sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Quem poupa o lobo, condena o cordeiro.



Fulano faz deliberadamente o seu trabalho mal feito. Beltrano faz fofocas e fala mal da empresa, inclusive para os clientes. Sicrano se faz de coitado e cria um clima negativo entre os funcionários... Esses caras são um enorme câncer na empresa, doença que não é tratada porque as pessoas que os cercam não tem coragem de delatá-los.

Normalmente o cidadão de bem tende a não querer prejudicar o outro ainda que o outro esteja o prejudicando. O bandido não tem nenhum pudor em matar o cidadão, mas o cidadão se preocupa com suas ações, mesmo que a vítima destas ações sejam pessoas ruins. Isso é algo constante em todos os lugares e não seria diferente numa corporação. É justamente por isso que muitas equipes se desfazem ou sofrem para atingirem seus objetivos.

Uma vez detectei que duas pessoas de minha equipe "remavam no sentido contrário". Uma delas era boa tecnicamente, mas questionava uma série de processos. A outra trabalhava pouco mesmo, sem se preocupar com os resultados finais... e, nas suas síndromes de bola murcha, tentavam convencer outros colegas de que as coisas estavam ruins e criavam a expectativa de que elas somente iriam piorar.

Quando senti o cheiro ruim no ar, iniciei uma investigação para saber o que acontecia. Pesquisei, conversei com as pessoas e descobri que a "rádio peão" era percebida por todos, mas ninguém tinha coragem de contrariar e nem de deletar... Contrariar a rádio peão sempre rende o título de puxa-saco de alguém e deletar o radialista faz o delator ser apelidado de dedo-duro. Como ninguém quer ser chamado de nada neste sentido, as pessoas se calam e até engrossam o coro. O problema é que, conforme o câncer se alastra, mais pessoas e departamentos vão sendo atingidos e prejudicados.

O causador dos buchichos e seus seguidores descontentes não tem amor a empresa. Eles não se preocupam se esta vai ser prejudicada, afinal eles estão ali somente de passagem e em pouco tempo irão sair para causar danos em outros lugares. Já os que gostam do trabalho, mas permitem que o clima negativo seja alimentado, serão os verdadeiros perdedores no final. E são justamente estes os que poderiam acabar com o problema, mas normalmente têm dificuldades de agir...

Normalmente eles dizem: "não quero dedar ninguém" e ficam esperando que o gestor da empresa descubra por si próprio os obstáculos existentes. Não querem ser responsáveis por uma possível punição que o outro venha sofrer, mas não percebem que ao se calarem, estão sendo cúmplices de um problema coletivo. As vezes até criticam (numa outra estação da rádio peão) os gestores por eles não verem o que está acontecendo ou mesmo por não tomarem nenhuma atitude, mas não notam que o maior pecado é cometido por eles mesmos, quando se calam.

Quem poupa o mau funcionário, prejudica o bom. Prejudica a empresa, os colegas, os clientes, o patrão e a si mesmo... Afinal, segundo Vitor Hugo, "quem poupa o lobo, está automaticamente condenando o cordeiro".