quarta-feira, 8 de maio de 2013

Temos todo o tempo do mundo...



Tenho alguns momentos de nostalgia. Há momentos em que eu fico pensando quão boa foi minha juventude, minha adolescência, minha infância. Mas também há momentos que eu me sinto burro demais por não ter tomado decisões diferentes, aproveitado oportunidades, me lançado em determinadas ações... e a sensação de perda, principalmente de tempo perdido sempre vem à tona.

O filme “Somos tão Jovens”, de Antonio Carlos Fontoura conta a história das bandas de rock de Brasília criadas no início dos anos 80 e, como título, tira uma frase da música da Legião Urbana, “Tempo Perdido”. E da letra dessa música, a conclusão que se tira é que o tempo passado nunca é perdido, mas o futuro pode se perder se não começarmos a agir no presente momento. Parafraseando Renato Russo, quero dizer que todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas eu ainda tenho muito tempo pela frente. Ao contrário do que a maioria pode pensar, o tempo passado não foi perdido. Ainda que hoje achemos que deveríamos ter feito diferente, esse tempo pode ter sido necessário para percebermos isso, para aprendermos. Por outro lado, no futuro (daqui há um minuto), já não temos mais tempo a perder.

Meus caros “tão jovens”: independentemente da idade que possam ter, parem de se lamentar pelo que não fizeram, pelas oportunidades que podem ter perdido, pelas portas fechadas... isso é passado e pouco pode-se fazer para recuperar. Por outro lado, não repitam os erros, pois se repeti-los, então significará que não aprenderam nada... e aí sim este tempo passado terá sido muito inútil e perdido. Olhando para cada uma de nossas cicatrizes, podemos nos lamentar pela dor eterna ou entender que ela “já passou” e que o que ficou foi a experiência. A mesma experiência que nos trouxe maturidade e inteligência para tomar as boas decisões agora, afinal novamente como cantava a Legião, “nosso suor sagrado precisa valer a pena para ser bem mais belo que esse sangue amargo, mas necessário de ser derrubado”.

Aos que discordam de minha afirmação acima, eu pergunto: Acha que perdeu tempo indo a escola todos os dias, desde o jardim da infância até a faculdade ou pós-graduação? Acredita hoje que deveria ter ficado todo esse tempo em casa brincando ou ido para a rua trabalhar com menos idade? Será que se tivesse feito isso estaria hoje melhor do que está? Tenho certeza que não! Assim como as horas que passou na sala de aula foram importantes para construir este cidadão que és hoje, as cabeçadas do passado também foram importantes.

Se Todos os dias antes de dormir eu lembro e esqueço como foi o dia... se ando sempre em frente... preciso também lembrar do aprendizado que tive e esquecer das frustrações. O que tenho visto é que a maioria da molecada que hoje está frustrada e inverteu esses valores. Dão muita atenção aos traumas e pouquíssima ao aprendizado contido neles. 

Trabalhe bastante, afinal, "não temos mais nenhum tempo a perder"... porque somos... tão... jovens. Não se frustre, "porque estamos distantes de tudo" e jamais ache que está tarde para recomeçar alguma coisa, pois "temos nosso próprio tempo". 

2 comentários:

  1. Adorei esse texto. Chegou na hora certa!

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  2. Muito bom esse texto, como você disse Aguinaldo, não devemos ter vergonha de mostrar as nossas cicatrizes, temos que ter orgulho ao mostra-las. Significa, q sobrevivemos.

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