quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Fazendo sujeira... e andando


Sabemos que o que o jovem busca de verdade é reconhecimento. Ele passa quase toda a sua adolescência tentando se incluir em um grupo, tribo ou turma que faça coisas legais e que, por conseqüência, dê a ele o status de pessoa popular. Para conseguir ser popular, o indivíduo se aproxima de outros que o são, na tentativa de aproveitar um pouco da luz dos holofotes e aparecer, o que lhe geraria o prazer naquele momento. Para viver esta inclusão, precisa mostrar suas “qualidades” através de características próprias e/ou por ele produzidas que venham agradar o grupo no qual quer se inserir. Uma maneira de se aproximar é fazer coisas que o grupo faz, ou seja, tornar-se um “igual”. 

A maioria da molecada consegue esta tarefa, mas alguns que têm o espírito de liderança entendem que precisam gerar a admiração por parte dos outros para poderem aparecer ainda mais. Quando o cara chega neste estágio, ele deixa de querer ser um "igual" e passa a puxar estilo tentando ditar o ritmo, para tornar-se um “diferente”. Isso tudo, associado ao fato de serem os jovens, pessoas corajosas e até um tanto inconsequentes, cria uma disputa para ver quem consegue ser mais ousado. Ou seja, na forma com que se diz por aí: o cara passa a querer “causar”. Recapitulando: Ele quer ser igual para depois ser diferente. Mas quer ser diferente de uma forma mais ousada, sempre. Começa a fazer coisas para mostrar que é ousado, corajoso e “f...dão”. Usa roupas que chocam, adereços modernos, produz barulho no carro (seja com musica ou motor) e o prazer de “causar” é infinitamente maior do que o desprezível desconforto físico que isso pode trazer. 

E é nessa hora que chegamos no uso de uma expressão popular muito comum: o cara está “Cagando e Andando” para os outros. Embora quem literalmente faça isso seja o cavalo, que defeca enquanto anda, a expressão ilustra o perfil de pessoa que age sem se preocupar com o que suas atitudes podem gerar de chateação para quem vem logo atrás. Para eles, o que importa é encontrar caminho limpo pela frente em direção aos seus interesses. O lixo que fica para trás não importa porque não têm a menor intenção (ou consciência) de passarem por lá novamente. E quem cria estes monstros? Na maioria das vezes, a própria família. Basta dizer que quando o pai cede ao choro de uma criança e, por falta de paciência de doutriná-la, a deixa fazer algo fora das regras, ele está ensinando que com um pouco de choro, escândalo ou barulho sempre se consegue o que quer.

Pais que deixam o filho o tempo todo na frente do computador, vídeo-game ou televisão estão “terceirizando” a educação dessas crianças. Parece ser mais fácil, parece dar menos trabalho, mas o preço a ser pago no futuro é incalculável. Pais que se curvam as vontades dos filhos porque acreditam que eles tem gênios “impossíveis” estão criando e alimentando monstros, que se tornarão adultos sem limites de convivência. Se os pais não conseguem dar limites ao filho quando ainda é criança, como farão para segurá-lo e livrá-lo do mau caminho quando o mesmo tiver 16 ou 17 anos? As crianças mimadas de hoje serão justamente os jovens inconsequentes de amanhã, que vão cag...r e andar, sem preocuparem-se com os outros.

Faça seu filho, desde cedo arrumar o quarto. Se ele sai e deixa os lençóis amontoados, encontrando tudo arrumadinho na volta, vai entender que pode usar e abusar das coisas do mundo que, no dia seguinte, encontrará como era antes. Assim acontece com a louça do café, o tênis jogado no chão da sala e a lição da escola. Como podemos querer adultos com responsabilidade social se não ensinamos as crianças a terem responsabilidade familiar? Precisamos fazê-las entender que ao "cag...r e andar", estamos agindo com a mesma truculência e desinteligência de um cavalo, pois no futuro nós voltaremos a caminhar por ali.

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