sábado, 29 de março de 2014

As empresas exageram na pedida!

Estamos vivendo uma fase onde pouco se fala em desemprego. Mas algumas pessoas ainda sentem dificuldade para entrar no mercado de trabalho. Buscando ajudar o trabalhador a se colocar no mercado, o CRÔNICAS foi conversar com a Palestrante e Coach MARYNÊS PEREIRA. Nesta entrevista, ela critica a forma como algumas empresas recrutam seus profissionais, pede mais atenção aos acadêmicos e aconselha os profissionais mais experientes a mudarem alguns conceitos e “pré-conceitos” que limitam suas possibilidades. Confira e valha-se do conteúdo!

CRÔNICAS: O mercado de trabalho está acessível a todos?

MARYNÊS: Não para todos! O mercado está acessível a quem está preparado: 1. tecnicamente. 2. desenvolvendo seus talentos e competências com paixão. 3. sabendo compartilhar. 4. entendendo que dinheiro é consequência de dedicação, integridade e perseverança. 5. autoconhecimento e administração de suas inteligências (emocional e social).

CRÔNICAS: É por isso que os noticiários dão conta de empregos disponíveis e mesmo assim, algumas pessoas não conseguem trabalhar?

MARYNÊS: Pode ser um dos motivos. Além disso, vejo alguns equívocos em anúncios de vagas. Por exemplo: solicitam competências, habilidades e conhecimentos como pré-requisito para a vaga em empresas onde as pessoas não terão a menor possibilidade de usá-las. Proatividade consta em quase todos anúncios que vejo , mas a realidade é bem outra , pois algumas empresas querem (verdadeiramente) as pessoas que não fazem nada além do que está previsto na operação. Não querem que o novo contratado “vá além “. Isso entre outros absurdos solicitados que nunca serão utilizados na vaga em questão... é como se usássemos um canhão para matar uma pulga. Acredito que muitas empresas exageram na descrição de um cargo e seus respectivos RHs estão desconectados da realidade e mais presos às formalidades aprendidas na faculdade.

CRÔNICAS: E quem perde com isso é somente o trabalhador, que não consegue o trabalho, ou a empresa também perde, por contratar errado?

MARYNÊS: Ambos perdem, pois, além de não conseguir o candidato ideal, também não os retém. A realidade encontrada em algumas empresas não cumpre a expectativa do candidato, conforme colocada no anúncio. Como citei anteriormente, existem erros ao anunciar a vaga, erros na descrição do cargo, nos valores e princípios da empresa, prometendo muitas coisas que não cumprem depois.

CRÔNICAS: Com isso as empresas perdem bons talentos?

MARYNÊS: Perdem por fatores citados acima e também por descontrole de alguns líderes que não conseguem lidar com pessoas proativas, assertivas e criativas mas que, curiosamente, pedem aos RHs para contrata-las. Muitos líderes não conseguem lidar com gente que pensa e critica.

CRÔNICAS: Essa realidade é geral? Podemos dizer que todo o mercado está assim?

MARYNÊS: Nem todos, não podemos generalizar. Isso é uma crítica a quem age desta forma, mas não há dúvidas que existe gente muito boa e honesta recrutando. Eu diria que existem os que estão no pântano da liderança, isto é, que agem de maneira agressiva na contratação, sequer dão-se conta disso e mal sabem porque exportam tantos talentos.

CRÔNICAS: Como deve agir o profissional em busca de trabalho, para que possa vencer este problema? Deve se preparar para o que está sendo pedido ou deve procurar compensar, de alguma outra maneira, expondo aos recrutadores que pode dar conta do recado sem as tais qualificações exigidas?

MARYNÊS: Em primeiro lugar, as empresas e RHs precisam estar sintonizados com a realidade e não fantasiar na elaboração dos perfis a ser contratados. Eu não acredito que faltam pessoas qualificadas no mercado, mas falta bom senso das empresas também. Elas precisam ser mais focadas na solução e se não conseguem o colaborador que precisam devem buscar formá-los oferecendo universidades corporativas (como muitas já vem fazendo) ou buscar ajuda junto a entidades como o SENAI, SESC e SEBRAE, afinal, se o sistema de ensino é ruim, não adianta lamentar.

CRÔNICAS: Mas pelo seu discurso, o trabalhador vira vítima de tudo isso. Como ele pode tomar a iniciativa e resolver a sua dificuldade?

MARYNÊS: O trabalhador precisa estudar, estudar e estudar. Mesmo que as empresas mudem sua forma de contratação, a qualificação através do estudo é sempre importante. Hoje o ensino é acessível e gratuito até mesmo pela internet, basta boa vontade e tempo disponível. Por outro lado, com comida faltando em casa, contas para pagar como essas pessoas vão pensar em se aprimorar? Tem muito talento em qualquer classe social, o problema é empresas quererem colher manga de uma macieira...

CRÔNICAS: Os profissionais de treinamento não estão preparados para lidarem com isso?

MARYNÊS: Alguns acadêmicos são "críticos de carteirinha" e isso é um enorme atraso para as empresas. Eles só falam da realidade criticando, mas nunca saem do laboratório e nunca pisam num ambiente corporativo real. Os críticos apontam os pontos problemáticos, mas nunca apresentam as soluções, porque não estão preocupados em procurá-las. Precisam pensar de outra maneira, mais prática, mais próxima da realidade.

CRÔNICAS: O trabalhador mais veterano, de 35 anos pra cima, as vezes não consegue concorrer com a molecada. Quais são as vantagens que o veterano deveria explorar para vencer a disputa com os mais jovens e encontrar o seu espaço?

MARYNÊS: Ele tem a experiência ao seu lado. Não creio que deva tentar se equiparar em termos de tecnologia e pensamento multifocal, típico dos mais jovens, pois perderá. Mas tem coisas que pode aprender em qualquer idade, como dividir ideias e pedir opiniões, aplicar a reciprocidade... isto é ajudar e ser ajudado, o que é muito bem visto por todos. Essa geração com mais de 40 anos costuma ser isolada e ambiciosa e isso repele os jovens. Percebo que muitos dos veteranos podem estar usando estratégias obsoletas. Não estou generalizando, há muitas exceções e meu objetivo é que haja cada vez mais veteranos solidários ao trabalho em equipe e sendo mentores das novas gerações...

3 comentários:

  1. Excelente colocação, além da preparação dos candidatos, equiparação do mercado por parte da empresas..

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  2. As empresas tem muitos erros concordo, mas responsabiliza-la por 90% de tudo e deixa apenas a obrigação de estudar para os colaboradores não vai resolver nosso problema. Concordo com o consultor Waldez Ludwig que tem muita empresa com mentalidade da era industrial mas tem um oceano de colaboradores com mentalidade de escravo como ele cita em seus videos esperando apenas o capataz. Empresas e Colaboradores tem muito o que melhorar, juntos e com a mesma responsabilidade, caso contrário essa realidade não vai mudar.

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  3. As empresas tem muitos erros concordo, mas responsabiliza-la por 90% de tudo e deixa apenas a obrigação de estudar para os colaboradores não vai resolver nosso problema. Concordo com o consultor Waldez Ludwig que tem muita empresa com mentalidade da era industrial mas tem um oceano de colaboradores com mentalidade de escravo como ele cita em seus videos esperando apenas o capataz. Empresas e Colaboradores tem muito o que melhorar, juntos e com a mesma responsabilidade, caso contrário essa realidade não vai mudar.

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