domingo, 17 de fevereiro de 2013

A turma do Amendoim


Toda empresa, por mais unida que seja, sempre tem a “Turma do Amendoim”. Este termo ficou conhecido em todo o Brasil em 1999, quando o então técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, era seguidamente criticado por torcedores que ficavam atrás do banco de reservas, nos jogos que eram realizados no Parque Antártica. Na época, Felipão declarou em entrevista coletiva que “alguns torcedores apenas vão ao estádio para comer amendoim e reclamar do time”. Ficou então esta expressão institucionalizada para denominar as pessoas que reclamam continuamente, sobretudo à toa, de algo que supostamente não dá motivos para as queixas.

Se a torcida do Palmeiras tem ou não seus motivos para reclamar, deixo a discussão para os comentaristas esportivos. Mas que há aquelas pessoas que pagam, investem tempo, energia e neurônios para fundamentar reclamações idiotas, isso de fato há. E normalmente, os que mais reclamam são também aqueles que menos trabalham por fazer algo melhor. Para piorar, sempre acham que estão certos, pois todo incendiário do descontentamento tende a seduzir os mais negativos para as suas passeatas e piquetes, afinal é mais fácil justificar o insucesso colocando a culpa na ferramenta do que em si mesmo e é por isso que os reclamões conseguem seguidores entre os mais lamentosos. É como se cortassem os próprios dedos para poderem reclamar das limitações que os impedem de render.

Dizia um ditado antigo que o lado bom de competir contra apenas mais um competidor é que, mesmo perdendo, você pode falar que foi o segundo colocado e que o seu oponente foi o penúltimo. É justamente desses trocadilhos que vive a tal turma da discórdia... imaginem um grupo de 40 pessoas, onde 30 delas estão satisfeitas com o andamento do trabalho, 8 são neutras e 2 contrárias... essas duas pessoas contrárias começam dizendo que “há um grupo que não está totalmente alinhado com as decisões da liderança”. Como dizem os americanos, tecnicamente não é mentira, mas na prática também não representa a verdade e nem reflete o pensamento da maioria.

Uma vez, numa convenção de uma empresa, me deparei no coffee break com dois parceiros que estavam reclamando intensamente do conteúdo do evento. Reclamavam de tudo, desde a pauta, assuntos abordados, linguagem utilizada e até do horário que terminaria. Argumentavam que parceiros mais novos como eles precisavam de um treinamento mais básico e inicial, nem que para isso o evento tivesse que ir até mais tarde. Como todo reclamante faz isso em tom de voz muito alto, em poucos minutos já havia mais três que tinham (ou passaram a ter) a mesma opinião acompanhando a conversa. Depois de ouvir e argumentar a respeito, eu resolvi que deveria interferir e conversei com os “treinadores de campo” da empresa para que eles se disponibilizassem a ficar por mais duas horas no hotel, uma vez que cinco parceiros estavam com dificuldades.

No final do expediente, o Mestre de Cerimônias encerrou aquela fase do evento e pediu que todos os que precisassem de instruções mais detalhadas, que ficassem na sala. Os mais de 80 participantes saíram do recinto, inclusive os 5 reclamões que já tinham combinado um happy hour num barzinho da região. Além dos treinadores, ficamos eu e mais dois ou três veteranos que se interessaram por rever as técnicas. Ah... vale lembrar que no outro dia ficamos sabendo que o assunto do bar era justamente a suposta falta de suporte que a matriz vinha oferecendo.

Conclusão: o incendiário sempre irá reclamar. Por isso é que a maioria das ferramentas de avaliação de satisfação, nas empresas, utilizam o descarte do desvio padrão, que nada mais é do que não compilar a opinião dos puxa-saco e nem da turma do amendoim.

Um comentário:

  1. Achei legal o seu artigo .Realmente muitas das vezes queremos fazer algo e somos puxados para trás por aqueles que só ficam reclamando e não fazem nada .Mas chego a conclusão que se podemos proporcionar mudanças positivas para a empresa devemos fazer ,devemos contaminar o ambiente com crescimento .

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