quarta-feira, 3 de abril de 2013

A independência virtual


A contínua evolução tecnológica dos últimos 20 anos mexeu realmente com a vida das pessoas em geral, mas mexeu principalmente com a paz e tranqüilidade que rondava os departamentos de RH. A chegada do computador as pequenas e médias empresas no início dos anos 90 fez com que aquele velho chefe de departamento tivesse que trocar a máquina de escrever pelo PC e as pastas pelas planilhas. Mais que isso, o chefe que decidia, naquele momento, continuar sua carreira, precisou quebrar seus paradigmas, jogar fora quase toda a sua bagagem e reaprender a lidar com as pessoas, pois trocou também os comportados e obedientes funcionários de um só emprego pela ansiosa e concorrente Geração Y.

Fazendo uma pequena reflexão, me lembrei do tempo em que eu era criança e precisava me levantar para trocar o canal da TV através de um seletor giratório. Mais tarde surgiu um seletor digital (com teclinhas que me permitiam ir direto ao canal desejado), controle remoto com fio, depois um modelo sem fio e, em alguns casos, até controle por voz. O computador que era estático e instalado em algum canto da casa, passou a ser flexível com a chegada dos notebooks e os longos cabos de rede, mais móvel ainda com os roteadores e extremamente móvel com os chips 3G e 4G. Observem que antes a gente se deslocava até o entretenimento e hoje nem precisamos sair da cama para estarmos conectados ao mundo.

As redes sociais contribuíram muito pra isso também, afinal as fofocas que antes tinham alcance limitado dentro de uma empresa ou filial, com alguma pouca repercussão na família, passaram a funcionar online e em tempo real. O “ouvinte” da Rádio Peão agora se atualiza pelo Facebook e pode interagir a qualquer momento. Preocupadas com isso, no início do novo milênio as empresas passaram a bloquear em seus computadores o acesso dos funcionários a determinados sites e blogs. Esta solução era apenas momentânea, pois hoje quase todos os funcionários têm seus próprios tablets e smartphones com conexão ilimitada. Se o chefe bloqueia o acesso ao Twitter pelo computador da empresa, o camarada entra no próprio telefone e acessa. Se o chefe proíbe isso também, o garoto vai ao banheiro e usa de lá... pronto, não dá pra impedir.

A empresa de um amigo meu passou a oferecer internet móvel no celular de seus vendedores, mesmo sabendo que isso seria 100% dispensável para a real e necessária tarefa. Quando perguntado o motivo, ele respondeu que a partir desta ação os vendedores deixaram de ficar horas na administração alegando que estavam lendo seus emails. Em contrapartida, perdem muito e muito tempo mandando mensagenzinhas idiotas entre eles ou comentando postagens alheias na internet. Segundo um outro amigo, consultor de Relações Humanas, a melhor coisa a ser feita com uma equipe que precisa ganhar tempo é orientá-la e conscientizá-la quanto ao uso racional e moderado. Em vez de agir como o velho chefe mão de ferro conflitando com os seus funcionários, procure juntar-se a eles e dar o exemplo.

As dicas para você e sua equipe não perderem tempo são óbvias, como não deixar seus aplicativos abertos e nem os alertas ativados, pois quando a gente vê aquela bolinha vermelha na tela informando que há mensagens, dificilmente a disciplina vence a curiosidade e o cara chega a ler e responder até mesmo enquanto está dirigindo. Para não perder tempo e nem arriscar a sua vida no trânsito, deixe para acessar as redes sociais enquanto está na fila do banco, no almoço, no ônibus ou mesmo no banheiro. Mas neste último caso, não demore... principalmente quando sua empresa oferece banheiros coletivos, porque seus amigos e colegas de trabalho também precisam usar... nem que seja para navegar um pouquinho.


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