domingo, 10 de março de 2013

Como lidar com a sensação de perdas?


Um dos maiores desafios do mundo capitalista é lidar com a sensação de perdas. Desde perdas afetivas, como a de um namorado ou namorada, a perda da juventude com o passar dos anos ou mesmo as perdas materiais, como a necessidade de vender um bem ou patrimônio para pagar as contas. Este sentimento de regressão é responsável por boa parte das quedas de produtividade dos atletas, dos empresários e dos profissionais de área comercial. Em áreas onde a competitividade é constante, controlada por números e com medidas bem definidas, as pessoas são continuamente estimuladas a perseguirem metas maiores. Nestes casos, a oscilação de resultados pode levar algumas pessoas até ao estado depressivo.

Lidar com isso de forma inteligente pode ser o que determina a estabilidade de uns, volta por cima de outros ou a derrocada total daqueles que mantém o coração duro. Crises acontecem por diversos motivos, que podem ser pessoais e internas ou criadas por fatores “extra campo”, as vezes até fora do próprio controle e que influenciem no ramo de atuação. Elas existirão de tempos em tempos e precisam ser superadas com muita força de vontade e criatividade. Em geral, quanto mais o profissional em crise se lamenta pela perda, mais tempo ele vai seguir em queda. É como aquele colega que tem um carro financiado cujas parcelas estão atrasadas e o veículo sujeito a busca e apreensão... quanto antes o devedor se livrar do bem, antes se recuperará do problema financeiro. Neste último exemplo, na maioria das vezes o devedor luta durante meses pagando parcelas atrasadas com juros altos até se concientizar e devolver o carro ou perdê-lo por força da justiça.

Ontem eu atendi um garoto de dezesseis anos que nos procurou por telefone para saber de nosso curso de inglês. Como ele tem pouca idade, o convidei a conversar comigo na presença dos seus responsáveis e foi quando ele passou a ligação ao seu pai para falar comigo. O homem me disse que gostaria muito de nos conhecer devido a nossa fama de seriedade, mas que estava impossibilitado de sair de casa, me convidando então a ir até lá. Como era num sábado, marquei para o final do horário e depois de sair da empresa, fui até a residência daquela família, onde encontrei um garoto muito inteligente e um pai muito simpático e determinado a proporcionar para o filho o aprendizado do novo idioma. Porém, a conversa aconteceu ao lado de uma cama com um cidadão acidentado e sem movimentos.

Respeitar profissionalmente as pessoas que vivem momento de crise é muito importante. Há situações em que percebemos os vitoriosos sarreando e desdenhando dos mal colocados, mas o que normalmente os campeões não percebem é que precisamos ter cuidado sempre com as voltas da vida, evitando assim a arrogância e a prepotência, pois com um pequeno vacilo, um profissional forte e motivado pode cair num problema grave. É assim também no caso da saúde, uma pessoa atlética e saudável pode descobrir uma doença de um dia para o outro ou pode sofrer um acidente que de repente muda a sua vida. Dirigir com cautela, ter boa alimentação ou manter-se atento e disciplinado no trabalho são cuidados que podem diminuir os riscos, tentando assim evitar os tais sustos. Mas a onipotência... essa definitivamente não existe aqui embaixo.

A grande lição de vida que eu tive ontem foi ver uma família lidando calmamente com uma situação altamente difícil, mas sem lamentações. Na saída, quando o garoto me acompanhou até a porta, ele me disse que seu pai já contabilizou os prejuízos físicos causados pelo acidente e não pensa mais nisso... que está mais preocupado agora em recuperar os movimentos da cintura para cima e poder ficar sentado em uma cadeira de rodas, o que já lhe seria uma enorme evolução. Pela nossa experiência profissional, percebemos que aqueles que não se desapegam dos bens perdidos tendem a não desapegar também dos sentimentos negativos que estimulam a fraqueza e a depressão. Então, para as pessoas fisicamente saudáveis cheias de lamentações, aí está um bom exemplo: pense no que você pode evoluir a partir do presente e use o passado apenas como fonte de aprendizado.

Conclusão: Desapegue!

2 comentários:

  1. Apropriada a ligação entre a 'filosofia do desapego' e um storytelling.
    Muitos de nós, ainda que inconscientes, nos recusamos a deixar até aquilo que nos prejudica.
    O tempo que gastamos em lamentar apenas, pode ser bem maior do que aquele que empregaríamos fazendo algo a nosso favor.
    É isso.

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  2. Para que nõ fique tudo no prejuizo,temos que tirar lições das perdas que nos forem apresentadas.

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