domingo, 8 de fevereiro de 2015

É que Narciso acha feio...

charge do cartunista BOOPO, devidamente creditada

"É que Narciso acha feio aquilo que não é espelho". Emblemática, a frase contida na música "Sampa", de Caetano Veloso, poderia explicar uma série de eventos acontecidos no mundo nos últimos dias. Mas para avançarmos nesta reflexão, precisamos explicar a mitologia grega, onde Narciso, filho de deuses (em algumas versões, o deus da beleza), era o rosto mais maravilhoso e havia a profecia de um desastre caso ele admirasse sua própria imagem. Mesmo avisado, o moço não resistiu ao ver seu reflexo na água e, ao tentar beijá-la, caiu no lago e morreu, sendo transformado numa flor. 

Quando observamos pessoas inteligentes discutindo se as ações terroristas na França foram provocadas pelo jornal satírico Charlie Hebdo ou apenas fruto da intolerância, percebemos que é politicamente correto condenar qualquer tipo de violência. A maioria das pessoas, sejam autoridades ou anônimos, declararam seu repúdio ao terrorismo e eu concordo com todas elas, mas pergunto: se sabes que alguém é intolerante e violento, porque provocá-lo? Será que alguém provocaria o maior mafioso do bairro?

A mesma intolerância que os fundamentalistas islâmicos demonstram em casos como este, é demonstrada em discussões politicas aqui em nosso país. Personagens conservadores que defendem a manutenção dos ditos costumes familiares são comumente intolerantes com aqueles que se posicionam de forma mais liberal e o contrário é verdadeiro. Muitas vezes, para defender suas posições de liberdade, os liberais deixam de aceitar a liberdade de outros.  

É que Narciso acha feio o que não é espelho, ou seja, Narciso considera absurda qualquer posição que não seja aquela que ele defende. Ver o outro lado da história parece não ser possível para a maioria de nós, ainda que o mundo seja repleto de diferenças de cultura, de hábitos distintos e significados totalmente antônimos para ações muito parecidas. Ou seja, a tolerância somente é boa se for dos outros para conosco.

Procure observar a cultura da empresa onde você trabalha. Tente perceber se ela tolera naturalmente as posições diferentes ou se mantem uma imagem conservadora. Há empresas que evitam contratar pessoas com tatuagens que não possam ser disfarçadas, ao mesmo tempo em que em outras essa arte é totalmente liberada. Se sua empresa é conservadora, respeite isso e se a mesma é liberal, encare com naturalidade aquilo que vir diferente... afinal, a mesma liberdade que você tem de ser assim, o outro tem de ser "assado".

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