domingo, 13 de janeiro de 2013

Concorrência estrangeira: prepare-se para ela



Li num artigo do Ricardo Amorim que em 2012 mais de 55 mil estrangeiros receberam vistos para trabalharem no Brasil. Fica claro que isso é reflexo da grande movimentação do mercado brasileiro, que gera crescimento econômico, produção e empregos. Mesmo considerando ser este um fato positivo, já falamos em outros textos recentes que nosso país vive uma fase onde a mão de obra disponível é menor do que a procura pela prestação se serviços, o que gera um problema que, em longo prazo e se não cuidado, poderia ser tão grave quanto o desemprego. Como solução, alguns segmentos têm estimulado a migração de trabalhadores bolivianos, peruanos e de alguns países da América Central para estancar esta nossa necessidade.

Hoje o setor de serviços vive uma ligeira queda de qualidade. Como o prestador não tem tempo suficiente para treinar sua equipe, ele acaba deixando pessoas com menos qualificação (ou qualidade) desenvolverem as tarefas. Antes, para desenvolver um serviço, havia treinamento e acompanhamento por parte dos mais experientes. Hoje, como as pessoas permanecem pouco tempo numa mesma empresa, as organizações não têm tempo de treiná-las, colocando-as para operarem antes mesmo de estarem prontas. Além disso, o médio prestador de serviços, que antes se dedicava a supervisionar seus ajudantes, na falta destes passou a por a mão na massa e, com isso, deixa de lado o preparo de seus substitutos.

Hoje (domingo) fui logo cedo à padaria e não pude deixar de notar que o local estava menos limpo que o habitual. Reparei que as pessoas do outro lado do balcão eram novatas e perguntei a uma delas pelo proprietário. A moça respondeu que ele estava trabalhando no forno e assando os pães, porque o padeiro havia faltado. Pensei: de lá não dá pra ver esta sujeira mesmo. O fato é que a falta de mão de obra faz cair a qualidade da prestação de serviços e isso pode ser notado todos os dias em quase todos os lugares. Como não se encontra gente boa, contrata-se o mais ou menos e às vezes até o ruim. E quem sofre é o público consumidor, que somos todos nós, inclusive o próprio trabalhador que troca de empregos deliberadamente.

Numa polêmica sobre o assunto, ouvi alguém defender mesmo a importação de mão de obra estrangeira para ocupar postos que os brasileiros não querem mais ocupar, o que de certa forma, me parece a única coisa a fazer. Mas se avaliarmos melhor as consequências, lembraremos que os estrangeiros também são pessoas inteligentes e capazes, que chegam aceitando qualquer desafio, mas que aprendem rapidamente e se qualificam a ponto de, no futuro, serem também uma concorrência para os brasileiros que, diante da forte oferta, se acomodam. O que estou tentando dizer é que todo feitiço, depois de um tempo, acaba caindo contra o próprio feiticeiro e aqueles que vieram para trabalhar podem crescer e virarem patrões. Basta ver que no início do século XX o Brasil estimulou a imigração de europeus fugidos das guerras para substituírem os escravos na lavoura e depois de um tempo, a maior parte deles enriqueceu, tornando-se a classe dominante simplesmente porque estava mais preparada e mais acostumada a trabalhar. 

Isso só não acontece nos Estados Unidos porque o governo mantém os imigrantes como ilegais... e no Japão, porque os japoneses gostam de trabalhar e não se acomodam. Diante desta nossa realidade, um jovem que realmente quer aproveitar seu tempo e sua juventude, deveria precaver-se contra qualquer tipo de concorrência que ele possa ter, seja ela brasileira ou não. Ao contrário do que a massa pensa, formar-se numa faculdade não é mais o passaporte para o sucesso, pois hoje em dia o diploma universitário é algo que qualquer pessoa pode facilmente ter. Numa conversa recente que tive com uma classe de universitários, me perguntaram quais são as dicas quentes e seguras para o momento. Eu enumerei três: 

1 – esteja na ativa e aprenda a fazer um trabalho carinhosamente, de maneira única e de um jeito que não seja qualquer um que faz. Seja empreendedor, pense sempre como empresa, pois quando você for empresário já terá experiência no assunto.
2 – prefira um trabalho onde você possa conhecer pessoas, pois é no contato com elas que o jovem aprende a maioria das coisas que lhe serão úteis no futuro.
3 – aprenda um novo idioma, afinal, os estrangeiros que chegam ao Brasil já falam ao menos um, além do português. E eles, rapidamente... vão aprender o nosso.

3 comentários:

  1. No Brasil da carência de mão de obra especializada existe um exército de profissionais bem formados, experientes e qualificados que gostariam e precisam trabalhar, mas que aqui são deficientes totais porque têm mais de 50 anos. Mas os estrangeiros são melhores...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade... Mas sinto dizer que existem alguns cargos em que nem a geração anterior se interessa. A bem da verdade, quando os empregos começaram a aumentar no Brasil eu tambem pensei que iria acomodar aquele pessoal com mais de 50, porém, o que se nota é que eles querem concorrer com os jovens, afinal sentem-se totalmente capazes para isso. Mas o mercado é preconceituoso e quando tem as duas opcoes, prefere os jovens.
      Para a funcao de garcom, por exemplo, pouquissimos se candidatam.

      Excluir
  2. eu gostei muito desse texto. tambm percebi que o colegio do meu filho não tem professora para o jardim, eles ficaram uma semana sem aula no ano passado.

    ResponderExcluir

Para comentar este artigo, escreva seu comentário, assinale a opção "NOME/URL" e clique em "publicar comentário".

SUA OPINIÃO, FAVORÁVEL OU CONTRÁRIA, É FUNDAMENTAL PARA MOTIVAR O BLOGUEIRO. NÃO DEIXE DE ESCREVER!