quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Como o consumidor se liga em marcas



Ontem eu conversei com o Alexandre, que é um estudante de biologia em busca de estágio. Como sempre acontece em nossas vidas, ele também teve uma experiência com a lei da atração, ou seja, quando a gente está positivo, aparecem várias oportunidades ao mesmo tempo. Porém, somente estarmos positivos não é garantia de sucesso se também não estivermos instruídos. Ele, por exemplo, já estava apalavrado com uma empresa para começar a estagiar no próximo dia 1º, mas recebeu outro convite e dispensou o primeiro estágio em razão do segundo. Até aí nada de mais... a não ser por ter tomado esta decisão simplesmente por acreditar que a segunda empresa é mais forte que a primeira, sem avaliar o que realmente importa.

Isso me lembrou a vez que eu comprei uma jaqueta de marca numa loja badaladíssima do BH Shopping, em Belo Horizonte. Eu estava lá a passeio e o vendedor me fez a descrição completa do produto, falando do último desfile na SPFW e que era produzida com “Couro Ecológico”. Eu, dentro da minha ignorância, comprei a peça na certeza de estar fazendo o melhor negócio do mundo, afinal, nenhuma vaquinha havia sido morta para que eu pudesse usar aquela roupa. O apelo da ecologia já estava muito na moda e a bandeirinha verde permanecia em minha mão... eu só não me ligava que o tal produto, de ecológico não tinha nada, afinal era feito a base de petróleo, sem contar que sua durabilidade é menor.

Meses depois, numa tarefa profissional, fui até um frigorífico para uma reunião e visitei a linha de produção. Descobri que a partir do momento que uma vaquinha é abatida para consumo, tudo nela é aproveitado... carne, ossos, chifre, couro... até os pelinhos do nariz do boi servem para fazer aqueles pinceizinhos que as meninas usam para se maquiar. Sou contrário ao uso de casaco de peles de animais silvestres, quando se extrai e até se elimina uma espécie da natureza, mas entendi que é muito menos ecológico eu incentivar a fabricação de uma imitação de couro feito de plástico do que usar uma jaqueta de couro verdadeiro que já faz parte do processo de produção da indústria da pecuária bovina. Se o leitor tem algo contra o abate de animais pra consumo, respeito totalmente, mas não concordo em dar o título de “ecológico” a um material sintético.

E o mercado está cheio de consumidores que não consomem produtos, mas sim marcas. E com todo o respeito aos publicitários que vivem para valorizar as marcas, precisamos entender que estudar em uma escola mais conhecida não quer dizer necessariamente que vai aprender mais, assim como treinar numa academia cujo nome é difundido nacionalmente também não quer dizer que o resultado será bom. Minha amiga disse que prefere treinar na academia do Shopping porque a marca é “mais forte” e recentemente pipocou em tudo quanto é lugar. E eu perguntei: treinar lá, onde a marca é mais forte, também te deixa mais forte também? Nem sempre... basta ver que uma das redes de faculdade que mais cresce no Brasil é também sinônimo de formação de baixa qualidade. Empresas com mentalidade muito comercial tendem a trabalhar somente com indicadores e pensar muito no lucro e pouco no resultado oferecido pela sua prestação de serviços e o fato de haver uma marca mais conhecida não quer dizer que a mentalidade é boa.

Voltando ao caso do Alexandre, estagiar naquela Multi Nacional pode sim ser uma boa oportunidade para conhecer as rotinas de uma grande empresa. Mas ao avaliar que ele precisará vencer quase 4 horas de deslocamento diário no trânsito de São Paulo, para um contrato de estágio de 12 meses sem possibilidade de efetivação, a gente começa a pensar se a primeira opção, um laboratório de médio porte que tem convênio com a sua faculdade não seria uma porta de entrada mais adequada ao mercado de trabalho que pudesse lhe dar também maior tranqüilidade inclusive para concluir seu curso superior. Mas o Alexandre, assim como minha colega que treina na academia... se ligam em marca! 

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