terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sem desafios não tem graça!



Sem desafios, a vida não tem graça... A gente fala isso quando está tudo bem e depois se arrepende amargamente quando aparece algum abacaxi pra descascar. Mas do ponto de vista filosófico, uma vida sem nenhum stress seria exatamente assim... sem graça! Já dizia Sócrates, há 400 anos a.C., que "uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida"...

Com os bordões e os rejeitos de Mario Sérgio Cortella, eu diria: -Olha que coisa impactante!!! Inclusive, num dia desses eu voltava pra casa dirigindo e conversando com minha esposa sobre as pessoas que procuram sofrimento, que buscam problemas para se envolverem e depois ficam se lamentando pela confusão em que se meteram. E nós concluímos que a vida sem desafios seria mesmo muito chata! Imaginem uma vida sem competitividade, sem horários e metas a serem cumpridas... certamente seria uma vida também com menos soluções, porque as soluções somente são pensadas pelos inventores diante de uma demanda de necessidade. A maioria das tecnologias existentes hoje foram criadas como tecnologias de guerra, como por exemplo o câmbio 4X4 e o telefone via satélite. 

Uma das grandes provas de que o ser humano foi feito para enfrentar desafios é que, depois de uma determinada idade, nosso médico nos manda praticar exercícios físicos. Ele nos manda caminhar e a gente reluta, reluta e acaba descobrindo que não tem outra solução a não ser obedecer. Nós precisamos de desafios para mantermos o nosso próprio corpo funcionando, precisamos nos desafiar a levantar um peso que não nos trará nenhum tipo de benefício (a não ser aquele criado pelo próprio corpo). Precisamos correr numa esteira elétrica para podermos bombar o sangue através do coração...

Existe coisa mais estúpida que correr sem sair do lugar ou pedalar uma bicicleta parafusada no chão? Cada vez que faço isso, me sinto literalmente aquele cachorrinho correndo atrás do próprio rabo... mas é o "desafio sintético"... e tem que ser feito, pois sem essa suposta estupidez a gente morre! O desafio da força, quem sabe só poderia ser comparado ao desafio do amor, onde a gente quer sempre o MAIOR desafio: a mulher mais bonita, mais cobiçada, as vezes até a mais prepotente... exatamente essa passa a ser a nossa meta, porque é a que nos causa a sensação de ter vencido a lei da escassez e, consequentemente de vitória ao ser conquistada. Muitos, ainda dizem que as pessoas tendem a se apaixonarem por pessoas complicadas (segundo a escritora Clô Guilhermino, isso acontece porque 95% das pessoas disponíveis são complicadas) e a gente percebe que muitos relacionamentos se acabam simplesmente porque os casais não fazem mais nada, ou seja, "nem brigam mais", não há desafios a serem enfrentados em conjunto...

Países bem desenvolvidos, onde a organização social chega a índices invejáveis, acabam sofrendo justamente pela sua competência: a falta de problemas para a população. O índice de suicídios e envolvimento com drogas em comunidades ricas e pacatas é comparável ao das comunidades mais pobres e violentas, daí a origem dos famosos "rebeldes sem causa". A raiva (ainda que da monotonia) é um combustível tão forte para o nosso ser quanto o amor seria. A diferença entre eles é que a raiva é um combustível sujo, que embora tenha um alto poder de octanagem, destrói o motor do ser humano e o amor, por sua vez, é mais suave e que nos faz avançar com velocidade mais reduzida, porém por maiores distâncias. 

Podemos concluir, então, que a melhor maneira de vivermos em harmonia com nosso corpo e mente seja aquela que usam os militares no Brasil. Eles estão sempre em exercícios, mas como nosso país não tem tradição de participar de guerras, os nossos militares acabam por não ir de fato aos campos. Devemos fazer o mesmo conosco: nos mantermos em constantes exercícios, mas torcendo para não ser necessário o uso da força e que os abacaxis tão necessários sejam apenas aqueles de "tamanho normal", que a gente possa descascar sem machucar ninguém.

sábado, 21 de setembro de 2013

O que você quer comigo?


Recentemente eu conversava com um amigo, que me contava da saga de sua filha adolescente, com dificuldades de acompanhar a pedida da escola onde estuda. Segundo o relato, a escola exige muito dos alunos porque tem como meta a aprovação destes na melhor universidade do país. Porém, alguns alunos e suas famílias podem não ter este mesmo objetivo. Eu disse a ele que esta, inicialmente, é uma meta comercial da escola... formar o aluno que passa em primeiro lugar no exame tal, na universidade tal... O objetivo da instituição, que posteriormente divulga outdoors com a foto do ex-aluno no momento do “trote”, pode ser válida se o aluno lá ingressou para isso, como é o caso dos alunos dos cursos preparatórios para concursos públicos ou para a OAB, mas seria um tanto exagerada para outros que não intencionam ser o melhor aluno da classe.

E embora a essa altura do texto, alguns já estejam me criticando, vou trazer mais um exemplo: depois de 20 anos trabalhando em escolas de idiomas, percebi que o curso mais renomado, criterioso, com o ensino da gramática bem estudada e fonética perfeita, pode não ser a melhor opção para aquele aluno que apenas quer se comunicar. Nesses casos, o perfeccionismo da escola não converge com o objetivo imediato do aluno, que além de perder anos num curso que não gosta, não criaria competência naquilo que realmente quer fazer. Por isso perguntamos para o futuro aluno sobre suas intenções de uso da língua, para que possamos oferecer a ele algo dentro daquilo que realmente o interessa. É a mesma coisa de um engenheiro que compra um carro sedã de luxo para visitar obras... além de caro, um carro baixo e sofisticado vai estragar com facilidade num ambiente de construções e não vai atender de forma completa o seu dono, pois não terá espaço adequado para transportar ferramentas e materiais.

- Qual é o seu objetivo com isso? Esta mesma pergunta, nós fazemos (ou deveríamos fazer) quando contratamos alguém para trabalhar em nossa empresa. Porém, já por hábito do mercado, o candidato tende a responder o que ele acha que o empresário quer ouvir. E lendo pela terceira vez o livro “O Monge e o Executivo”, de James C. Hunter, me deparei com uma situação curiosa, que me fez perguntar a uma colega o que ela acha da empresa onde ela trabalha. Na sua resposta, ela relatou a satisfação de fazer parte daquele grupo, mas que tinha algumas críticas ao chefe, que em determinados momentos, cobrava resultados e abria mão de pessoas boas simplesmente porque aquelas pessoas não concordavam com ele ou porque não tinham resultados tão expressivos.

Isso abre uma discussão interessante, porque o conceito de boa liderança dessa colega é muito parecido com o que eu tinha antes de ser líder. Eu vivia dizendo que “quando eu fosse gerente não faria as coisas desse jeito” e a minha principal crítica era que as empresas não pensavam nas pessoas, mas somente nos seus resultados. Hoje, depois de ter vivido momentos de prosperidade e de crise, aprendi que uma empresa que tem altos resultados à custa de pessoas infelizes e mal remuneradas, não terá a longevidade para se tornar grande porque não conseguirá mão de obra suficiente para isso, em longo prazo. Mas uma empresa que lucra mal, que tem resultados comerciais ruins e, ainda assim, paga altos salários a quem não consegue render, também acabará por fechar as portas.

Quando ingressamos numa empresa e falamos que queremos crescer e, para isso, temos que nos preparar para receber críticas e cobranças que nos façam mudar. Crescer não é ser a mesma pessoa para sempre... crescer é mudar. Mudar de tamanho, mudar os pensamentos, mudar a forma de encarar os problemas da vida. Isso não tem absolutamente nada a ver com a frase mais repetida pelos adolescentes em tempos de descoberta, que é: “Ser eu mesmo”... O Roberto Shinyashiki sempre diz que cada um de nós é a pessoa que a gente escolhe ser e você pode escolher ser você mesmo de diversas formas. Quem quer ser grande, precisa se adaptar ao comportamento de grandes empresas, aceitando críticas e cobranças. O bom líder não é o que dá tudo aquilo que o liderado quer, pois se assim o for, ele não está sendo líder. Um bom exemplo disso é aquele pai que diz que o seu filho de 3 anos de idade está tão rebelde que o casal já não consegue mais ter vida social... “tão pequenininho e já manda em mim”... 

Quem é líder nessa situação acima, o pai ou o filho? Por isso, sempre que iniciamos uma relação, precisamos perguntar o que a outra parte quer e, a partir daí, decidirmos se estamos dispostos a oferecer aquilo... seja ao se matricular em uma escola, ao aceitar um emprego, ao contratar um funcionário ou receber um novo aluno... assim como deveríamos perguntar também antes de escolhermos alguém para o casamento.

sábado, 29 de junho de 2013

Seja o que Deus quiser!


Tive uma colega de trabalho que “punha tudo nas mãos de Deus”. Não que eu seja contra a fé ou as consultas espirituais, muito pelo contrário até. Eu acredito bastante que muitas coisas que dão errado em nossa vida acontecem para que outras coisas ainda melhores possam dar certo. Sou exemplo disso, me tornei empresário porque a empresa onde eu trabalhava antes foi vendida e se isso não tivesse acontecido, talvez também não tivesse acontecido a minha decisão de empreender.

Mas voltando ao caso da minha colega, ela tinha essa característica tão forte que, simplesmente não conseguia tomar nenhuma decisão em sua vida. Quando fazia um planejamento e enfrentava os primeiros desafios, já desistia, pois pensava que se tinha desafios é porque não era pra ser. E essa história me lembra de uma lenda que conheci em São João Del Rey, uma cidade histórica de Minas Gerais. Lá, há um grande numero de igrejas católicas, que hoje, além de templos religiosos, são também museus. São igrejas de todos os tipos: grandes, pequenas, no alto do morro, na parte baixa... com escadarias enormes...

E a lenda em relação às escadarias é que, na época dos Barões, quando estes casavam suas filhas, era permitido que estas desistissem do casamento até o momento de entrar na igreja, pois uma vez dentro dela, seria um sacrilégio o recuo. De tal forma, sempre que a noiva tinha dúvidas quanto àquela união... ou principalmente quando seu pai tinha esta dúvida, a igreja escolhida era a que tivesse a maior escadaria, pois assim ela teria mais tempo para pensar.

Par mais que a história pareça engraçada, nota-se que até hoje muitas pessoas ainda buscam uma escadaria infinita em suas vidas para terem tempo de tomarem suas decisões e boa parte delas chega ao final da escada ainda sem saber o que querem. Essa falta de rumo, de metas e de estratégias é a principal razão que as fazem fracassar. Enquanto algumas pessoas de fé fazem suas consultas espirituais e têm respostas (que podem ser de incentivo ou recuo), outras simplesmente deixam a vida levar. A fé e as orações são fundamentais para aqueles que pretendem conquistar algo verdadeiro, mas não se deve confundir o significado da frase “deixar nas mãos de Deus” com simplesmente “nada fazer”.

Ao contrário disso, as pessoas mais ousadas invocam também a divindade buscando ajuda, mas aceleram e dizem: “seja o que Deus quiser”. A diferença entre uma frase e outra é que a primeira não age e espera que as coisas aconteçam, enquanto a segunda faz acontecer com a permissão divina. Romper barreiras e superar desafios é importante por princípio. Afinal, quando Deus faz alguma coisa em nossa vida, o faz através da gente. Então, na dúvida, faça o que tem que ser feito e “seja o que Deus quiser”! 

sábado, 1 de junho de 2013

Curta o "CafeCorporativo" no Facebook


O Blog “Crônicas Corporativas” surgiu no ano de 2006, quando tive a ideia de escrever o conteúdo das reuniões comerciais numa plataforma do wordpress. Em 2007, já pegando gosto pela coisa, resolvi fazer algo mais bem planejado, direcionado a um público geral e, com as ferramentas do blogspot, criei este espaço pelo qual vocês me leem aqui. De lá pra cá, várias foram as surpresas positivas que vivi através dessa iniciativa. Foram diversas palestras, aulas, entrevistas, fóruns, etc. Mas um deles tem me parecido mais eficaz.

Sempre me diziam que meus textos eram bons, mas que eram muito longos. E meu argumento dizia que o motivo de escrevê-los era ajudar na condução de equipes profissionais e, por este motivo, fundamentar as teses sempre me parecia importante. Até que no final do ano passado um colega me disse: “faz uma página no facebook, que além de ajudar a divulgar o blog, vai atingir também os que tem preguiça de ler”. A ideia me pareceu muito boa e lá fui eu para o “Café Corporativo”.

Usando uma linguagem figurada, apresentei a page como um espaço virtual, mas com as características de uma cafeteria mesmo. Um local adequado para uma conversa a respeito do trabalho, seja durante o expediente ou nas horas de folga... onde o leitor poderia saborear a verdadeira troca de idéias, às vezes mais suave, às vezes mais intensa. O trabalho foi bem aceito pelos amigos e em poucos dias já havia uma boa quantidade de curtidores.

Trata-se, simplesmente, de um espaço onde eu publico imagens com frases de efeito. Algumas dessas imagens são criadas por mim mesmo, outras, são imagens de domínio publico que se encontra facilmente na internet. As frases são, todas elas, de minha própria autoria ou, quando copiadas de outros autores, vem citando o nome dos mesmos.

Me empolguei um pouquinho mais e resolvi, hoje, convidar os leitores do “Crônicas Corporativas” a acompanharem também o nosso “FaceCafé”. Para tanto, basta que acessem o facebook e cliquem no botão “CURTIR”. Daí pra frente, poderão acompanhar as atualizações diárias. E caso você leitor, queira participar da plantação do café, pode usar seu mouse como enxada e seu teclado como semente. Mas plante grãos nobres, pois nossos consumidores são muito exigentes.

Curta o CAFÉ CORPORATIVO no Facebook pelo endereço www.facebook.com/CafeCorporativo
Compartilhe as mensagens em sua linha do tempo.
Sugira aos seus amigos.

Ainda que indiretamente, você poderá ajudar alguém.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Programa "Ação Positiva"

Olá leitores: No último dia 20/05/2013, tive a honra e oportunidade de participar do Programa "Ação Positiva", apresentado pelos meus amigos Carlos Cunha e Maurício Seriacopi, na Rádio Cidade em Jundiaí. O programa durou cerca de 1 hora e lá eu aprendi muito. Espero que vocês possam ouvir e aprender um pouco também:

- Bloco 1                                     - Bloco 2

Um "baita" Abraço a todos vocês!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Se não puder superar, pelo menos não alimente o trauma


A frase de Caio Fernando de Abreu é: “Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito”. Ouvi essa citação pela primeira vez num dia desses, depois que eu havia passado a manhã inteira numa reunião com a empresa, reclamando de uma dificuldade vivida numa das tarefas que precisei fazer. Depois disso, a reflexão que fiz de meu próprio comportamento foi inevitável.

Até para manter a autoestima, temos a necessidade de justificar rapidamente as nossas metas não atingidas e uma boa justificativa é eleger um culpado. Este pode ser o governo, o patrão, o funcionário, o sindicato, o colega de trabalho, a crise, o calor, o frio ou qualquer outra coisa, pessoa ou circunstância que nos pareça a vítima ideal. Alguém sempre bate em nosso carro, mas se não tiver como por a culpa no outro motorista, então ela cairá sobre a sinalização, sobre a pressa ou mesmo sobre o pedestre que tentou atravessar fora da faixa e nos desconcentrou. E quando nos sentimos prejudicados por isso, falamos disso.

Depois de reclamarmos por algum tempo sobre uma mesma situação, derrubá-la passa a ser uma questão de honra. Essa situação que supostamente nos atrapalha passa a fazer parte de nossa vida com imensa evidência, a ponto de criarmos um tipo de “marcação” contra o tal vilão, que passa a ser o nosso inimigo numero um e todos os dias passamos a reforçar nossa indignação. Reforçamos os motivos de nossas reclamações e isso nos faz sermos cada dia mais vítima delas. Depois de um tempo, tal problema passa a ser nosso pior e mais pesado fardo a carregar.

Já notei líderes em situação de marcação com seus funcionários. Quando isso acontece, é difícil alertá-lo, porque a “cegueira” contagia o cérebro e tudo o que o outro fizer parecerá absurdo. O desenrolar da história normalmente é o desmanche da parceria, mesmo que ambos admitam que juntos pudessem ter resultados bons. As orelhas e os olhos dos "marcadores" ficam tão atentos que qualquer gesto ou palavrinha que puder trazer duplo sentido será, certamente, interpretada pelo pior dos sentidos.

Existem pessoas que reclamam de um problema sem buscar verdadeiramente uma solução. Elas reclamam, mas não tomam nenhuma atitude a respeito, não sugerem solução alguma (a não ser soluções impossíveis) e não aceitam as sugestões de outros. Se você percebe que é um desses, o melhor a fazer é trabalhar com a auto-disciplina... Faz alguns meses eu notei uma grande diferença em uma colega, que de um dia para o outro diminuiu consideravelmente o numero de reclamações diárias que fazia a respeito de um assunto. Curioso, perguntei o que havia acontecido e ela me respondeu: "Estou tentando não falar mais de ninguém". O resultado foi uma pessoa muito mais tranquila e feliz, com um fardo a menos e mais horas diárias de sorriso no rosto. 

Antes de finalizar, é interessante dizer que há também as pessoas que tiveram um trauma no passado e este sempre volta a tona. Ter sido vitima de violência, de um acidente, ter perdido algo ou alguém importante... tudo isso precisa ser superado o quanto antes para que a vida continue. De acordo com as frase escrita por Caio F., em alguns casos em que a superação não seja possível, é importante ao menos que supere-se o vício de colocar constantemente a lembrança a tona, servindo esta, em algumas vezes inclusive, como desculpa.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Fazer o que não quer para conseguir o que quer?

cena do filme "Desafiando Gigantes" (Sony Pictures)

No última oportunidade em que estive com o técnico Bernardinho, ele falou uma frase que era mais ou menos assim: “LIDERAR É CONVENCER PESSOAS A FAZEREM AQUILO QUE ELAS NÃO QUEREM FAZER PARA QUE POSSAM ATINGIR RESULTADOS QUE ELAS QUEREM ATINGIR”.

Não sei se isso é realmente uma constatação tão fantástica assim como eu estou enxergando ou se toma a forma de genialidade por vir da boca dele. Mas o fato é que um cara “mortal” como eu tem mesmo é que aprender com imortais, como ele. Essa frase me faz pensar sobre o paradoxo, afinal as pessoas querem atingir seus sonhos, mas não querem ter o trabalho que precisam ter para tanto. Como já dizia a banda Blitz, “todo mundo que ir para o céu, mas ninguém quer morrer”.

Vejam alguns exemplos: emagrecer sem precisar fazer regime e/ou exercícios; aprender sem ter que estudar; enriquecer sem trabalhar e economizar... Estes são apenas alguns exemplos em que o líder passa por chato, como se estivesse ele somente interessado no seu sucesso como líder e como se o liderado nada recebesse como retorno ou, na maioria dos casos, não fosse simplesmente o maior interessado.

Aí me lembrei de um coaching financeiro que acompanhei recentemente, onde o rapaz que contratou o consultor financeiro insistia em dizer que não abria mão de investir ao menos 10% de seu salário numa espécie de poupança pessoal, mesmo que naquele momento ele estivesse enforcado financeiramente. Numa outra oportunidade vi uma jovem com a conta negativa em R$ 900,00 mesmo tendo na poupança algo em torno de R$ 2.500,00... e ela dizia: “Na minha poupança eu não mexo!”. Não faz sentido deixar dinheiro guardado para render 0,5% ao mês enquanto paga 8% de juros no cheque especial.

Há casos em que um consultor de investimentos nos afirma categoricamente que é preciso guardar dinheiro todos os meses, não importando a situação... Isso faz todo o sentido, pois se não for assim, a gente nunca consegue ter reservas. Afinal, sempre vamos encontrar produtos e serviços que nos interessam para a gente gastar. Porém, precisamos nos atentar que essa dica não é válida quando estamos no negativo, pois em 100% dos casos, o juro que pagamos por uma conta atrasada é maior do que qualquer retorno em qualquer produto bancário.

Para consertar suas finanças, a única solução é a junção de duas regrinhas bobas e básicas: ganhar mais e gastar menos. Aumentar os rendimentos pode tornar-se possível com o incremento de trabalho, seja com mais intensidade para aqueles que tem rendimento variável (comissões, horas extras, etc..) ou adicionando trabalhos extras, como vendas de cosméticos por catálogos ou mesmo os “bicos” de final de semana.

Já para diminuir os gastos, apesar de haver muito mais opções, a tarefa é intensamente mais difícil, pois as pessoas não se convencem tão rapidamente a diminuir a conta do supermercado... mas se atentar-se aos detalhes e cortar os pequenos gastos supérfluos (perfumes, doces, sanduíches, cervejinha do final de semana) e diminuir um pouquinho o padrão de exigência, a economia logo aparece. Nem que seja algo temporário, como se saíssemos de cena por dois ou três meses para que voltarmos muito mais formosos e “ricos”...

Convencer o devedor a fazer isso é uma árdua tarefa... afinal, ninguém quer ficar sem a diversão sagrada. Mas como diz o Bernardinho, é preciso convencer o cara a fazer o que ele não quer (economizar por um tempo) para que ele possa ter o resultado que ele realmente quer (dinheiro).

E agora? Você vai economizar?

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Temos todo o tempo do mundo...



Tenho alguns momentos de nostalgia. Há momentos em que eu fico pensando quão boa foi minha juventude, minha adolescência, minha infância. Mas também há momentos que eu me sinto burro demais por não ter tomado decisões diferentes, aproveitado oportunidades, me lançado em determinadas ações... e a sensação de perda, principalmente de tempo perdido sempre vem à tona.

O filme “Somos tão Jovens”, de Antonio Carlos Fontoura conta a história das bandas de rock de Brasília criadas no início dos anos 80 e, como título, tira uma frase da música da Legião Urbana, “Tempo Perdido”. E da letra dessa música, a conclusão que se tira é que o tempo passado nunca é perdido, mas o futuro pode se perder se não começarmos a agir no presente momento. Parafraseando Renato Russo, quero dizer que todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas eu ainda tenho muito tempo pela frente. Ao contrário do que a maioria pode pensar, o tempo passado não foi perdido. Ainda que hoje achemos que deveríamos ter feito diferente, esse tempo pode ter sido necessário para percebermos isso, para aprendermos. Por outro lado, no futuro (daqui há um minuto), já não temos mais tempo a perder.

Meus caros “tão jovens”: independentemente da idade que possam ter, parem de se lamentar pelo que não fizeram, pelas oportunidades que podem ter perdido, pelas portas fechadas... isso é passado e pouco pode-se fazer para recuperar. Por outro lado, não repitam os erros, pois se repeti-los, então significará que não aprenderam nada... e aí sim este tempo passado terá sido muito inútil e perdido. Olhando para cada uma de nossas cicatrizes, podemos nos lamentar pela dor eterna ou entender que ela “já passou” e que o que ficou foi a experiência. A mesma experiência que nos trouxe maturidade e inteligência para tomar as boas decisões agora, afinal novamente como cantava a Legião, “nosso suor sagrado precisa valer a pena para ser bem mais belo que esse sangue amargo, mas necessário de ser derrubado”.

Aos que discordam de minha afirmação acima, eu pergunto: Acha que perdeu tempo indo a escola todos os dias, desde o jardim da infância até a faculdade ou pós-graduação? Acredita hoje que deveria ter ficado todo esse tempo em casa brincando ou ido para a rua trabalhar com menos idade? Será que se tivesse feito isso estaria hoje melhor do que está? Tenho certeza que não! Assim como as horas que passou na sala de aula foram importantes para construir este cidadão que és hoje, as cabeçadas do passado também foram importantes.

Se Todos os dias antes de dormir eu lembro e esqueço como foi o dia... se ando sempre em frente... preciso também lembrar do aprendizado que tive e esquecer das frustrações. O que tenho visto é que a maioria da molecada que hoje está frustrada e inverteu esses valores. Dão muita atenção aos traumas e pouquíssima ao aprendizado contido neles. 

Trabalhe bastante, afinal, "não temos mais nenhum tempo a perder"... porque somos... tão... jovens. Não se frustre, "porque estamos distantes de tudo" e jamais ache que está tarde para recomeçar alguma coisa, pois "temos nosso próprio tempo". 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como você reage depois de um elogio?

Em vinte anos de profissão, tive em minhas equipes, pessoas de diversos perfis. Num dia desses, eu até brinquei com aquela famosa música do Martinho da Vila e cantei que, como diretor comercial, já tive gerentes de todas as cores, de várias idades, origens, condições financeiras, culturais e sociais, mas que todos eles tiveram suas carreiras transformadas depois de trabalharem intensamente na área comercial. Alguns, porém, deram mais certo do que outros e... a pergunta que sempre fica é: por quê?

Esse pensamento me pegou agora a noite, neste final de feriado do dia do Trabalho, enquanto eu assistia pela TV as reportagens sobre as manifestações de operários e partidos trabalhistas pelo redor do mundo. Em Bangladesh, por exemplo, os trabalhadores aproveitaram a data para protestarem de forma mais que justa por mais segurança e na Turquia as manifestações eram em favor de direitos reclamados. No Brasil, as Centrais Sindicais realizam eventos com apoio das prefeituras e promovem shows para reunir trabalhadores e suas famílias em locais públicos. O ponto curioso é que enquanto alguns reclamam e vão as ruas enfrentar a polícia, outros comemoram em paz...

Anthony Robbins, em seu livro “Desperte o seu Gigante interior”, curiosamente diz que tudo o que fazemos na vida é estimulado por dois sentimentos: o desejo de evitar a dor e o desejo de procurar prazer. Julio Ribeiro usava quase as mesmas palavras no seu clássico livro “Fazer Acontecer” já no início doa anos 90. Talvez seja por isso que alguns profissionais de vendas tanto comemoram enquanto outros somente se lamentam... porque uns trabalham em busca do sucesso e outros trabalham porque tem que trabalhar.

Entre meus tantos liderados de todas as cores, houve aqueles que alcançavam a meta e continuavam buscando marcas maiores. Pessoas que queriam sempre mais, mais e mais. Que não se conformavam simplesmente em fazer o necessário, mas buscavam deixar seus nomes gravados numa espécie de “Calçada da Fama” que, mesmo que de forma imaginária, toda empresa tem. Outros, porém, buscavam apenas o suficiente para não levarem broncas. Minimizavam suas metas no limite mais baixo que pudesse ser aceitável e se enganavam quando não as cumpriam, tentando argumentar que, pelo menos se esforçaram ou chegaram perto.

Há algumas maneiras de conhecer quem é do primeiro tipo ou do segundo. Uma delas é perguntar seus sonhos e objetivos... há aqueles que vão as nuvens planejando um mundo de glórias e sucesso, enquanto outros responderão com uma lista de coisas que evitam. Fica muito fácil entender quem trabalha para conquistar prazer e quem o faz para evitar a dor. Mas mesmo o perfil que evita a dor, eventualmente irá fazer coisas bem legais e nesse momento ele também será elogiado, dando a oportunidade ao líder de perceber agora VERDADEIRAMENTE, quem é quem. Qualquer um dos dois perfis, quando elogiados, ficam felizes... isso é muito natural. Mas o profissional que somente evita a dor se acomoda perante o elogio, solta um "ufa!" e terá uma queda muito evidente já nos próximos dias. Por outro lado, aquele que busca o prazer ficará tão entusiasmado e viciado no elogio e quererá recebê-lo novamente o mais rápido possível. Neste caso, se notará um aumento significativo de resultados vindos de sua parte, de forma quase que imediata.

E quem é o melhor profissional para a sua empresa? Depende da linha administrativa que ela contempla... se for a linha Taylorista, da Escola Clássica de Administração, dará mais certo aquele que só vai na ameaça, que foge da dor. Mas se for das empresas mais modernas, que trabalham com incentivo ao crescimento, precisa contratar quem quer crescer, não importando sua cor, raça, tamanho, origem, opção sexual ou time que torce.

domingo, 7 de abril de 2013

Sua Área Comercial é Reativa ou Proativa?



As equipes de vendas sempre foram um desafio para as empresas em geral. Ter um bom time de vendedores faz o empreendimento alavancar de maneira bombástica, enquanto o inverso também é verdadeiro... já vi excelentes empresas quebrarem, mesmo depois de investirem muito dinheiro em estrutura, produto e divulgação, porque embora tudo isso, os responsáveis por fazer os contratos não conseguiam identificar o cliente. Ter habilidade de comunicação, falar de maneira serena para transmitir confiança e perseverar são características básicas ensinadas em qualquer curso de vendas. Mas a bem da verdade é que até hoje eu não vi absolutamente nenhum curso formar um bom vendedor.

Existem dois tipos de profissionais de vendas: os REATIVOS e os PROATIVOS. Reativos são aqueles que vivem dentro de um padrão de reação, estão preparados com respostas prontas, já vindas do treinamento e conseguem fazem bem seu trabalho desde que a situação já tenha sido prevista e esteja no script. São bons para atender aos interessados em comprar um determinado produto. Proativos, como diz o empresário Luiz Carlos de Oliveira, são os que ditam o padrão de sucesso, influenciam o meio, iluminam a tudo e a todos ao seu redor e nunca se sentem vítimas das circunstancias. Os Reativos podem atingir seu sucesso, desde que em ambientes favoráveis. Já os Proativos criam seus ambientes para atingirem o sucesso.

A independência profissional de um vendedor passa a existir no momento que ele entende que é o único e verdadeiro responsável pelo seu sucesso. Que, bastando ter um produto de boa qualidade, o mercado pode ser explorado com criatividade. Enquanto os reativos se gabam dizendo “ter habilidade para reverter situações”, os proativos criam situações... afinal para que se possa reverter uma situação, esta precisa ser criada antes. Garimpar oportunidades é o verdadeiro prazer de alguém que quer crescer, como se estivesse numa pescaria, onde um pescador reativo reclama pela falta de peixes e outro, proativo, anda duzentos metros acima e muda a técnica de jogar a isca no rio. 

Para profissionais proativos não há crise, pois ele próprio sustenta suas metas. O reativo depende de fatores externos e tende a se abater nos momentos de baixa. Nos tempos de hoje, não é mais a chamada “lábia de vendedor” que faz o talento, afinal, na era da internet, qualquer coisa é facilmente confirmado ou não com alguns toques no smartphone. O verdadeiro valor de um profissional está na condição que ele tem de ser proativo, de encontrar o veio do ouro e segui-lo. As indicações, quando bem exploradas faz com que a linha de trabalho nunca se acabe, tanto que até hoje ainda existem empresas que não precisam de publicidade de mídia para venderem seus produtos. Alguns vendedores do tipo reativo se gabam por ter uma grande “carteira de clientes”, mas de nada adianta a carteira se não souber renová-la e fazê-la funcionar.

Um bom vendedor precisa ter aquele talento nato ou pode aprender? Se pode aprender, isso aconteceria aonde, já que os cursos não formam? O melhor lugar para aprender a desenvolver um trabalho artesanal como o de vendas é na própria empresa, com um bom mentor. Há casos em que uma equipe demora ser formada e as pessoas não entendem o motivo pelo qual isso acontece, pois olham somente as questões superficiais. A montagem de uma boa equipe depende em 90% do clima e da mentalidade de seu líder e se este não estiver Proativo, de cabeça erguida e pensando como vencedor, vai afastar os bons e atrair somente pessoas reativas, que se identificam com o estado dele.

Portanto, o bom vendedor não é o que convence, mas sim o que identifica o cliente. O ato de identificar passa pela tarefa de ser Proativo, procurar e criar situações. É mais fácil ensinar técnica e speech a um proativo inexperiente do que convencer o reativo a procurar o approach. Se você quer ter uma equipe Proativa, comece por Pro-ativar a você!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A independência virtual


A contínua evolução tecnológica dos últimos 20 anos mexeu realmente com a vida das pessoas em geral, mas mexeu principalmente com a paz e tranqüilidade que rondava os departamentos de RH. A chegada do computador as pequenas e médias empresas no início dos anos 90 fez com que aquele velho chefe de departamento tivesse que trocar a máquina de escrever pelo PC e as pastas pelas planilhas. Mais que isso, o chefe que decidia, naquele momento, continuar sua carreira, precisou quebrar seus paradigmas, jogar fora quase toda a sua bagagem e reaprender a lidar com as pessoas, pois trocou também os comportados e obedientes funcionários de um só emprego pela ansiosa e concorrente Geração Y.

Fazendo uma pequena reflexão, me lembrei do tempo em que eu era criança e precisava me levantar para trocar o canal da TV através de um seletor giratório. Mais tarde surgiu um seletor digital (com teclinhas que me permitiam ir direto ao canal desejado), controle remoto com fio, depois um modelo sem fio e, em alguns casos, até controle por voz. O computador que era estático e instalado em algum canto da casa, passou a ser flexível com a chegada dos notebooks e os longos cabos de rede, mais móvel ainda com os roteadores e extremamente móvel com os chips 3G e 4G. Observem que antes a gente se deslocava até o entretenimento e hoje nem precisamos sair da cama para estarmos conectados ao mundo.

As redes sociais contribuíram muito pra isso também, afinal as fofocas que antes tinham alcance limitado dentro de uma empresa ou filial, com alguma pouca repercussão na família, passaram a funcionar online e em tempo real. O “ouvinte” da Rádio Peão agora se atualiza pelo Facebook e pode interagir a qualquer momento. Preocupadas com isso, no início do novo milênio as empresas passaram a bloquear em seus computadores o acesso dos funcionários a determinados sites e blogs. Esta solução era apenas momentânea, pois hoje quase todos os funcionários têm seus próprios tablets e smartphones com conexão ilimitada. Se o chefe bloqueia o acesso ao Twitter pelo computador da empresa, o camarada entra no próprio telefone e acessa. Se o chefe proíbe isso também, o garoto vai ao banheiro e usa de lá... pronto, não dá pra impedir.

A empresa de um amigo meu passou a oferecer internet móvel no celular de seus vendedores, mesmo sabendo que isso seria 100% dispensável para a real e necessária tarefa. Quando perguntado o motivo, ele respondeu que a partir desta ação os vendedores deixaram de ficar horas na administração alegando que estavam lendo seus emails. Em contrapartida, perdem muito e muito tempo mandando mensagenzinhas idiotas entre eles ou comentando postagens alheias na internet. Segundo um outro amigo, consultor de Relações Humanas, a melhor coisa a ser feita com uma equipe que precisa ganhar tempo é orientá-la e conscientizá-la quanto ao uso racional e moderado. Em vez de agir como o velho chefe mão de ferro conflitando com os seus funcionários, procure juntar-se a eles e dar o exemplo.

As dicas para você e sua equipe não perderem tempo são óbvias, como não deixar seus aplicativos abertos e nem os alertas ativados, pois quando a gente vê aquela bolinha vermelha na tela informando que há mensagens, dificilmente a disciplina vence a curiosidade e o cara chega a ler e responder até mesmo enquanto está dirigindo. Para não perder tempo e nem arriscar a sua vida no trânsito, deixe para acessar as redes sociais enquanto está na fila do banco, no almoço, no ônibus ou mesmo no banheiro. Mas neste último caso, não demore... principalmente quando sua empresa oferece banheiros coletivos, porque seus amigos e colegas de trabalho também precisam usar... nem que seja para navegar um pouquinho.


sexta-feira, 29 de março de 2013

As aventuras de Sofrenildo e Motivaldo


Era uma vez, na empresa, dois colegas que faziam funções muito parecidas. Eles tinham sido contratados na mesma época, pelo mesmo gerente e receberam treinamentos similares. Ambos eram talentosos e tinham boa formação, vestiam-se muito bem e única diferença é que um deles estava locado na unidade sul da cidade, próximo as faculdades e outro na unidade norte, zona comercial e industrial, perto da rodovia. Depois de algum tempo, os dois já eram tratados pelos seus nomes. Nildo e Valdo seguramente eram líderes e puxavam fila. Acontece que a equipe supervisionada pelo primeiro tinha resultados altamente inferiores aos do segundo. Os números se distanciavam tanto, que após o primeiro semestre, Nildo reclamou tanto da região Sul da cidade e das pessoas que trabalhavam lá que convenceu a diretoria a troca-lo de unidade, dizendo que o seu colega Valdo apenas estava na hora certa e no lugar certo.

O primeiro mês após a troca parecia confirmar a tese que a filial do Sul sofria com desafios maiores. Nildo superou o colega em quase 30% e cantava seu sucesso dizendo que havia passado o semestre inteiro perdendo tempo em uma região complicada. Valdo, por sua vez, apenas aceitou a transferência e continuou trabalhando, ciente de sua responsabilidade. Desenvolveu algumas reuniões em grupo e se comprometeu com sua nova equipe em trabalhar a mudança de conceitos. Enquanto isso, Nildo se indispôs com um dos colaboradores e o demitiu, dizendo que este não o havia aceitado como líder. E foi aí que uma curiosidade aconteceu: após a troca dos supervisores, as duas unidades passaram a ter um turn-over até então não experimentado. Alguns integrantes de ambas as equipes pediram demissão e novos empregados foram contratados, reformando então quase todo o plantel. 

Nas entrevistas de desligamento, ficava óbvio a incompatibilidade de ideias com os novos chefes. A equipe do Sul dizia que Valdo era muito exigente, que cobrava demais e nunca aceitava um não como resposta. Do Norte, os demissionários reclamavam que o Nildo não assumia responsabilidades, sempre culpava os outros pelo que saía errado e deixava o ambiente sem motivação. As novas contratações eram feitas pelos próprios supervisores e depois de algum tempo, a unidade Sul iniciava o dia com musica de bom dia tocada no violão por um dos funcionários e gincana para estimular os resultados. Na unidade Norte as pessoas chegavam carrancudas e somente começavam trabalhar perto da hora do almoço, afinal diziam que ninguém tem tanto pique logo cedo pra trabalhar assim como os fanáticos da outra loja.

No final do ano notou-se que a equipe do supervisor Valdo, em qualquer das duas unidades se mantinha muito mais produtiva do que a do colega Nildo e, mesmo quando tiveram que demitir, as novas contratações traziam pessoas com o mesmo perfil de quem contratava. Nildo ficou conhecido pelas suas lamentações continuas, pelas desculpas que dava ao apresentar resultados e ganhou o apelido de "Sofrenildo". Na outra filial, Valdo era festejado como um excelente conselheiro, sempre pronto para resolver qualquer situação e por conta disso era chamado de "Motivaldo". Ficou claro que o problema não era e nunca havia sido a localização das unidades e nem a equipe contratada, mas sim a postura do líder e a forma com que cada um lidava com os seus desafios. 

Valdo lidou melhor com todas as situações e Nildo novamente cercou-se de pessoas lamentadoras e reclamadoras. E por que isso acontece sempre? O General chinês Sun Tzu, que viveu  500 anos antes de Cristo explicaria isso dizendo que "a tropa sempre é reflexo de seu comandante". É óbvio que Motivaldo e Sofrenildo são personagens criados exclusivamente para esta crônica, mas com outros nomes eles podem ser encontrados na maioria das empresas. Preste atenção e identifique quem está perto de você, a quem você está seguindo e, principalmente, com qual dos dois você mais se parece. A partir disto, decida seus próximos passos e comportamento.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Uma breve história de superação



Hoje, no facebook, li uma frase bastante inspiradora, publicada por um amigo. Conheci o Marcelo em 1994 e depois de certo tempo trabalhando na mesma empresa, nós perdemos o contato e somente nos reencontramos em 2010 na Feira de Franquias da ABF, em São Paulo. Hoje, sei lá porque, ele me marcou numa foto com os seguintes dizeres: “O que define seu destino não são as suas condições e sim as suas decisões”. Isso fez minha memória voltar ao ano de 2001. Nessa época, eu e o Halaouani estávamos abrindo a nossa primeira empresa, situada na cidade de Campinas. Eu havia acabado de me desligar do emprego anterior e me meti a empreender, porém tinha pouquíssimo dinheiro e fazer sacrifícios abrindo mão de luxos já conquistados era algo muito normal... as vezes até encarado como diversão. Seis meses antes, eu morava num apartamento alugado num bairro nobre e vivia boas condições financeiras. Diante de uma mudança repentina na empresa em que eu trabalhava, tomei a decisão de me desligar para abrir o meu negócio próprio.

Nesse momento, minha fonte de renda deixou de existir e, diante dos novos investimentos, não tinha mais condições financeiras de manter o custo do aluguel do apartamento. Foi quando tomei a decisão de morar temporariamente no próprio escritório. Nada que um colchãozinho escondido no armário não resolvesse, porém, entendendo que isso poderia pegar muito mal se fosse exposto aos clientes e funcionários, criei uma estratégia para ninguém perceber. Eu dormia na minha própria sala de trabalho, acordava às 6 horas da manhã, me arrumava e saía pra rua... tomava um cafezinho na padaria e voltava por as 7 e meia, um pouco antes do horário de abrir, como se estivesse vindo direto de casa. Isso deu certo por 4 meses, até que um dia uma das funcionárias pegou uma carona diferente e chegou bem cedo, antes da minha saída... ao ver a garota lá na frente me olhando com cara de “ué”, eu somente tive a ideia de dizer que se ela havia chegado cedo, eu tinha madrugado e chegado mais cedo ainda... foi quando decidi que era hora de achar um lugar pra morar.

Pouco tempo depois eu já estava instalado em um apartamento bem mobiliado e prestes a trocar de carro. Para quem lê essa historinha aqui, parece ter sido fácil. Mas os momentos de desespero a cada fechamento de caixa, a cada final de dia quando notávamos as contas chegando e o dinheiro acabando, esses não são mensurados pelos leitores. É bem verdade, também, que parte da habilidade que criei como empresário se originou nessa época, diante dos desafios. A capacidade de acreditar que tudo vai dar certo quando nada caminha pra isso, definitivamente não é uma habilidade nata, mas sim adquirida quando não há outra saída a não ser acreditar. Porém, o conforto do sucesso também acomoda as pessoas e as faz perder características guerreiras que tinha outrora. É como um motorista experiente que se julga tão bom a ponto de deixar de prestar atenção nos detalhes e isso acontece também com o empresário tão elogiado e conceituado que deixa de lado as medidas de segurança achando que já tem faro para o negócio.

Há vezes em que ter todas as condições favoráveis inibe a nossa capacidade de decidir. Em outras, a decisão tomada é o que gera as condições. Mas esperar o cenário ideal para poder somente então arriscar é estratégia válida apenas para o Capitão do navio. No empreendedorismo, o que vale mesmo é criar o ambiente do qual se quer desfrutar, porém tomando todos os cuidados para que ondas mais bravas ou uma instabilidade repentina não o faça naufragar com sua embarcação.

domingo, 10 de março de 2013

Como lidar com a sensação de perdas?


Um dos maiores desafios do mundo capitalista é lidar com a sensação de perdas. Desde perdas afetivas, como a de um namorado ou namorada, a perda da juventude com o passar dos anos ou mesmo as perdas materiais, como a necessidade de vender um bem ou patrimônio para pagar as contas. Este sentimento de regressão é responsável por boa parte das quedas de produtividade dos atletas, dos empresários e dos profissionais de área comercial. Em áreas onde a competitividade é constante, controlada por números e com medidas bem definidas, as pessoas são continuamente estimuladas a perseguirem metas maiores. Nestes casos, a oscilação de resultados pode levar algumas pessoas até ao estado depressivo.

Lidar com isso de forma inteligente pode ser o que determina a estabilidade de uns, volta por cima de outros ou a derrocada total daqueles que mantém o coração duro. Crises acontecem por diversos motivos, que podem ser pessoais e internas ou criadas por fatores “extra campo”, as vezes até fora do próprio controle e que influenciem no ramo de atuação. Elas existirão de tempos em tempos e precisam ser superadas com muita força de vontade e criatividade. Em geral, quanto mais o profissional em crise se lamenta pela perda, mais tempo ele vai seguir em queda. É como aquele colega que tem um carro financiado cujas parcelas estão atrasadas e o veículo sujeito a busca e apreensão... quanto antes o devedor se livrar do bem, antes se recuperará do problema financeiro. Neste último exemplo, na maioria das vezes o devedor luta durante meses pagando parcelas atrasadas com juros altos até se concientizar e devolver o carro ou perdê-lo por força da justiça.

Ontem eu atendi um garoto de dezesseis anos que nos procurou por telefone para saber de nosso curso de inglês. Como ele tem pouca idade, o convidei a conversar comigo na presença dos seus responsáveis e foi quando ele passou a ligação ao seu pai para falar comigo. O homem me disse que gostaria muito de nos conhecer devido a nossa fama de seriedade, mas que estava impossibilitado de sair de casa, me convidando então a ir até lá. Como era num sábado, marquei para o final do horário e depois de sair da empresa, fui até a residência daquela família, onde encontrei um garoto muito inteligente e um pai muito simpático e determinado a proporcionar para o filho o aprendizado do novo idioma. Porém, a conversa aconteceu ao lado de uma cama com um cidadão acidentado e sem movimentos.

Respeitar profissionalmente as pessoas que vivem momento de crise é muito importante. Há situações em que percebemos os vitoriosos sarreando e desdenhando dos mal colocados, mas o que normalmente os campeões não percebem é que precisamos ter cuidado sempre com as voltas da vida, evitando assim a arrogância e a prepotência, pois com um pequeno vacilo, um profissional forte e motivado pode cair num problema grave. É assim também no caso da saúde, uma pessoa atlética e saudável pode descobrir uma doença de um dia para o outro ou pode sofrer um acidente que de repente muda a sua vida. Dirigir com cautela, ter boa alimentação ou manter-se atento e disciplinado no trabalho são cuidados que podem diminuir os riscos, tentando assim evitar os tais sustos. Mas a onipotência... essa definitivamente não existe aqui embaixo.

A grande lição de vida que eu tive ontem foi ver uma família lidando calmamente com uma situação altamente difícil, mas sem lamentações. Na saída, quando o garoto me acompanhou até a porta, ele me disse que seu pai já contabilizou os prejuízos físicos causados pelo acidente e não pensa mais nisso... que está mais preocupado agora em recuperar os movimentos da cintura para cima e poder ficar sentado em uma cadeira de rodas, o que já lhe seria uma enorme evolução. Pela nossa experiência profissional, percebemos que aqueles que não se desapegam dos bens perdidos tendem a não desapegar também dos sentimentos negativos que estimulam a fraqueza e a depressão. Então, para as pessoas fisicamente saudáveis cheias de lamentações, aí está um bom exemplo: pense no que você pode evoluir a partir do presente e use o passado apenas como fonte de aprendizado.

Conclusão: Desapegue!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Só o cliente que merece respeito? Ou o comerciante também?



A maioria de vocês sabe que eu trabalho em uma instituição de ensino. Nesta instituição, temos algumas regras muito bem especificadas e uma delas é quanto ao horário de entrada dos alunos em sala. Ele pode atrasar no máximo 10 minutos... se passar disso não pode entrar (mas pode remarcar a mesma aula, ou seja, não perde matéria). Isso é feito para que a aula dada não saia pela metade e para que os outros alunos não sejam prejudicados. Um dia desses, uma aluna chegou atrasada e ao ser comunicada que não poderia entrar, reclamou, chorou e armou um leve barraco. Foi então que eu a levei para a minha sala e fiz a seguinte reflexão:  

As pessoas reclamam tanto de seus cursos e de suas faculdades:
- porque qualquer um entra,
- porque se atende celular na sala de aula,
- porque os alunos entram e saem, ou chegam atrasados,
- porque o professor passa todo mundo de qualquer jeito,
- porque é comercial e o importante é o dinheiro...

Mas aqui nós fazemos diferente: é de acesso seletivo, não se pode atender celular na sala, não pode entrar com mais de dez minutos de atraso, não passa de aula se não souber a matéria e, principalmente, o importante é o aluno aprender (embora a gente também viva do dinheiro que ele paga e espere que ele pague sempre). Mas ainda assim, alguns alunos ficam bravos quando não passam de aula, quando não permitimos que entrem atrasados ou quando pedimos pra desligarem os celulares. Isso não deixa de ser uma forma de desrespeitar a instituição de ensino, afinal ela foi contratada para ensinar e não para agradar. Quando é possível, deve-se fazer os dois, mas entre as duas, deve-se optar por cumprir o objetivo inicial.

No comércio em geral, fala-se muito que “o cliente sempre tem razão”. O brado é sempre a indignação do consumidor em relação às empresas e eu sou um dos que protesta mesmo contra o mau atendimento. Mas diante de algumas situações, quero lançar aqui uma questão: o comerciante precisa respeitar o consumidor, mas e o consumidor... não precisa respeitar o comerciante? A agenda de um profissional liberal é repleta de espaços vagos causados por pessoas que marcam e não aparecem. Meus amigos médicos contam quase que a mesma história, dizendo que agendam overbooking porque não conseguem contar nem com 70% de presença em suas consultas.

Há vezes em que uma pessoa nos deixa uma mensagem no site pedindo retorno para saber dos cursos. A escola liga, ele não pode atender e pede pra retornar em meia hora... a gente liga depois de meia hora e ele não atende de novo. Para não sermos negligentes, ligamos novamente no dia seguinte e não somos atendidos e deduzimos que de novo o cara está ocupado e não pode atender. Com uma leve pitada de malandragem, ligamos na sequencia, de outro numero... aí atende... e quando dizemos que estamos retornando, ele pede pra ligar na semana que vem. Enfim, neste caso a gente não liga mais. O problema é que quando não ligamos somos acusados de não valorizarmos o nosso público.

As pessoas não imaginam que um médico, um cabeleireiro, um professor ou qualquer outro profissional que marca um horário, está 100% disponível para atender aquela pessoa e esse texto sai até como um protesto contra aqueles que acham que somente o cliente merece respeito. As desculpas que ouvimos das pessoas que furam seus compromissos são, no mínimo, repetitivas. E por quais motivos isso acontece? Porque há tanta picaretagem no mercado que o cliente já se acostumou a lidar com os maus profissionais e acaba generalizando e confundindo inclusive os sérios, colocando todos num mesmo balaio de gatos.

Então, porque insistimos em fazer com qualidade??? Porque os que nos respeitam concluem os seus cursos e de fato aprendem conforme foi prometido. E estes, mesmo que em algum momento tenham sido contrariados, entendem que foi feito o que era certo. No final, ele valoriza a instituição séria!!!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Bloqueios e Métodos: entendendo o que acontece


A cada dia mais pessoas se conscientizam da necessidade de aprender um segundo idioma. Evidentemente o idioma inglês é o mais procurado, considerando que é também uma linguagem universal. Em qualquer lugar do mundo podemos encontrar alguém que se comunica em inglês, por isso este passa a ser o idioma o mais importante. No Brasil, percebemos que de alguns anos pra cá essa procura aumentou. Talvez seja por uma necessidade mais evidente, já que hoje há mais empresas multinacionais no país do que há 20 anos. Além disso, na década de 80 e também no início da década de 90, havia poucas pessoas trabalhando com o uso do inglês.

Naquela época os alvos das poucas escolas existentes eram os adolescentes de classe média alta, que se tornavam alunos de um curso por influência dos pais. Muitas vezes o faziam buscando status, já que estudar inglês era algo para poucos. Havia também aqueles que buscavam um curso para os filhos com a finalidade de ajudá-los na escola, viajar futuramente para o exterior ou ainda dar atividades ao mesmo. Com a globalização da economia, cada vez mais o trabalhador brasileiro precisa se comunicar com as suas matrizes ou com seus parceiros no exterior.

Além disso, com a abertura das importações no início dos anos 90 o idioma inglês foi se tornando fundamental na bagagem de qualquer pessoa mais ambiciosa profissionalmente. Tivemos a invasão dos eletrônicos e da informática, que foram mais alguns fatores a incentivar o uso da língua e com isso o perfil do interessado em aprender inglês foi mudando. Hoje, dominar o idioma é muito mais urgente para alguém que já está no mercado de trabalho do que para a garotada que ainda tem tempo pela frente. Este, se não aprender, corre o risco de ficar estagnado na profissão, quando não de perder seu emprego. Então além do adolescente, o adulto também se tornou um estudante.

Acontece que a maioria dos cursos de inglês existentes no mercado mantém as mesmas metodologias de antigamente, longas, cansativas e voltadas para o interesse dos adolescentes que tem tempo disponível para isso. Por mais que se anuncie "cursos para adultos", isso no máximo significa que são turmas só de adultos. Mas na realidade, o método, o livro, o assunto continuam os mesmos. As poucas instituições que perceberam isso estão à frente do mercado.

Hoje o profissional precisa de algo além da matéria: ele precisa ganhar tempo. Quanto mais rápido desenvolver uma língua, mais rápido vai poder usá-la e fazer seu investimento no curso ter retorno. Precisa de assuntos interessantes, já que se um adulto faz um curso que foi desenhado para crianças, as histórias do material usado não vão atrair sua atenção. Esses e outros fatores geram a desistência e consequentemente a frustração que é um dos principais fatores que inibem uma pessoa de procurar uma instituição de ensino de inglês.

Então, algumas pessoas que falam que não gostam do inglês, na verdade não é do inglês que elas não gostam. Acontece que toda vez que se pensa em "estudar inglês", nem sempre entende "aprender inglês". Essas pessoas já estão frustradas com as tentativas em métodos não adequados. Elas passam a desenvolver então varias teorias, como aquela de que “não se aprende inglês no Brasil”, que “o inglês daqui é diferente do inglês de lá”, ou de que um cidadão tem “dificuldade em aprender um idioma”. Nada disso procede. Essas pessoas desenvolveram bloqueios, mas que podem ser vencidos.

Aprenda Inglês. Isso vai te abrir portas em momentos que você nem imaginaria.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A turma do Amendoim


Toda empresa, por mais unida que seja, sempre tem a “Turma do Amendoim”. Este termo ficou conhecido em todo o Brasil em 1999, quando o então técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, era seguidamente criticado por torcedores que ficavam atrás do banco de reservas, nos jogos que eram realizados no Parque Antártica. Na época, Felipão declarou em entrevista coletiva que “alguns torcedores apenas vão ao estádio para comer amendoim e reclamar do time”. Ficou então esta expressão institucionalizada para denominar as pessoas que reclamam continuamente, sobretudo à toa, de algo que supostamente não dá motivos para as queixas.

Se a torcida do Palmeiras tem ou não seus motivos para reclamar, deixo a discussão para os comentaristas esportivos. Mas que há aquelas pessoas que pagam, investem tempo, energia e neurônios para fundamentar reclamações idiotas, isso de fato há. E normalmente, os que mais reclamam são também aqueles que menos trabalham por fazer algo melhor. Para piorar, sempre acham que estão certos, pois todo incendiário do descontentamento tende a seduzir os mais negativos para as suas passeatas e piquetes, afinal é mais fácil justificar o insucesso colocando a culpa na ferramenta do que em si mesmo e é por isso que os reclamões conseguem seguidores entre os mais lamentosos. É como se cortassem os próprios dedos para poderem reclamar das limitações que os impedem de render.

Dizia um ditado antigo que o lado bom de competir contra apenas mais um competidor é que, mesmo perdendo, você pode falar que foi o segundo colocado e que o seu oponente foi o penúltimo. É justamente desses trocadilhos que vive a tal turma da discórdia... imaginem um grupo de 40 pessoas, onde 30 delas estão satisfeitas com o andamento do trabalho, 8 são neutras e 2 contrárias... essas duas pessoas contrárias começam dizendo que “há um grupo que não está totalmente alinhado com as decisões da liderança”. Como dizem os americanos, tecnicamente não é mentira, mas na prática também não representa a verdade e nem reflete o pensamento da maioria.

Uma vez, numa convenção de uma empresa, me deparei no coffee break com dois parceiros que estavam reclamando intensamente do conteúdo do evento. Reclamavam de tudo, desde a pauta, assuntos abordados, linguagem utilizada e até do horário que terminaria. Argumentavam que parceiros mais novos como eles precisavam de um treinamento mais básico e inicial, nem que para isso o evento tivesse que ir até mais tarde. Como todo reclamante faz isso em tom de voz muito alto, em poucos minutos já havia mais três que tinham (ou passaram a ter) a mesma opinião acompanhando a conversa. Depois de ouvir e argumentar a respeito, eu resolvi que deveria interferir e conversei com os “treinadores de campo” da empresa para que eles se disponibilizassem a ficar por mais duas horas no hotel, uma vez que cinco parceiros estavam com dificuldades.

No final do expediente, o Mestre de Cerimônias encerrou aquela fase do evento e pediu que todos os que precisassem de instruções mais detalhadas, que ficassem na sala. Os mais de 80 participantes saíram do recinto, inclusive os 5 reclamões que já tinham combinado um happy hour num barzinho da região. Além dos treinadores, ficamos eu e mais dois ou três veteranos que se interessaram por rever as técnicas. Ah... vale lembrar que no outro dia ficamos sabendo que o assunto do bar era justamente a suposta falta de suporte que a matriz vinha oferecendo.

Conclusão: o incendiário sempre irá reclamar. Por isso é que a maioria das ferramentas de avaliação de satisfação, nas empresas, utilizam o descarte do desvio padrão, que nada mais é do que não compilar a opinião dos puxa-saco e nem da turma do amendoim.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Viver de aparências pode inibir a intensidade de seu potencial



Aprendi com meu ex-chefe que nunca devemos elogiar uma pessoa pelo que ela pode fazer, mas sim pelo que fez ou faz. O motivo é simples: boa parte dos profissionais trabalha por reconhecimento e quando o obtém antes de trabalhar, tende a afrouxar as engrenagens, pois já conseguiu o que queria. Com o aumento da oferta de trabalho, isso acontece muito nas empresas... os chefes elogiam os seus funcionários para trazê-los mais para próximo e não percebem que estão matando o gigante que eles deveriam mesmo era acordar.

A Seleção Brasileira de Futebol do técnico Carlos Alberto Parreira foi muito criticada antes da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, por ter feito todos os jogos preparatórios contra times inexpressivos. Marcavam jogos contra países sem tradição no futebol para que pudessem dar show sem desgastar os jogadores, mas o resultado foi bem contestado, pois na competição válida, os times não eram assim tão fáceis de serem batidos. É mais ou menos a mesma coisa que treinar a noite para uma maratona que será disputada ao sol do meio dia.

E hoje, o que percebemos na Geração “Y” é uma ansiedade muitíssimo grande para conseguir as coisas (status). Quando os jovens têm boa condição financeira, têm o hábito de ostentar e, quando não têm, dão um jeito de ostentar assim mesmo (pois entendem que todo mundo ostenta). Com a chegada das redes sociais, essa necessidade passou a ser ainda maior... já ouvi inúmeros relatos de pessoas de classes sociais mais limitadas que afirmam gastarem o salário e mais um pouco para acompanharem nas baladas os amigos mais afortunados. Meninas se casam com o primeiro namoradinho que aparece, enganam-se num suposto grande amor, mas o que buscam na verdade é uma maneira de sair de casa, daquele bairro, daquela vida, sem pensar que o preço a ser pago por isso pode ser maior do que seus problemas momentâneos.

Diz uma velha (mas atualíssima) regrinha para o sucesso, que a gente deve ter sempre em mente as nossas metas e os nossos objetivos. Quando fingimos já ter aquilo que ainda não temos, sem perceber nós satisfazemos um pouco a nossa vontade (que curiosamente é o que nos faz superar desafios). Com isso, matamos a nossa principal força (que é a força de vontade) e vivemos na mesma ilusão de um drogado, que finge ser feliz, mas se esquece que o efeito passa em pouco tempo. Viver apenas de falsas aparências pode inibir a força e a intensidade de seu trabalho, junto com a possibilidade que existia de ter conquistas.

Não adianta fazer check-in no facebook ao passar de ônibus em frente ao restaurante mais chique da cidade, assim como não adianta marcar um jogo-treino contra o time do “Saci Pererê” se não consegue ganhar o jogo que realmente vale. Também é inútil ter o falso reconhecimento dos seus chefes se ninguém vive de bajulação. Qualquer imagem, para ser válida, deve ser fruto da verdade e qualquer abordagem educativa precisa ser feita pelo desafio ao potencial do ser humano. A “raça” que tanto se fala em ambientes de sucesso, se for verdadeira, somente pode ser satisfeita quando a conquista existe de maneira real e usando as ferramentas lícitas do seu verdadeiro potencial.

Fingir ter uma medalha no peito é válido somente se for como exercício ou mentalização. É útil apenas para dar ao profissional mais vontade de ganhar a medalha de verdade. Portanto, cuidado pra não se conformar com a sua ilusão.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Você dá Bombom para Cavalo?



Num dia desses, li um artigo escrito por um ativista de esquerda que criticava intensamente empresas multinacionais de diversos segmentos pelo preço que cobram de seus produtos de grife. A indignação do colunista era em ver tanto valor agregado em roupas que não são diferentes do que faria uma simples costureira de bairro, mas pelo peso da etiqueta e do glamour, custam ao consumidor em torno de 6 ou 7 vezes mais. Isso me fazia refletir a respeito de uma coisa que eu sempre acreditei, desde que aprendi no ensino médio, que é a “Lei da Oferta e da Procura”.

O valor de venda de um produto somente consegue ser alto se houver também alguém querendo comprar. E se há várias pessoas se matando para ter um relógio de luxo, um cinto com a fivela daquela grife italiana ou um perfume francês com embalagem fosca, talvez seja porque haja também quem queira pagar por eles. No fundo todo mundo gosta de usar roupas de marca, inclusive as classes economicamente mais limitadas, basta citar o tamanho da indústria da pirataria numa cidade como São Paulo.

Empresários, profissionais liberais, consultores, auditores e formadores de equipes tem como ferramenta de trabalho o uso de produtos de grife para criarem uma imagem de pessoa de sucesso, que já tenha atingido patamares de tranqüilidade financeira, que sabe-se ser o objetivo da maioria das pessoas com quem eles lidam. Dar mostras de sucesso através de pequenos detalhes, como a marca de um óculos, o modelo do carro ou a nobreza do sapato faz os pupilos mais observadores surtarem de vontade de seguir aqueles passos.

O problema é que o “marketing pessoal” (como é conhecida essa ferramenta), quando passa de um determinado limite, vira uma prática conhecida como “ostentação”. O ato de ostentar ocorre quando a pessoa faz questão de evidenciar suas posses e seus pertences de grife de uma maneira exagerada. É o caso das pessoas que provocam assuntos para falarem de suas canetas Montblanc ou de suas bolsas Prada, somente para supostamente serem mais respeitadas. O marketing pessoal, se não for feito de maneira natural e singela, acaba tendo um resultado muito negativo, podendo dar uma imagem de arrogância e quem se expõe, além de gerar desconforto àqueles que podem menos.

Isso me faz lembrar de uma outra vertente, no que se diz respeito a exposição. Uma estratégia intensamente utilizada pelos líderes, desde a escola até a nossa vida profissional, é a apresentação de cases de sucesso para públicos de todos os tipos. A professora do primário chamava o melhor aluno da classe para expor seu cuidadoso trabalho sobre “o ciclo da água”, o micro empresário do Sebrae conta a todos como conseguiu alavancar sua prestadora de serviços e o premiado publicitário apresenta os bastidores da criação da campanha daquela grande cervejaria. Até aí, é muito bom... de fato a gente se valoriza muito contando a nossa história.

O problema, como me dizia um velho amigo, é quando a gente começa a dar bombom pra cavalo. Essa frase faz alusão a prática muito comum de expor repetidamente os cases de sucesso para pessoas que não estão preparadas (tecnicamente, emocionalmente, financeiramente, etc) para repetirem aquilo. Dar um maravilhoso bombom de chocolate meio-amargo para um cavalo que quer capim é similar a fazer seguidas apresentações de seu case para um colega de profissão que não conseguiu nem alavancar no trabalho. É preciso ter cuidado, pois já vi situações em equipes comerciais onde o sucesso intenso de um integrante fazia o outro sentir-se tão mal que desistia da profissão. 

As histórias de sucesso precisam vir sempre acompanhadas de dicas que ensinem o “caminho das pedras”. Conte sim tudo que você fez e aonde você chegou... mas não deixe de completar com os “cinco passos para atingir bons resultados” ou a "Cartilha do homem de sucesso", que é o que realmente vai fazer aquele cara que está errando passe a te copiar, acreditando verdadeiramente que vai conseguir fazer igual. Qualquer coisa que não tenha este objetivo não tem valor prático, vira ostentação e tem efeitos negativos.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O apoio da família é fundamental, mesmo que distante


Numa oportunidade, estávamos entre executivos discutindo se o profissional que sai de sua cidade para trabalhar aumenta ou diminui as suas chances de sucesso profissional. Embora que, do ponto de vista acadêmico, reflexões como esta sejam consideradas inconclusivas, informalmente podemos tirar algumas idéias e debater os argumentos de cada um. Com esse intuito, registro que enquanto uns argumentam que imigrantes trabalham melhor porque se mantém focados o tempo todo, outros afirmam que a proximidade com a família faz o cidadão trabalhar mais feliz e apresentar um astral mais convincente perante a sua tropa, na empresa.

Nesse caso, não há nem o certo e nem o errado, mas me chamou atenção uma única concordância entre todos: que a família, perto ou longe, interfere diretamente no rendimento profissional da grande maioria das pessoas. Sempre que temos casais que se apóiam em determinada tarefa, esta rende com intensidade diferente. A cumplicidade entre os pares leva o trabalhador a ter mais convicção nas tomadas de decisão, sabendo que em casa encontrará seu cônjuge em sintonia. A comemoração pelos resultados saem em conjunto e os filhos passam a torcer pelos pais em suas missões. Um colega de trabalho faz questão de comemorar as metas cumpridas em companhia da esposa e dos filhos, da mesma forma que comemora as medalhas que o garoto mais velho ganha no futebol ou as notas da caçula na escola.

Considerando que o sucesso profissional oferece a família uma melhor condição de vida, com mais acesso a viagens, bens de consumo e educação, cabe ao casal decidir suas prioridades. Se é hora de intensificar as carreiras em detrimento dos momentos de lazer ou se a qualidade de vida, com tempo livre para passear e praticar esportes faz mais sentido. Qualquer que seja esta decisão, ela precisa ser de comum acordo e sem recaídas de uma hora para a outra. É claro que qualquer decisão pode ser mudada, mas respeitando uma regrinha básica: tem que seguir os mesmos passos de quando ela foi tomada, ou seja, conversando.

O trabalhador que chega em casa e relaxa, tem mais condições de render no dia seguinte. Por outro lado, aquele que fica trabalhando até mais tarde pensando se seu marido ou esposa irá aceitar o atraso, se haverá novamente aquela velha cena de ciúme; certamente não renderá e as horas a mais, pouco serão aproveitadas. Infelizmente, é bem comum a situação da cobrança insana... quem deveria dar apoio é quem mais cobra o feriado não emendado e o presente das crianças no aniversário e no Natal. Continuas ligações para o escritório do par em nada ajudam, mas criam sim uma instabilidade e uma imagem de incompetência, de que aquele colega não consegue a cooperação nem mesmo de seus familiares, quanto mais irá conseguir de sua equipe. Em contrapartida, chegar em casa e descontar nos filhos toda a sua frustração com as tarefas do dia, como se eles fossem os culpados pelas metas não atingidas, somente servirá para piorar o relacionamento.

Falando em filhos, a obrigação dos pais que querem vê-los desenvolvidos é de apoiar a escolha e o trabalho deles também. Mesmo no terceiro milênio, ainda é muito comum encontrarmos pais que querem escolher a carreira dos filhos, como se estes fossem se realizar na pele de outra pessoa. Frases como “não te paguei anos de estudo para isso” ou “não esperava te ver atrás de um balcão” são absolutamente equivocadas (com exceção àquilo que fira os valores da honestidade e boa educação). Inúmeros homens de sucesso surgiram de trabalhos não muito valorizados pela maioria da sociedade e, o amor profissional aliado a intensa disposição e uma boa idéia, podem transformar uma pessoa comum em exemplos de vida.

Finalmente, a minha conclusão é que, independente de onde seja a missão da formiga, ela será mais bem cumprida com o apoio de todo o formigueiro. Família longe que faz chantagem emocional e fica vendendo caro a saudade não serve de estímulo. Por outro lado, o apoio em casa é o que dará a paz necessária que qualquer vencedor precisa ter.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Como o consumidor se liga em marcas



Ontem eu conversei com o Alexandre, que é um estudante de biologia em busca de estágio. Como sempre acontece em nossas vidas, ele também teve uma experiência com a lei da atração, ou seja, quando a gente está positivo, aparecem várias oportunidades ao mesmo tempo. Porém, somente estarmos positivos não é garantia de sucesso se também não estivermos instruídos. Ele, por exemplo, já estava apalavrado com uma empresa para começar a estagiar no próximo dia 1º, mas recebeu outro convite e dispensou o primeiro estágio em razão do segundo. Até aí nada de mais... a não ser por ter tomado esta decisão simplesmente por acreditar que a segunda empresa é mais forte que a primeira, sem avaliar o que realmente importa.

Isso me lembrou a vez que eu comprei uma jaqueta de marca numa loja badaladíssima do BH Shopping, em Belo Horizonte. Eu estava lá a passeio e o vendedor me fez a descrição completa do produto, falando do último desfile na SPFW e que era produzida com “Couro Ecológico”. Eu, dentro da minha ignorância, comprei a peça na certeza de estar fazendo o melhor negócio do mundo, afinal, nenhuma vaquinha havia sido morta para que eu pudesse usar aquela roupa. O apelo da ecologia já estava muito na moda e a bandeirinha verde permanecia em minha mão... eu só não me ligava que o tal produto, de ecológico não tinha nada, afinal era feito a base de petróleo, sem contar que sua durabilidade é menor.

Meses depois, numa tarefa profissional, fui até um frigorífico para uma reunião e visitei a linha de produção. Descobri que a partir do momento que uma vaquinha é abatida para consumo, tudo nela é aproveitado... carne, ossos, chifre, couro... até os pelinhos do nariz do boi servem para fazer aqueles pinceizinhos que as meninas usam para se maquiar. Sou contrário ao uso de casaco de peles de animais silvestres, quando se extrai e até se elimina uma espécie da natureza, mas entendi que é muito menos ecológico eu incentivar a fabricação de uma imitação de couro feito de plástico do que usar uma jaqueta de couro verdadeiro que já faz parte do processo de produção da indústria da pecuária bovina. Se o leitor tem algo contra o abate de animais pra consumo, respeito totalmente, mas não concordo em dar o título de “ecológico” a um material sintético.

E o mercado está cheio de consumidores que não consomem produtos, mas sim marcas. E com todo o respeito aos publicitários que vivem para valorizar as marcas, precisamos entender que estudar em uma escola mais conhecida não quer dizer necessariamente que vai aprender mais, assim como treinar numa academia cujo nome é difundido nacionalmente também não quer dizer que o resultado será bom. Minha amiga disse que prefere treinar na academia do Shopping porque a marca é “mais forte” e recentemente pipocou em tudo quanto é lugar. E eu perguntei: treinar lá, onde a marca é mais forte, também te deixa mais forte também? Nem sempre... basta ver que uma das redes de faculdade que mais cresce no Brasil é também sinônimo de formação de baixa qualidade. Empresas com mentalidade muito comercial tendem a trabalhar somente com indicadores e pensar muito no lucro e pouco no resultado oferecido pela sua prestação de serviços e o fato de haver uma marca mais conhecida não quer dizer que a mentalidade é boa.

Voltando ao caso do Alexandre, estagiar naquela Multi Nacional pode sim ser uma boa oportunidade para conhecer as rotinas de uma grande empresa. Mas ao avaliar que ele precisará vencer quase 4 horas de deslocamento diário no trânsito de São Paulo, para um contrato de estágio de 12 meses sem possibilidade de efetivação, a gente começa a pensar se a primeira opção, um laboratório de médio porte que tem convênio com a sua faculdade não seria uma porta de entrada mais adequada ao mercado de trabalho que pudesse lhe dar também maior tranqüilidade inclusive para concluir seu curso superior. Mas o Alexandre, assim como minha colega que treina na academia... se ligam em marca! 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Ético e o Esperto

Aprendi com o meu grupo de network que confiança tem curva. É isso mesmo, tem curva. Essa curva se inicia no ponto onde ela começa a aumentar naturalmente, sem que haja esforço para tanto. Quando conhecemos alguém, fazemos uma leitura involuntária de seu jeito de agir, de falar, de se comportar (chamamos isso de sexto sentido). Criamos imediatamente uma “primeira impressão” desse alguém, que pode ser positiva ou negativa e que, por bastante tempo, será a imagem que temos do sujeito. Até este ponto, se a relação depender de alguma confiança, ela será por pura opção. Ou seja: confio em fulano porque OPTEI em confiar.

Porém, algumas coisas podem nos fazer aumentar o nível de confiança, desde boas referências de alguém conhecido até o histórico e a reputação de um curriculum. Comercialmente, temos a tendência de confiar mais em empresas mais antigas, mais representadas e maiores do que nas empresas menores ou recém fundadas. Temos sempre a sensação de que as marcas mais conhecidas nos dão uma garantia maior de que o serviço ou o produto será entregue de acordo com o combinado, talvez porque essa marca tivesse mais a perder do que outras menores. Na prática, isso nem sempre se confirma, pois os bancos e as telefônicas estão entre as marcas as mais divulgadas do país e também são as campeãs de reclamações nos Procons municipais.

Ser digno de confiança é algo muito importante. Podemos notar que, mesmo as pessoas com menos caráter tentam ganhar a confiança de alguém para poderem ter alguma suposta vantagem em alguma coisa. Então, no mercado de trabalho, encontramos dois tipos de pessoa: o ético e o esperto. Dependendo das tradições e da cultura de uma pessoa, ela valoriza a esperteza, a malícia e a habilidade de aproveitar qualquer brecha para se beneficiar e, quem sabe, subir degraus e atingir seus objetivos. São pessoas que querem apenas se dar bem, tendo pouca ou nenhuma preocupação com o bem estar dos outros ou de como isso vai influenciar em sua comunidade. O ponto negativo de ser uma pessoa assim é que fará uma relação podre com a sociedade e aqueles ao seu redor também viverão procurando as mesmas brechas para a derrubarem, usando contra ela as mesmas espertezas.

O outro perfil é o do ético e correto, que constrói uma relação em cima de anos de prova de fidelidade, com práticas confiáveis e a tradição de agir conforme as regras, mesmo perdendo alguma oportunidade ilícita de obter benefícios momentâneos. Este profissional geralmente colherá os frutos somente depois de um determinado período e é por isso que alguns ansiosos preferem o caminho mais curto. Mas quando o cara entende que viver em um mundo sem regras dá apenas uma sensação de liberdade e não a liberdade real, ele passa a cumprir as etapas da boa vizinhança. Quando não existem regras e nem deveres, também é impossível existirem os direitos e a relação passa a ser a lei do mais forte e do mais esperto. Aparentemente isso é bom para o forte ou esperto, mas a gente precisa sempre lembrar que na selva, sempre há o predador do predador e num mundo sem lei sempre vai surgir o outro, ainda mais esperto.

Melhor mesmo, ainda é a velha lei da confiança, que por mais que mudem as gerações, ela continuará valendo e sendo valorizada pela população de boa fé. A boa notícia é que, ao longo da história, ser ético e correto tem trazido mais benefícios do que a tirania pura. Pode acreditar!