quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Viver de aparências pode inibir a intensidade de seu potencial



Aprendi com meu ex-chefe que nunca devemos elogiar uma pessoa pelo que ela pode fazer, mas sim pelo que fez ou faz. O motivo é simples: boa parte dos profissionais trabalha por reconhecimento e quando o obtém antes de trabalhar, tende a afrouxar as engrenagens, pois já conseguiu o que queria. Com o aumento da oferta de trabalho, isso acontece muito nas empresas... os chefes elogiam os seus funcionários para trazê-los mais para próximo e não percebem que estão matando o gigante que eles deveriam mesmo era acordar.

A Seleção Brasileira de Futebol do técnico Carlos Alberto Parreira foi muito criticada antes da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, por ter feito todos os jogos preparatórios contra times inexpressivos. Marcavam jogos contra países sem tradição no futebol para que pudessem dar show sem desgastar os jogadores, mas o resultado foi bem contestado, pois na competição válida, os times não eram assim tão fáceis de serem batidos. É mais ou menos a mesma coisa que treinar a noite para uma maratona que será disputada ao sol do meio dia.

E hoje, o que percebemos na Geração “Y” é uma ansiedade muitíssimo grande para conseguir as coisas (status). Quando os jovens têm boa condição financeira, têm o hábito de ostentar e, quando não têm, dão um jeito de ostentar assim mesmo (pois entendem que todo mundo ostenta). Com a chegada das redes sociais, essa necessidade passou a ser ainda maior... já ouvi inúmeros relatos de pessoas de classes sociais mais limitadas que afirmam gastarem o salário e mais um pouco para acompanharem nas baladas os amigos mais afortunados. Meninas se casam com o primeiro namoradinho que aparece, enganam-se num suposto grande amor, mas o que buscam na verdade é uma maneira de sair de casa, daquele bairro, daquela vida, sem pensar que o preço a ser pago por isso pode ser maior do que seus problemas momentâneos.

Diz uma velha (mas atualíssima) regrinha para o sucesso, que a gente deve ter sempre em mente as nossas metas e os nossos objetivos. Quando fingimos já ter aquilo que ainda não temos, sem perceber nós satisfazemos um pouco a nossa vontade (que curiosamente é o que nos faz superar desafios). Com isso, matamos a nossa principal força (que é a força de vontade) e vivemos na mesma ilusão de um drogado, que finge ser feliz, mas se esquece que o efeito passa em pouco tempo. Viver apenas de falsas aparências pode inibir a força e a intensidade de seu trabalho, junto com a possibilidade que existia de ter conquistas.

Não adianta fazer check-in no facebook ao passar de ônibus em frente ao restaurante mais chique da cidade, assim como não adianta marcar um jogo-treino contra o time do “Saci Pererê” se não consegue ganhar o jogo que realmente vale. Também é inútil ter o falso reconhecimento dos seus chefes se ninguém vive de bajulação. Qualquer imagem, para ser válida, deve ser fruto da verdade e qualquer abordagem educativa precisa ser feita pelo desafio ao potencial do ser humano. A “raça” que tanto se fala em ambientes de sucesso, se for verdadeira, somente pode ser satisfeita quando a conquista existe de maneira real e usando as ferramentas lícitas do seu verdadeiro potencial.

Fingir ter uma medalha no peito é válido somente se for como exercício ou mentalização. É útil apenas para dar ao profissional mais vontade de ganhar a medalha de verdade. Portanto, cuidado pra não se conformar com a sua ilusão.

4 comentários:

  1. Percebo que devido ao crescimento da economia dos últimos anos, houve uma necessidade de preencher posições de liderança com jovens dessa geração Y (o que não há nada de errado). O porém é que tais jovens, por vezes, acreditavam que já estavam totalmente capacitados para essas funções e tomavam decisões equivocadas que acarretavam consequências profundas nas empresas. O resultado disso é que mesmo com esse crescimento da economia e das empresas, os resultados foram comprometidos. Vejo muito isso na área em que atuo (construção civil). Muitas empresas cresceram, muitos projetos grandiosos surgiram, porém os resultados não. Pelo contrário, muitos projetos com prejuízos significativos. Sendo necessário recrutar profissionais aposentados para colaborarem com suas experiências e com sua paciência. Aquela velha resposta a uma pergunta: Você quer que eu responda rápido ou certo? O segredo é o equilíbrio (roubando o termo que o Tite adora usar!)

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  2. Há algum tempo tenho tido essa mesma percepção: quanto mais elogio, pior.
    Neste caso, eu prefiro realçar o talento sem dar a impressão que a pessoa está 'de parabéns'.
    Um caso aconteceu comigo:
    A estagiária, ao final do meu horário, me barra no corredor e diz: Carlos, desculpa, hoje é meu primeiro dia e prometo melhorar.
    Eu respondi: Não esquenta, foi tudo certinho, mas, não erre mais.
    Nota: realmente, ela se comportou bem melhor que a média, mas eu jamais ia falar isso para aumentar a segurança dela. Se foi certo ou não, só o tempo irá dizer; mas, já quebrei muito a cara elogiando de antemão a quem, no futuro, frustrou todas as minhas expectativas.
    A gente está sempre aprendendo...
    É isso.

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  3. Adorei o artigo ,realmente é o que estamos vivenciando .Muitas pessoas estão a procura de um status sem nenhuma outra percepção da realidade ,apenas para mostrar aos outros o que na verdade não admite a si próprio que aquela não é sua realidade .Mas tudo isso vem de um longo processo !

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  4. Sempre aprendendo com vc.Valeu!

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