quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O efeito Neymar, no mundo corporativo

                                

Na semana passada eu conversei com um amigo empresário, presidente de um grupo com empresas em 6 países, entre eles, China e Japão. Ele me contava de suas aventuras pelo velho mundo, onde há diferenças culturais enormes, algumas que não fariam o menor sentido em nossa sociedade latino americana. E quando eu perguntei o que ele mais aprendeu com todos esses anos viajando o mundo a trabalho, a resposta veio de forma imediata:

- Aprendi a obedecer!!!

- “Obedecer???” – perguntei eu.

E ele simplesmente repetiu a resposta, no mesmo tom de voz e com a mesma calma. Deste instante em diante, passou a me explicar o sentido do que havia me dito, dando alguns exemplos claros. Segundo ele, um dos principais fatores foi perceber que quanto mais ele crescesse, mais precisaria se prender as regras e ao plano de negócios. Ao contrário do que todos pensam, um grande empresário, com boa condição financeira e empresas crescendo, está cada dia mais longe de fazer apenas o que bem entende. Ele tem sim uma liberdade maior de viagens, horários, gastos financeiros e outros luxos, mas se quer manter-se no topo, precisa passar segurança aos seus clientes e investidores.

Lembrei-me do caso recente do atleta Neymar, que achando que “podia tudo”, armou uma enorme confusão com o seu mentor, o técnico Dorival Junior. Aquele episódio que muitos se recordam fez a opinião pública se virar contra jogador e culminou na fama de “garoto problema”, infinitas críticas da imprensa e até na perda de alguns dos seus patrocinadores, que não gostariam de associar as suas marcas a uma personalidade sem disciplina. Sua sorte foi que ao seu lado havia pessoas de boa cabeça que o aconselharam a mudar as atitudes, pois se não o fosse, ele ficaria sem ambiente em seu próprio meio profissional. Ou seja, ainda que fosse rico, levaria uma vida de contestação.

O que meu amigo tentava explicar é que ter alguém te cobrando não é algo tão ruim quanto parece. Os limites de um profissional bem sucedido serão os degraus para patamares maiores. E mesmo em casos específicos, de algumas profissões onde a imagem revolucionária pode contribuir (como um músico de rock), a falta de limites conseguirá ser mais nociva do que as vantagens supostamente alcançadas. A banda Guns & Roses é um exemplo disso, em um meio onde se vende a liberdade de idéias, os constantes atrasos em shows e apresentações têm acabado com o retorno financeiro daquela que era considerada a grande revelação do gênero no fim do século passado.

Participar de entidades filantrópicas me ajudou a entender isso. Quando iniciei, eu era proprietário de minha própria empresa, não tinha chefe e vivia uma razoável estabilidade profissional. Chegava ao trabalho conforme meu próprio planejamento, mudava planos de última hora e me via sem a obrigação de me provar. Porém, para ser útil na filantropia, precisei treinar e obedecer as regras de cada organização, aguardar o passar do tempo para poder conquistar direitos e assumir os cargos. Quando esses cargos vieram, voltei a ter alguém me cobrando tarefas. Hoje, depois de várias atuações neste meio, entendo que ter pessoas nos coordenando em alguns campos da nossa vida pode facilitar a nossa tarefa de coordenarmos pessoas em outros. No trabalho voluntário, em especial, há um desafio ainda maior: os líderes de uma organização têm a árdua tarefa de “liderar pela liderança”... afinal, voluntários são pessoas livres e sem obrigações contratuais de obediência. Se fazem, fazem porque querem e o papel do líder é dar bons exemplos sempre, a fim de estimulá-los a quererem continuar fazendo.

Publicado originalmente em www.jornalzenite.com.br em 31/12/2012 e adaptado para este blog

Um comentário:

  1. Humildemente relato que aprendi muito com este texto por esta no contexto que estou vivenciando.Estou em um processo de auto disciplina, e ter um mentor, uma pessoa que te ajude no seu direcionamento e aponte as anomalias que possam surgi no seu planejamento pessoal ou profissional é essencial. Por vezes queremos falar e o nosso ego fica um tanto que ferido quando temos que ouvir. As vezes esquecemos que somos limitados e que o conhecimento assim como a obediência aos nosso mentores são essências para o aperfeiçoamento. Usando como exemplo citado "O caso Neymar" que poderia dar tudo errado mas graças ao seu pai como que controla e direciona a sua carreria foi decisivo para ser o que ele é hj, um simbolo nacional e internacional do futbol brasileiro. Aprender a ouvir e aprender obedecer aqueles com experiencia é dos grandes pilares do crescimento profissional e pessoal.

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