quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Linguagens Corporativas...

Num dia desses, ao ouvir a conversa entre dois jovens colegas de trabalho, me coloquei a pensar se eles imaginam o sentido de cada uma das frases por eles utilizadas. Entendam que papo maluco:

- Vai na festa da firma, hoje?
- É hoje? Nem tinha caído minha ficha...
- Lógico que é hoje, não vai queimar o filme com o patrão!
- Beleza! Tô lá mais tarde, ainda mais que é na faixa.
- Lógico, mano! Hoje vai ser nóis na fita!
- No fim da tarde, você bate um fio pra nós combinarmos.
- Não tenho seu fone, me passa o numero...
- Anota aí: é 9542-8866.
- Vou discar aí, mas nem atende. É só pra você gravar.
- Mas é certeza que você vai também? Não vai ficar vendo o jogo do seu time?
- Não, fica frio, depois eu vejo o tape.
- Os caras não falam de outra coisa, a não ser da festa...
- Pois é, parece que não vira o disco, meu!
- Falou aí, então! Já ta na minha caderneta...
- Falou! Té mais tarde!

Agora vamos avaliar se eles sabem a origem da gírias que eles mesmos usam:

Cair a ficha: Até a década de 80, antes de existirem celulares, os “orelhões” estavam espalhados pela cidade. Precedente ainda do sistema de cartões magnéticos, os telefones públicos eram habilitados por fichas telefônicas, um pequeno objeto metálico parecido com uma moeda. Quando alguém fazia uma ligação, colocava uma ficha a máquina e quando o outro atendia, a ficha caída para dentro do equipamento, dando origem à expressão “cair a ficha” sempre que a comunicação era estabelecida. Não existem mais telefones que usam fichas.

Queimar o filme: Também há pouco tempo atrás, as câmeras fotográficas usavam um sistema de filmes, que precisavam ser revelados quimicamente e não podiam ser expostos a luz. Quando um fotógrafo amador retirava o filme da câmera, este corria grande risco de deixá-lo exposto na claridade e velá-lo (ou queimá-lo) e, conseqüentemente, inutilizá-lo, queimando as imagens nele contidas. Então, queimar o filme significa perder qualquer tipo de moral com alguém, ou queimar sua imagem. Não se fotografa mais com filmes depois da popularização das imagens digitais.

Na faixa: Era uma forma de obter benefícios, utilizada por praticantes de artes marciais, que ao exibirem sua faixa preta, não precisavam mais pagar por determinados serviços na comunidade, como entrada em eventos e o direito de consumir bebidas. Assim a expressão ganhou o mundo. Hoje não se faz mais questão da faixa para que alguém possa receber favores.

Na fita: A expressão ‘’é nóis na fita”, independente da conjugação incorreta, fazia referência as antigas fitas de VHS, com as quais eram gravados vídeos amadores. Estar na fita significava que estava em evidência, aparecendo no vídeo. Obs: Quase não se grava mais filmes em vídeo.

Bater um fio: Também relacionado ao tempo em que não existiam telefones móveis e nem redes wireless, quando a maioria das comunicações eram feitas via cabo. Poucos jovens e adolescentes se comunicam ainda por telefones com fio.

Discar: Os telefones antigos eram fabricados com sistema de manivela, onde a quantidade de giros da mesma, obedecendo determinado intervalo, correspondia ao número a ser chamado. Depois de um tempo, a manivela foi substituída pelo disco, que trazia os 10 algarismos e o usuário simplesmente girava o disco desde o número acionado até a trava, dando origem ao verbo “discar”. Quase não existem mais telefones com sistema de discos.

Tape: Nada mais é do que o termo em inglês que corresponde a uma fita. Na época em que surgiram as TVs, toda a programação era ao vivo. Ao longo dos anos, foi inventado o sistema de gravação de imagens, que permitia que um evento fosse transmitido em forma de vídeo-tape, dando origem a esta forma de se referir a algo que é retransmitido pelas TV em forma de repetição. Hoje não se usa mais fitas para esse fim, mas sim as gravações digitais. 

Virar o disco: Até a década de 80, os discos de vinil eram a melhor mídia existente para se armazenar músicas em ambiente doméstico. Os discos tinham cerca de 30 cm de raio e possuia microssulcos ou ranhuras que, com o contato de uma agulha sensível ao toque, reproduzia de forma mecânica os sons, que eram imediatamente ampliados por um sistema eletrônico. Devido a sua sensibilidade, qualquer risco fazia a agulha pular seu curso normal, o que era conhecido como “disco enguiçado” e gerou a expressão usada para se referir a alguém que diz sempre a mesma coisa. Quando a agulha percorria todo o caminho do espiral, o usuário virava o disco, para que fosse tocado o outro lado, geralmente com outras músicas, dando origem a manifestação “vira o disco” para os que são muito repetitivos. Hoje os discos de vinil servem apenas para colecionadores.

Caderneta: Numa época onde não existiam computadores e nem comandas eletrônicas, a caderneta fazia estas funções. A maioria dos comércios de bairro ou de pequenas cidades usavam este recurso para anotar as compras dos clientes que, pagavam no final do mês. Com o tempo, elas foram substituídas por notebooks e tablets, ou mesmo por complexos softweres comerciais. Poucos estabelecimentos familiares ainda usam a caderneta.

E você? Usa expressões antigas sem saber de onde elas surgiram? Não se preocupe... todos fazemos isso.

Mas agora, ao menos, já caiu a ficha!

2 comentários:

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