quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Será que ele merece ganhar tanto?



Quem já não teve ao menos um pouquinho de inveja dos salários das celebridades? Quem nunca ficou indignado em saber que o astro do futebol ou o galã da novela recebe por mês aquilo que um trabalhador comum levaria a vida inteira para juntar? E sempre se pergunta: é justo esse cara ganhar o que ele ganha pra trabalhar se divertindo enquanto eu fico aqui camelando pra receber uns trocados? Antes de qualquer resposta, vale algumas reflexões.

No século XX, a população operária sempre teve dificuldades de entender arte como trabalho, isso porque foi um século que começou em meio à resistência de alguns ao fim da escravatura e, por outro lado, com a revolução cultural promovida pela Semana de Arte Moderna, em 1922. Naquele tempo, havia a sensação de alguns que arte não era trabalho, mas sim diversão remunerada. Isso acontecia porque as pessoas decifravam esta palavra por sua definição física, ou seja, como uma medida da “energia que é transferida pela aplicação da força, visando o deslocamento de algo”. Entretanto, quando pesquisamos seu significado pelo ponto de vista social, concluímos que é qualquer coisa honesta, capaz de gerar algum tipo de “energia que desloque a economia em benefício coletivo”.

Daí por diante podemos já começar a pensar que, se o ator da novela é capaz de deslocar milhares de pessoas para a frente da televisão num determinado horário e que, sua empregadora consegue vender cotas de patrocínio que, para ela geram receita... é justo que repasse parte deste lucro para manter seu funcionário fidelizado. Se o jogador de futebol atrai torcedores ao estádio, os influencia a comprarem camisas do time, a acompanharem noticiários e consumirem a publicidade inserida nos veículos de comunicação envolvidos, é natural que este seja remunerado de forma diferente que os outros que não tem a mesma repercussão. O problema é que alguns medem o valor de um atleta pelo quanto ele joga bem, enquanto que o salário normalmente é calculado pelo quando ele rende ao clube.

Explicando melhor: quando uma empresa convencional abre uma vaga para assistente administrativo e pede curriculuns com pretensão salarial, receberá diversos pedidos distintos. Enquanto alguns pedirão algo muito próximo da base, outros se manifestarão com valores bem acima do normal. Uns querem ser chamados para a entrevista e não gostariam de correr o risco de serem cortados por pretensões altas enquanto outros entendem que pedidas baixas o desvalorizariam, fazendo inclusive que sejam deixados para trás. Os métodos de calcular a intenção de ganho que poderiam ser ainda mais distintos, na maioria das vezes assume um critério meramente doméstico: o candidato soma suas contas do mês e estabelece isso como pretensão salarial.

Se o candidato quer ser competitivo, precisa basear-se em outros fatores e não em sua simples vontade para definir tais planos. O salário ou remuneração de um profissional tem seu cálculo muito mais baseado na lei da escassez do que naquilo que ele “acha” que vale. A lei da oferta e da procura é quem realmente define quem merece ganhar mais ou não (isso vale apenas para as empresas privadas, já que empresas públicas tem legislação trabalhista diferente). Se há no mercado ofertas de emprego DISPONÍVEIS com salário mais alto, então você poderia sim pedir um valor maior. Mas se não há ninguém te oferecendo nada melhor, isso significa que você deve buscar nivelamento, ao menos por enquanto... ou oferecer um diferencial profissional que justifique a pedida. A existência de pessoas com remunerações melhores do que a sua não significa que alguém estará disposto a te pagar isso também, pois depende de avaliar o que o outro faz de diferente para merecer aquilo. Ele deve fazer algo, ainda que seja no marketing pessoal.

Ao entender que, para merecer um determinado salário, o profissional precisa gerar para a sua organização o suficiente para que ela o pague e ainda tenha lucro, este facilita as coisas. Muitas vezes a empresa tem bastante lucro, mas aquele funcionário em si gera muito pouco, porque ainda está aprendendo. Existem duas formas de gerar lucro para a empresa e se tornar um profissional importante: A primeira é de forma direta, que pode ser vendendo seu produto ou operando a área técnica de forma diferenciada (algo que outros não saibam fazer tão bem). A segunda é de forma indireta, dando suporte aos demais a ponto de seu trabalho facilitar a vida dos que geram lucro direto.

No caso dos maiores salários do mundo, basta avaliar o quanto eles geram de lucro para suas organizações. E podem ter certeza que estas organizações avaliam.

2 comentários:

  1. Excelente texto!
    Já ouvi bastantes comentários sobre isso, normalmente infundados, tais como: "Fulano ganha mais do que eu, só porque está aqui a mais tempo", "O jogador tal tem que fazer gol, afinal, olha o tanto que ele ganha só pra isso", "Olha lá tal artista, ele vai ter que tirar uma foto comigo, ele ganha um dinheirão e não vai poder fazer essa caridade?". A relação salário x trabalho é muitas vezes distorcida.
    Parabéns pela crônica e pelo blog, e obrigada por compartilhar seu conhecimento conosco!

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  2. Iússef Zaiden Filho20 de dezembro de 2012 12:26

    Gostei do artigo que está no link e mostra exatamente o que penso. O novo paradigma que esse século nos traz é que agora somos todos empresas, não existe emprego, pois as empresas querem pessoas que as ajude conseguir sua metas, pois o resultado é sempre a lucratividade. Se eu sei fazer isso, com certeza também terei lucro.
    Perfeito.

    Iússef Zaiden Filho (via facebook)

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