alguma experiência de perdas, coisa que somente acontece com a idade.

A definição da palavra “maturidade” vem justamente disso: quanto alguém consegue imaginar as conseqüências que suas atitudes atuais poderão causar. Assim como um enxadrista poderia prever algo além da próxima jogada, o ser humano educado e civilizado teria o recurso de prever as conseqüências de suas relações. Falar é fácil, mas seguir essa dica quando temos pouca idade não é tão fácil assim, basta ver a quantidade de ações inconsequentes que já tivemos nos nossos anos anteriores. Tudo isso acontece porque o estado de evolução do ser humano passa pelo ato de descobrir.

Por outro lado, aos quarenta anos as pessoas costumam repetir aquela velha e conhecida frase: “Ah se eu pudesse voltar aos dezoito anos”... e até aí, embora impossível, faz todo o sentido que queiramos voltar. Mas o complemento costumeiro, ou seja, o pedaço de frase que comumente vem logo a seguir é que inicia toda a contradição que estou tentando narrar: “mas com a experiência que eu tenho hoje”... Então a frase completa fica assim: “Ah, se eu pudesse voltar aos meus dezoito anos, mas com a experiência que eu tenho hoje, faria um monte de coisas de forma diferente”.

Vou contar uma situação que eu vivi em 1988: Eu trabalhava numa pequena empresa e, aos 16 anos, pensava com a cabeça de uma pessoa de... 16 anos. Ou seja, preocupado apenas com o meu bem estar momentâneo. Lembro-me que minha gerente me cobrava de algumas atitudes que me irritavam bastante. Não que ela não estivesse com a razão, mas simplesmente suas ordens não batiam com meus interesses pessoais. Ela era a pessoa com quem eu mais conflitava, até que, depois de inúmeras pisadas na bola de minha parte... fui demitido. E quando eu disse que ser demitido era exatamente o que eu queria, ela respondeu com certa ironia, dizendo que por mais que eu pudesse não acreditar, “o mundo é muito pequeno e dá voltas”.

Dezoito anos depois, em 2006, já no meu negócio atual, eu estava negociando o ensino do idioma inglês para uma rede de Concessionárias de Automóveis. A ideia era atender coletivamente seus funcionários, coisa que já estava bem alinhavada após 3 reuniões. Porém, no último encontro, quando fui conhecer a diretora financeira do grupo, deparei-me justamente com a minha ex-gerente. Ela me tratou muito bem, me deu toda atenção necessária e inclusive me acompanhou até o estacionamento. Mas para a minha surpresa (ou nem tanto), o negócio recuou e não foi fechado.

Por outro lado, em 2009, numa reunião de network em Campinas, fui abordado por uma senhora com enorme sorriso, que veio ao meu encontro de mãos estendidas dizendo: “deixe-me ter o prazer de cumprimentá-lo”. Resumindo a história, tratava-se de uma ex-colega de trabalho que ajudei quando eu ainda era repórter fotográfico no jornal. Ao reencontrar-me e conhecer a minha empresa, ela não somente veio estudar, como também trouxe o marido e as duas filhas.

Agir com ética e verdade abrindo mão de alguma suposta vantagem imediata, pode soar como algo desimportante, pois temos a sensação de que nunca mais encontraremos os envolvidos. Nos dias atuais, onde as pessoas fecham bons negócios e conseguem bons empregos através de indicações, uma referência comercial ou profissional do antigo patrão precisa ser muito levada em conta. Não podemos voltar aos 18 anos com a cabeça que adquirirmos depois dos quarenta... mas com apenas um pouquinho de maturidade, os jovens de dezoito anos poderiam ter a sensibilidade de observar a lamentação dos mais velhos para não cometerem os mesmos erros. 

8 comentários:

  1. Aguinaldo , é isso mesmo e você pode acrescentar em seu blog o seguinte ¨dor de barriga não da só uma vez¨ rsr

    Um forte abraço

    Alex

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  2. "Ética é o que você faz quando está todo mundo olhando. O que você faz quando não tem ninguem por perto chama-se caráter." - Anônimo

    Parabéns pela capacidade de se colocar como um simples mortal, como aliás, todos somos...tfa
    Iuras

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  3. Ética, elegância... nosso verdadeiro cartão de visita... sempre! Excelente para os outros setores da vida também: família, amizades. Grande abraço.

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  4. Parabens Aguinaldo.

    Adorei; nota 10

    Abraço


    Pedro Luiz Infanger -

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  5. Sempre instrutivos teus artigos. Parabéns meu irmão.
    abraço

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  6. Aguinaldo, obrigado por compartilhar.
    De fato se pudêssemos voltar aos 18, muitas coisas seriam diferentes, mas provavelmente teríamos anteciapdo muitas lições, que fazrm parte da evolução do ser.

    Nosso papel é educar os nossos filhos e mostrar através de exemplos, como construimos relacionamentos.

    Abraços.

    Eduardo Collinett

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