terça-feira, 25 de março de 2014

Exercitando o Talento!

Pulei o carnaval… Pulei de quinta diretamente para a quarta-feira de cinzas, já que esta não é uma das minhas festas preferidas. E foi justamente numa leitura de carnaval que eu observei a história de um publicitário de sucesso que, ao dar uma entrevista para um site na internet, contou que no início de carreira fazia seus estágios sem receber salário ou que participava das equipes de grandes agências com salários baixos e sem nenhum tipo de atrativo profissional, a não ser a expectativa de aprender e conviver com o meio.

E mais interessante que a entrevista, que foi ótima, pude perceber a repercussão, a turbulência e o volume de comentários dos internautas, principalmente daqueles que atuam na área ou que estudam Publicidade e Propaganda. Havia uma absurda quantidade de pessoas parabenizando a história de sucesso e, por incrível que possa parecer, a mesma quantidade ou mais, de pessoas criticando. Entre as críticas, poderíamos ler que “é um absurdo fazer estágio de graça”, ou que “é justamente por pessoas como ele que o salário do publicitário é baixo no Brasil”. Mas a mais absurda de todas vinha de um jovem que, indignado, perguntava “como ele poderia ser estagiário e ter certeza que não estariam apenas explorando o seu talento?”.

Isso me motivou a escrever sobre o tema: TALENTO.

Supostamente, um estagiário, por mais talento que “pense” ter ou “possa” ter, precisa exercitá-lo para poder desenvolvê-lo... como se fosse um atleta. Antes, porém, precisa aprender os fundamentos de sua profissão, como se fosse no esporte. E essa história de ser explorado no seu talento... quanto mais o seu talento for explorado, mais talento ele desenvolveria. E quando uso o futuro do pretérito é pra dizer que, “sei lá” se o cara tem talento mesmo, pois essa molecada de hoje está muito arrogante e se achando gênio... mas ainda que tenha talento, quanto mais for explorado, mais vai exercitar.

Imaginem o Neymar, no início de carreira, se negando a jogar bem no time juvenil do Santos, pois este poderia estar “explorando” seu talento... Imaginem a Maitê Proença, em sua juventude lá em Campinas, abrindo mão de interpretar uma peça amadora por achar que estariam também explorando seu talento... Claro que nenhum destes tem este sentimento. Ao contrário, Neymar e Maitê certamente agradecem aos seus mestres lançadores, independentemente de quais eram seus salários no início... E pra quem disser que o Neymar não vale como exemplo porque já ganhava bem desde criança, há inúmeros exemplos de jogadores famosos e muito bem pagos que, no início de carreira, dormiam no alojamento dos seus times, no interior do interior.

Um estudante ou um jovem profissional, por mais talento que possa ter, é apenas uma promessa. E para a promessa poder se cumprir, precisa que alguém aposte nela. Não estou defendendo o estágio sem remuneração... muito pelo contrário, pois acredito que a remuneração é importante até para causar um sentimento de sustento no jovem. Mas, da mesma forma que um empresário oferece serviços promocionais quando está com sua empresa nascente, um garoto tem mesmo é que aproveitar as oportunidades de aparecer no mercado e testar (mostrar) seu talento na vitrine que lhe for oferecida, assim como fez o publicitário que motivou este artigo, no início de sua carreira... e pra ele deu certo! 

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