terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sem desafios não tem graça!



Sem desafios, a vida não tem graça... A gente fala isso quando está tudo bem e depois se arrepende amargamente quando aparece algum abacaxi pra descascar. Mas do ponto de vista filosófico, uma vida sem nenhum stress seria exatamente assim... sem graça! Já dizia Sócrates, há 400 anos a.C., que "uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida"...

Com os bordões e os rejeitos de Mario Sérgio Cortella, eu diria: -Olha que coisa impactante!!! Inclusive, num dia desses eu voltava pra casa dirigindo e conversando com minha esposa sobre as pessoas que procuram sofrimento, que buscam problemas para se envolverem e depois ficam se lamentando pela confusão em que se meteram. E nós concluímos que a vida sem desafios seria mesmo muito chata! Imaginem uma vida sem competitividade, sem horários e metas a serem cumpridas... certamente seria uma vida também com menos soluções, porque as soluções somente são pensadas pelos inventores diante de uma demanda de necessidade. A maioria das tecnologias existentes hoje foram criadas como tecnologias de guerra, como por exemplo o câmbio 4X4 e o telefone via satélite. 

Uma das grandes provas de que o ser humano foi feito para enfrentar desafios é que, depois de uma determinada idade, nosso médico nos manda praticar exercícios físicos. Ele nos manda caminhar e a gente reluta, reluta e acaba descobrindo que não tem outra solução a não ser obedecer. Nós precisamos de desafios para mantermos o nosso próprio corpo funcionando, precisamos nos desafiar a levantar um peso que não nos trará nenhum tipo de benefício (a não ser aquele criado pelo próprio corpo). Precisamos correr numa esteira elétrica para podermos bombar o sangue através do coração...

Existe coisa mais estúpida que correr sem sair do lugar ou pedalar uma bicicleta parafusada no chão? Cada vez que faço isso, me sinto literalmente aquele cachorrinho correndo atrás do próprio rabo... mas é o "desafio sintético"... e tem que ser feito, pois sem essa suposta estupidez a gente morre! O desafio da força, quem sabe só poderia ser comparado ao desafio do amor, onde a gente quer sempre o MAIOR desafio: a mulher mais bonita, mais cobiçada, as vezes até a mais prepotente... exatamente essa passa a ser a nossa meta, porque é a que nos causa a sensação de ter vencido a lei da escassez e, consequentemente de vitória ao ser conquistada. Muitos, ainda dizem que as pessoas tendem a se apaixonarem por pessoas complicadas (segundo a escritora Clô Guilhermino, isso acontece porque 95% das pessoas disponíveis são complicadas) e a gente percebe que muitos relacionamentos se acabam simplesmente porque os casais não fazem mais nada, ou seja, "nem brigam mais", não há desafios a serem enfrentados em conjunto...

Países bem desenvolvidos, onde a organização social chega a índices invejáveis, acabam sofrendo justamente pela sua competência: a falta de problemas para a população. O índice de suicídios e envolvimento com drogas em comunidades ricas e pacatas é comparável ao das comunidades mais pobres e violentas, daí a origem dos famosos "rebeldes sem causa". A raiva (ainda que da monotonia) é um combustível tão forte para o nosso ser quanto o amor seria. A diferença entre eles é que a raiva é um combustível sujo, que embora tenha um alto poder de octanagem, destrói o motor do ser humano e o amor, por sua vez, é mais suave e que nos faz avançar com velocidade mais reduzida, porém por maiores distâncias. 

Podemos concluir, então, que a melhor maneira de vivermos em harmonia com nosso corpo e mente seja aquela que usam os militares no Brasil. Eles estão sempre em exercícios, mas como nosso país não tem tradição de participar de guerras, os nossos militares acabam por não ir de fato aos campos. Devemos fazer o mesmo conosco: nos mantermos em constantes exercícios, mas torcendo para não ser necessário o uso da força e que os abacaxis tão necessários sejam apenas aqueles de "tamanho normal", que a gente possa descascar sem machucar ninguém.