sábado, 15 de dezembro de 2012

O meu "Anjo da Guarda" se disfarçou de Velhinha.


Tudo aconteceu quando eu estava prestes a completar 21 anos. Até então eu era Repórter Fotográfico de um Jornal da Região, mas como havia acompanhado um movimento de greve, acabei demitido. Já havia mais de 8 meses que eu não tinha trabalho e apenas fazia alguns servicinhos aqui ou ali para ganhar uns trocados. Confesso que já me sentia um tanto inútil e minha auto-estima estava enfraquecida.

Vi um anúncio no jornal no domingo e a curiosidade venceu o medo que eu tinha de coisas novas. Na segunda-feira logo cedo eu fui até o local indicado e fiquei do outro lado da avenida observando o ambiente. Percebi que era uma escola de inglês, o que me agradou, mas tinha um monte de gente de gravata, entrando e saindo. Gravata era uma coisa que eu não estava habituado a usar e nem muito disposto a me habituar. Fiquei na dúvida se entrava ou não, mas já que estava lá, resolvi me apresentar. Uma recepcionista motivada me atendeu e pediu para eu preencher uma ficha curriculum. Aguardei por vários minutos e fui atendido por uma mulher muito bem vestida e posicionada que, embora tivesse reclamado da forma com que eu estava vestido, me selecionou para um tal “processo seletivo” que se iniciaria no dia seguinte, mas já avisando que eu precisaria usar traje social.

Acordei cedo na terça-feira e fui até a casa de um primo pedir roupas emprestadas. Embora ele tivesse uma infinidade de gravatas, eu escolhi uma de crochê (ridícula). Peguei uma camisa e um sapato e me dirigi até o local do treinamento. Na verdade eu achava que estava ótimo, afinal nem sabia pra que essa "frescura" de usar gravata já no treinamento. Os dias se passaram, alguns colegas desistiam, outros eram cortados e eu permanecia lá, com minha gravatinha feia, mas firme num treinamento que buscava contratar pessoas para a área comercial da empresa. No grupo, os candidatos éramos eu e mais 8 pessoas, mas somente 4 de nós chegamos ao último dia (eu, Patrícia, Cristiane e Inês).

Na sexta-feira a tarde houve a dinâmica final e o desafio foi algo bem diferente (somente fui ver coisas parecidas no programa “O Aprendiz”, com o Justus). Deram-nos a meta de fazer 20 pesquisas abordando pessoas na rua ou fazer de cara 1 matrícula para o curso, isso até às 8 horas da segunda-feira. Como eu não tinha mais dinheiro, fui para a minha casa a pé e pensando numa distante solução. Eu já tinha feito pesquisas quando trabalhava no jornal, por isso optei por elas e no sábado de manhã me dirigi até o Centro da cidade para abordar as pessoas. No caminho, porém, encontrei um amigo de colégio, um cara muito folgado e sarrista, chamado Marcio B... Jr. Ele me perguntou pra que era aquela pasta e eu desconversei, pois tive vergonha de falar que estava fazendo pesquisa na rua. Me livrei dele rapidamente e continuei caminhando... até que duas horas se passaram e eu ainda não tinha tido coragem para fazer nem a primeira pesquisa. Me senti totalmente travado e envergonhado, vendo as pessoas passarem e desviarem da minha abordagem.

Neste momento eu desisti. Tomei a decisão de que aquilo não era para mim, portanto eu iria entregar minha pasta. Fui caminhando em direção a escola, me sentindo um otário, afinal "Que desculpa eu daria?". Eu queria, ao menos ter feito uma pesquisa para dizer que não era por falta de conseguir que eu estava desistindo. Foi quando encontrei mais um amigo, o Marcel. Como ele era um cara mais legal que o outro, pedi que me respondesse a pesquisa, o que ele concordou em fazer. Foi aí que meu "anjo da guarda" fez a parte dele...

Uma senhora de mais de 60 anos, baixinha e toda bem vestida se aproximou e me perguntou: "Moço, você está fazendo aquela pesquisa da escola de inglês?" Senti vontade dizer que não, mas como o Marcel estava ali comigo, no pude mentir. Confirmei e ela reclamou que havia sido pesquisada já havia alguns dias e ninguém tinha entrado em contato para falar do curso. Imediatamente eu parei a pesquisa com meu amigo, pedi que ele aguardasse um pouquinho, peguei outra folha, me virei para a velhinha e conversei com ela, voltando somente depois ao Marcel. Esta senhora, que eu não me lembro o nome, não tinha telefone (coisa comum em 1993). Sendo assim, marquei uma entrevista com ela, em sua casa, na terça-feira seguinte.

Como eu tinha essa entrevista marcada, isso me motivou e eu não entreguei a pasta. Domingo fui para a casa de minha namorada e a entrevistei. Ela foi aprovada, queria fazer o curso, mas só teria o pagamento inicial na segunda-feira pela manhã. Mas me emprestou R$ 10,00 para eu ir "trabalhar" no dia seguinte.

Na reunião da segunda-feira, às 8 horas, eu passei vergonha, pois não tinha a matrícula e nem a quantidade mínima de pesquisas. Para piorar, as 3 meninas que treinaram junto comigo haviam matriculado amigos e passaram toda a reunião me zoando a cabeça, dizendo que o lado feminino da equipe era superior. Eu saí dalí muito irritado e, me sentindo desafiado, fui até a casa da minha namorada buscar o pagamento combinado pela sua matrícula. Com o cheque na mão, voltei para a empresa e "esfreguei na cara" de todo mundo, dizendo que ali existia um cara macho, de fibra e que não perderia para 3 meninas bonitinhas. Durante o resto do dia fiquei aprendendo a marcar entrevistas por telefone. Agendei com uma senhora para o mesmo dia, às 9 da noite, com o Marcel (da pesquisa) para o dia seguinte às 10 horas e, já tinha a da velhinha, às 14 horas, também da terça.

Fui para a entrevista da noite e virei mais uma. No dia seguinte eu era quem zoava a cabeça do lado cor-de-rosa da sala, pois agora tinha 2 matriculas enquanto cada uma delas permanecia com uma só. Fechei outra com o Marcel e mais uma com um amigo dele (Jorge) que estava junto. Eu sabia que a velhinha seria matriculada e, depois do almoço já me dirigi até a casa dela com a certeza de mais um sucesso. Ao chegar, descobri que o endereço não existia... Voltei intrigado, afinal, como aquela "velha coroca" poderia ter me passado endereço errado? Com que objetivo alguém faria isso?  

Fiquei meio desmotivado com isso e passei a quarta-feira em branco. Mas aí veio a reunião da quinta e nesse dia virei mais duas. No sábado, matriculei outro amigo meu (Rui) juntamente com sua irmã e sua namorada. No domingo ainda virei mais uma na única entrevista que eu tinha. Terminei a semana com 10 matrículas (faltou 1 para eu ser o recordista de primeira semana naquela regional) e 5 meses depois eu me tornaria gerente, com direito salário maior, fazer cursos, contratar e treinar pessoas. No primeiro treinamento que eu ministrei, contei essa história. Um dos participantes me disse algo que até então eu nem tinha pensado: "a velhinha era seu anjo da guarda, disfarçado, que te impediu de desistir" - disse ele. E de fato foi, pois a carreira que desenvolvi depois disso hoje já dura 19 anos.

A propósito, este rapaz que fez essa observação se chamava Evandro e foi o primeiro cara do meu primeiro treinamento a matricular. Querem saber qual o nome do aluno da primeira matricula do Evandro? Marcio B... Jr (o amigo folgado que eu citei no início desta história). Pois é! Se eu não tivesse sido besta, poderia ter feito as 11 matrículas na minha primeira semana.

11 comentários:

  1. Sinclair Nascimento15 de dezembro de 2012 09:47

    Aguinaldo
    acompanhando seu blog a gente percebe que vocês tem uma linhagem de anjos da guarda, pois são comuns a historias de apoio, superação e ensinamentos dos mais experientes. Li recentemente a estoria do seu gerente Walter Vieira que lhe disse que poderia ser um grande executivo e fiquei emocionado. hoje fico novamente emocionasdo em notar que sua carreira não foi arranjada e que você é uma pessoa normal, que vibra e tem dificuldades como todos nós. Eu nunca me imaginei fazendo pesqueisa na rua porque estudei e acho que não me proporia a isso, mas lendo esse texto, começo a pensar que faz parte da vida do executivo, como citou o Roberto Justus e o Aprendiz. Parabéns pelo texot eu gostei muito mesmo.

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  2. Rosimari Bernardino15 de dezembro de 2012 09:57

    Pois é Agunaldo Oliveira, como muitas vezes nossa mente está concentrada noutras coisas que nos impedem de enxergar as oportunidades que estão a passar em nossa frente !
    Porém, temos um Deus sublime e inigualável que sabe de nossas deficiências e nos dá uma nova oportunidade. .. a de aprender; que nos coloca em nossos caminhos pessoas que num determinado momento as apilidamos de anjos. Né anjo Aguinaldo ??? Kkkkkk

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  3. Aguinaldo,

    Vc me supreende cada vez mais, acho sua historia de vida muuuuuuito bonita, uma sugestão....seu inicio como empreendedor e fantastico, vc e Guerreiro, 2013 vai ser o nosso ano!Nossas historias sao semelhantes, precisamos sempre lembrar do nosso passado, isso e um baita gas motivacional!!Parabens mais uma vez!!!

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  4. Aguinaldo,

    Vc me supreende cada vez mais, acho sua historia de vida muuuuuuito bonita, o tanto que vc e Guerreiro, uma sugestão, sua historia como empreendedor e fantastica, vc deve compartilhar,2013 vai ser o nosso ano!Nossas historias sao semelhantes, precisamos sempre lembrar do nosso passado,isso e um baita gas motivacional!!!!Parabens mais uma vez!!!

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  5. Mto show Aguinaldo..!!
    E é justamente por causa dessa e de muitas outras histórias que aos poucos estou escrevendo a minha também, e assim como o protagonista do fato narrado é um dos meus anjos, aprendi que volta e meia nós também temos que fazer papel de anjo, é a corrente do bem!!
    Muito motivante a história...
    Uptime é uma empresa feita com as mãos de Deus...
    E é repleta de guerreiros como o Guina e Marcellão!
    Sou muito feliz e honrado de fazer parte desse time!

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  6. Deborah Borges Palis15 de dezembro de 2012 20:27

    Eu me lembro q ri mto da gravata de crochê! hahahaha Mas tbm lembro que em várias partes dessa história cômica (se não fosse, seria trágica) me vi em algumas situações parecidas e na época em que ouvi vc contando, percebi q eu não era a única a passar por provações, q seriam minha vitória futura. E assim foi! Com exemplos, dedicação e força de vontade, minha história se baseou na sua e hj posso dizer q mto aprendi e venci tbm! Obrigada por tudo (até agora, né!) rsrs

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  7. E como lembro amigo..... vitorioso não é aquele que não encontra derrotas, mas aquele que se levanta a cada uma delas. Um forte abraço!!!

    Marcos Stefani (VIA FACEBOOK)

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  8. Em me lembro tb...muito...podia ter me marcado tb rss
    Italo (via Facebook)

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  9. Sim, tive a honra de ouvir você contando essa estoria pessoalmente. E por isso e muito mais que tenho cada dia mais certeza que Deus reservou um destino lindo para nós da UpTime

    Haifa Jamil Ghannoum (via Facebook)

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  10. Me lembro de muita coisa! Principalmente do seu brilho no olhar. Me transmitia força de vontade, pureza, uma certa ingenuidade e acima de tudo um grande sonho. Talvez naquela época você não imaginava tudo que faria ou conquistaria. Parabéns pelo que fez até aqui. Conste-nos mais! rss

    Debora Costalonga (via Facebook)

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  11. Bela história,lindamente contada!

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