terça-feira, 21 de maio de 2013

Se não puder superar, pelo menos não alimente o trauma


A frase de Caio Fernando de Abreu é: “Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito”. Ouvi essa citação pela primeira vez num dia desses, depois que eu havia passado a manhã inteira numa reunião com a empresa, reclamando de uma dificuldade vivida numa das tarefas que precisei fazer. Depois disso, a reflexão que fiz de meu próprio comportamento foi inevitável.

Até para manter a autoestima, temos a necessidade de justificar rapidamente as nossas metas não atingidas e uma boa justificativa é eleger um culpado. Este pode ser o governo, o patrão, o funcionário, o sindicato, o colega de trabalho, a crise, o calor, o frio ou qualquer outra coisa, pessoa ou circunstância que nos pareça a vítima ideal. Alguém sempre bate em nosso carro, mas se não tiver como por a culpa no outro motorista, então ela cairá sobre a sinalização, sobre a pressa ou mesmo sobre o pedestre que tentou atravessar fora da faixa e nos desconcentrou. E quando nos sentimos prejudicados por isso, falamos disso.

Depois de reclamarmos por algum tempo sobre uma mesma situação, derrubá-la passa a ser uma questão de honra. Essa situação que supostamente nos atrapalha passa a fazer parte de nossa vida com imensa evidência, a ponto de criarmos um tipo de “marcação” contra o tal vilão, que passa a ser o nosso inimigo numero um e todos os dias passamos a reforçar nossa indignação. Reforçamos os motivos de nossas reclamações e isso nos faz sermos cada dia mais vítima delas. Depois de um tempo, tal problema passa a ser nosso pior e mais pesado fardo a carregar.

Já notei líderes em situação de marcação com seus funcionários. Quando isso acontece, é difícil alertá-lo, porque a “cegueira” contagia o cérebro e tudo o que o outro fizer parecerá absurdo. O desenrolar da história normalmente é o desmanche da parceria, mesmo que ambos admitam que juntos pudessem ter resultados bons. As orelhas e os olhos dos "marcadores" ficam tão atentos que qualquer gesto ou palavrinha que puder trazer duplo sentido será, certamente, interpretada pelo pior dos sentidos.

Existem pessoas que reclamam de um problema sem buscar verdadeiramente uma solução. Elas reclamam, mas não tomam nenhuma atitude a respeito, não sugerem solução alguma (a não ser soluções impossíveis) e não aceitam as sugestões de outros. Se você percebe que é um desses, o melhor a fazer é trabalhar com a auto-disciplina... Faz alguns meses eu notei uma grande diferença em uma colega, que de um dia para o outro diminuiu consideravelmente o numero de reclamações diárias que fazia a respeito de um assunto. Curioso, perguntei o que havia acontecido e ela me respondeu: "Estou tentando não falar mais de ninguém". O resultado foi uma pessoa muito mais tranquila e feliz, com um fardo a menos e mais horas diárias de sorriso no rosto. 

Antes de finalizar, é interessante dizer que há também as pessoas que tiveram um trauma no passado e este sempre volta a tona. Ter sido vitima de violência, de um acidente, ter perdido algo ou alguém importante... tudo isso precisa ser superado o quanto antes para que a vida continue. De acordo com as frase escrita por Caio F., em alguns casos em que a superação não seja possível, é importante ao menos que supere-se o vício de colocar constantemente a lembrança a tona, servindo esta, em algumas vezes inclusive, como desculpa.

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