domingo, 2 de dezembro de 2012

Em tempos de bonança, bom ambiente de trabalho vale como bônus


Conversando com um colega, gerente de restaurante, este me relatava o caso de um de seus garçons que havia trocado de emprego por uma diferença salarial de menos de R$ 100,00. Indignado, o gerente dizia que não se conformava em ver o seu antigo funcionário, aquele que ele cuidou e ensinou, trabalhando no comércio em frente e, de vez em quando soltando alguns sorrisinhos de “canto de boca”, como querendo dizer que está melhor agora. Ainda segundo ele, a indignação é maior porque o rapaz nem se quer levou em consideração tudo o que já foi proporcionado para ele nos 5 anos em que estiveram juntos.

Ao ouvir esta história, me lembrei do caso recente do jogador de futebol PH Ganso, que deixou o Santos Futebol Clube para jogar no rival São Paulo. Ganso passou cerca de um ano negociando com o seu antigo clube as condições de trabalho, salário, carreira e, mesmo tendo ofertas que poderiam ser consideradas boas, resolveu sair. Sua ida para o Morumbi supostamente teve muito mais relação com o ambiente que este vivia do que com as condições financeiras ou ferramentas de trabalho, tanto que deixou isso claro em alguns momentos. E assim como ele saiu por uma proposta salarial não muito diferente, o seu colega de Clube Neymar permanece atuando feliz mesmo tendo propostas salariais bem maiores de times ingleses e espanhóis, certamente por serem pessoas diferentes.

Explicar a similaridade entre o caso dos dois jogadores de futebol e do garçom não é muito difícil e nem exige pensar tanto assim, basta apenas que entendamos que não é somente o valor do salário pago que faz uma pessoa trocar de trabalho. O ambiente profissional, a amizade com os colegas de equipe e o grau de segurança e confiança que enxerga nos chefes e patrões pode ter um peso muito maior do que o do holerite. É obvio também que quando a diferença salarial é muito grande, o profissional tende a ser seduzido pelo dinheiro, o que de alguma maneira não está errado, mas em casos de diferenças menores, o bom ambiente de trabalho e expectativa de crescimento fazem o balanço final.

O ambiente de trabalho proporciona um prejuízo ou dividendo especial para o trabalhador, coisa que este somente sente quando sai da empresa e vai pra casa: a felicidade. É muito comum que as pessoas que se “estressam” no trabalho descontem este sentimento em seus amigos e familiares, assim como também é comum que os profissionais realizados transmitam aos seus a mesma honra de fazerem parte daquele time. Se o cidadão passa as horas de folga em paz com a família, certamente terá mais vínculos com aquela que proporciona tais condições, enquanto que outros, ao chegarem no lar, declaram abertamente que trocariam de trabalho mesmo que fosse para terem a mesma remuneração.

Ao meu colega do restaurante, eu sugeriria que observasse o clima que foi criado entre as pessoas na empresa e avaliasse se o que a sua empresa proporciona é competitivo em relação ao que oferecem os outros. Mesmo considerando que, em alguns casos, o funcionário troca uma empresa pela outra e quando chega no emprego novo encontra situações iguais ou piores, ainda assim ele arrisca porque o primeiro sentimento que tem é o de demonstrar sua indignação com alguma coisa, de sair e deixar de se submeter ao que vinha vivendo... o sorriso maroto antes narrado é a prova disso. Em tempos de bonança e grande oferta de empregos, com o mercado de salários em equilíbrio como vemos atualmente, o bom ambiente de trabalho vale como bônus e talvez tenha sido isso que fez o Neymar ficar... ou o PH Ganso sair.

4 comentários:

  1. Agnaldo,
    Seu texto é simplesmente fabuloso. Fico surpreso, pois te conheci na Mnemo a 15 anoss atras e você era uma pessoa comum, as vezes até distante. Ao ler seu blog e conversar com pessoas que mantem contato contigo, fiquei sabendo de sua evolução e suas conquistas, além do quanto é querido pelos seus. Parabéns! José Ricardo

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  2. Aguinaldo, adorei o conteúdo e a forma de expressão. Parabéns e Gratidão!

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  3. Parabéns, Aguinaldo, por despertar nas pessoas a importância do ambiente de trabalho no comportamento dos colaboradores. É fato. As pessoas, atualmente, estão mais sensíveis e exigentes com relação a melhora da qualidade de vida envolvendo valores morais paralelos aos materiais. Hoje os dois podem caminhar juntos, não sendo mais estanques, todavia, prevalece a busca da felicidade em primeiro lugar. Seja sempre feliz interiormente e isso se refletirá nos negócios!!!! Sucesso!

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  4. Aguinaldo,
    em tempos de ambiente de trabalho igualitário, o clima na empresa, sem dúvida, é primordial para quem sai ou quem fica. Já citei o mesmo caso do Ganso e do Neymar em alguns papos que tive com pessoas que vieram se queixar destas 'traições' comigo. Apesar de passar longe de mim ser santista, acho que o meio corporativo é saudável por nos deixar desprovidos de qualquer tipo de preconceito para avaliarmos situações de forma racional. Portanto, seu exemplo foi bem claro.
    Times e torcidas à parte, administrar pessoas é uma tarefa árdua, pois o que é bom para um nem sempre é bom para outro.
    Neste caso, devemos tratar cada caso dentro do seu próprio contexto, sem esquecer os objetivos da empresa: o que ela quer, qual perfil de funcionário desejado e o que fazer para reter esse talento. Afinal, não é fácil topar com empregado que você vê que está ali só esperando o dia 5 (ou 30). Por outro lado, é ruim participar de uma equipe que se vê obrigada a trabalhar sempre mais se utilizando de cada vez menos recursos providos pelo empregador.
    Como podemos perceber, ser empresário empreendedor é tão complicado quando ser um simples empregado que só espera o dele no final do mês e troca um emprego por míseros 100 'real' (sic).
    Quando conseguirmos equalizar toda esta questão, poderemos criar um mundo e um ambiente melhor seja para quem empreende e emprega, seja para quem trabalha e recebe.
    Será que estamos muito longe disso?
    É isso.

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