sábado, 15 de março de 2014

O Líder "Resolvedor"

"Ficar parado não existe, porque o mundo continua girando!"
Fernando Frederic Gomes, é Gerente de Desenvolvimento Pessoal do Grupo UPTIME, de Belo Horizonte. Com mais de 20 anos na profissão, atualmente está envolvido em um dos maiores projetos relacionados a Universidade Corporativa da empresa e é considerado por todos um homem talentoso, carismático e divertido. Sabe se posicionar diante de situações adversas e se mostra extremamente lúdico em seus exemplos ricos em metáforas. Ao conhecê-lo, temos a nítida impressão de ele ter nascido assim com todos estes talentos. Então o CRÔNICAS se interessou em vasculhar seus conceitos e, com isso, entender como ele chegou a atual posição.

CRÔNICAS: Como você começou a trabalhar com pessoas? Foi planejado?

FERNANDO: No início dos anos 90 eu havia me formado em Administração de Empresas na PUC do Rio de Janeiro, mas escolhi aquele curso por total falta de vocação em alguma carreira específica. Escutava que a ADM era um curso abrangente, em que eu teria contato com vários segmentos e por isso optei por aquele curso. Lembro-me que na época de faculdade fui líder do Grêmio Estudantil e comecei a tratar dos eventos, desenvolvendo a habilidade na gestão de pessoas. Desde aquele momento eu percebi que a solução (e a criação) dos problemas invariavelmente passava pelas pessoas. Terminada a faculdade, fui em busca de uma colocação e surgiu uma oportunidade de trabalhar em área comercial, principalmente com desenvolvimento, numa empresa que me deu oportunidade para aprender, ensinar e multiplicar. Eu acreditei e comecei o processo que me levou ao cargo gerente de uma equipe comercial.

CRÔNICAS: Você quer dizer que desde a faculdade, tens o espírito e a iniciativa de liderança?

FERNANDO: Eu acredito que o líder não nasce líder, mas sim se transforma em líder. Mesmo com uma certa habilidade natural, busquei me aperfeiçoar e investi em potencializar minhas capacidades, o que garantiu mais recursos para a gestão dos conflitos, porque liderança para mim não é a motivação, mas sim a capacidade de gerir os conflitos do grupo. Estes conflitos, muitas vezes é das pessoas com elas mesmas.

CRÔNICAS: Você acredita que os conflitos pessoais são matéria prima para o crescimento profissional ou eles deveriam ser trabalhados fora da empresa, como se diz por aí, deixando seus problemas em casa?

FERNANDO: Mais que "conflitos", a melhor palavra é confronto e é aí que entra o lado pessoal. Eu veementemente não acredito em rendimento de alta performance sem um envolvimento completo da rotina da equipe. E aí é onde, no meu entendimento, os líderes mais erram. as vezes são omissos, as vezes são abusivos.

CRÔNICAS: Explique melhor: os líderes não querem ter trabalho?

FERNANDO: De um modo geral, não querem! Mas estou falando de líderes e não de chefes. O ponto que me refiro é o abuso do limite entre a liberdade que o liderado cede de ser influenciado e o abuso do líder despreparado em querer decidir tudo na vida dos integrantes de sua equipe.

CRÔNICAS: Você falou em faculdade. Você acredita que a formação profissional se da pela formação acadêmica ou pela rotina do dia a dia?

FERNANDO: Eu não entendo a faculdade como uma ferramenta técnica. O que eu aprendi de mais valioso foi com a prática, mas entendo que a faculdade me ajudou a aprender a pensar e principalmente me deu uma visão corporativa que eu demoraria muito mais a ter sem esta bagagem.

CRÔNICAS: Ter um mentor profissional ajuda a encaixar a visão acadêmica com a prática?

FERNANDO: Não gosto do conceito de "mentor"... acredito em buscar referências, em se ter exemplos a se seguir... mas considero que o menthoring limita tanto quanto ajuda. Explicando melhor, quero dizer que ajuda o chefe (que se permite ser só um executor) e limita o líder (que se dispõe a ser um "resolvedor").

CRÔNICAS: Para haver crescimento é necessário haver quebra de paradigmas?

FERNANDO: Tem uma frase de Albert Einstein, em que ele diz que é mais fácil quebrar um átomo que um preconceito. No meu entendimento muitas pessoas não prosperam com mais intensidade porque não se libertam de conceitos "limitantes". É o tal do "não fale com estranhos" e o excesso de avisos de cuidado, como a maioria dos ditados populares do tipo: "quem tudo quer nada tem", "o apressado como cru" e "quanto mais alto maior o tombo". Nossa educação nos acovarda e romper com a ilusão da segurança do “ficar estável” é o maior desafio de todos os profissionais. Quando entendemos que "ficar parado" não existe, simplesmente porque o mundo continua girando e se expandindo, os caminhos da prosperidade se tornam mais simples!

Um comentário:

  1. Esse tem meu respeito e admiração, todos os dias mostra quem é!

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